
[ info ]
Nome: Lívia
Idade: 21
ICQ: 275459195, mas nunca uso.
MSN:livialamblet@hotmail.com
Gosto: namorar, conversar com os amigos, ficar na net, cantar, ler, dormir,ir a barzinho, ir à praia, desenhar, ir ao teatro, assistir DVD (na casa de Ricardo, porque eu sou pobre...ainda tenho vídeo).
Não gosto: Gente lerda, telemarketing, pagode, funk, música sertaneja, fanáticos religiosos, gente falsa, mentira, leite, acordar cedo, televisão brasileira, burrice,filme americano, rádio FM, peixe assado, batata doce, batata baroa(mandioquinha), flanelinha, intelectualóides.
Sobre mim: Sou uma pessoa amiga, sincera, honesta, confusa, indecisa, atrapalhada, carente, inteligente, criativa, impaciente.
Amor: Ricardo, fazemos 6 anos de namoro agora dia 18 de maio!!
Religião: Espírita
Posição Política: Admiro muito o pensamento anarquista
Comida: Massas, salpicão, strogonoff, doces, saladas.
Desenho: Garfield, Sakura, Love Hina, Hei Arnold!, Snoopy, Taz, Donald, Ginger.
TV: Friends (acabou...), Gilmore Girls, Coupling...
Vício: Estalar o pescoço, os dedos, a coluna...cafeína, Orkut
Música: Índios, Tears in Heaven, João e Maria, Valsinha, Waiting for You, Imagine, Smile (Charles Chaplin) e eletrônica em geral.
Mora: Niterói/RJ
Noite ou dia: Depende, mas mais noite
Frio ou calor: Frio
Data de Nascimento: 26/03/1984
Piercing: Um, no nariz
Óculos: 0,5 graus de hipermetropia, mas meu pai perdeu meu óculos...
Time: Botafogo
Cor: Azul
Feriado: Natal
Estação do Ano: Outono
Esporte: GRD, Vôlei
Frase: "Fora da caridade não há salvação", "O Essencial é invisível para os olhos"
Filme: "Sim, Mas...", Os Deuses Devem Estar Loucos 2, Um Sonho de Liberdade, Senhor dos Anéis, Dogville, Fahrenheit 11/09.
Década: De 80
Acredita em Almas Gêmeas? Sim, eu encontrei a minha.
Bebida: Café, suco, vinho, água, batida
Flor: Orquídeas brancas
Viagem:Rio Grande do Sul
Livro: Há Dois Mil Anos..., A Moreninha, O Pequeno Príncipe, Fernão Capelo Gaivota, A Revolução dos Bichos, Meu Pé de Laranja Lima, A República
Peça de Teatro: Arlequim, Servidor de Dois Patrões, Boom!
Lembrança da infância: Ursinhos Carinhosos, Moranguinho, Punk,a Levada da Breca, pique, subir em árvores...
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[Domingo, Abril 9]
A Máquina
Inovador, surpreendente e teatral. Essas palavras resumem o filme A Máquina, que está em cartaz nos cinemas. Dirigido por João Falcão, é uma adaptação do livro de mesmo nome para a telona, tendo sido escrito por Adriana Falcão, esposa do diretor.
Em 90 minutos o filme encanta pela beleza artística e estética. Não é um desses filmes onde o principal é simplesmente retratar a pobreza e carência do povo brasileiro, mas sim uma grande história em que a principal meta é tentar trazer o mundo para a pacata cidade de Nordestina, mais precisamente pelo fato de Antônio, personagem principal, não querer perder Karina para esse mundo que ela tanto almeja. Uma história de amor com um quê de ficção científica dá o toque primordial ao filme, já que a presença do se aparece com força total: ¿E se eu tivesse respondido outra coisa?¿. É a questão central da história.
A mistura de linguagens, como vídeo-clipes, teatro, cinema e musicais tornam o filme agradável e maravilhoso, como há muito tempo não se via no cinema nacional. Também a atuação de grandes atores, como Paulo Autran e Mariana Ximenes, fazem com que A Máquina seja imperdível para pessoas de todas as idades.
Lívia Lamblet
por LÍVIA LAMBLET * 10:12 AM
[Quinta-feira, Setembro 1]
Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?
Para se entender as pinturas de Frida Kahlo é necessário conhecer a sua vida.
Frida Nasceu em 1907 no México, mas gostava de declarar-se filha da revolução ao dizer que
havia nascido em 1910. Sua vida sempre foi marcada por grandes tragédias; aos seis anos
contraiu poliomelite, o que à deixou coxa. Já havia superado essa deficiência quando o ônibus em
que passeava chocou-se contra um bonde. Ela sofreu multiplas fraturas e uma barra de ferro
atravessou-a entrando pela bacia e saindo pela vagina. Por causa deste último fez várias cirurgias
e ficou muito tempo presa em uma cama.
Começou a pintar durante a convalescença, quando a mãe pendurou um espelho em cima de sua
cama. Frida sempre pintou a si mesma: "Eu pinto-me porque estou muitas vezes sozinha e porque
sou o assunto que conheço melhor". Suas angustias, suas vivências, seus medos e principalmente
seu amor pelo marido Diego Rivera.
A sua vida com o marido sempre foi bastante tumultuada. Diego tinha muitas amantes e Frida
não ficava atrás, compensava as traições do marido com amantes de ambos os sexos.
Seu amante mais ilustre foi o esilado político Trotski.
A maior dor de Frida foi a impossibilidade de ter filhos (embora tenha engravidado mais de uma vez, as
seqüelas do acidente a impossibilitaram de levar uma gestação até o final), o que ficou claro em
muitos dos seus quadros.
Os seus quadros refletiam o momento pelo qual passava e, embora fossem bastante "fortes", não
eram surrealistas: "Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei
minha própria realidade". Frida contraiu uma pneumonia e morreu em 1954 de embolia
pulmonar, mas no seu diário a última frase causa dúvidas: "Espero alegremente a saída - e espero
nunca mais voltar - Frida". Talvez Frida não suportasse mais.
Suas pinturas:

por LÍVIA LAMBLET * 5:17 PM
[Quarta-feira, Junho 8]
Loucos e Santos
Oscar Wilde
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
por LÍVIA LAMBLET * 1:29 PM
[Quarta-feira, Maio 11]
Queda! As Últimas Horas de Hitler, A - Untergang, Der, 2004
Fonte: www.cinemaemcena.com.br
Dirigido por Oliver Hirschbiegel. Com: Bruno Ganz, Alexandra Maria Lara, Ulrich Matthes, Corinna Harfouch, Juliane Köhler, Heino Ferch, Christian Berkel, Thomas Kretschmann, Matthias Habich, Michael Mendl, Ulrich Noethen, Birgit Minichmayr.
É fácil pensar em Adolf Hitler como a pura encarnação do 'Mal', do Anti-Cristo católico. Enxergando-o como um monstro unidimensional, podemos sufocar o medo de que algo impensável como o Holocausto possa acontecer novamente, já que a Solução Final não teria saído da mente de um homem (ou mesmo de um grupo deles), mas de uma 'criatura'. Além disso, fugimos da constatação óbvia de que o ser humano é, sim, capaz de patrocinar atrocidades indizíveis.
No entanto, a concepção de Hitler como Demônio é uma simplificação não apenas infantil, mas perigosa: é fundamental que eliminemos esta aura 'sobrenatural' do ditador nazista e que o encaremos não como um indivíduo singular, único, mas como um homem comum que, abençoado com um carisma imenso e com uma capacidade de liderança admirável, desperdiçou estes dons ao permitir que sua visão preconceituosa e distorcida do mundo guiasse suas iniciativas. Filmes como A Queda, Eu Fui a Secretária de Hitler e Max buscam, portanto, cumprir o importante papel de desvendar como alguém com uma ideologia tão mesquinha pode ter conseguido influenciar uma nação ¿ e, conseqüentemente, nos levam a compreender a possibilidade trágica de que a História venha a se repetir (e o fato é que, até certo grau, já vem se repetindo).
Empregando, como âncora da narrativa, a secretária particular de Hitler durante os últimos dois anos da vida do Führer alemão, A Queda começa justamente com um depoimento de Traudl Junge retirado do fascinante documentário citado no parágrafo acima. A partir daí, voltamos a 1943 para 'testemunhar' a contratação da garota por um Hitler afável e paciente ¿ cena que é seguida por um salto de dois anos e meio no tempo, quando, então, reencontramos os personagens durante o cerco russo a Berlim. Mergulhados no caos que antecipou a derrota nazista, os soldados alemães e oficiais da temida SS entregam-se ao ritual desesperado de queimar documentos que possam incriminar os chefões do Partido Nazista no cenário pós-Guerra. Doente e psicologicamente fragilizado, Adolf Hitler refugia-se ao lado de Eva Braun e de seus generais mais importantes em bunkers situados sob a capital alemã enquanto dispara ordens de contra-ataque para suas tropas espalhadas pelo país.
Ao mesmo tempo, o roteiro de Bernd Eichinger acompanha diversos outros personagens afetados pelo conflito, como o pai que tenta convencer o filho a abandonar a Juventude Hitlerista; o general que, depois de ser condenado à morte por traição, apresenta-se a Hitler para se defender e acaba ganhando a tarefa ingrata de defender Berlim (o que o leva a questionar se não teria sido melhor ser executado); e o médico que, horrorizado com o sofrimento dos civis, arrisca a própria vida para buscar medicamentos em uma parte da cidade que já foi tomada pelos soldados russos. Desta maneira, A Queda ilustra um paradoxo fascinante: mesmo entre os oficiais nazistas havia indivíduos capazes de gestos nobres e altruístas.
É verdade que o filme praticamente não cita o extermínio de judeus orquestrado por Hitler (ou mesmo seu anti-semitismo, que é invocado duas ou três vezes ao longo da narrativa), mas isto não era realmente necessário para a proposta do longa; já conhecemos a tragédia da Solução Final. Mais importante do que isto, para o cineasta Oliver Hirschbiegel, é retratar a decadência do Führer, evidenciando, por exemplo, sua retórica vazia ¿ que, se convencia os alemães quando enunciada em discursos fortes e repletos de autoridade, torna-se absolutamente transparente ao sair da boca de um velho alquebrado e confuso. Além disso, o diretor faz questão de ilustrar que não foram apenas os judeus que sofreram em função dos delírios de Hitler (embora tenham sido indiscutivelmente as maiores vítimas): o próprio povo germânico pagou caro por colocar os nazistas no poder (em certo momento, o repulsivo Goebbels diz: 'O povo nos deu um mandato. E agora está pagando por isto!'). Aliás, o próprio conceito de 'Juventude Hitlerista' pode ser considerado como um dos maiores crimes do ditador.
Outra preocupação admirável de A Queda é representar a quase inexplicável fascinação que Hitler exercia sobre seus comandados; mesmo sofrendo de uma demência clara e de uma paranóia inegável, o Führer conta com a fidelidade irrestrita de seus generais, que encaram como justas suas constantes explosões de raiva e suas recriminações infindáveis (e aqui devo abrir um parênteses para dizer que a performance do veterano Bruno Ganz neste longa é uma das melhores de sua já brilhante carreira). Sim, Hitler dispara ordens para tropas que já não existem e delira sobre a ressurreição impossível da Luftwaffe, mas, ainda assim, a possibilidade de vê-lo derrotado apavora aqueles experientes militares.
Revelando uma coragem admirável, o cineasta alemão Oliver Hirschbiegel demonstra não temer críticas vazias sobre o retrato tridimensional que faz de Adolf Hitler e dedica-se totalmente à análise do colapso moral, humano e psicológico do ditador ¿ e, simultaneamente, estabelece com talento e segurança a situação opressiva e desesperadora que todas aquelas pessoas viveram nos bunkers (muitas delas merecendo o destino cruel que tiveram; algumas ¿ como Traudl Junge ¿ simplesmente pagando pelo pecado da omissão). Aliás, não fiquei surpreso ao constatar que Hirschbiegel dirigiu também o interessante A Experiência, sobre um grupo de homens que se submete a um experimento psicológico que simula as condições de uma prisão e que logo revela os aspectos mais cruéis da natureza humana: temática e narrativamente, os dois filmes têm muito em comum. Para finalizar, é fundamental reconhecer o impressionante trabalho de direção de arte do filme, que recria a Berlim totalmente destruída do pós-Guerra ¿ e o maior elogio que posso fazer neste sentido é dizer que seus cenários não ficam nada a desejar com relação à cidade vista em Alemanha, Ano Zero, de Roberto Rossellini ¿ que foi realmente rodado nos escombros da capital alemã.
Como já expliquei, um dos maiores méritos de A Queda diz respeito à inteligência com que estabelece o fascínio e a fidelidade que Adolf Hitler despertava em seus seguidores ¿ um encantamento capaz de levar uma mãe a atos extremos para evitar que seus filhos vivam em um mundo sem a influência do ditador. E a prova maior da sensibilidade de Hirschbiegel reside em sua capacidade de levar o espectador a chorar pelos filhos de ninguém menos do que Goebbels ¿ algo que reafirma nossa própria humanidade.
Afinal, ao despertar nossa compaixão pela prole de um casal tão detestável, o cineasta nos 'força' a praticar uma das maiores virtudes do ser humano: a compaixão. E esta é uma das grandes lições de A Queda: a compreensão de que o ódio cego nos diminui tanto quanto ao inimigo.
por LÍVIA LAMBLET * 11:35 AM
[Sexta-feira, Maio 6]
Descoberta ajuda a transportar nanomateriais
06 de Janeiro
Técnica desenvolvida por pesquisadores dos EUA permite examinar gotas microscópicas com a ajuda de um microchip
Químicos da Universidade da Califórnia em San Diego desenvolveram um método que utiliza partículas de chips de silício para envolver e direcionar precisamente moléculas, células, bactérias e outros objetos minúsculos contidos numa gota de líquido muito pequena.
O estudo sobre o desenvolvimento dessas minúsculas partículas formadas por silício foi publicado na revista Nature Materials, e representa uma importante conquista no campo dos "microfluidos", no qual novos métodos estão sendo explorados para transportar volumes cada vez menores.
O maior problema enfrentado hoje pelos cientistas na indústria de biotecnologia é manipular minúsculos volumes de líquido (que contêm preciosas amostras de DNA, bactérias, vírus e outras nanopartículas) sem perder muito material.
"Já que o volume das amostras se torna cada vez menor, o número de moléculas que adere ao interior da micropipeta ou de qualquer outro tipo de microcanal representa uma fração significativa", diz Michael Sailor, professor de química e bioquímica que liderou o estudo da UCSD. Esse problema gerou a idéia de desenvolver o "laboratório numa gota".
"Uma esfera tem a mais baixa proporção de área de superfície por volume. Então, se uma gotinha contém uma amostra de interesse, ela pode ser manipulada sem entrar em contato com as paredes de seu recipiente, e pode minimizar a quantidade de material perdido", diz Sailor.
O trabalho começou quando Jason Dorvee, um dos alunos de pós-graduação de Sailor, adicionou óxido de ferro magnético aos chips microscópicos de silício fabricados no laboratório de seu orientador. Assim, eles conseguiram movê-los rapidamente com um imã de mão. Esses chips, desenvolvidos há muitos anos por Sailor e Jamie Link, também são chamados de "poeira inteligente".
"As propriedades magnéticas adicionadas por Jason nos permitem direcionar seus movimentos", diz Sailor.
Sailor e seu grupo programaram os chips para detectar e envolver objetos específicos, como uma gota de substância química tóxica ou uma célula cancerígena. As últimas descobertas dão aos cientistas uma capacidade adicional de controlar e mover esse conjunto de partículas e transportá-las para exame e experimentação.
Fonte:http://www2.uol.com.br/sciam/
por LÍVIA LAMBLET * 11:51 AM
[Quarta-feira, Maio 4]
Eis uma tirinha do site: www.malvados.com.br

por LÍVIA LAMBLET * 10:01 AM
[Segunda-feira, Maio 2]
Crítica
Miss Simpatia 2: Armada e Poderosa - Miss Congeniality 2: Armed and Fabulous, 2005
Dirigido por John Pasquin. Com: Sandra Bullock, Regina King, Diedrich Bader, Ernie Hudson, William Shatner, Heather Burns, Treat Williams, Enrique Murciano, Abraham Benrubi, Nick Offerman, Stephen Tobolowsky, Eileen Brennan, Dolly Parton.
Quando escrevi sobre Miss Simpatia, em maio de 2001, iniciei o artigo afirmando que considerava Sandra Bullock 'uma gracinha'. Pois bem: quatro anos se passaram e continuo a defender o carisma da moça, que, assim como Doris Day e Meg Ryan, é o tipo de atriz que consegue se afastar do rótulo de 'estrela' e construir uma carreira assumindo o papel de garota 'comum' que poderia ser aquela vizinha bonita do espectador. No entanto, se isto era o bastante para ajudar a transformar Miss Simpatia em um passatempo acima da média, desta vez o resultado é bem menos satisfatório, como se descobríssemos que a tal vizinha é, infelizmente, fã de pagode.
Retomando a história três semanas depois dos acontecimentos narrados no filme original, Miss Simpatia 2 traz a agente Gracie Hart vivendo um problema inesperado: em função do sucesso alcançado em sua missão anterior, quando se disfarçou de candidata a Miss Estados Unidos para investigar uma ameaça de bomba, a agente do FBI tornou-se famosa demais para poder trabalhar sob disfarce ¿ e, assim, recebe a oferta de se tornar a 'nova cara' da agência, aparecendo em programas de entrevistas e divulgando um livro sobre suas experiências em campo. Guiada pelo consultor de moda Joel, ela se transforma na verdadeira antítese da moça desleixada do capítulo anterior, o que não deixa de representar uma forma interessante de lidar com a personagem. Porém, se a trama policial de Miss Simpatia já pecava pela obviedade, desta vez o crime a ser investigado pela protagonista é ainda mais idiota: o seqüestro da Miss EUA e do afetado Stan Fields por dois bandidos genéricos e nada interessantes.
Sem sequer se esforçar para dar um desfecho adequado ao romance entre Gracie e o agente Matthews, que merecera destaque no primeiro filme, o roteirista Marc Lawrence se livra do personagem de Benjamin Bratt através de uma rápida conversa pelo telefone, evitando até mesmo pagar o cachê do ator por uma participação curta na continuação (nem sua voz é ouvida do outro lado da linha). Para ocupar o espaço de Matthews como parceiro da heroína, Miss Simpatia 2 nos apresenta à durona agente Sam Fuller, cujo temperamento difícil afasta todos que tentam trabalhar ao seu lado (não me perguntem se o nome da personagem é uma 'homenagem' ao diretor de A Dama de Preto e Anjo do Mal, pois, honestamente, não sei responder). Assim, Lawrence aposta num dos mais velhos clichês do gênero: o dos(as) parceiros(as) que se detestam, mas são obrigados(as) a se aturar ¿ e que, com o tempo, se tornam amigos(as). O problema é que, ao contrário do que ocorria em produções bem-sucedidas como Máquina Mortífera e Homens de Preto, aqui a aproximação de Gracie e Sam é retratada de forma artificial, como mera convenção do roteiro, tornando a amizade implausível.
E, se William Shatner volta a protagonizar alguns momentos engraçados, o filme claramente ressente a ausência de Michael Caine, cuja relação com a personagem de Bullock resultara nas melhores cenas do original. O diretor John Pasquin até tenta substituir Caine pelo também engraçado Diedrich Bader (um comediante que sempre me faz rir), mas o roteiro burocrático não consegue explorar o talento do ator, investindo apenas em um estereótipo ofensivo do 'gay promíscuo', que chega até mesmo a gostar da possibilidade de ir para a prisão (aparentemente, ser violentado por centenas de presidiários é algo com que todo homossexual sonha ¿ ao menos, é o que Hollywood parece acreditar). Fechando o elenco, vem Treat Williams, cuja carreira, inicialmente promissora, é um dos grandes desapontamentos que sofri como cinéfilo.
Engessando Bullock em um formato mais do que batido, Miss Simpatia 2 tenta transformar a personagem em uma versão feminina de Fletch ou Axel Foley, mas o fato é que, ainda que funcione vez por outra, o recurso cômico do 'policial disfarçado' já não é mais tão eficiente quanto no passado. Além disso, é difícil aceitar que Gracie seja capaz de identificar pistas e obter informações que uma equipe formada por 75 agentes treinados simplesmente ignorou...
Apesar de funcionar como passatempo descompromissado, Miss Simpatia 2 não é particularmente engraçado ¿ e é realmente assustador que um dos pontos altos da narrativa diga respeito a uma perseguição envolvendo... Dolly Parton! Ora, se isto dificilmente soaria divertido na década de 80, imagine nos dias de hoje, quando Parton se tornou uma mera curiosidade do passado? (Posso até imaginar os espectadores mais jovens olhando uns para os outros e perguntando quem é aquela 'dona peituda'...) Aliás, para ser sincero, aquela 'piada' não funcionaria nem mesmo se envolvesse Jennifer Lopez ou Britney Spears.
Bullock é uma gracinha, mas não faz milagres.
por LÍVIA LAMBLET * 9:55 AM
[Sexta-feira, Abril 29]
Felicidade Fatorial
Carlos Drummond de Andrade
Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino - o amor.
Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado...
Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados... Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...
Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela...
Se você preferir morrer, antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma dádiva.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor
passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente. É o livre-arbítrio.
Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.
por LÍVIA LAMBLET * 11:23 AM
[Quarta-feira, Abril 27]
Cientistas encontram área do cérebro que controlaria a confiança
Uma equipe da Faculdade de Medicina de Baylor, nos Estados Unidos, apresentou essa semana os resultados de um experimento que buscava determinar a área do cérebro responsável pela confiança e pelas decisões tomadas com base no mesmo sentimento. Eles monitoraram a atividade cerebral de alguns voluntários enquanto tomavam parte em um jogo, em que deviam confiar em um parceiro.
O jogo que desenvolveram consistia em apostas ou investimentos. Um dos jogadores era o responsável pelo dinheiro, e podia apostá-lo sozinho ou deixar que um parceiro apostasse por ele, sendo que esse poderia ganhar mais dinheiro e dividir com o primeiro. Nas relações em que os jogadores e seus parceiros desenvolveram uma relação de confiança, uma área específica do cérebro foi constantemente ativada - o chamado núcleo cadauto.
De acordo com a pesquisa, essa área recebe e processa informações quando estamos julgando as decisões dos outros, que foram baseadas na confiança, e também quando pensamos em retribuir algo confiando em alguém. Os pesquisadores afirmam que novos estudos ainda são necessários para comprovar esses resultados.
Links: Faculdade de Medicina de Baylor - http://www.bcm.edu/medschool/
Revista Science - http://www.sciencemag.org/
por LÍVIA LAMBLET * 10:36 AM
[Terça-feira, Abril 26]
Planeta Água
Guilherme Arantes
Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias e matam a sede da população
Águas que caem das pedras no véu das cascatas, ronco de trovão
E depois dormem tranqüilas no leito dos lagos, no leito dos lagos
Água dos igarapés, onde Iara, a mãe d'água é misteriosa canção
Água que o sol evapora, pro céu vai embora, virar nuvem de algodão
Gotas de água da chuva, alegre arco-íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva, tão tristes, são lágrimas na inundação
Águas que movem moinhos são as mesmas águas que encharcam o chão
E sempre voltam humildes pro fundo da terra, pro fundo da terra
Terra, planeta água
Terra, planeta água
Terra, planeta água
Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias e matam a sede da população
Águas que movem moinhos são as mesmas águas que encharcam o chão
E sempre voltam humildes pro fundo da terra, pro fundo da terra
Terra, planeta água
Terra, planeta água
Terra, planeta água
Terra, planeta água
Terra, planeta água
Terra, planeta água.
por LÍVIA LAMBLET * 9:49 AM
[Segunda-feira, Abril 25]
Células-tronco: expectativas e realidade
Lygia V. Pereira
Há um longo caminho a percorrer antes que sejam feitos testes com CTs embrionárias em humanos
A luta pela aprovação do Projeto de Lei de Biossegurança, liberando o uso de embriões humanos para a extração de células-tronco (CTs) embrionárias, gerou enorme expectativa na população, que se pergunta: após a aprovação, quantos pacientes sairão das filas de transplantes? Na verdade, nenhum hoje, nenhum até mesmo nos próximos anos, mas provavelmente muitos a longo prazo, agora que podemos trabalhar com essas células no Brasil. Com a poeira do sensacionalismo baixada, quais são as reais possibilidades das CTs embrionárias?
As CTs embrionárias são o tipo mais versátil até hoje identificado em mamíferos, possuindo a formidável capacidade de dar origem a todos os tecidos do corpo. Desde a década de 1980 faz-se pesquisas com as CTs em-brionárias de camundongos. Descobrimos como transformá-las no laboratório em células da medula óssea, do músculo cardíaco, em neurônios, entre outras. E quando transplantadas em animais doentes, as células derivadas foram capazes de aliviar os sintomas de diversas doenças - leucemia, doença de Parkinson até paralisia causada por trauma da medula espinhal.
As primeiras linhagens de CTs embrionárias humanas surgiram em 1998, e junto com elas a enorme expectativa de seu uso terapêutico. Porém, antes de começarmos testes clínicos injetando CTs embrionárias em seres humanos, temos algumas questões fundamentais que devem ser resolvidas.
Questões de segurança - quando injetadas em camundongos, essas células podem formar tumores. Antes de testá-las em pacientes, temos que primeiro aprender a controlar sua diferenciação para que elas gerem somente o tecido que nos interessa, e não tumores.
Questões de compatibilidade entre as CTs embrionárias e o paciente, para que elas não sejam rejeitadas após o transplante. Uma solução para isso seria criar, com as técnicas de clonagem, CTs embrionárias geneticamente idênticas ao paciente, que poderiam então gerar tecidos 100% compatíveis com ele - a chamada clonagem terapêutica, realizada em humanos na Coréia do Sul em 2004.
Porém, a clonagem terapêutica não poderia ser utilizada em indivíduos com doenças genéticas. As CTs embrionárias geradas a partir das células desses pacientes também carregariam a doença, e por isso não seriam capazes de gerar tecidos sadios para transplante. Assim, para o tratamento de doenças genéticas com CTs - sejam embrionárias, da medula ou do sangue do cordão - a melhor alternativa é conseguir um doador aparentado, que tem maior chance de ser compatível com o paciente.
E no Brasil, como andam as pesquisas com as CTs em-brionárias? Em 1999, nosso grupo estabeleceu as primeiras linhagens de camundongo totalmente "made in Brasil", implantando a tecnologia no país e a disponibilizando para outros pesquisadores.
Quanto à clonagem terapêutica, a colaboração entre grupos que fazem clonagem animal e aqueles que trabalham com CTs em-brionárias poderia tornar esta prática uma realidade no país. Porém, o Projeto de Biossegurança proíbe a clonagem terapêutica. Não tem problema, a conquista do direito de utilizar embriões congelados para pesquisa foi um primeiro e importantíssimo passo, e em uma segunda rodada a clonagem terapêutica pode ser renegociada. E enquanto não podemos utilizá-las como agente terapêutico, temos muito a aprender com as CTs embrionárias, sobre sua capacidade de se transformar em qualquer tecido - esses conhecimentos básicos trarão a longo prazo grandes benefícios à saúde humana.
Apesar de o uso terapêutico das CTs embrionárias ainda estar longe de se tornar uma realidade, para que isso um dia aconteça precisamos pesquisar - e foi este direito que adquirimos com a aprovação do projeto, passando de meros observadores do desenvol-vimento de uma área promissora da medicina para jogadores muito competitivos. Afinal de contas, as pesquisas com CTs de medula e de cordão umbilical no Brasil são motivo de orgulho nacional. Agora poderemos fazer bonito com as CTs embrionárias.
Lygia V. Pereira é livre-docente e chefe do Laboratório de Genética Molecular do Departamento de Biologia, Instituto de Biociências, USP.
Fonte: Revista Scientific American
por LÍVIA LAMBLET * 10:07 AM
[Segunda-feira, Março 14]
PERFEIÇÃO
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá
Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar o nosso governo
E nosso estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatus
Perséphone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
E os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
E o voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
Todos os impostos, queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo e nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo o roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
(A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror de tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já aqui também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou essa canção
Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha, que o que vem é perfeição
por LÍVIA LAMBLET * 9:54 AM
[Domingo, Março 6]
SAUDADE
Pablo Neruda
Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado
que ainda não passou,
é recusar um presente que
nos machuca, é não ver o futuro
que nos convida...
Saudade é sentir que existe
o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
"aquela que nunca amou."
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido...
por LÍVIA LAMBLET * 8:55 AM
[Sexta-feira, Março 4]
ESPERANÇA
Vicente de Carvalho
Só a leve esperança em toda a vida
disfarça a pena de viver, mais nada;
nem é mais a existência resumida
que uma grande esperança malograda.
O eterno sonho da alma desterrada,
sonho que a traz ansiosa e embevecida,
é uma hora feliz, sempre adiada
e que não chega nunca em toda a vida.
Essa felicidade que supomos
árvore milagrosa que sonhamos
toda arriada de dourados pomos
existe sim; mas nós não a encontramos,
porque está sempre apenas onde a pomos
e nunca a pomos onde nós estamos.
por LÍVIA LAMBLET * 7:22 AM
[Terça-feira, Março 1]
2005 - Lista de `Vencedores`
Confira abaixo os `vencedores` do Framboesa de Ouro 2005, anunciados no último sábado, dia 26. Sem surpresas, Mulher-Gato foi o grande destaque do ano, mas acabou empatando em quatro troféus com Fahrenheit 11 de Setembro, `premiado` graças a George W. Bush.
Pior Filme
Mulher-Gato
Pior Ator
George W. Bush, por Fahrenheit 11 de Setembro
Pior Atriz
Halle Berry, por Mulher-Gato
Pior Dupla
George W. Bush & Condoleeza Rice OU His Pet Goat, em Fahrenheit 11 de Setembro
Pior Ator Coadjuvante
Donald Rumsfeld, por Fahrenheit 11 de Setembro
Pior Atriz Coadjuvante
Britney Spears, por Fahrenheit 11 de Setembro
Pior Diretor
¿Pitof¿, por Mulher-Gato
Pior Refilmagem ou Continuação
Scooby-Doo 2: Monstros à Solta (Warner Bros.)
Pior Roteiro
Mulher-Gato, escrito por Theresa Rebeck e John Brancato & Michael Ferris e John Rogers
Prêmios Especiais em Comemoração aos Primeiros 25 anos do Framboesa de Ouro
Pior Perdedor
Ah-Nuld Schwarzenegger (com 8 indicações, incluindo 1 por 2004)
Pior ¿Drama¿
A Reconquista (2000 - indicado a 9 Framboesas, `vencedor` de 7)
Pior ¿Comédia¿
Contato de Risco (2003 - indicado a 9 framboesas, `vencedor` de 6)
Pior ¿Musical¿
From Justin to Kelly (2003 - indicado a 8 framboesas, `vencedor` de 1)
Distribuição de troféus:
Mulher-Gato, Fahrenheit 11 de Setembro ¿ 4
Scooby-Doo 2 ¿ 1
Fonte:Cinema em Cena
por LÍVIA LAMBLET * 6:38 AM
[Domingo, Fevereiro 27]
Pássaros ajudam a entender a fala de humanos
06 de Janeiro
Aves que ouviram apenas pedaços de música foram capazes de uni-los num canto completo, apenas com a associação das frases
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Utah mostrou sinais de como as memórias musicais são armazenadas no cérebro dos pássaros e como os ajudam a aprender a cantar. Os resultados abrem caminho para entender como ocorre o aprendizado da fala pelos seres humanos. A pesquisa foi publicada na revista Nature.
"Há fortes semelhanças entre a música dos pássaros e a fala dos humanos", diz Gary J. Rose, professor de biologia da Universidade de Utah. "Como a linguagem humana, a música dos pássaros tem dialetos regionais. Se nós conseguirmos entender como a música é armazenada nos seus cérebros, talvez possamos entender melhor como o aprendizado da fala ocorre nos humanos", afirma
Stephanie Plamondon, co-autora do estudo e doutoranda em neurociências, acrescentou: "Nós demos aos pássaros apenas pedaços da música, e eles foram capazes de uni-las numa música completa, apenas com a associação das frases", diz
Os pássaros aprendem a cantar por estágios. Primeiro, há uma fase de "subcanção" na qual eles emitem alguns sons simples, como os bebês humanos. Então, eles se submetem a uma fase "plástica", quando praticam o canto durante oito ou nove meses. Nesta fase, o pássaro está produzindo uma canção e comparando-a à memória que ele formou", diz Plamondon. Depois disso, os pássaros se submetem à "cristalização", o que significa que suas canções estão cristalizadas ou essencialmente prontas para serem armazenadas - pelo menos até a próxima estação de acasalamento, quando algumas mudanças podem ocorrer.
Os biólogos de Utah testaram uma teoria denominada "memória auditiva" baseada em jovens pardais de coroa branca, que ouviram primeiro o canto de outros pardais. Os cientistas tentaram descobrir como essa memória permanecia armazenada no cérebro e como era usada, já que os pássaros aprendiam a cantar algumas semanas mais tarde.
A canção completa do pardal de coroa branca tem cinco segmentos ou fragmentos, representados pelas letras ABCDE. A é um assobio de abertura característico; B é uma "nota complexa", ou muitas notas musicais numa seqüência específica; C é um zumbido; D é um som trinado e E é outra nota complexa.
Os pesquisadores primeiro gravaram músicas dos pardais de coroa branca no Wasatch Range de Utah. Eles digitalizaram as gravações e depois as dividiram em cinco segmentos ou frases. Rose e colegas obtiveram permissões para capturar pardais nos ninhos, alimentá-los e acompanhar seu crescimento no laboratório à prova de som, para que não pudessem ouvir um ao outro.
Quando os pardais já estavam com duas semanas, os pesquisadores começaram a tentar ensiná-los a cantar tocando segmentos de uma música completa em diferentes ordens. As sessões de 90 minutos foram conduzidas por cada pássaro duas vezes ao dia por 60 dias.
No primeiro experimento, os cientistas tocaram uma vez um segmento ou frase de uma música de um pardal separado por 2,5 segundos de silêncio. Eles tocaram os segmentos em ordem inversa para evitar que os pardais simplesmente guardassem o que eles ouviam no período curto de memória e os repetissem. Os noves pássaros no experimento não conseguiram colocar os segmentos juntos numa ordem correta para cantar a canção inteira ABCDE.
Em seguida, oito jovens pardais fragmentaram suas músicas em um período. Cada par de segmentos estava na ordem correta, mas os pares de segmentos foram tocados atrasados. Quando cada par de segmentos de música se sobrepôs ao outro, estes pássaros foram capazes de colocar os segmentos juntos na ordem correta e cantar a música completa ABCDE. Plamondon diz que quando os pássaros ouviam dois segmentos de música, eles implicitamente aprendiam as regras colocando todos os cinco segmentos juntos.
No final do experimento, cinco pardais ouviram pares de segmentos de música, cada par em ordem inversa: BA, então CB, DC e ED. Os pássaros aprenderam novamente a colocar os segmentos juntos, mas porque os segmentos estavam invertidos, eles cantaram os segmentos atrasados.
Rose diz que a inversão foi uma surpresa porque mostra que treino pode superar a tendência inata dos pardais a começar suas músicas com um assobio (representado por A. A habilidade dos pardais para construir uma música completa a partir de seus pedaços é comparável a completar um quebra-cabeça, diz Rose. "Você não tem que saber como o desenho do quebra-cabeça parece, apenas as regras de colocá-los juntos, como se fossem chaves nas fechaduras", diz.
Rose acredita que os pássaros aperfeiçoam suas músicas porque eles começam combinando vários elementos de música e retêm somente os pares (AB, BC, CD, DE) que estão sendo ensinados e rejeitam o resto que não é reforçado pelo tutor. "Isto pode envolver a interação entre o gânglio basal (estruturas cerebrais que controlam movimento) e circuitos nervosos que controlam os movimentos vocais", diz Rose.
"A relevância dessas descobertas é que isto pode ser representativo em saber como seqüências de movimentos são aprendidas em diferentes tipos de trabalho. Um músico de jazz, por exemplo, aprende as regras de fazer a transição de uma nota para a próxima, e pode compor músicas completas observando outras regras", acrescenta o professor.
Fonte: http://www2.uol.com.br/sciam/
por LÍVIA LAMBLET * 7:13 AM
[Sábado, Fevereiro 26]
Minha Namorada
Carlos Lyra/Vinícius de Moraes
Se você quer ser minha namorada
Ah, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha, essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser...
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer...
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porque...
E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você...
Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos
Os seus braços o meu ninho no silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois.
por LÍVIA LAMBLET * 7:20 AM
[Sexta-feira, Fevereiro 25]
Dica de livro: Assim Falou Zaratustra - Nietzsche
"O homem é corda distendida entre o animal e o super-homem: uma corda sobre um abismo; travessia perigosa, temerário caminhar, perigosos olhar para trás, perigoso tremer e parar." - Nietzsche "Assim falou Zaratustra", 1883
Meditando por dez anos numa caverna no alto de uma montanha, Zaratustra, apenas na companhia dos seus animais prediletos, a águia e a serpente, determinou-se baixar à planície. Decidira-se depois daqueles anos de rigor eremita vir comunicar aos homens a chegada de um novo messias, o Übermensch - o super-homem, o que dominará o futuro. Assim feito, Zaratustra enumera a quem sua mensagem se dirige:
Os eleitos por Zaratustra
- os que vivem intensamente, que são indiferentes aos perigos (welche nicht zu lebem wissen) porque são capazes de atravessar de um lado para outro;
- os grandes desdenhosos (der grossen Verachtenden), porque estão sempre tentando chegar a outra margem;
- aos que se sacrificam pela terra (die sich der Erde opfen);
- o curioso, o que quer conhecer (welcher erkennen will);
- quem trabalha e realiza invenções engenhosas (welcher arbeiter und erfinder);
- o que preza a sua própria virtude (sein Tugen liebt);
- aquele que distribui o seu espirito entre os demais (ganz der Geist seiner Tugend sein will);
- o que deseja viver e deixar viver (willen noch leben und nicht mehr leben);
- quem não seja exageradamente virtuosos, nem excessivamente moralista (welcher nicht zu viele Tugenden haben will);
- aquele que não fica a espera de agradecimentos ou recompensas (der nicht Dank haben will);
- o que não trapaceia (ein falscher Spieler);
- o que se orgulha dos seus feitos (welcher goldne Worte seine Taten vorauswirft);
- o combatente do presente (den Gegenwärtigen zugrunde gehen);
- o que desafia e fustiga o seu Deus (welcher seinen Gott züchtig);
- o de alma profunda (dessen Seele tief);
- o de alma trasbordante, que esquece de si mesmo (sich selber vergisst);
- quem tem o espirito e o coração livres (der freien Geistes und freie Herzen ist);
- os vaticinadores, os que prenunciam o relâmpago próximo (dass der Blitz kommt, und gehn als Verkündiger zugrunde), um relâmpago que se chama super-homem (Übermensch).
Porque Zaratustra?
Zaratustra, fundador do zoroastrismo
Zaratustra ou Zoroastro, fundador da religião persa, foi um profeta ariano que por volta de 600 a.C. pregou a existência do Bem e do Mal como entidades distintas e totalmente antagônicas (até então a crença geral era de que o mesmo deus era capaz de uma coisa, como a outra). É o autor dos Gäthäs, cinco hinos que formam a mais antiga e sagrada parte do Avesta, o livro santo do zoroastrismo. Nietzsche tomou conhecimento dele provavelmente por intermédio da obra de um erudito da época, inspirando-se então naquela fantástica personalidade.
O motivo de um ateu assumido como Nietzsche ter lançado mão de um carismático líder religioso do passado, fazendo-o veículo da sua mensagem, deve-se a que o pensador alemão racionalmente e intelectualmente deixara de ser cristão, mas psicologicamente e emocionalmente ainda seguiu tendo a mente de um crente. Afinal, Nietzsche era filho de um pastor luterano. O que igualmente explica o tom de sermão da sua prosa, carregada de parábolas, simbolismos e imagens litúrgicas e locais sagrados, presentes na maioria dos capítulos do "Assim falou Zaratustra". A escolha também tratou-se de uma provocação, pois o Zaratustra ficcional dele retornou a cena exatamente para desfazer o que o real profeta ariano fizera há mais de dois mil e quinhentos anos passados, isto é, instituir a idéia do Bem e do Mal.
O Anticristo
Zaratustra é, pois, um Anticristo. Ele não veio do deserto como Jesus Cristo, mas sim desceu do alto da montanha, do fundo da caverna, como viu Platão os filósofos emergirem em busca do sol, em busca da vida. Não se dirige aos pobres, ao humildes, aos doentes, aos perdidos e aos fracos, muito menos lhes promete o Reino dos Céus. Seu público é outro. É o dos vencedores, dos afirmadores da vida, os que querem viver o aqui e o agora, tendo a Terra como seu único reino. Arenga aos que desprezam! Desceu à planície para anular o cristianismo.
A sua meta é atingir uma parte especifica da humanidade, os homens superiores (höheren Menschen), a quem Cristo ignorou. Zaratustra é sim um Cristo da elite, pois Nietzsche escreveu o evangelho do super-homem - o que anuncia um novo tempo, uma era em que Deus morreu (dass Gott tot ist!), na qual o Homem se apressa para assumir o poder na totalidade, na qual terá que arcar com as conseqüências morais e éticas de um mundo sem Deus.
Para tanto, ele, o super-homem, operará a transvaloração. Tudo o que o cristianismo estigmatizara - o orgulho, o egoísmo, a riqueza, a vontade de poder, a sensualidade e a nobreza de espírito - deverá voltar a modelar e inspirar a humanidade. A resignação, a docilidade e o servilismo, por sua volta, serão sucedidos pela ação, pela inconformidade e pelo domínio - A lamúria do resignado, cederá lugar ao grito do forte!
Os próprios símbolos que cercam Zaratustra, a águia e a serpente (meinen Adler und meine Schlange), antigas metáforas zoológicas do orgulho, da arrogância e da astúcia, contrapõem-se às do cordeiro e do peixe - os favoritos de Cristo - ícones da mansidão, da quietude e da simplicidade. Se Cristo pregou o Sermão da Montanha para os pobres de espirito, Zaratustra lança sua isca para alçar os destemidos. O seu é um Evangelho dos Fortes. Sua mensagem não é para todos, é para poucos.
Viver perigosamente
"Ich seht nach oben, wenn ihr nach Erhebung verlangt. Und ich sehe hinab, weil ich erhoben bin. Wer von euch kann zugleich lachen und erhoben sein? Wer auf den höchsten Bergen steigt, der lacht über alle Trauer-Spiele und Trauer-Ernste."
"Olhais para o alto quando aspirais elevar-vos. Eu, como já encontro-me acima, olho para baixo/ Quem entre vocês pode estar acima e ao mesmo tempo gargalhar? Aquele que escalou o mais elevado dos montes, ri-se de todas as tristezas encenadas da vida." - Zaratustra - da leitura e da escrita
Enquanto Zaratustra pregava na ágora, a atenção da multidão desviou-se para o alto onde estava um equilibrista numa frágil corda. Um outro, um rival, afobando-se, terminou por precipitar-se no chão, estatelando-se agonizante bem perto do profeta. O desastrado homem, no seu estertor, acredita que agora o diabo o arrastará para o inferno. Confortando-o, Zaratustra diz-lhe: "Amigo - palavra de honra que tudo isso não existe, não há diabo nem inferno. Sua alma ainda há de morrer mais rápido do que seu corpo: nada tema". Quando o trapezista caído ainda se lamenta pela vida que levou "recebendo pancadas e passando fome", o profeta consolou-o respondendo: "Não, você fez do perigo sua profissão, coisa que não é para ser desprezada"( du hast aus der Gefahr deinen Beruf gemacht). Dito isso ele mesmo trata de sepultá-lo com suas próprias mãos.
A cena do profeta tendo em seus braços um morto, é a "pietá" de Nietzsche. Este é o modelo de homem do profeta, o que compete, o corajosos que arrisca, o que diariamente vive na corda bamba, e que morre por isso mesmo, por levar uma vida perigosa (ein gefährliches leben).
Os companheiros de Zaratustra
Zaratustra quer é o leão (tela de Delacroix)
Como o povo (Volke) não lhe deu ouvidos, Zaratustra, resmungando "que me interessam a praça pública, o populacho e as orelhas cumpridas do populacho?", concluiu então que precisava de companheiros (Gefährten): os "que desejam seguir a si mesmos, para onde quer que eu vá". Afinal ele viera "para separar muitos do rebanho". Que tipo de companhia quer o profeta? Justamente os que "os bons e justos" mais odeiam - o que lhes despedaça os valores, o infrator, o destruidor - porque é esse o criador.
Não são os negligentes nem os retardados que o seguirão, mas sim os inventivos, os que colhem e se divertem, os solitários e todos aqueles unidos pela solidão, interessados em escutar coisas inauditas - a marcha do profeta será a marcha deles. Assim é que sua oração dirige-se para os que estão atacados pela "Grande Náusea"(der grossen Ekel), o tédio de quem vive numa época em que o antigo deus morreu, mas que não existe ainda nenhum outro novo deus. Zaratustra veio para afastar deles a sombra dos deuses antigos que ainda escondem-se atrás das nuvens do presente. Veio para mostrar-lhes a verdadeira face da natureza, chegou par torná-la humana, para desmagizá-la.
O que irritava sobremodo o profeta era o último homem (letzter Mensch), um teimoso, "inabalável como um pulga", que, segundo Heidegger, não queria "se desfazer da sua depreciável maneira de ser". Ao insistir em viver de acordo com os valores desaparecidos, em prender-se a um ídolo que já se fora, esse cabeça-dura continuava a freqüentar o santuário do deus caído em ruínas. Ali, nada mais achando nele, o estulto agachava-se, arrastava-se no pó, em meio aos cacos, atrás das cobras e dos sapos para adorá-los.
A transformação do homem
"Was gross ist am Menschen, das ist, dass er eine Brücke und kein Zweck ist: was geliebt werden kann am Menschen , das ist, dass er ein Übergang und ein Untergang ist"
"A grandeza do homem é ser ele uma ponte, e não uma meta; o que se pode amar no homem é ser ele uma transição e um ocaso." - F.Nietzsche - Assim falou Zaratustra, I,4
Num primeiro momento da história espiritual do homem, pelo menos o de espírito sadio, ele não passa de um camelo, que, como o desgraçado animal, apenas ajoelha-se e agradece quando lhe dão uma boa carga. Carrega pelo deserto as culpas por ter nascido. Na sua humilde corcova avoluma-se as penas do mundo, sobrecarregado pelas regras morais e pelas imposições que lhe fazem, que lhe dizem - tu deves (Du-sollst!)! Porém, no deserto, isolado, dá-se uma transformação. O camelo vira um leão. É o espirito que, liberto, quer ser "o senhor do seu próprio deserto". Agora é ele quem, rugindo desafiante, responde - eu quero! (Ich will!). Se bem que o leão não consiga ainda criar os novos valores, ele pelo menos, assentado na sua força e vigor, sacode para fora a canga que afligia o pobre camelo. Dá-se então a derradeira transformação - o leão vira criança. Sim porque a criança é esquecimento, é um novo começo, é o embrião do super-homem que, ao crescer e desenvolver-se, "quer conseguir o seu mundo".
O camelo (Kamele)
O espirito do homem na sua época religiosa e cordata, conforme com seu destino de animal de carga, submetido ao grande dragão. - Encontra-se sob o imperativo do "Tu deves!"
O leão (Löwe)
A emergência do espirito de rebeldia. A insubordinação contra os valores tradicionais e contra as imposições morais e convencionais. - Afirma-se através do "Eu quero!"
A criança (Kind)
A nova era que nasce. O tudo por fazer que se descortina numa nova situação, num mundo novo que se livrou do passado opressivo. - "Ele alcançará!"
Os inimigos do profeta
Zaratustra é um celebrante da carnalidade, um pregador da vida vivida, da sensualidade, do prazer de dominar, ou do simples gozo em existir. É o grito do instinto sufocado! Por conseqüência, seus inimigos são os que detestam a vida, os "acusadores da vida" (Ankläger des Lebens), os que reprimem e condenam a volúpia, os que dizem que as pulsões humanas são artes do demônio, os que pregam o Outro Mundo, como os sacerdotes e os moralistas, que insistem em fazer com que o homem envergonhe-se do seu próprio corpo e das suas sensações, chamando-as inumanas, imundas e pecadoras.
O profeta quer o diferente, o que se distingue, o que se vangloria, o altivo com justa razão, o indivíduo soberano e viril, não as massas que "trazem mau olhado à Terra". Suas palavras não devem ser "apanhadas por patas de carneiros". Logo todos os democratas, os pregadores da igualdade e correlatos, são seus adversários, os odiados inimigos. Pois o mundo "gira ao redor dos inventores de valores novos" (die Erfinder von neuen Werten dreht sich die Welt), da Personalidade Magnífica e não do homem comum, que vive discursando - "somos todos iguais perante Deus ". Ora, como deus morreu o homem superior ressuscitou da sua sepultura. É para ele que a luz do futuro brilha.
É tudo um só mundo
Não há para o profeta dois mundos, o de cá e o de lá, nem corpo separado da alma, nem bem nem mal. Tudo é uma coisa só. Carne é espirito, a terra também é céu, o mal também é o bem. O homem imaginou haver um além porque ele sonha, e no seu sonho - "vapor colorido diante dos olhos" - lhe aparecem fantasmas dos mortos e das coisas passadas, por isso ele, iludido, concebeu um Outro Mundo. Ingrato, ao invés de exultar com a existência recebida, percorre os céus com os olhos supersticiosos atrás de uma estrela, acreditando ir parar ao seu lado no futuro.
Seguidor de Heráclito - que via o Cosmo um produto do agón, da luta -, Zaratustra assegurava que toda a batalha a ser travada é uma bem-vinda guerra terrestre na qual o super-homem (expurgando ou afastando de si os sentimentos caritativos e piedosos, afirmando-se sobre si mesmo com os valores que ele mesmo criou) se lançará na conquista do devir. Mas, adverte, antes do super-homem atingir esse futuro, haverá o crescimento do deserto - uma grande ameaça ao oásis onde se homiziava o homem superior.
O filho de Zaratustra
No final do canto de Zaratustra (Parte IV - o sinal), depois do profeta ter dispensado os grandes dignatários (rei, imperador e o papa), não identificando neles os sinais do super-homem, ele projeta aquele que advirá. A sua nobreza não é resultado de títulos, nem de sangue. O Übermensch é o que irá superar o homem e, para tanto, já expurgou de si toda a fraqueza e vilania tão comum aos humanos. Ele não tem pejo em querer vingar-se, nem se envergonha em ter ódio, sabe que se almeja a alegria também terá que suportar o sofrimento. Mas nem os homens superiores que o profeta encontrou pelo caminho o satisfazem.
"Pois bem!", disse ele, "estes homens superiores adormecem enquanto eu estou desperto. Não são os meus verdadeiros companheiros". O viajante (der Wanderer) após ter percorrido uma longa peregrinação, na qual esgrimiu-se em mil encontros e outros tantos percalços, recolheu-se de volta ao seu ermitério. Sentado na pedra em frente a gruta ele pede que cantem "Outra Vez", porque ele afirmava o Eterno Retorno das coisas. Tudo o que aconteceu nos remotos tempos voltaria a ocorrer - a história é um circulo não uma ascensão! Palavras como honra e nobreza certamente voltarão a reluzir.
A hora de Zaratustra
Com seus cabelos embranquecidos eriçados pelos vôos dos pássaros, o sábio sentiu que o leão estendido aos seus pés recostara a cabeçorra dourada no seu colo, lambendo as lágrimas que escorriam pelas suas mãos. O vidente estava exausto. Afinal ele era um montanhista (ein Bergsteiger) que detestava as planícies. Meditando, Zaratustra foi tomado de súbita emoção. Sentiu-se maduro porque que soara a sua hora, a sua alvorada - o Grande Meio-Dia chegara. O anúncio, o sinal de que o super-homem estava por vir fez com que ele, lépido, aspirando somente a sua obra, deixasse a sua gruta. Assim como o alvorecer sai por detrás das montanhas escuras, ele saiu para ir receber o seu filho.
Fonte:http://educaterra.terra.com.br/voltaire/artigos/nietzsche_ultimo2.htm
por LÍVIA LAMBLET * 7:41 AM
[Quinta-feira, Fevereiro 24]
Crítica: Contos Proibidos do Marquês de Sade, Os - Quills, 2000
Dirigido por Philip Kaufman. Com: Geoffrey Rush, Kate Winslet, Joaquin Phoenix, Amelia Warner, Stephen Moyer, Stephen Marcus e Michael Caine.
A maior proeza do cineasta Philip Kaufman em Os Contos Proibidos do Marquês de Sade é, sem dúvida, conseguir fazer com que o espectador simpatize com seu protagonista: um homem que colocava seu prazer acima de tudo e de todos, e para quem o sofrimento alheio (físico ou psicológico) atuava como um potente fator rumo ao êxtase sexual (a ponto de seu nome ter se tornado um termo psiquiátrico que define distúrbios de comportamento semelhantes ao seu).
O roteiro, escrito por Doug Wright a partir de sua própria peça, aborda os últimos anos da vida do Marquês de Sade, passados em um hospício (na verdade, Sade passou boa parte de sua existência entrando e saindo de prisões em função de incidentes provocados por sua natureza violenta - aos 28 anos, por exemplo, ele ofereceu carona em sua carruagem para uma pobre viúva e, ameaçando-a com uma faca, chicoteou-a repetidas vezes). Contando com a compreensão do diretor do hospício, o bondoso padre Coulmier (que acredita que, desta forma, o paciente sublimará seus impulsos), ele mantém o hábito de escrever textos repletos de erotismo, violência e obscenidades. O que Coulmier ignora é que, graças à ajuda de uma camareira, o Marquês está enviando os textos para seu editor - e que os livros estão causando frisson em Paris. Enojado com o conteúdo da obra de Sade, Napoleão Bonaparte envia um médico, notório por seus métodos desumanos, para Charenton a fim de 'curar' o escritor.
A partir daí, o roteiro mergulha gradualmente na lógica perversa de Sade sem, contudo, deixar de apontar as hipocrisias que governam a sociedade e seus 'bastiões da moralidade', que condenam quase tudo em público e agem de maneira oposta quando se encontram entre quatro paredes (comportamento ilustrado à perfeição pelo personagem de Michael Caine). Esta crítica social, mais atual do que nunca, é repetida à exaustão pelo Marquês, que parece empenhado em libertar as fantasias mais recônditas de seus leitores. Aliás, é esta sua aparente liberdade que o torna tão atraente aos olhos do espectador - mesmo que suas preferências e atitudes sejam absolutamente chocantes em alguns momentos.
O fato é que nossa simpatia por Sade torna-se mais compreensível se considerarmos que Wright evita aprofundar-se em demasia nas facetas mais sombrias do personagem: é claro que conhecemos sua natureza sádica (estou sendo redundante, eu sei), já que o próprio Marquês não se cansa de divulgá-la, mas ouvi-lo discursar (sempre com humor irresistível) sobre o assunto é bem diferente do que vê-lo praticar atos cruéis. Se o víssemos torturar a viúva, por exemplo, é possível que não conseguíssemos mais encará-lo da mesma forma, o que obviamente destruiria os propósitos do filme. Da forma como é retratado aqui, o Marquês de Sade não se torna muito pior do que o Visconde de Valmont de Ligações Perigosas (que também colocava o prazer pessoal acima da noção de decência, mas sem precisar apelar para chicotes ou facas).
Do ponto-de-vista técnico, o roteiro de Doug Wright é irrepreensível: enxuto, relativamente fiel à História e ágil, ele desenvolve a narrativa de forma interessante e sedutora. A trama envolvendo a jovem Simone, por exemplo, é totalmente apresentada ao espectador em apenas duas ou três cenas - quando percebemos, ela já tem vida própria e influencia o desenrolar dos acontecimentos de maneira inequívoca. Além disso, os diálogos são extremamente elegantes (algo raro nas produções hollywoodianas), o que denuncia sua origem teatral (em certo momento, enquanto dita sua última obra para a camareira Madeleine com o auxílio de vários pacientes do hospício, o Marquês lamenta: 'Oh! Minha prosa gloriosa, filtrada através da mente de loucos!').
Para tornar a experiência ainda mais prazerosa (estou começando a soar como o próprio Sade), todo o elenco de Os Contos Proibidos do Marquês de Sade está afinadíssimo: do cínico Geoffrey Rush ao ardiloso Michael Caine, todos desenvolvem com brilhantismo seus personagens. Joaquin Phoenix, em especial, cria um Coulmier carismático, que, com sua aterrorizada benevolência, acaba representando o próprio espectador na história, já que, como nós, enxerga o Marquês com um misto de fascinação e horror. Kate Winslet, enquanto isso, dá um toque de leveza a uma trama que, em sua maior parte, é carregada demais. É uma pena que o Oscar, ao contrário de outras premiações, não possua uma categoria de 'Melhor Elenco' (algo que passei a lamentar desde que assisti a Boogie Nights e Magnólia).
Os Contos Proibidos... só tropeça um pouco nos minutos finais, quando parece encontrar dificuldades para encerrar a narrativa de maneira satisfatória. É quase como se o roteirista tentasse, ao mesmo tempo, justificar os atos de seu protagonista e condená-los (o que explica o destino de Coulmier). O que ele parece esquecer é que o próprio Marquês não precisava de justificativas para seu comportamento, como fez questão de esclarecer no livro Aline et Valcour: 'Não parei ao ter meras dúvidas; eu conquistei, retirei e destruí tudo em meu coração que poderia ter interferido em meus prazeres'.
Esta não deixa de ser uma boa filosofia de vida - desde que o prazer em questão não envolva o espancamento ou sofrimento de outras pessoas. Se envolvesse, confesso que, hipócrita ou não, eu seria obrigado a concordar com a internação do indivíduo. Sade é menos assustador na tela do cinema
Fonte:www.cinemaemcena.com.br
por LÍVIA LAMBLET * 7:01 AM
[Quarta-feira, Fevereiro 23]
Transtorno Obsessivo Compulsivo (Toc)
Este talvez seja o transtorno mais difícil de explicar, tal qual o nome dele. Vamos começar descrevendo os seus principais sintomas, para depois tentar explicar o funcionamento mental do individuo com este transtorno. O Toc é a chamado transtorno das manias, são aqueles quadros onde as pessoas tem manias. Mania de limpeza é a mais característica, mas ela pode se expressar de muitas outras maneiras. Mania de ordem (a pessoa precisa arrumar as coisas e bota-las em ordem), manias de colecionador, superstição (pessoas que precisam bater 3xs na madeira, que só saem com seus amuletos, tem medo do azar e fogem de gato preto), mania de contar as coisas, fazer contas com as chapas de carro, mania de trancar e reverificar se trancou as portas e praticamente todas as outras manias, hábitos(não vícios) que você possa imaginar.
A mania fica caracterizada como doença, como transtorno, quando a pessoa tem a necessidade de repetir os seus atos de forma compulsiva (ou seja a pessoa não consegue se controlar, não depende de sua vontade, ela faz sem querer ou sem perceber ou ainda não consegue impedir o ato pela sua vontade, dai o nome compulsiva, obrigatória), repetidamente.Alias toda as formas de repetição compulsiva, podem ser caracterizadas como "manias".
As pessoas que tem estes sintomas costumam ter uma personalidade muito própria. São pessoas extremamente escrupulosas (tem uma preocupação na mente de não provocar problemas), costumam ser formais e distantes no relacionamento, frios afetivamente podem ou não ser pessoas arrogantes. Costumam ser autoritários quando ocupam postos de liderança e temerosos e tímidos quando não estão nesta posição. Intimamente são medrosos embora não admitam, fazendo um tipo de fortes. Não costumam ser sociáveis, tendo poucos amigos ( depende do grau da neurose). Tem um comportamento normalmente calmo ou retraído, mas as vezes tem explosões que podem ser surpreendentes e até assustadoras (pela agressividade e violência). São pessoas metódicas, as vezes exageradamente perfeccionistas, sendo que alguns são muito insistentes embora a maioria desista com facilidade. Costumam ser indecisos. Controladores, tem o sentimento profundo que se não cuidarem de forma adequada das pessoas e situações a sua volta, algo de ruim devera acontecer, e vivem a ilusão que estão controlando estas situações (pelo menos quando estão equilibradas, pois a sensação de descontrole os deixa profundamente ansiosos e até emocionalmente desequilibrados).
Tem um forte sentimento de culpa interior (embora possam não ter consciência disto e nem culpa nenhuma) e na hora das punições e mesmo das autopunições sejam exageradamente cruéis (inclusive consigo mesmos). Um caso curioso que tive no consultório ha muitos anos atrás foi de um homem, na faixa dos 40 anos que se queixava de Síndrome do Pânico. Na sua 4a. ou 5a. consulta ele se levanta de sua cadeira, tira uma chave de fenda do bolso e diz: "Desculpe Dr., mas não consigo ver este parafuso do interruptor inclinado, eu preciso endireita-lo e depois da consulta quero esconder toda esta bagunça de fios de seus aparelhos eletrônicos. O sr. deixa as coisas em bagunça e isto me incomoda, muito". Evidentemente que em determinados momentos todos nós passamos por quadro emocional semelhante ou temos alguns destes sintomas ou traços deste tipo de personalidade.
Por que acontece, da onde vem este quadro é um dos grandes mistérios da psiquiatria e existem múltiplas explicações. Uma das mais interessantes é a de Freud, que diz que estas pessoas tem sentimentos negativos, pensamentos negativos, uma espécie de tara (e normalmente relacionado a sexo e perversão), se sentem culpados e sujos por estes sentimentos e dai a necessidade de limpar e organizar tudo como forma de diminuírem o risco do castigo que se sentem merecedores e para tentar compensar o sentimento de sujeira interior.
Para mim esta é uma explicação que faz muito sentido, mas ai é que eu queria acrescentar a minha visão.. Como vimos nas neuroses a ansiedade é fator fundamental de sua formação. A ansiedade ocorre por um quadro de superestimulação da mente que esta reagindo aos estímulos (movimentos) externos. Por isto nestes momentos a mente precisa da sensação do parado, do protegido para se acalmar e se sentir segura e tranqüila. Quanto mais movimento a mente absorve, quanto mais ela se sente insegura e desprotegida, maior a sua excitação no sentido de encontrar uma proteção para esta sensação de instabilidade. Dai a necessidade da pessoa realizar a sua compulsão, arrumar as coisas, ou de usar amuletos, pois elas trazem a sensação de calma e segurança para a mente. Mas vejam que circulo vicioso infernal, de repente algo acontece que tira esta organização, esta sensação de controle e domínio que a pessoa tem.
Isto a deixa assustada e com medo pois se sente exposta. Passa a sentir um sentimento agressivo enorme dentro de si que é a expressão de seu desejo que "as coisas" não tivessem saído do lugar. Mais do que isto volta a sua agressividade interior para o agente que alterou "as coisas" da ordem que lha alimentava a segurança. Ao sentir esta agressividade interna, passa a se sentir culpado deste sentimento e de forma inconsciente volta a agressividade contra si mesmo de forma real ou imaginária. Ai aparecem os pensamentos negativos que são chamados de obsessões e a sensação de que algo de ruim vai acontecer. Precisam se proteger, desejam a ordem e brigam ainda mais por ela, aumentando a sua agressividade, sua culpa, os pensamentos negativos, o medo, a compulsão, a briga, a agressividade... e assim vai . Para resumir a conversa, quanto maior o sentimento de insegurança, maior a intolerância (irritação, impaciência) para com o movimento, quanto maior a intolerância, maior a agressidade, a culpa e conseqüentemente a ansiedade, que aumenta a insegurança, que vai gerar a compulsão, ou seja o ato físico que vai trazer uma sensação de alívio momentâneo, mas acaba aumentando a sensação de insegurança pela impossibilidade de realizar completamente a compulsão. A obssessão é o pensamento negativo que se repete, a compulsão é o ato físico que devolveria a segurança para a pessoa.
Tratar este tipo de transtorno é sempre trabalhoso. Até alguns anos atrás o tratamento trazia poucos resultados, e as pessoas continuavam com as suas manias e personalidade. Hoje o tratamento é duplo, precisando a pessoa fazer um tratamento químico (medicamentoso) e psicoterápico ( terapia cognitiva) .A medicação é necessária para diminuir o grau da ansiedade e para aumentar o grau de energia psíquica para que a pessoa possa romper o círculo vicioso do pensamento obsessivo. E fazer a psicoterapia para se reeducar a ser menos intolerante em seus sentimentos mais profundos e diminuir o seu sentimento de culpa e a autoagressividade, com uma conduta reta, honesta e transparente.. ("se malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem). Os resultados tem melhorado muito mas depende fundamentalmente da capacidade da pessoa mudar os sentimentos internos de forma verdadeira e sincera. Os remédios sozinhos acabam não resolvendo o problema.
Fonte: www.ansiedade.com.br
por LÍVIA LAMBLET * 6:51 AM
[Terça-feira, Fevereiro 22]
A Duas Flores
Castro Alves
São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.
Unidas, bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.
Unidas, bom como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.
Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rodas da vida,
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!
por LÍVIA LAMBLET * 6:57 AM
[Domingo, Fevereiro 20]
O último discurso - do filme: O Grande Ditador
Charles Chaplin
Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível - judeus, o gentio... negros... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!
por LÍVIA LAMBLET * 7:02 AM
[Sábado, Fevereiro 19]
Crítica: Hitch: Conselheiro Amoroso - Hitch, 2005
Dirigido por Andy Tennant. Com: Will Smith, Kevin James, Eva Mendes, Amber Valletta, Julie Ann Emery, Adam Arkin, Michael Rapaport, Jeffrey Donovan, Philip Bosco, Jeffrey Donovan, Rain Phoenix.
Havia uma maneira simples de transformar Hitch ¿ Conselheiro Amoroso em um filme infinitamente mais interessante e divertido: bastava alterar o título para Albert ¿ O Contador Bonachão e transferir o foco da narrativa para o simpático personagem interpretado por Kevin James, relegando o tal 'conselheiro amoroso' vivido por Will Smith à função de coadjuvante. Afinal, não há como negar o óbvio: toda vez que surge em cena, James traz mais vida ao longa ¿ mas, infelizmente, ninguém da produção parece ter percebido isto durante a realização do projeto (ou, se perceberam, não tiveram coragem de informar Smith, um dos produtores da comédia).
Quando Hitch tem início, somos apresentados ao personagem-título, que, assim como Alfie, tem o hábito nada original de se dirigir diretamente ao espectador para explicar os motivos de seu sucesso com o sexo oposto. Certo de que 'qualquer homem é capaz de conquistar qualquer mulher', o sujeito ganha a vida auxiliando indivíduos inseguros a seduzirem suas amadas. Pois seu mais recente cliente, Albert, representará o maior desafio de sua carreira, já que o objeto do desejo do humilde contador é uma milionária famosa e belíssima cujo rosto está sempre nas colunas sociais (pense em uma Paris Hilton com conteúdo e classe). Enquanto tenta ajudar Albert, Hitch se envolve com Sara (Mendes), uma colunista especializada em fofocas sobre a alta sociedade.
Escrito pelo estreante Kevin Bisch, Hitch ¿ Conselheiro Amoroso é um daqueles filmes dispostos a ignorar qualquer tipo de lógica interna a fim de tentar criar situações engraçadinhas ¿ e não me refiro ao estilo de vida luxuoso do protagonista, aparentemente incompatível com suas atividades (vejamos: ele atua quase no anonimato, tem poucos clientes ¿ já que depende exclusivamente de indicações -, e mesmo estes não parecem ser capazes, em sua maioria, de pagar altos honorários). Não, o grande problema do longa reside nas gags implausíveis e nada engraçadas que recheiam a trama (marca registrada do medíocre cineasta Andy Tennant, que recentemente realizou o fraco Doce Lar), como no momento em que Hitch fica dopado ao tomar medicamentos contra alergia. Além disso, o roteiro transforma o casal principal em um estereótipo do gênero: ele é um sujeito mulherengo que, 'no fundo', quer a estabilidade de uma relação séria; e ela é uma mulher independente que, atrás da fachada durona, oculta seu medo de ser magoada. Mais chavão, impossível.
Mas Hitch comete também outro equívoco comum entre as comédias de Hollywood: para conferir um toque de 'profundidade' à história, o filme adiciona elementos dramáticos absolutamente ridículos ao 'desenvolvimento' de seus personagens ¿ como a narração, dispensável e tola, feita por Sara sobre um acontecimento de sua infância relacionado à irmã. O que Bisch ignora é que, se comédias brilhantes como Antes Só do que Mal Acompanhado se enriquecem com o sofrimento de seus heróis, é porque o drama encaixa-se de forma orgânica à narrativa, jamais soando como uma imposição. Para piorar, os diálogos pavorosos concebidos pelo roteirista recendem a psicologia barata, evidenciando a artificialidade das conversas entre aquelas figuras de papelão.
Aliás, é incrível que o filme realmente acredite que a colunista interpretada por Eva Mendes possa despertar algum tipo de sentimento mais forte em quem quer que seja. Desejo sexual, sim (a atriz é linda), mas amor? Como se apaixonar por uma mulher egoísta e superficial que ganha a vida expondo a intimidade dos outros? O roteiro até tenta vender a idéia de que Sara só publica fofocas com o objetivo de 'ajudar' determinadas celebridades, mas isto chega a ser menos verossímil do que a receita aparente obtida pelo personagem-título com seu trabalho de 'consultoria'.
Enquanto isso, Will Smith, um comediante talentoso, se vê limitado pela falta de carisma de Hitch, sendo obrigado a se conter ao compor o protagonista ¿ e se as gags físicas envolvendo o sujeito fracassam (ver o incidente do jet-ski), é justamente porque não combinam com a segurança habitual do conquistador profissional. Desta forma, a única figura realmente adorável de Hitch ¿ Conselheiro Amoroso é Albert, interpretado pelo simpático Kevin James, que consegue a proeza de roubar todas as cenas que divide com Smith. Se esta comédia oferece algumas boas gargalhadas, todas se devem a James.
Pena que, como já apontei, ninguém tenha tido a idéia de promovê-lo à posição de astro do filme.
Fonte:: www.cinemaemcena.com.br
por LÍVIA LAMBLET * 7:48 AM
[Sexta-feira, Fevereiro 18]
Computadores com desconfiômetro
Com suas interrupções grosseiras e impensadas, os dispositivos digitais exigem cada vez mais a nossa atenção. Pesquisadores estão testando PCs, telefones e carros que percebem quando seus donos estão ocupados e não os incomodam o tempo todo
Por W. Wayt Gibbs
"A sua bateria esta carregada", anunciou o laptop a seu dono, Donald A. Norman, com o que parecia ser uma pontinha de orgulho em sua voz sintética.
Norman, grande defensor da idéia de que os computadores deveriam ser programados com "emoções", normalmente sorriria diante da frase. Mas acabou corando de vergonha. Ele tinha acabado de falar em uma conferência de cientistas cognitivos e especialistas em computação, e seu Powerbook ainda estava ligado ao sistema de som. Muita gente riu da gafe automatizada, mas o coordenador da mesa-redonda lançou a Norman um olhar não muito simpático.
Todo mundo já viveu uma situação parecida. É o celular que toca no cinema, o laptop que dispara protetores de tela no meio de apresentações, o aviso "Você tem 5 novas mensagens" que atrapalha nossa linha de raciocínio.
É claro que as distrações e o desafio de lidar com várias tarefas ao mesmo tempo não têm nada de novo. "Uma vida complicada, constantemente interrompida por pedidos de atenção, é tão antiga quanto a procriação", ri Ted Selker, do Laboratório de Mídia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
Hoje em dia, não são apenas os filhos que nos deixam doidos, mas também uma enxurrada implacável de e-mails, alertas, alarmes, telefonemas, mensagens instantâneas e notificações automatizadas, que não sabem se estamos ocupados - ou mesmo presentes. "É ridículo que meu próprio computador não consiga perceber se eu estou na frente dele e que um mictório consiga", reclama Roel Vertegaal, da Universidade Queen's, em Ontário.
A humanidade se comunica por meio de 3 bilhões de telefones, computadores, faróis de trânsito - e até refrigeradores e porta-retratos - porque essas coisas tornam a vida mais confortável. Embora fosse mais fácil desligar os telefones, fechar o programa de e-mail e trancar a porta do escritório durante uma reunião ou um trabalho que exige concentração, geralmente não fazemos isso.
"Cada interrupção tem grande impacto na produtividade", afirma Rosalind Picard, cientista cognitiva do MIT. As pessoas driblam as incontáveis exigências do trabalho e do dia-a-dia criando uma lista mental de tarefas. Segundo estudos de Gilles O. Einstein, da Universidade Furman, uma interrupção de apenas 15 segundos faz com que a maior parte das pessoas esqueça parte dessa lista.
Vários estudos mostraram que, quando as pessoas são interrompidas de repente, elas não só trabalham de forma menos eficiente como também cometem mais erros. "Parece que vai surgindo uma sensação de frustração, e fica difícil recobrar o foco", diz Picard. E não se trata simplesmente de uma questão de produtividade e ritmo de vida. Para pilotos, motoristas, soldados e médicos, os erros ocasionados pela falta de atenção podem ser até perigosos.
"Se os nossos computadores e telefones entendessem um pouco os limites da atenção e da memória humana, seriam muito mais inteligentes e educados", afirma Eric Horvitz, da Microsoft Research. Horvitz, Vertegaal, Selker e Picard fazem parte de um conjunto pequeno mas crescente de pesquisadores que tentam ensinar computadores, telefones, carros e outros aparelhos a serem menos egocêntricos e mais atenciosos.
Para isso, as máquinas precisam de três novos tipos de habilidade: sensibilidade, raciocínio e comunicação. Em primeiro lugar, um sistema deve sentir ou deduzir onde seu dono está e o que ele está fazendo. Depois, pesar o valor das mensagens que transmitirá e decidir se vale a pena interromper. E tem de saber escolher o melhor modo e momento de intervir.
Cada uma dessas novas habilidades amplia os limites da ciência da computação e levanta questões de privacidade, complexidade ou confiabilidade. Apesar disso, os sistemas computacionais "atenciosos" começaram a aparecer nos carros da marca Volvo , e a IBM lançou o software de comunicações Websphere, que tem noções básicas de ocupação. Desde 2003, a Microsoft tem testado internamente um sistema muito mais sofisticado. Dentro de alguns anos, as empresas poderão oferecer a todos os funcionários uma versão de software da recepcionista pessoal que hoje só os altos executivos têm.
Mas, se essa oferta aparecer em sua caixa de entrada, leia as letras miúdas antes de comprá-la. Um sistema atencioso, por definição, está sempre de olho no dono. Pode ser que ele descubra mais sobre os seus hábitos de trabalho do que você mesmo.
Cuide da sua Vida
A maioria das pessoas não é tão ocupada quanto imagina. É por isso que, em geral, conseguimos tolerar as interrupções de nossa parafernália eletrônica. James Fogarty e Scott E. Hudson, da Universidade Carnegie Mellon, ao lado de Jennifer Lai, da IBM Research, estudaram dez gerentes, pesquisadores e estagiários no trabalho. Eles filmavam as pessoas e pediam periodicamente que elas avaliassem sua "interruptibilidade". O tempo que os funcionários passavam no modo "deixe-me em paz" variou de pessoa para pessoa e de um dia para outro, ficando entre 10% e 51%. Em média, as pessoas queriam trabalhar sem ser interrompidas um terço do tempo. Em estudos com funcionários da Microsoft, Horvitz descobriu que, em geral, eles passam mais de 65% do dia em estado de baixa atenção.
Os telefones e computadores de hoje, que assumem que o usuário nunca está ocupado demais para atender uma chamada ou ler um e-mail, talvez estejam certos aproximadamente dois terços do tempo. Para serem úteis, portanto, os sistemas com desconfiômetro terão de perceber quando seus donos estão acima de seus limites cognitivos com precisão superior a 65%.
Felizmente, não é preciso amarrar ninguém a um monitor cardíaco ou a um tomógrafo para isso. Fogarty e seus colegas descobriram que o uso de um simples microfone para detectar se alguém está falando ao alcance do ouvido aumentaria a precisão para 76%. Esse método é tão bom quanto a avaliação humana, feita pelos colaboradores, que assistiram às filmagens e estimaram quando as pessoas não deviam ser interrompidas. Quando a equipe de Fogarty aperfeiçoou o software para detectar não apenas as conversas, mas também o movimento do mouse, a atividade do teclado e os aplicativos em execução, a precisão subiu para 87% para os dois gerentes. Curiosamente, o valor foi para apenas 77% com os cinco cientistas, talvez porque sejam mais tagarelas.
O Bestcom/Enhanced Telephony, protótipo da Microsoft criado com base no trabalho de Horvitz, analisa o computador de cada usuário um pouco mais a fundo, à procura de pistas do que eles pretendem. Em meados de 2003, a Microsoft iniciou um teste interno do sistema. Segundo Horvitz, em outubro do ano passado, 3.800 pessoas o usavam para gerenciar seus telefonemas.
O próprio Horvitz é uma dessas pessoas. Enquanto conversávamos em seu escritório de Redmond, Washington, o Bestcom controlava silenciosamente as ligações. Em primeiro lugar, ele verifica se o interlocutor está listado na agenda telefônica, no catálogo da empresa ou no registro de chamadas feitas recentemente. Triangulando essas fontes, tenta deduzir a sua proximidade. Parentes, supervisores e pessoas para os quais ele já ligou fazem o telefone tocar. Os outros vêem uma mensagem em seus computadores informando que o pesquisador não estará disponível até as 15 horas. O sistema esquadrinha a agenda de Horvitz e a do interlocutor e se oferece para reprogramar a ligação. Alguns escolhem essa opção, outros deixam uma mensagem. Os e-mails funcionam de modo parecido. Quando Horvitz está fora do escritório, o Bestcom automaticamente se oferece para direcionar os interlocutores selecionados para o seu celular - a menos que sua agenda diga que ele está em reunião.
A maior parte das grandes empresas já utiliza sistemas telefônicos computadorizados, calendário padrão e software de gerenciamento de contatos. Assim, tirar vantagem desses "sensores" deve ser fácil. Mas nem todos os funcionários vão gostar da idéia de usar um microfone o tempo todo, nem de expor a sua agenda a algum programa que não possam controlar. Além disso, alguns gerentes podem ficar tentados a igualar "estado de baixa atenção" com "matar o tempo", e punir os que parecem pouco ocupados.
Os pesquisadores parecem perceber esses riscos. Hudson argumenta que um sistema atencioso não deve gravar sons, barulho de digitação ou coisas do tipo, mas simplesmente analisar os fluxos de dados e descartá-los após registrar "conversa em andamento", "digitação detectada" e assim por diante. "Criamos uma ferramenta de privacidade na Bestcom desde o começo, para que os usuários possam controlar quem terá permissão de ver a informação obtida", ressalta Horvitz.
Observador Observado
Se as câmeras digitas ficarem mais baratas, essas informações poderão vir acompanhadas de imagens. Com uma simples webcam de US$ 20, o software de Horvitz informa quando uma pessoa está na linha de visão e se ela está sozinha ou em uma reunião. Câmeras mais sofisticadas podem utilizar os olhos como janela da mente e talvez ampliar o alcance dos computadores com desconfiômetro dentro de casa.
Vertegaal encheu o Laboratório de Mídia Humana da Universidade Queen's com aparelhos comuns que sabem quando alguém está olhando para eles. "Quando digo 'acenda', aquela lâmpada ali não faz nada", afirma Vertegaal. Ele se vira e encara o objeto.
"Acenda", diz ele. Os LEDs montados em uma placa de circuitos da lâmpada emitem luz infravermelha sobre suas pupilas. A luz refletida é captada. Um processador faz uma interpretação rápida de padrões e reconhecimento de fala, e a lâmpada acende.
A capacidade de perceber o olhar fixo pode dar a máquinas comuns um comportamento aparentemente mágico. Vertegaal atende a uma ligação simplesmente olhando para o telefone e dizendo "Alô". Quando pára de falar e se afasta do aparelho, a ligação é encerrada. A televisão do laboratório pára um DVD ou corta o som de um show na TV quando percebe que não há ninguém assistindo. Alguns alunos de Vertegaal perambulam com sensores de contato visual em seus chapéus ou óculos. Quando o usuário inicia uma conversa, o sensor transmite essa informação por meio de um link sem fio ao celular em seu bolso, que muda do modo sonoro para o modo de vibração.
Embora a tecnologia esteja em constante evolução, os detectores de olhar fixo ainda são muito caros, pesados, feios e pouco confiáveis para serem usados no dia-a-dia. "O contato visual não é uma medida de atenção perfeita, mas é a mais precisa", afirma Vertegaal.
Enquanto funcionarem independentemente, as aplicações atenciosas não passam de brinquedinhos. A utilidade real só virá de sistemas maiores e mais inteligentes, capazes de adivinhar o foco de nossa atenção e controlar nossas conversas com todas as máquinas. Fazer isso de modo seguro vai exigir um bocado de raciocínio.
Caixa-Preta
De modo geral, os computadores podem utilizar duas técnicas para decidir quando e como transmitir uma informação: regras ou modelos. As duas abordagens precisam enfrentar o fantasma da complexidade.
Se o sistema estiver limitado a seguir algumas regras, os usuários podem prever exatamente como ele tratará determinada mensagem. Muitos programas de e-mail, por exemplo, fazem o controle de spams com listas de spammers conhecidos e de contatos válidos. Quando uma mensagem chega, é eliminada ou aceita. Esses sistemas são simples e claros, mas também bastante imprecisos.
Os filtros anti-spam e os firewalls de rede melhoraram muito com a ajuda de modelos estatísticos, chamados redes bayesianas, que são estruturados por algoritmos de aprendizado. O usuário fornece ao algoritmo vários exemplos de mensagens desejáveis e também alguns contra-exemplos de tráfego indesejado. "O software identifica todas as variáveis que influenciam a propriedade que o interessa e, em seguida, investiga as relações possíveis entre elas para encontrar o modelo mais preditivo", explica Horvitz.
As redes bayesianas podem ser assustadoramente precisas. "Elas são inteligentes porque sabem que não podem saber de tudo", diz o pesquisador. "Isso permite que elas captem comportamentos sutis, que necessitariam de milhares de regras rigorosas." Horvitz planeja apresentar os resultados de um modelo que foi treinado em 559 compromissos, retirados da agenda de um gerente. Em 92% das vezes em que foi desafiado, o modelo previu corretamente se o gerente participaria da reunião. Em quatro de cada cinco casos, o modelo replicou a estimativa do custo da interrupção da reunião feita pelo próprio gerente.
Isso parece impressionante, mas alguns especialistas continuam céticos. Os usuários podem ter pouquíssima tolerância com um sistema que suprime erroneamente uma em cada dez ligações importantes. "Quanto mais 'atenciosas' as coisas se tornam, mais imprevisíveis elas são", adverte Ben Shneiderman, da Universidade de Maryland. "Muitos dispositivos 'inteligentes' não são usados porque as pessoas não conseguem entender como eles funcionam."
De fato, pondera Vertegaal, "a inteligência artificial não conseguiu criar a secretária pessoal, porque ela era muito complicada. Mas tenho certeza de que conseguimos criar uma recepcionista", acrescenta.
Isso seria ótimo, mas a computação atenciosa realmente reduziria as interrupções e aumentaria a produtividade? Pelo menos para algumas tarefas especializadas, a resposta é: sem dúvida.
Um exemplo é o sistema HAIL-SS, do grupo Lockheed Martin. Da mesma forma que o Bestcom se interpõe entre o sistema telefônico e um funcionário, o HAIL-SS vigia os marinheiros que operam o sistema de armamento naval Aegis e controla os vários alertas que esse sistema produz. Em simulações de combate, o HAIL-SS reduz o número de interrupções de 50% a 80%, permitindo que os marinheiros controlem os alertas críticos até duas vezes mais rápido. O software reduziu a dificuldade e o stress do trabalho em um quarto, segundo seus usuários.
Contudo, ainda não foi realizado nenhum estudo importante no ambiente comercial. Mesmo com o Bestcom, Horvitz foi interrompido 14 vezes durante as cinco horas de entrevista. Dois alarmes de incêndio, um entregador da FedEx e vários colegas bisbilhotando são alguns exemplos de perturbações que nunca desaparecerão, porque elas beneficiam a quem interrompe.
Mesmo assim, Vertegaal se mostra otimista. "Abrindo essas novas fontes de informação sobre a disponibilidade das pessoas, vamos nos adaptar naturalmente e usá-las para aplicar as regras já existentes de etiqueta", prevê ele. "Você só será menos interrompido se as pessoas souberem que você está ocupado."
Fonte: Revista Scientific American Brasil
por LÍVIA LAMBLET * 9:35 AM
[Quinta-feira, Fevereiro 17]
Indios
Legião Urbana
Quem me dera, ao menos uma vez,
Ter de volta todo o ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer
Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês -
É só maldade então, deixar um Deus tão triste.
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta prá mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura para o meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta prá mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura para o meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.
por LÍVIA LAMBLET * 10:21 AM
[Quarta-feira, Fevereiro 16]
CHEGA DE SANGUE E IMPUNIDADE NA AMAZÔNIA
No último sábado, dia 12/2, a Irmã Dorothy, missionária americana naturalizada brasileira, foi cruelmente assassinada no Pará. O motivo? Defender a Amazônia e seus habitantes da ação destruidora de madeireiros.
Irmã Dorothy dedicou quase metade de seus 74 anos para dar voz às comunidades rurais, defendendo o direito à terra e lutando por um modelo de desenvolvimento sem destruição da floresta. Lutava para que o Estado se fizesse presente na Amazônia, denunciando inclusive o envolvimento de policiais com fazendeiros e grileiros da região. Foi ameaçada de morte inúmeras vezes.
Quantos mais terão que morrer para que medidas eficazes sejam tomadas para proteger a Amazônia e suas comunidades? Por quanto tempo ainda haverá violência causada por grilagem de terras públicas e exploração ilegal de madeira? Já faz mais de 16 anos que perdemos Chico Mendes, muitas vidas se foram em todos esses anos e a violência continua...
Fonte: www.greenpeace.org.br
por LÍVIA LAMBLET * 11:37 AM
[Quinta-feira, Fevereiro 3]
Depois do jantar
Carlos Drummond de Andrade
Também, que idéia a sua: andar a pé, margeando a Lagoa Rodrigo de Freitas, depois do jantar.
O vulto caminhava em sua direção, chegou bem perto, estacou à sua frente. Decerto ia pedir-lhe um auxílio.
¿ Não tenho trocado. Mas tenho cigarros. Quer um?
¿ Não fumo, respondeu o outro.
Então ele queria é saber as horas. Levantou o antebraço esquerdo, consultou o relógio:
¿ 9 e 17... 9 e 20, talvez. Andaram mexendo nele lá em casa.
¿ Não estou querendo saber quantas horas são. Prefiro o relógio.
¿ Como?
¿ Já disse. Vai passando o relógio.
¿ Mas ...
¿ Quer que eu mesmo tire? Pode machucar.
¿ Não. Eu tiro sozinho. Quer dizer... Estou meio sem jeito. Essa fivelinha enguiça quando menos se espera. Por favor, me ajude.
O outro ajudou, a pulseira não era mesmo fácil de desatar. Afinal, o relógio mudou de dono.
¿ Agora posso continuar?
¿ Continuar o quê?
¿ O passeio. Eu estava passeando, não viu?
¿ Vi, sim. Espera um pouco.
¿ Esperar o quê?
¿ Passa a carteira.
¿ Mas...
¿ Quer que eu também ajude a tirar? Você não faz nada sozinho, nessa idade?
¿ Não é isso. Eu pensava que o relógio fosse bastante. Não é um relógio qualquer, veja bem. Coisa fina. Ainda não acabei de pagar...
¿ E eu com isso? Então vou deixar o serviço pela metade?
¿ Bom, eu tiro a carteira. Mas vamos fazer um trato.
¿ Diga.
¿ Tou com dois mil cruzeiros. Lhe dou mil e fico com mil.
¿ Engraçadinho, hem? Desde quando o assaltante reparte com o assaltado o produto do assalto?
¿ Mas você não se identificou como assaltante. Como é que eu podia saber?
¿ É que eu não gosto de assustar. Sou contra isso de encostar o metal na testa do cara. Sou civilizado, manja?
¿ Por isso mesmo que é civilizado, você podia rachar comigo o dinheiro. Ele me faz falta, palavra de honra.
¿ Pera aí. Se você acha que é preciso mostrar revólver, eu mostro.
¿ Não precisa, não precisa.
¿ Essa de rachar o legume... Pensa um pouco, amizade. Você está querendo me assaltar, e diz isso com a maior cara-de-pau.
¿ Eu, assaltar?! Se o dinheiro é meu, então estou assaltando a mim mesmo.
¿ Calma. Não baralha mais as coisas. Sou eu o assaltante, não sou?
¿ Claro.
¿ Você, o assaltado. Certo?
¿ Confere.
¿ Então deixa de poesia e passa pra cá os dois mil. Se é que são só dois mil.
¿ Acha que eu minto? Olha aqui as quatro notas de quinhentos. Veja se tem mais dinheiro na carteira. Se achar uma nota de 10, de cinco cruzeiros, de um, tudo é seu. Quando eu confundi você com um, mendigo (desculpe, não reparei bem) e disse que não tinha trocado, é porque não tinha trocado mesmo.
¿ Tá bom, não se discute.
¿ Vamos, procure nos... nos escaninhos.
¿ Sei lá o que é isso. Também não gosto de mexer nos guardados dos outros. Você me passa a carteira, ela fica sendo minha, aí eu mexo nela à vontade.
¿ Deixe ao menos tirar os documentos?
¿ Deixo. Pode até ficar com a carteira. Eu não coleciono. Mas rachar com você, isso de jeito nenhum. É contra as regras.
¿ Nem uma de quinhentos? Uma só.
¿ Nada. O mais que eu posso fazer é dar dinheiro pro ônibus. Mas nem isso você precisa. Pela pinta se vê que mora perto.
¿ Nem eu ia aceitar dinheiro de você.
¿ Orgulhoso, hem? Fique sabendo que tenho ajudado muita gente neste mundo. Bom, tudo legal. Até outra vez. Mas antes, uma lembrancinha.
Sacou da arma e deu-lhe um tiro no pé.
Texto extraído do livro "Os dias lindos", Livraria José Olympio Editora ¿ Rio de Janeiro, 1977, pág. 54.
por LÍVIA LAMBLET * 8:45 AM
[Quarta-feira, Fevereiro 2]
25 megas no hotmail
Testado e aprovado ... essa é show ... : Aumente sua caixa postal do
hotmail para 25MB ... chega de 2MB :)
No webmail entre em Opções/Opções pessoais/Meu perfil
Depois troquem os dados para:
País/Região: Estados Unidos
Estado: California
CEP:90015
Agora use o link abaixo para encerrar a sua conta, no link clique em
"vá para a página Encerrar Conta":
http://help.msn.com/!data/pt_br/data/HotmailPIMv10.its51/$content$/PIM_PROC_CLOSEACCT.HTM?H_APP=MSN+Hotmail#
Depois disso para reativar a conta: Entre na página inicial do hotmail
e coloque seu login e senha normal, na próxima tela clique em ativar
conta.
OBS - Faça a reativação no mesmo dia, ou perderá sua conta. No mesmo
dia não há perda nenhuma ... de preferência faça assim que terminar de
desativar
Depois vc pode acessar o seu perfil e voltar para Brasil, Bahia ... é
até aconselhável que você faça isso. Evitar rastreamento depois, pá pá
pá .... caixinha de fósforo.
Ah! e não precisa fazer o backup das suas mensagens não, que não perde
nada, ele conserva as mensagens que estavam lá antes da troca.
por LÍVIA LAMBLET * 8:29 AM
[Terça-feira, Fevereiro 1]
Planeta Urano está mais ativo do que nunca
Mudanças nas estações do objeto durante sua lenta translação em volta do Sol aumentam velocidade dos ventos e favorecem formação de nuvens
O planeta Urano, considerado monótono e sem graça, acaba de ganhar nova vida para os observadores da Terra, depois de informações obtidas por cientistas da Universidade da Califórnia com o telescópio Keck II, localizado no topo do vulcão Mauna Kea (Havaí).
Segundo os pesquisadores, com o fim do verão no hemisfério sul de Urano, houve a chegada de tempestades de nuvens sobre a atmosfera. Ventos no hemisfério norte sopravam a uma velocidade de 155 quilômetros por hora, e os anéis se tornavam cada vez mais claros. Além disso, foi observado o 11° anel de Urano, que havia sido visto uma única vez pela espaçonave Voyager há 18 anos. Chamado de 1986 U2R, o misterioso anel pôde ter agora seu tamanho e localização calculados: 3,5 mil quilômetros de largura e 39,6 mil quilômetros do centro do planeta. Apesar de ser milhares de vezes menor que o anel mais brilhante, o épsilon, o 11° anel agora está visível porque está localizado entre o sol e a Terra, refletindo mais luz para os observadores.
A equipe também descobriu que os nove principais anéis de Urano são formados por uma única camada de partículas, chamada monocamada, nunca vista nos outros anéis. Além disso, os anéis estão lentamente se fechando enquanto o equinócio de 2007 se aproxima (instante que o Sol corta o equador celeste).
"O planeta parece estar ficando mais ativo conforme se aproxima o equinócio", diz Imke de Pater, professor de astronomia da Universidade da Califórnia. Segundo ele, quando a espaçonave Voyager sobrevoou Urano em 1986, não foi vista quase nenhuma atividade de nuvens. "Era possível contar 10 nuvens. Por isso, a maioria dos pesquisadores acreditou que Urano era um planeta estático e sem graça. Mas o que estamos vendo agora é o oposto. Na verdade, existem mudanças e elas são visíveis com o Keck e com o telescópio espacial Hubble", acrescenta o pesquisador.
As observações feitas desde 1994 mostram que uma estrutura próxima ao pólo sul tem evoluído muito devagar. Além disso, no hemisfério norte, nuvens brilhantes de alta altitude têm sido observadas desde que a luz do Sol começou atingir o norte do equador.
Agora, pela primeira vez, os pesquisadores observaram que uma nuvem de alta altitude ao sul do hemisfério indica movimento turbulento de grandes massas de ar, o que proporciona a criação de nuvens em Urano, assim como acontece na Terra.
"Uma das grandes nuvens do hemisfério sul nos surpreendeu mostrando a parte central do planeta muito brilhante, visível também a um comprimento de onda de 2,2 mícrons, que normalmente mostrava um planeta escuro por causa da absorção do metano", disse Pater. "Nós nunca tínhamos visto um fenômeno desses no hemisfério sul antes."
O começo do outono no hemisfério sul do planeta e a chegada da primavera no norte é um sinal nunca visto antes com os telescópios de alta resolução como o Keck, já que isso ocorre apenas uma vez a cada 84 anos na Terra, quando o planeta gira ao redor do Sol.
"A quantidade de luz que atinge diferentes partes do planeta se altera assim que Urano se movimenta ao redor do Sol. Então, a mudança do padrão de radiação que as nuvens estão experimentando está alterando a temperatura na atmosfera", diz Heidi Hammel, do Instituto de Ciência Espacial em Boulder.
Segundo Hammel, Urano tem estações bem distintas porque seu eixo de rotação está inclinado a 90 graus do plano de sua órbita. Isto é, seu eixo de rotação fica muito próximo ao eixo de sua órbita. A parte norte de Urano está ficando cada vez mais iluminada, e até o ano 2028 essa região irá apontar diretamente para o Sol, situação completamente inversa àquela observada pela Voyager.
Além disso, os pesquisadores observaram que os ventos estão mais rápidos do que nunca. As velocidades variaram entre 107 e 111 metros por segundo, e foram mensuradas em outubro de 2003 nas regiões localizadas ao norte do planeta.
Fonte: Revista Scientific American Brasil
por LÍVIA LAMBLET * 9:12 AM
[Segunda-feira, Janeiro 31]
A Homeopatia busca conhecer o indivíduo
Já sabemos que a homeopatia trata o DOENTE e não a doença. Isto é um bom começo. Assim como cada um de nós ao nascermos herdamos geneticamente as características que nos individualiza perante o universo das outras pessoas, nós também herdamos a nossa maneira característica de ficarmos doentes.
É esta maneira característica de ser e estar que o médico homeopata busca incessantemente quando faz a anamnese ¿ o interrogatório de perguntas durante a consulta.
Diferentemente dos outros médicos não homeopatas que na maioria das vezes está somente interessado nas queixas específicas das doenças p.ex.: dor de cabeça latejante, unilateral que piora com claridade: diagnóstico provável ¿ enxaqueca.
O médico homeopata vai além de fazer o diagnóstico clínico de enxaqueca, ele quer saber as modificações de humor, emoções, pensamentos, transpiração (se sua ou não sua e onde sua - antes, durante e depois da dor de cabeça), vontade ou não de comer, se vomita, o que desencadeia a dor, o que alivia, como alivia, qual posição que prefere ficar quando a cabeça dói etc, etc, etc.
Este procedimento de saber todas as variáveis possíveis que acompanham o sintoma clínico chamamos de INDIVIDUALIZAÇÃO ou seja: Todo ser humano é único na saúde e na doença e a homeopatia tem que conhecer esta unicidade que o diferencia dos demais seres humanos para medicá-lo com sucesso.
Fonte:Saúde na Internet
por LÍVIA LAMBLET * 7:48 AM
[Domingo, Janeiro 30]
Diferenças
Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
E você começa a aprender que beijos não são contratos e presentes, não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam.
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que levam-se anos para se construir a confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resta da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que se tem na vida, mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa aonde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cair é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que a maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você já celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo que pode, pois existem pessoas que no amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
Portanto plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!
"Nossas dádivas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."
(William Shakespeare)
por LÍVIA LAMBLET * 7:37 AM
[Sábado, Janeiro 29]
Crítica: Eu, Tu, Eles (2000)
Dirigido por Andrucha Waddington. Com: Regina Casé, Lima Duarte, Stênio Garcia, Luiz Carlos Vasconcelos, Nilda Spencer e Jocemar Damásio.
Poucas figuras são tão poéticas quanto uma árvore seca: é impossível não admirar a força de seus galhos, que se mantém firmes mesmo sob o castigo de um interminável verão, e sua incrível capacidade de regeneração, já que basta um pouco de água para trazer de volta a vida que jazia escondida sob sua casca ressequida. A beleza desta analogia me veio à cabeça enquanto eu assistia a Eu, Tu, Eles, já que descreve com precisão o arco dramático vivido pela nordestina Darlene (Casé), uma mulher sofrida que encontra, em uma gota (ou mais) de companheirismo e amor, novo fôlego para sua pobre existência.
E quando digo 'pobre', não estou me referindo apenas ao vazio de sua vida, mas também utilizo a palavra em seu sentido literal, já que o filme de Andrucha Waddington se passa em uma realidade de extrema penúria (em certo momento, ao ver um antigo vizinho construindo uma humilde casa de pau-a-pique, Darlene comenta com admiração: 'Enricou, hein?'). Como seria de se esperar, a miséria dos personagens é ainda mais realçada pela terrível seca que abala o interior nordestino (ao longo da trama, presenciamos a transformação de um açude em um simples laguinho).
É neste mundo tragicamente real que vive Darlene, mãe solteira de um garoto de três anos (ingênua, ela chegou a esperar o pai da criança em frente à Igreja). Certo dia, a mulher recebe a visita do vizinho Osias (Duarte), bem mais velho do que ela. Fruto de uma sociedade machista, ele vai direto ao ponto e oferece sua casa em troca da mão de Darlene ('De minha parte o acordo tá feito', ele diz). Sem maiores perspectivas (ou nenhuma), ela aceita a proposta sem delírios de amor: para ela, não existe o sonho de um 'príncipe encantado', mas sim a necessidade de sobreviver da maneira menos desesperadora possível. O que vemos em seguida é o triste cotidiano de uma típica 'sobrevivente da seca': ela trabalha o dia inteiro como bóia-fria para ganhar míseros 3 ou 4 reais - que são imediatamente entregues ao marido, que passa todo o seu tempo deitado em uma rede, fiscalizando sua criação de cabras.
No entanto, caso você esteja pensando que Eu, Tu, Eles é um sofrido drama, deixe-me desfazer esta impressão: o filme tem seus momentos dramáticos, sim - mas também possui uma grande carga cômica, levando o espectador às gargalhadas em vários momentos memoráveis. Na verdade, a história ganha um novo alento com a chegada de Zezinho (Garcia), o matuto primo de Osias. Sensível e bondoso, ele logo ganha a atenção de Darlene, sempre tão desprezada: para uma mulher como ela, Zezinho é o que há de mais próximo da figura do 'príncipe'. Tempos depois, Darlene dá à luz a uma criança parecidíssima com Zezinho. Osias, por sua vez, finge ignorar as evidências (ainda mais graves se considerarmos que o primeiro filho do casal também é claramente fruto de outra relação extraconjugal).
Mas por que Osias, teoricamente tão 'machista', permite que Darlene abrigue o amante e dois filhos bastardos sob seu teto? O filme nunca oferece uma explicação clara (o que é ótimo), mas não é difícil imaginar suas motivações. Antes de mais nada, o homem é extremamente interesseiro - e não podemos ignorar que Darlene traz um dinheiro extra com seu trabalho, enquanto Zezinho cozinha e arruma a casa sem reclamar. Além do mais, um conflito familiar arruinaria sua tranqüila existência, que seria ainda mais prejudicada caso ele tivesse que assumir sua falta de autoridade sobre a esposa. O mesmo raciocínio se aplica à chegada do terceiro 'marido' de Darlene (desta vez, o 'suborno' é a comida comprada pelo rapaz).
Assim, de uma forma extremamente curiosa, os quatro estabelecem um interessante equilíbrio: Osias 'oferece' a casa e, em troca, ganha empregado, comida e sustento. Já Zezinho investe seu amor em Darlene com reverência e curiosidade quase adolescentes, enquanto esta busca em cada um de seus 'maridos' a satisfação de uma necessidade: autoridade (Osias), amizade (Zezinho) e sexo (Ciro).
Como se não bastasse a complexidade desta atípica dinâmica familiar, a roteirista Elena Soarez ainda nos brinda com diálogos inteligentes e repletos de humor. E se algumas risadas vêm da crueldade simples do povo, sempre ácido e certeiro em seus comentários ('Isso é da raça de Raquel: dá filho, não'), outras cenas memoráveis nascem da simples interação entre os personagens. Na verdade, não posso deixar de destacar as duas cenas em que Zezinho faz a barba de Osias: autênticas e divertidas, elas trazem os personagens em seus melhores momentos (e a frase 'A casa é minha', dita por Lima Duarte, quase se transforma em bordão do filme).
Além da bela fotografia de Breno Silveira e da soberba trilha sonora de Gilberto Gil, Eu, Tu, Eles ainda traz atuações realmente inesquecíveis de todo o elenco - em especial de Stênio Garcia, Lima Duarte e Regina Casé. É claro que todos se esquecem do sotaque nordestino em vários momentos, mas isso em nada compromete o resultado final. O fato é que estes personagens tornam-se tão vivos ao longo das quase duas horas de projeção que realmente passamos a nos importar com eles (sim, até mesmo com o rabugento Osias).
Mas eu não poderia concluir esta crítica sem mencionar a imagem mais evocativa do filme (e que me levou a pensar na analogia citada no primeiro parágrafo): estou falando do momento em que Lima Duarte, depois de um confronto com a realidade, se apóia em um dos galhos da magnífica (apesar de seca) árvore existente em seu quintal. Não sei se o simbolismo foi acrescentado por Andrucha Waddington de forma intencional ou não, mas o fato é que a simples figura de Osias encostado no galho representa, de maneira gráfica, os sentimentos inspirados pelo filme: não consigo deixar de imaginar Darlene como a árvore ressequida por uma vida de tristezas (mas sempre pronta a regenerar-se). Neste quadro, seus galhos são seus filhos e maridos - um dos quais, Osias, até procura se afastar, mas em vão: sem o tronco, o galho morreria.
por LÍVIA LAMBLET * 7:13 AM
[Sexta-feira, Janeiro 28]
Quem não conhece a canção Roda-viva, de Chico Buarque? Essa letra faz parte da famosíssima peça de mesmo nome, escrita em 1967 e que, um ano depois, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa, recebeu montagem à altura, no teatro Oficina. Chico Buarque, que até então era "a única unanimidade brasileira", nas palavras de Millôr Fernandes, chocou parte de seu público com a radicalidade crítica e o tom francamente agressivo da peça.
Mas vamos à letra Roda-viva: ela tem um chão histórico específico, ou seja, os obscuros anos da ditadura. É desse tempo que ela data e é o que esse tempo representou para a experiência brasileira que ela aborda e cifra. Eu falei em "cifra"? Sim, a palavra cifra tem, além da acepção comercial que conhecemos, o sentido de explicação de escrita hermética, enigmática, e, por extensão, passa a significar essa própria escrita. Decifrar é justamente tirar a cifra, tornar o texto claro, interpretá-lo. Como dissemos, a composição de Chico se originou em meio ao turbilhão da instauração da ditadura militar no Brasil. Ditadura que representava, para a cultura, simplesmente o fim da liberdade de expressão. Um meio muito utilizado na época (e, de um modo geral, em períodos não democráticos, no Brasil e em outros países) para driblar a censura foi a metáfora, o despistamento, a linguagem figurada, a cifra. Alguns escritores e jornalistas falavam aparentemente de flores e rouxinóis, quando estavam se referindo à situação político-social brasileira.
O que é roda-viva? Roda-viva é, conforme os dicionários, movimento incessante, corrupio, cortado; é ainda confusão, barulho. O texto menciona ações frustradas pela roda-viva.
Na letra a roda-viva está associada à morte, ao contrário do que indica a palavra. A roda ceifa, arranca aquilo que ainda está em desenvolvimento: a gente estancou de repente. A gente parou (de crescer) de repente. Note-se como é expressivo o uso de estancar, que nos faz lembrar imediatamente de sangue. Somos abortados na capacidade de decidir o próprio destino, de adquirir autonomia como um rio é barrado, como um fluxo de sangue é estagnado.
Essa espécie de vendaval arrebata a voz, o destino das pessoas e a capacidade de exprimir artisticamente seu sofrimento:arrebata-lhes ainda a viola . A roda-viva arrebata da gente a roseira há tanto cultivada e que não teve tempo de exibir tudo o que prometia.
A composição é cortada por dois movimentos: um expressa a ação empenhada, o trabalho sistemático, o desejo de ser o sujeito da própria história. A esse movimento pertence o querer ter voz ativa, o ir contra a corrente (da roda-viva), o cultivo ininterrupto da rosa, o tocar viola na rua e a saudade de tudo isso (na medida em que a saudade pode ajudar a reorganizar o pensamento e a luta). O outro movimento expressa a ação abortiva exercida pela roda-viva. Esse movimento vem expresso numa frase reiterada: "Mas eis que chega a roda-viva e carrega (o que quer que seja) pra lá". A conjunção "mas" sinaliza justamente essa mudança de direção, sinaliza ação adversa. A frase "eis que chega..." vem sempre ligada na letra a um tipo de estribilho, a uma fórmula aparentemente ingênua, que lembra as cantigas de roda: "roda mundo, roda gigante/ roda-moinho, roda pião/ o tempo rodou num instante nas voltas do meu coração". Essa fórmula, inocente na aparência, dado seu teor caótico e quase surrealista (típico de enigmas, cantigas de ninar etc.) e a referência a brinquedos infantis (roda-gigante, pião), tem o efeito de exprimir um desnorteio, uma situação absurda, fora do esquadro. De fato, não é possível conceber a ditadura como algo natural. Ela não pertence à ordem da razão.
Esses movimentos descritos na letra são, portanto, de trabalho em curso e de sucessiva frustração. Isso descreve muito a experiência brasileira, tanto do ponto de vista social e político como do ponto de vista cultural. Quando estávamos começando a engatinhar na democracia, é instalado o regime totalitário, para o qual não existem indivíduos. Sufoca-se até a saudade (já cativa) de outros tempos.
Mas esse ambiente de tanto mal-estar foi filtrado por Chico Buarque com muita cautela: era preciso despistar a censura, daí a profusão de rodas e de versos encantatórios; era preciso dizer a verdade, daí o tumulto e a sensação de frustração advinda da mesma profusão de rodas, que diríamos serem antes de trator.
Roda-viva
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mais eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
No volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
Fonte: Site da TV Cultura
por LÍVIA LAMBLET * 8:00 AM
[Quinta-feira, Janeiro 27]
Pensamentos sobre Esperanças
A esperança não é um sonho, mas uma maneira de traduzir os sonhos em realidade. (Suenens)
A esperança é cheia de confiança. É algo maravilhoso e belo, uma lâmpada iluminada em nosso coração. É o motor da vida. É uma luz no direção do futuro. (Conrad de Meester)
Mesmo as noites totalmente sem estrelas podem anunciar a aurora de uma grande realização. ( Martin Luther King)
O melhor livro de moral é a nossa consciência. Temos que consultá-lo muito freqüentemente. ( Pascal)
A mão que embala o berço é quem rege o mundo. (P. de Vires)
A esperança se adquire. Chega-se à esperança através da verdade, pagando o preço de repetidos esforços e de uma longa paciência. Para encontrar a esperança é necessário ir além do desespero. Quando chegamos ao fim da noite, encontramos a aurora. (Georges Bernanos)
Todos os dias Deus nos dá um momento em que é possível mudar tudo que nos deixa infelizes. O instante mágico é o momento em que um "sim" ou um "não" pode mudar toda a nossa existência.
Quando Deus fecha uma porta, ele pode estar abrindo uma janela.
O sonho e a esperança são dois calmantes que a natureza concede ao ser humano. (Frederico I)
Os miseráveis não têm outro Remédio a não ser a esperança
(Willian Shakespeare)
A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido. Não na vitória propriamente dita. (Mahatma Gandhi)
Por mais longa que seja a noite, o sol volta sempre a brilhar.
Se não houvesse esperança, não estaríamos lutando. (Anônimo)
Acredito que, em última análise, a função do líder é espalhar esperança (Bob Galvin)
A esperança é um bom desjejum, mas um péssimo jantar. (Francis Bacon)
O sonho e a esperança são dois calmantes que a natureza concede ao ser humano. (Frederico I)
A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido. Não na vitória propriamente dita. (Mahatma Gandhi)
Por mais longa que seja a noite, o sol volta sempre a brilhar.
Se não houvesse esperança, não estaríamos lutando. (Anônimo)
Os miseráveis não têm outro remédio a não ser a esperança
(Willian Shakespeare)
Acredito que, em última análise, a função do líder é espalhar esperança (Bob Galvin)
A esperança é uma emoção descontrolada (Glória Steinem)
por LÍVIA LAMBLET * 8:57 AM
[Quarta-feira, Janeiro 26]
Biografia Resumida de Mahatma Gandhi
Mahatma significa " A Grande Alma "
"A não violência é a maior força à disposição da Humanidade. Ela é mais poderosa que a mais poderosa das armas de destruição concebida pela ingenuidade do Homem."
Em 2 de Outubro de 1869, nascia Mohandas Karamchand Gandhi, em Kathiawar, estado de Porbunder, na Índia, líder pacifista da humanidade e principal personalidade da independência desse país. Mais novo dos três filhos de Karamchand Gandhi (Kaba Gandhi) e sua esposa Putlibai. Kaba Gandhi foi primeiro ministro nos estados de Porbunder, Rajkot e Vankaner.
Em 1883, com apenas treze anos, contraiu matrimônio com a Sra. Kasturbai Makanji, que também contava com treze anos a época.
Formou-se em direito em Londres e, em 1891, voltou para a Índia a fim de praticar a advocacia.
Dois anos depois, vai para a África do Sul, também colônia britânica, onde inicia o movimento pacifista, lutando pelos direitos dos hindus.
Volta à Índia em 1914 e difunde seu movimento, cujo método principal é a resistência passiva. Nega colaboração com o domínio britânico e prega a não violência como forma de luta.
Em 1922, organiza uma greve contra o aumento de impostos, na qual uma multidão queima um posto policial.
Detido, declara-se culpado e é condenado à seis anos, mas sai da prisão em 1924.
Em 1930, lidera marcha para o mar, quando milhares de pessoas andam mais de 320 quilômetros a pé, para protestar contra os impostos sobre o sal.
Visitando a Inglaterra
O domínio colonial britânico durou mais de duzentos anos. Os indianos eram considerados cidadãos de segunda classe.
Em 1930, Gandhi viaja a Londres para pedir que a Inglaterra conceda independência à Índia. Lá, visita bairros operários.
"Sei que guardarei para sempre, em meu coração, a lembrança da acolhida que recebi do povo pobre de East London", diz Gandhi.
Ao retornar à Índia, é recebido em triunfo por milhares de pessoas, ainda que nada de muito significativo tenha resultado da viagem.
Gandhi anuncia à multidão que pretende continuar em sua campanha pela desobediência civil, para obrigar a Inglaterra a dar a independência à Índia. Os britânicos, outra vez, o mandam para a prisão.
Em 1942 o governo inglês manda para Nova Delhi Sir Stafford Cripps, com a missão de negociar com Gandhi. As propostas que Sir Cripps traz são inaceitáveis para Gandhi, que deseja independência total. Gandhi retoma a campanha pela desobediência civil. Desta vez é preso e condenado a dois anos de cadeia.
Quando Lord Louis Mountbatten torna-se vice-rei, aproxima-se de Gandhi e nasce, entre Gandhi, Lord e Lady Mountbatten, uma grande amizade.
Em 1947, é proclamada a independência da Índia, mas no verão desse mesmo ano, a hostilidade entre hindus e muçulmanos atinge o auge do fanatismo. Nas ruas há milhares de cadáveres. Os muçulmanos reivindicam um Estado independente, o Paquistão. Gandhi tenta restabelecer a paz e evitar a luta entre hindus e muçulmanos, aceitando a divisão do país e dando início a uma décima-quinta greve de fome. O sacrifício pessoal de Gandhi e sua firmeza conseguem o que nem os políticos nem o exército conseguiram: a Índia conquista sua independência e é criado o Estado muçulmano do Paquistão. A divisão atrai para ele o ódio dos nacioinalistas hindus.
Em 30 de janeiro de 1948, Gandhi morre assassinado por um hindu. Estava com 78 anos. Lord e Lady Mountbatten, ao lado de um milhão de indianos, comparecem ao funeral. Parte de suas cinzas são lançadas às águas sagradas do Rio Jumna.
Em janeiro de 1996, parte das cinzas de Mahatma Gandhi é lançada no Rio Ganges, na cidade de Allahabad, local sagrado para os hinduístas. A cerimônia acontece no 49º aniversário de morte do líder pacifista.
Gandhi foi um pacifista convicto e sempre pregou uma doutrina de não-violência. Desejava que a paz reinasse entre hindus e muçulmanos; entre indianos e ingleses e entre toda a humanidade, por isso e muito mais, o "Mahatma Gandhi" permanecerá, para sempre, como símbolo da resistência pela NÃO-VIOLÊNCIA.
Pensamentos de Mahatma Gandhi
"O desejo sincero e profundo do coração é sempre realizado; em minha própria vida tenho sempre verificado a certeza disto."
"Creio poder afirmar, sem arrogância e com a devida humildade, que a minha mensagem e os meus métodos são válidos, em sua essência, para todo o mundo."
"Acho que vai certo método através das minhas incoerências. Creio que há uma coerência que passa por todas as minhas incoerências, assim como há na natureza uma unidade que permeia as aparentes diversidades."
"As enfermidades são os resultados, não só dos nossos atos, como também dos nossos pensamentos."
"Satyagraha - a força do espírito - não depende do número, depende do grau de firmeza."
"Satyagraha e Ahimsa são como duas faces da mesma medalha, ou melhor, como as duas cades de um pequeno disco de metal liso e sem incisões. Quem poderá dizer qual é a certa? A não-violência é o meio. A Verdade, o fim."
"A minha vida é um Todo indivisível, e todos os meus atos convergem uns nos outros; e todos eles nascem do insaciável amor que tenho para com toda a humanidade."
"Uma coisa lançou profundas raízes em mim: a convicção de que a moral é o fundamento das coisas, e a verdade, a substância de qualquer moral. A verdade tornou-se meu único objetivo. Ganhou importância a cada dia. E também a minha definição dela se foi constantemente ampliando."
"Minha devoção à verdade empurrou-me para a política; e posso dizer, sem a mínima hesitação, e também com toda a humildade que, não entendem nada de religião aqueles que afirmam que ela nada tem a ver com a política."
"A minha preocupação não está em ser coerente com as minhas afirmações anteriores sobre determinado problema, mas em ser coerente com a verdade."
"O erro não se torna verdade por se difundir e multiplicar facilmente. Do mesmo modo, a verdade não se torna erro pelo fato de ninguém a ver."
"O amor é a força mais abstrata, e também a mais potente, que há no mundo."
"O Amor e a verdade estão tão unidos entre si que é praticamente impossível separá-los. São como duas faces da mesma medalha."
"O ahimsa (amor) não é somente um estado negativo que consiste em não fazer o mal, mas também um estado positivo que consiste em amar, em fazer o bem a todos, inclusive a quem faz o mal."
"O ahimsa não é coisa tão fácil. É mais fácil dançar sobre uma corda que sobre o fio da ahimsa."
"Só podemos vencer o adversário com o amor, nunca com o ódio."
"A única maneira de castigar quem se ama é sofrer em seu lugar."
"É o sofrimento, e só o sofrimento, que abre no homem a compreensão interior."
"Unir a mais firme resistência ao mal com a maior benevolência para com o malfeitor. Não existe outro modo de purificar o mundo."
"A minha natural inclinação para cuidar dos doentes transformou-se aos poucos em paixão; a tal ponto que muitas vezes fui obrigado a descuidar o meu trabalho. . ."
"A não-violência é a mais alta qualidade de oração. A riqueza não pode consegui-la, a cólera foge dela, o orgulho devora-a, a gula e a luxúria ofuscam-na, a mentira a esvazia, toda a pressão não justificada a compromete."
"Não-violência não quer dizer renúncia a toda forma de luta contra o mal. Pelo contrário. A não-violência, pelo menos como eu a concebo, é uma luta ainda mais ativa e real que a própria lei do talião - mas em plano moral."
"A não-violência não pode ser definida como um método passivo ou inativo. É um movimento bem mais ativo que outros e exige o uso das armas. A verdade e a não-violência são, talvez, as forças mais ativas de que o mundo dispõe."
"Para tornar-se verdadeira força, a não-violência deve nascer do espírito."
"Creio que a não-violência seja infinitamente superior à violência, e que o perdão seja bem mais viril que o castigo..."
"A não-violência, em sua concepção dinâmica, significa sofrimento consciente. Não quer absolutamente dizer submissão humilde à vontade do malfeitor, mas um empenho, com todo o ânimo, contra o tirano. Assim, um só indivíduo, tendo como base esta lei, pode desafiar os poderes de um império injusto para salvar a própria honra, a própria religião, a própria alma e adiantar as premissas para a queda e a regeneração desse mesmo império."
"O método da não-violência pode parecer demorado, muito demorado, mas eu estou convencido de que é o mais rápido."
"Após meio século de experiência, sei que a humanidade não pode ser libertada senão pela não-violência. Se bem entendi, é esta a lição central do cristianismo."
"Só se adquire perfeita saúde vivendo na obediência às leis da Natureza. A verdadeira felicidade é impossível sem a verdadeira saúde, e a verdadeira saúde é impossível sem rigoroso controle da gula. Todos os demais sentidos estarão automaticamente sujeitos a controle quando a gula estiver sob controle. Aquele que domina os próprios sentidos conquistou o mundo inteiro e tornou-se parte harmoniosa da natureza."
"A civilização, no sentido real da palavra, não consiste na multiplicação, mas na vontade de espontânea limitação das necessidades. Só essa espontânea limitação acarreta a felicidade e a verdadeira satisfação. E aumenta a capacidade de servir."
"É injusto e imoral tentar fugir às conseqüências dos próprios atos. É justo que a pessoa que come em demasia se sinta mal ou jejue. É injusto que quem cede aos próprios apetites fuja às conseqüências, tomando tônicos ou outros remédios. É ainda mais injusto que uma pessoa ceda às próprias paixões animalescas e fuja às conseqüências dos próprios atos."
"A Natureza é inexorável, e vingar-se-á completamente de uma tal violação de suas leis."
"Aprendi, graças a uma amarga experiência, a única suprema lição: controlar a ira. E do mesmo modo que o calor conservado se transforma em energia, assim a nossa ira controlada pode transformar-se em uma função capaz de mover o mundo. Não é que eu não me ire ou perca o controle. O que eu não dou é campo à ira. Cultivo a paciência e a mansidão e, de uma maneira geral, consigo. Mas quando a ira me assalta, limito-me a controlá-la. Como consigo? É um hábito que cada um deve adquirir e cultivar com uma prática assídua."
"O silêncio já se tornou para mim uma necessidade física espiritual. Inicialmente escolhi-o para aliviar-me da depressão. A seguir precisei de tempo para escrever. Após havê-lo praticado por certo tempo descobri, todavia, seu valor espiritual. E, de repente, dei conta de que eram esses momentos em que melhor podia comunicar-me com Deus. Agora, sinto-me como se tivesse sido feito para o silêncio."
"Aqueles que têm um grande autocontrole, ou que estão totalmente absortos no trabalho, falam pouco. Palavra e ação juntas não andam bem. Repare na natureza: trabalha continuamente, mas em silêncio."
"Aquele que não é capaz de governar a si mesmo, não será capaz de governar os outros."
"Quem sabe concentrar-se numa coisa e insistir nela como único objetivo, obtém, ao cabo, a capacidade de fazer qualquer coisa."
"A verdadeira educação consiste em pôr a descoberto ou fazer atualizar o melhor de uma pessoa. Que livro melhor que o livro da humanidade ?"
"Não quero que minha casa seja cercada por muros de todos os lados e que as minhas janelas esteja tapadas. Quero que as culturas de todos os povos andem pela minha casa com o máximo de liberdade possível."
"Nada mais longe do meu pensamento que a idéia de fechar-me e erguer barreiras. Mas afirmo, com todo respeito, que o apreço pelas demais culturas pode convenientemente seguir, e nunca anteceder, o apreço e a assimilação da nossa. (...) Um aprendizado acadêmico, não baseado na prática, é como um cadáver embalsamado, talvez para ser visto, mas que não inspira nem nobilita nada. A minha religião proíbe-me de diminuir ou desprezar as outras culturas, e insiste, sob pena de suicídio civil, na necessidade de assimilar e viver a vida."
"Ler e escrever, por si, não são educação. Eu iniciaria a educação da criança, portanto, ensinando-lhe um trabalho manual útil, e colocando-a em grau de produzir desde o momento em que começa sua educação. Desse modo, todas as escolas poderiam tornar-se auto-suficientes, com a condição de o Estado comprar os manufaturados."
"Acredito que um tal sistema educativo permitira o mais alto desenvolvimento da mente e da alma. É preciso, porém, que o trabalho manual não seja ensinado apenas mecanicamente, como se faz hoje, mas cientificamente, isto é, a criança deveria saber o porquê e o como de cada operação."
"Os olhos, os ouvidos e a língua vêm antes da mão. Ler vem antes de escrever e desenhar antes de traçar as letras do alfabeto."
"Se seguirmos este método, a compreensão das crianças terá a oportunidade de se desenvolver melhor do que quando é freada, iniciando-se a instrução pelo alfabeto."
"Odeio o privilégio e o monopólio. Para mim, tudo o que não pode ser dividido com as multidões é 'tabu'."
"A desobediência civil é um direito intrínseco do cidadão. Não ouse renunciar, se não quer deixar de ser homem. A desobediência civil nunca é seguida pela anarquia. Só a desobediência criminal deve ser reprimida com a força. Reprimir a desobediência civil é tentar encarcerar a consciência."
"Todo aquele que possui coisas de que não precisa é um ladrão."
"Quem busca a verdade, quem obedece a lei do amor, não pode estar preocupado com o amanhã."
"As divergências de opinião não devem significar hostilidade. Se fosse assim, minha mulher e eu deveríamos ser inimigos figadais. Não conheço duas pessoas no mundo que não tenham tido divergências de opinião. Como seguidor da Gita (Bhagavad Gita), sempre procurei nutrir pelos que discordam de mim o mesmo afeto que nutro pelos que me são mais queridos e vizinhos."
"Continuarei confessando os erros cometidos. O único tirano que aceito neste mundo é a "silenciosa e pequena voz" dentro de mim. Embora tenha que enfrentar a perspectiva de formar minoria de um só, creio humildemente que tenho coragem de encontrar-me numa minoria tão desesperadora."
"Nas questões de consciência a lei da maioria não conta."
"Estou firmemente convencido de que só se perde a liberdade por culpa da própria fraqueza."
"Acredito na essencial unidade do homem e, portanto, na unidade de tudo o que vive. Por conseguinte, se um homem progredir espiritualmente, o mundo inteiro progride com ele, e se um homem cai, o mundo inteiro cai em igual medida."
"Minha missão não se esgota na fraternidade entre os indianos. A minha missão não está simplesmente na libertação da Índia, embora ela absorva, em prática, toda a minha vida e todo o meu tempo. Por meio da libertação da Índia espero atuar e desenvolver a missão da fraternidade entre os homens."
"O meu patriotismo não é exclusivo. Engloba tudo. Eu repudiaria o patriotismo que procurasse apoio na miséria ou na exploração de outras nações. O patriotismo que eu concebo não vale nada se não se conciliar sempre, sem exceções, com o bem maior e com a paz de toda a humanidade."
"A mulher deve deixar de se considerar o objeto da concupiscência do homem. O remédio está em suas mãos, mais que nas mãos do homem."
"Uma vida sem religião é como um barco sem leme."
"A fé ¿ um sexto sentido ¿ transcende o intelecto sem contradizê-lo."
"A minha fé, nas densas trevas, resplandece mais viva."
"Somente podemos sentir deus destacando-nos dos sentidos."
"O que eu quero alcançar, o ideal que sempre almejei com sofreguidão (...) é conseguir o meu pleno desenvolvimento, ver Deus face-a-face, conseguir a libertação do Eu."
"Orar não é pedir. Orar é a respiração da alma."
"A oração salvou-me a vida. Sem a oração teria ficado muito tempo sem fé. Ela salvou-me do desespero. Com o tempo a minha fé aumentou e a necessidade de orar tornou-se mais irresistível... A minha paz muitas vezes causa inveja. Ela vem-me da oração. Eu sou um homem de oração. Como o corpo se não for lavado fica sujo, assim a alma sem oração se torna impura."
"O Jejum é a oração mais dolorosa e também a mais sincera e compensadora."
"O Jejum é uma arma potente. Nem todos podem usá-la. Simples resistência física não significa aptidão para jejum. O Jejum não tem absolutamente sentido sem fé em Deus."
"Para mim, nada mais purificador e fortificante que um jejum."
"Os meus adversários serão obrigados a reconhecer que tenho razão. A verdade triunfará. . . Até agora todos os meus jejuns foram maravilhosos: não digo em sentido material, mas por aquilo que acontece dentro de mim. É uma paz celestial."
"Jejum para purificar a si mesmo e aos outros é uma antiga regra que durará enquanto o homem acreditar em Deus."
"Tenho profunda fé no método de jejum particular e público. . . Sofrer, mesmo até a morte e, portanto, mesmo mediante um jejum perpétuo, é a arma extrema do satyagrahi. É o último dever que podemos cumprir. O Jejum faz parte de meu ser, como acontece, em maior ou menor escala, com todos os que procuraram a verdade. Eu estou fazendo uma experiência de ahimsa em vasta escala, uma experiência talvez até hoje desconhecida pela história."
"Quem quer levar uma vida pura deve estar sempre pronto para o sacrifício."
"O dever do sacrifício não nos obriga a abandonar o mundo e a retirar-nos para uma floresta, e sim a estar sempre prontos a sacrificar-nos pelos outros."
"Quem venceu o medo da morte venceu todos os outros medos."
"Os louvores do mundo não me agradam; pelo contrário, muitas vezes me entristecem."
"Quando ouço gritar Mahatma Gandhi Ki jai, cada som desta frase me transpassa o coração como se fosse uma flecha. Se pensasse, embora por um só instante, que tais gritos podem merecer-me o swaraj; conseguiria aceitar o meu sofrimento. Mas quando constato que as pessoas perdem tempo e gastam energias em aclamações vãs, e passam ao longo quando se trata de trabalho, gostaria que, em vez de gritarem meu nome, me acendessem uma pira fúnebre, na qual eu pudesse subir para apagar, de uma vez por todas, o fogo que arde no coração."
"Uma civilização é julgada pelo tratamento que dispensa às minorias."
"Sei, por experiência, que a castidade é fácil para quem é senhor de si mesmo."
"O brahmacharya é o controle dos sentidos no pensamento, nas palavras, e na ação. . . O que a ele aspira não deixará nunca de ter consciência de suas faltas, não deixará nunca de perseguir as paixões que se aninham ainda nos ângulos escuros de seu coração, e lutará sem trégua pela total libertação."
"O brahmacharya, como todas as outras regras, deve ser observado nos pensamentos, nas palavras e nas ações. Lemos na Gita, e a experiência confirma-no-lo todos os dias, que quem domina o próprio corpo, mas alimenta maus pensamentos, faz um esforço vão. Quando o espírito se dispersa, o corpo inteiro, cedo ou tarde, o segue na perdição.
"Por vezes pensa-se que é muito difícil, ou quase impossível, conservar castidade. O motivo desta falsa opinião é que, freqüentemente, a palavra castidade é entendida em sentido limitado demais." Pensa-se que a castidade é o domínio das paixões animalescas. Esta idéia de castidade é incompleta e falsa.
"Vivo pela libertação da índia e morreria por ela, pois é parte da verdade. Só uma Índia livre pode adorar o Deus verdadeiro. Trabalho pela libertação da Índia porque o meu Swadeshi me ensina que, tendo nascido e herdado sua cultura, sou mais apto a servir à Índia e ela tem prioridade de direitos aos meus serviços. Mas o meu patriotismo não é exclusivo; não tem por meta apenas não fazer mal a ninguém, mas fazer bem a todos no verdadeiro sentido da palavra. A libertação da Índia, como eu a concebo, não poderá nunca constituir ameaça para o mundo."
"Possuo a não-violência do corajoso? Só a morte dirá. Se me matarem e eu conseguir ter, uma oração nos lábios pelo meu assassino e o pensamento em Deus, ciente da sua presença viva no santuário do meu coração, então, e só então, poder-se-á dizer que possuo a não-violência do corajoso."
"Não desejo morrer pela paralisação progressiva das minhas faculdades, como um homem vencido. A bala de meu assassino poderia pôr fim à minha vida. Acolhê-la-ia com alegria."
"A regra de ouro consiste em sermos amigos do mundo e em nos considerarmos uma grande família humana. Quem faz distinção entre os fiéis da própria religião e os de outra, deseduca os membros da sua religião e abre caminho para o abandono, a irreligião."
"A força de um homem e de um povo está na não-violência. Experimentem. "
por LÍVIA LAMBLET * 8:06 AM
[Terça-feira, Janeiro 25]
What A Wonderful World
Louis Armstrong
música tema do filme: Good Morning, Viet Nam (Bom Dia, Vietnã)
I see trees of green, red roses too
I see them bloom for me and you
and I think to myself, what a wonderful world
I see skies of blue and clouds of white
the bright blessed day, the dark sacred night
and I think to myself, what a wonderful world
the colors of the rainbow, so pretty in the sky
are also on the faces of people going by
I see friends shaking hands, saying, "how do you do?"
they're really saying, "I love you"
I hear babies cry, I watch them grow
they'll learn much more, than I'll never know
and I think to myself, what a wonderful world
yes, I think to myself, what a wonderful world
Tradução
Que mundo maravilhoso
Eu vejo o verde das árvores ... rosas vermelhas também
Eu vejo florescer para nós dois
E eu penso comigo ... que mundo maravilhoso
Eu vejo a azul dos céus e o branco das nuvens
O brilho do dia abençoado ... a sagrada noite escura
E eu penso comigo ... que mundo maravilhoso
As cores do arco-íris ... tão bonitas nos céus
E estão também nos rostos das pessoas que passam
Eu vejo amigos apertando as mãos, dizendo: "Como você vai ?"
Eles realmente dizem: " Eu te amo ! "
Eu ouço bebês chorando, eu os vejo crescer
Eles aprenderão muito mais que eu jamais saberei
E eu penso comigo ... que mundo maravilhoso
Sim, eu penso comigo ... que mundo maravilhoso
por LÍVIA LAMBLET * 9:05 AM
[Segunda-feira, Janeiro 24]
Para aqueles que estão tentando vestibular...um pouco da literatura brasileira.
Canção do Exílio
Gonçalves Dias
"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
As aves , que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas.
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida
"Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá.
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem palmeiras,
Que tais não encontro eu cá:
Em cismar:- sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá:
Minha terra tem palmeiras.
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá:
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá:"
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Antônio Gonçalves Dias nasceu em 10 de agosto de 1823, em Caxias, no Maranhão.
Faleceu, ao regressar da França, no naufrágio do navio Ville de Boulogne, em 3 de novembro de 1864. Estava tuberculoso.
Filho de português e mestiça. Após a morte do pai, foi enviado a Coimbra para estudar Direito. Durante o curso, produziu seus primeiros versos.
Formado em 1844, regressou para o Maranhão, onde conheceu Ana Amélia, que lhe inspirou o poema Ainda uma vez - Adeus!
Em 1864, mudou-se para o Rio de Janeiro, dedicando-se ao magistério (professor de Latim e de História do Brasil no Colégio Pedro II), ao jornalismo (revista Guanabara) e à elaboração de sua obra.
Temas centrais de sua poesia: indianismo, lirismo amoroso e patriotismo.
Foi o primeiro poeta romântico a explorar as tradições indígenas (lendas, personagens, tradições, ritos, ambiências). O seu indianismo põe o selvagem no papel de herói e, nesse aspecto, só perde para José de Alencar.
por LÍVIA LAMBLET * 7:15 AM
[Domingo, Janeiro 23]
Provérbios
Cachorro mordido por cobra até de lingüiça tem medo (popular)
Saber demasiado é envelhecer precocemente. (Provérbio russo)
A mais alta das torres começa no solo (Provérbio chinês)
Caia a faca no melão ou o melão na faca, o melão sofre... (Provérbio chinês)
Um dia do sábio vale mais que a vida do ignorante (Provérbio árabe)
O diabo coloca a mulher sob o homem para ter o homem sob o seu jugo. (Provérbio corsa)
Já que o amor é cego, o importante é apalpar (Provérbio brasileiro)
Três tipos de homens não entendem nada de mulheres: os jovens, os velhos e os que estão entre os dois. (Provérbio irlandês)
O casamento é como uma armadilha para enguias: as que estão fora querem entrar e as que estão dentro querem sair. (Provérbio norueguês)
O amor é cego e pensa que ninguém o vê. ( Provérbio dinamarquês)
As lágrimas crescem nas viúvas e os piolhos nos viúvos. (Provérbio chinês)
Cuidado com as mulheres de barba e com os homens imberbes. (Provérbio basco)
A boca de uma mulher nunca tira férias (Provérbio crioulo)
Casa, e serás feliz uma semana; mata um porco e serás feliz um mês; sê padre e serás feliz a vida toda. (Provérbio polonês)
Melhor uma vara curta do que dormir sozinha (Provérbio feminino africano)
O amor é um jardim florido e o casamento um campo de urtigas (Provérbio finlandês)
O amor é um jacaré no rio do desejo. (Provérbio indiano)
Um solteiro pode ser tão idiota quanto um homem casado, mas ele ouve isso menos vezes. (Provérbio francês)
O amor é um sonho, e o casamento um despertador. (Provérbio italiano)
Não case por dinheiro, você pode conseguir empréstimo mais barato. (Provérbio escocês)
Melhor bem enforcado do que mal casado. (Provérbio alemão)
Deus fez as pessoas e o diabo as junta. (Provérbio belga)
Quando uma mulher não sabe o que responder é porque não há mais água no mar. (Provérbio grego)
Dê um peixe a um homem faminto e você o alimentará por um dia. Ensine-o a pescar, e você o estará alimentando pelo resto da vida. (Provérbio chinês)
Há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida. (Provérbio chinês)
O caixão é irmão do berço. (Provérbio Alemão)
Um golpe com a língua pode até quebrar os ossos. (Provérbio chinês)
Quem te fala mal de outra pessoa, falará mal de ti também. (Provérbio turco)
O que foi duro de sofrer é doce de recordar. (Provérbio italiano)
O que se faz um dia é semente de felicidade para o dia seguinte. (Provérbio italiano)
A generosidade consiste em dar antes de ser solicitado. (Provérbio árabe)
Hoje é o amanhã que tanto nos preocupava ontem. ( Provérbio popular)
Se alguém está tão cansado que não possa te dar um sorriso, deixa-lhe o teu. (Provérbio chinês)
Volta teu rosto sempre na direção do sol e, então, as sombras ficarão para trás. (Provérbio oriental)
Quem sendo feio ama o bonito, estraga com o ciúme o melhor do amor. (Provérbio venezuelano)
Não tem ciúme só quem ama, mas também quem deseja amar.(Provérbio mexicano)
A honra é um vestido transparente. (Provérbio espanhol)
As lágrimas dos bons caem por terra, mas vão para o céu, para o seio da divindade. (Provérbio chinês)
Só se pode juntar as mãos quando estas estão vazias. (Provérbio Tibetano)
A terra atrai tanto que os velhos andam curvados. ( Provérbio armênio)
Quando estás certo, ninguém se lembra; quando estás errado, ninguém esquece. (Provérbio irlandês)
Para os erros alheios temos os olhos de um lince; para os nossos próprios, os olhos de uma toupeira. (Provérbio da Boêmia).
Quem queimou a língua nunca esquece de soprar a sopa. (Provérbio alemão)
Não podes fazer uma omelete sem quebrar os ovos. (Provérbio francês)
Quem procura um amigo sem defeitos nunca terá amigos. (Provérbio turco)
Antes um inimigo de valor que um amigo tolo. (Provérbio grego)
Amor de jovem é água no cesto. (Provérbio espanhol)
Casar-se uma vez é um dever, duas vezes é uma tolice, e três vezes uma loucura. (Provérbio holandês)
Se estão dando, pegue. Se vierem buscar, corra. ( Provérbio russo)
Quem gasta tudo o que tem, muitas vezes, diz o que não convém, faz o que não deve, julga o que não vê e gasta o que não pode. (Provérbio árabe)
Urubu na guerra é galinha. (Provérbio brasileiro)
Nada está no intelecto que não tenha passado antes pelos sentidos (Provérbio antigo)
Começar já é metade de toda ação. (Provérbio grego)
Antes de começar o trabalho de mudar o mundo, dê três voltas dentro de sua casa (Provérbio chinês)
Não há remédio para o medo. (Provérbio escocês)
por LÍVIA LAMBLET * 8:30 AM
[Sábado, Janeiro 22]
O fanatismo religioso entre outros (fragmento)
Breve Ensaio
Por Raymundo de Lima
"O diabo empalidece comparado a quem dispõe de uma única verdade" (Emil Cioran)
"...todos os crentes parecem escandalosos e indiscretos: procura evitá-los" (Nietzsche)
Em nossa época, supostamente dominada pela ciência e pela tecnologia, o fanatismo parece ser uma reação made in recalcado do inconsciente da humanidade. Fanatismo, vem do latim fanaticus, quer dizer "o que pertence a um templo", fanum. O indivíduo fanático ocupa o lugar de escravo diante do senhor absoluto, que, pode ser uma divindade, um líder mundano, uma causa suprema ou uma fé cega. O fanatismo é alimentado por um sistema de crenças absolutas e irracionais que visa servir à um ser poderoso empenhado na luta contra o Mal. Ou seja, o fanático acha que pode exorcizar pessoas e coisas supostamente possuídas pelo demônio", "combater as forças do Mal" ou "salvar a humanidade" do caos.
Tendo origem no dogma religioso, o fanatismo não se restringe a esse campo único; existe fanatismo por uma raça, um time de futebol, por um partido político, sobretudo por ideologias revolucionárias quando extrapolam a dimensão racional, sentindo-se guiada pela "fantasia da escolha divina". Foi fanatismo religioso que fez muitos seguirem Jin Jones (Templo do Povo), Asahara (Verdade suprema), David Koresh (Ramo davidiano), Jo Dimambro (Templo Solar) e tantos outros místicos ou charlatães que terminaram causando tragédias coletivas, noticiadas no mundo todo. A história conheceu também os histerismos coletivos da "caça as bruxas", a perseguição aos negros, índios, comunistas, homossexuais, prostitutas. O movimento da Jihad islâmica contra os "infiéis do ocidente" e a "guerra aos terroristas" do ocidente cristão, demonstram que o fanatismo está vivo e atuante em nossa época supostamente "científica" e "tecnológica". Precisamos admitir que, a história da humanidade é também a história dos vários fanatismos dominando grupos humanos, sempre com conseqüências trágicas. Esse pedaço da história renegado nos causa vergonha, medo e sinalizam alertas para possíveis efeitos negativos no rumo da civilização.
Como dissemos, o fanatismo atua para além do efeito religioso, mas não extrapola ao campo ideológico como um todo. Há fanatismo entre crentes de todo o tipo, do menos ao mais irracional. Mas, não existe fanatismo racional, em que pese o fato de um certo tipo de razão (instrumental, cínica, etc) também ter cometidos os seus desatinos e crimes. Assim, para o fanático religioso, não basta adorar um Deus visto como Senhor absoluto, é necessário ser soldado dele na terra, lutar pela causa superior, pregar, exorcizar, forçar os "infiéis" ou "divergentes" à conversão absoluta, à qualquer preço. O fanático está sempre disposto a dar provas do quanto sua causa suprema vale mais do que as próprias vidas: dele, de sua família ou mesmo de toda a humanidade. Ele mata por uma idéia e igualmente morre por ela.
Os sintomas do fanatismo
Os sintomas do fanatismo, em grupo, são: orações, privações, peregrinações, jejum, discursos monológicos e martírios que podem terminar com o sacrifício da própria vida visando salvar o mundo das "trevas" ou do que ele entende ser "o mal".
O fanático não fala, faz discursos; é portador de discursos prontos cujo efeito é a pregação de fundo religioso ou a inculcação política de idéias que poderá vir a se tornar ato agressivo ou violento, tomado sempre como revelação da "ira de Deus" ou "a inevitável marcha da história" ou, ainda, a suposta "superioridade de uns sobre os demais". Faz discursos e não fala, porque enquanto a fala é assumida pelo sujeito disposto ao exercício do diálogo, da dialética, do discernimento da verdade, os discursos - especialmente o discurso fanático - fazem sumir os sujeitos para que todos virem meros objetos de um desejo divinizado; servir ao desejo divino e à produção da repetição de algo já pronto, onde o retorno do recalcado do sujeito faz do Eu (ego) um porta-voz de um sistema de crenças moralistas carregado de ódio em relação ao suposto inimigo ou adversário que precisa ser destruído para reinar o Bem.
Os textos sagrados, tomados literalmente, fornecem a sustentação "teórica" do discurso fundamentalista religioso; com ele, o indivíduo acredita, a priori, estar de posse de toda a verdade e por isso não se dá ao trabalho de levantar possíveis dúvidas, como confrontar com outro ponto de vista, ou desvelar outro sentido de interpretação, ou ainda, contextualizá-lo, etc. O fanático tem certeza e isso lhe basta. Creio porque é absurdo, já dizia Tertuliano. Certeza para ele é igual a verdade. (Segundo Popper, no campo científico, a certeza nada vale porque é "raramente objetiva: geralmente não passa de um forte sentimento de confiança, ou convicção, embora baseada em conhecimento insuficiente", já a verdade tem estatuto de objetividade, na medida em que "consiste na correspondência aos factos", na possibilidade da discussão racional com sentido de comprovação. (Popper, 1988, p. 48).
O problema da religião não é a paixão "fé", mas a inquestionalidade de seu método. O método de qualquer religião traz uma certeza divulgada em forma de monólogo, jamais de diálogo ou debate de idéias. O pastor, padre, rabino, ou qualquer pregador de rua, vivem o circuito repetitivo do monólogo da pregação; acreditam que "vale tudo" para difundir a "verdade única" que o tocou e o transformou para sempre! O estilo fanático usa e abusa do discurso monológico delirante, declarações, comunicados, que jamais se voltam para escuta ou o diálogo, exercício esse que faria emergir a verdade - não a "certeza".
Psicopatologia do fanatismo
Do ponto de vista psicopatológico, todo fanatismo parece ter relação com a fuga da realidade. A crença cega ou irracional parece loucura quando se manifesta em momentos ou situações específicas, porém se sua inteligência não está afetada, o fanático aparentemente é um sujeito normal. No entanto, torna-se um ser potencialmente explosivo, sobretudo se o fanatismo se combinar com uma inteligência tecnologicamente preparada. Fanático inteligente é um perigo para a civilização. O terrorismo, por exemplo, que atua com a única meta de destruir inimigos aleatórios é realizado por indivíduos fanáticos cuja inteligência é instrumentada apenas para essa finalidade. No terrorismo é uma das expressões do fanatismo combinado com uma inteligência tecnológico, mas totalmente incapaz de exercitá-la por meios mais racionais, políticos e legais. Para o terrorismo sustentado no fanatismo, os inocentes devem pagar pelos inimigos; a destruição deve ser a única linguagem possível e a construção de um novo projeto político-econômico, não está em questão, porque a realidade no seu todo é forcluída.
O fanatismo parece surgir de uma estrutura psicótica. O fato do sujeito se ver como o único que está no lugar de certeza absoluta, de "ter sido escolhido por Deus para uma missão "x", já constitui sintoma suficiente para muitos psiquiatras diagnosticarem aí uma loucura ou psicose. Mas, seguindo o raciocínio de Freud, vemos que "aquilo que o psicótico paranóico vivencia na própria pele, o parafrênico experiência na pele do outro", ou seja, somos levados a supor que o fanatismo está mais para a parafrenia que para a paranóia. Hitler, antes considerado um paranóico, hoje é mais aceito enquanto parafrênico, pois seus atos indicam sua idéia fixa pela supremacia da raça ariana e a eliminação dos "impuros"; mais ainda, o gozo psíquico do parafrênico não se limita "ser olhado" ou "ser perseguido", tal como acontece com paranóicos, mas sim se desenvolve "uma ação inteligente de perseguição e extermínio de milhares de seres humanos", donde extrai um quantum de gozo sádico. Portanto, deve existir membros de um grupo de fanáticos paranóicos, mas certamente o pior fanático é o determinado pela parafrenia, pois visa de fato destruir em atos calculados "os impuros", "os infiéis", enfim, todos os que não concordam com ele.
Hitler e seus comparsas usaram de inteligência para inventar e administrar a chamada "solução final" contra os judeus, porém, antes de ser este um fato criminoso era uma exigência interna de seu próprio psiquismo. Na parafrenia vigora a compulsão de observar e atuar o ser do Outro como alimentador de seu delírio interno. O parafrênico "faz acting out em nome de..." e jamais assume seu ato criminoso, pondo a responsabilidade em alguém que para ele encarna o "mal". Para sua "lógica", as vítimas são os únicos responsáveis. É curioso observar que ontem os judeus se agarravam ao sacrifício do holocausto como modo de explicação da tragédia em que eram vítimas, mas hoje a ultra direita israelense, no poder, parece resgatar dos nazistas essa terrível idéia da "solução final" contra os palestinos. "Quem lutou muito contra dragão, também vira dragão", diz um antigo provérbio chinês.
Os fanáticos pela "solução final" dos judeus, no Julgamento de Nuremberg, não se consideravam culpados ou com remorsos pelo extermínio coletivo. Goering, considerado o segundo homem depois de Hitler, tentou se defender segundo o princípio de sua lealdade e fidelidade para com o Führer; "cumprira ordens" e "nenhuma vez ele se considerou um criminoso" [12] . Eis a "razão cínica": a culpa pelo genocídio era dos próprios judeus gananciosos por dinheiro, não de seus carrascos nazistas. Os israelenses da "era Sharon" também não se responsabilizam pelos atos criminosos de Israel contra os palestinos generalizados como terroristas.
Se no fanatismo o sujeito inexiste para dar lugar ao Senhor absoluto e maravilhoso, então faz sentido não assumir a sua própria responsabilidade, porque ela é "obra do Senhor" [Werk de herrn.], "o Senhor quer que eu faça", "foi a mão de Allah", etc. São mais do que frases, são efeitos de uma poderosa "fantasia da eleição divina" onde o sujeito é nadificado para dar lugar ao discurso delirante da salvação messiânica. O mundo fanático foi dividido entre "os eleitos" e os que continuam nas trevas e que precisam ser salvos ou serem combatidos por todos os meios, pois "são forças do mal".
O famoso caso Schreber, analisado por Freud, que acreditava ter recebido um chamado de Deus para salvar o mundo, que lhe era transmitido por uma linguagem particular - só entre ele e Deus - , tornou-se o modelo psicanalítico para se pensar a relação loucura e fanatismo. Como já dissemos, o fanatismo é sustentado por sistema de crença delirante, psicótico, dominado por uma autoridade absoluta e invisível (Deus ou a causa da "supremacia da raça ariana", ou a "missão do povo judeu", ou "a Jihad islâmica", "ou salvar o mundo do diabo", enfim, um significante posto no lugar "absoluto" que comanda a ação do grupo fanático, etc). Segundo a psicanálise, isso poderia apontar para a hipótese de um "complexo paterno" de origem.
A leitura lacaniana fala de "um buraco no Nome-do-Pai, que produz no sujeito um buraco correspondente, no lugar da significação fálica, o que provoca nele, quando é confrontado com essa significação fálica, a mais completa confusão. É isso que desencadeia a psicose de Schreber, no momento em que ele próprio é chamado a ocupar uma função simbólica de autoridade, situação à qual só teria podido reagir com manifestações alucinatórias agudas, às quais a construção de seu delírio iria pouco a pouco fornecer uma solução, constituindo, no lugar da metáfora paterna fracassada, uma "metáfora delirante", destinada a dar um sentido àquilo que, para ele, era totalmente desprovido de sentido".
Os primeiros sintomas de fanatismo e suas estratégias de sedução
O início de qualquer fanatismo consiste, em primeiro, reconhecermos um sujeito ou grupo estarem convictos, quando julgam de posse de uma certeza que recusa o teste da realidade. Nietzsche dizia que "as convicções são piores inimigas da verdade do que as mentiras", porque quem mente sabe que está mentindo, mas quem está convicto não se dá conta do seu engano. "O convicto sempre pensa que sua bobeira é sabedoria". Até no campo científico, há cientistas correndo o perigo de tornar-se convictos de suas teses. Edgar Morin analisa que quando algumas idéias se tornam supervalorizadas e adquirem um caráter de grandiosidade e absolutismo tendem a levar os seus sujeitos a abdicarem de seu raciocínio crítico e se tornarem meros objetos dessas idéias. Indivíduos assim submetidos a tão grandes idéias, fazem qualquer coisa para "salva-las" de um possível furo de morte; elas funcionam como muleta existencial. Isso acontece principalmente no meio religioso, mas também pode ocorrer nos meios político, filosófico e científico.
O segundo sinal do fanatismo é quando alguém quer impor a todos de modo tirânico a "verdade" única extraída de sua inspiração ou crença absoluta. Pretende assim a uniformização via linguagem, através de aparência física, rituais e slogans do tipo: "O único Deus é Allah", "só Cristo salva", "Jesus Cristo é o Senhor", "somos o Bem contra o Mal", "Em nome do Senhor Jesus eu ordeno..." São expressões de caráter estereotipado, sustentado por uma "estrutura de alienação do saber", onde o discurso passa a falar sozinho, é uma resposta que está no gatilho, pronta para qualquer emergência que o sujeito não quer pensar. Observem o caráter tirânico, narcisista e excludente dessas afirmativas. Todos possuem uma visão que nega outros modos de crer e pensar. O mesmo acontece nos auto-elogios das pessoas de raça branca e o desprezo pelas outras como proclamam os fanáticos da extrema direita, nas ações violentas de uma torcida sobre a outra, todos, sinalizam que o indivíduo se rende ao grupo e este "a causa". Os recém convertidos de qualquer seita religiosa ou política estão sempre convictos que, finalmente, contemplam a verdade e essa tem que ser imposta a todos, custe o que custar.
O terceiro indicativo de fanatismo, já dissemos, é quando uma pessoa passa a colocar uma causa suprema (podendo esta ser justa ou delirante) acima da vida dela e dos outros.
Quarto, quando um indivíduo e/ou grupo se isolam da convivência familiar e social e adotam um modo de vida narcísico (no igual modo de vestir, de cortar ou não cortar o cabelo, no jeito de falar, nas regras de comer, na ritualística, etc), enfim, quando uniformizam seu discurso, gestos, postura, atitudes em geral e punem os que se recusam a seguir as regras impostas. Entrar para um grupo de fanáticos implica em renunciar: pai, mãe, os filhos, os amigos, o lugar onde viveu, o trabalho, enfim, os membros são persuadidos a matarem os vestígios simbólicos da vida anterior para fazer renascer a vida em outra base moral e de fé.
Quinto, quando o indivíduo e/ou grupo perdem o bom-senso na lógica da comunicação e nas ações do cotidiano. O discurso passa a ser repetitivo e estranho à vida comum.
O sexto indício de fanatismo é quando se perde o sentido de respeito e humanidade para com os diferentes, em nome de uma causa transcendente.
O psicólogo francês, J-M. Abgrael, resume o método de doutrinação fanática em 3 etapas: 1o) sedução das pessoas para a "causa"; 2o) destruição da antiga personalidade, eliminação dos elos familiares, sociais e profissionais e 3o) construção de uma nova personalidade "renascida" ou "renovada", de acordo com o modelo e as regras da seita. Geralmente essa passagem da vida normal para a vida "renovada", há um ritual, algum tipo de batismo, onde se inicia a adoção de um novo nome, novos hábitos, apresentação de novas "famílias". Sentir-se incluso num grupo "de irmãos" ou "de luta pela causa" "é como estar apaixonado; surge uma sensação maravilhosa, tudo passa a fazer sentido na vida, a pessoa se sente acolhida e imensamente alegre". O indivíduo passa a se ver se modo especial, diferente dos demais para realizar a missão elevada; se vê inundado por um sentimento grandioso que Freud chama de "sentimento oceânico". Imagine um indivíduo desesperado, desgarrado de seu grupo social, sem uma forte identidade psicossocial cuja vida perdeu o sentido, ao ser acolhido em um grupo fanático, recebe mensagens confortadoras, do tipo: "nós amamos você", "você é muito importante para o projeto de Deus", "você faz parte de nossa vida", "Deus te ama", etc Diz P. Demo (2001) "o sentimento de ser amado, move o entusiasmo mais do de qualquer coisa".
Faz parte da estratégia para atrair pessoas para novas seitas e igrejas, investir em programas produzidos para solitários que sofrem insônia e depressão nas madrugadas. Os desesperados sentem-se acolhidos com tais palavras mágicas e facilmente se sentem inclusos e maravilhados pela ilusão de nova vida e sentimento extremo de felicidade, numa igreja em que o fanatismo é o seu ponto cego.
Quem quiser ler o ensaio na íntegra, entre no site: Espaço Acadêmico
por LÍVIA LAMBLET * 10:12 AM
[Sexta-feira, Janeiro 21]
Que são os Relâmpagos ?
Relâmpagos são descargas elétricas de alta intensidade que ocorrem na atmosfera. A maior parte delas ocorre dentro das nuvens e é vista por nós apenas como clarões. Porém, uma parte delas sai das nuvens e dirige-se para o solo, atingindo-o. A estas descargas damos o nome de raios.
São os raios que preocupam tanto os homens, devido ao seu poder de causar, muitas vezes, prejuízos e mortes.
Quais os principais prejuízos causados pelos raios?
O Brasil é atingido, todo ano, por cerca de 100 milhões de raios. Em nosso país os raios possuem uma intensidade média de 40.000 Ampéres, isto é, cerca de 10.000 vezes maior que a intensidade da corrente que circula nos aparelhos elétricos em nossas residências. Devido a isto, os raios, quando atingem um objeto, geralmente causam grandes danos. Exemplos disso são as queimas de aparelhos eletrônicos, como computadores, ou mesmo a interrupção de energia elétrica.
Embora seja difícil determinar o total dos prejuízos causados pelos raios à sociedade, acredita-se que, só no estado de São Paulo, eles sejam da ordem de centenas de milhões de reais a cada ano. Os raios também podem atingir as pessoas, causando sérios ferimentos ou até mesmo a morte.
No Brasil cerca de 200 pessoas morrem, por ano, atingidas por raios.
Para que servem os Pára-raios?
Os pára-raios são hastes metálicas ligadas por cabos condutores ao solo, colocadas nos telhados das residências de modo a criar um caminho por onde o raio possa passar em direção ao solo, sem causar danos.
No solo ele se dissipa. Embora os pára-raios não protejam totalmente uma residência, o seu uso, nos últimos dois séculos, tem diminuído considerávelmente os acidentes provocados por raios.
Pára-raios também são usados em barcos, torres de televisão e rádio e torres de transmissão e distribuição de energia elétrica.
Como se proteger dos Raios?
Os raios são perigosos. Por isso é importante evitar algumas situações de risco. Em geral, os raios atingem um só ponto no solo, mas algumas vezes eles se ramificam e podem atingir vários locais.
Quando alguém é atingido diretamente por um raio, pode sofrer uma parada cardíaca e respiratória. Mesmo nesses casos, a pessoa tem chances de sobrevivência. Para tanto, ela deve receber atendimento imediato, com massagem cardíaca e respiração artificial boca a boca. Dados obtidos nos Estados Unidos mostram que um entre 50 indivíduos que sofrem de parada cardíaca e respiratória, devido a raios, sobrevive.
As pessoas também podem ser atingidas através de correntes elétricas que se propagam pelo solo a partir do ponto que o raio atingiu. Uma em cada seis pessoas atingidas diretamente por um raio morre. Entre as que conseguem sobreviver, muitas apresentam, para o resto de suas vidas, problemas de saúde em geral.
Diante dessa realidade, é muito importante saber se proteger. Mas como isso pode ser feito? Os raios caem nos pontos mais altos de um determinado lugar. Daí ser importante evitar segurar objetos como varas e empinar pipas, não ficar em pé em lugares descampados e planos e não permanecer em locais altos, como, por exemplo, o topo das montanhas.
Para se prevenir da ação dos raios através das correntes elétricas que circulam pelo solo, deve-se evitar ficar dentro d¿àgua e também próximo de árvores. Outros riscos são as descargas menores que se formam a partir do raio. Para garantir a segurança, não se deve ficar próximo de cercas ou de cabos de ligação do pára-raio com o solo.
Mas qual é a ação correta diante de uma tempestade súbita? O ideal é ficar dentro de casa. Quando isso não for possível, procurar um abrigo ou tentar permanecer no carro. No entanto, se o local for descampado, o correto é ficar agachado, de preferência calçando botas com sola de borracha.
Fonte:www.raios.com.br
por LÍVIA LAMBLET * 7:36 AM
[Quinta-feira, Janeiro 20]
O Homem e a Mulher
Victor Hugo
O homem é a mais elevada das criaturas,
A mulher é o mais sublime dos ideais.
Deus fez para o homem um trono,
Para mulher, um altar.
O trono exalta,
O altar santifica.
O homem é o cérebro;
A mulher o coração.
O cérebro fabrica luz,
O coração produz o Amor.
A luz fecunda, o Amor ressuscita.
O homem é forte pela razão,
A mulher é invencível pelas lágrimas.
A razão convence,
As lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos;
A mulher, é capaz de todos os martírios.
O heroísmo enobrece,
O martírio sublimiza.
O homem tem a supremacia,
A mulher a preferência.
A supremacia significa a força,
A preferência representa o direito.
O homem é um gênio, a mulher um anjo.
O gênio é imensurável,
O anjo é indefinível.
A aspiração do homem é a suprema glória.
A aspiração da mulher é a virtude extrema.
A glória tudo engrandece,
A virtude tudo diviniza.
O homem é um código,
A mulher, um evangelho
O código corrige, o
O evangelho aperfeiçoa.
O homem pensa,
A mulher sonha.
Pensar é Ter no crânio uma larva
Sonhar é Ter na fronte uma auréola.
O homem é um oceano,
A mulher um lago.
O oceano tem a pérola que adorna,
O lago, a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa,
A mulher o rouxinol que canta.
Voar é dominar o espaço.
Cantar é conquistar a alma.
O homem é um templo,
A mulher é o sacrário.
Ante o templo nos descobrimos,
Ante o sacrário nos ajoelhamos.
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra.
A mulher onde começa o céu.
por LÍVIA LAMBLET * 9:16 AM
[Quarta-feira, Janeiro 19]
A rosa de Hiroxima
Vinícius de Moraes
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
por LÍVIA LAMBLET * 8:01 PM
Canção
Cecília Meireles
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
por LÍVIA LAMBLET * 7:58 PM
Lamento do oficial por seu cavalo morto
Cecília Meireles
Nós merecemos a morte,
porque somos humanos
e a guerra é feita pelas nossas mãos,
pelo nossa cabeça embrulhada em séculos de sombra,
por nosso sangue estranho e instável, pelas ordens
que trazemos por dentro, e ficam sem explicação.
Criamos o fogo, a velocidade, a nova alquimia,
os cálculos do gesto,
embora sabendo que somos irmãos.
Temos até os átomos por cúmplices, e que pecados
de ciência, pelo mar, pelas nuvens, nos astros!
Que delírio sem Deus, nossa imaginação!
E aqui morreste! Oh, tua morte é a minha, que, enganada,
recebes. Não te queixas. Não pensas. Não sabes. Indigno,
ver parar, pelo meu, teu inofensivo coração.
Animal encantado - melhor que nós todos!
- que tinhas tu com este mundo
dos homens?
Aprendias a vida, plácida e pura, e entrelaçada
em carne e sonho, que os teus olhos decifravam...
Rei das planícies verdes, com rios trêmulos de relinchos...
Como vieste morrer por um que mata seus irmãos!
por LÍVIA LAMBLET * 7:58 PM
Balada das dez bailarinas do cassino
Cecília Meireles
Dez bailarinas deslizam
por um chão de espelho.
Têm corpos egípcios com placas douradas,
pálpebras azuis e dedos vermelhos.
Levantam véus brancos, de ingênuos aromas,
e dobram amarelos joelhos.
Andam as dez bailarinas
sem voz, em redor das mesas.
Há mãos sobre facas, dentes sobre flores
e com os charutos toldam as luzes acesas.
Entre a música e a dança escorre
uma sedosa escada de vileza.
As dez bailarinas avançam
como gafanhotos perdidos.
Avançam, recuam, na sala compacta,
empurrando olhares e arranhando o ruído.
Tão nuas se sentem que já vão cobertas
de imaginários, chorosos vestidos.
A dez bailarinas escondem
nos cílios verdes as pupilas.
Em seus quadris fosforescentes,
passa uma faixa de morte tranqüila.
Como quem leva para a terra um filho morto,
levam seu próprio corpo, que baila e cintila.
Os homens gordos olham com um tédio enorme
as dez bailarinas tão frias.
Pobres serpentes sem luxúria,
que são crianças, durante o dia.
Dez anjos anêmicos, de axilas profundas,
embalsamados de melancolia.
Vão perpassando como dez múmias,
as bailarinas fatigadas.
Ramo de nardos inclinando flores
azuis, brancas, verdes, douradas.
Dez mães chorariam, se vissem
as bailarinas de mãos dadas.
por LÍVIA LAMBLET * 7:57 PM
Cenário Social
Dom Hélder Câmara
"Quando, numa terra de miséria,
a miséria já é algo herdado, porque
as pessoas que hoje ali vivem tinham pais e avós que
já viviam na miséria, estão a tendência dessas pessoas
é cair no fatalismo.
Nesta altura o povo perde o sentido da independência,
consideram-se a si próprios como objeto de assistência
e paternalismo sem quaisquer direitos a liberdade
ou justiça.
É uma existência subumana. É a mentalidade do escravo."
por LÍVIA LAMBLET * 8:12 AM
[Terça-feira, Janeiro 18]
Reciclar é preciso
Juliana Tiraboschi
Apesar da reciclagem no Brasil ter crescido nos últimos anos, muito ainda pode ser feito para evitar o aumento desenfreado de lixo.
Segundo dados do IBGE, coletados em 2000, dos 5.507 municípios brasileiros, apenas 451 possuem coleta seletiva e 352 contam com serviço de reciclagem de lixo. No Brasil ainda reciclamos pouco, mas o cenário dá sinais de melhora. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Pet (Abipet), cerca de 120 mil toneladas de embalagens pet (plástico resistente usado em embalagens de refrigerantes, água e sucos, entre outros) usadas foram recicladas em 2003, registrando um crescimento de 18% em relação ao ano anterior. A entidade calcula que, até o final de 2004, o volume de reciclagem deve crescer de 15% a 20% com o trabalho de catadores e de iniciativas realizadas em conjunto com as prefeituras. De acordo com a Plastivida (comissão da Abiquim - Associação Brasileira da Indústria Química), 17,5 % do plástico produzido no Brasil é reciclado, enquanto 41% do papel fabricado é reaproveitado.
Na campo da reciclagem de vidro, temos muito o que comemorar, já que 45% do que produzimos foi reciclado em 2003. Em 1991 esse índice era de apenas 15%. A reciclagem de vidro permite aproveitamento total: com um quilo do material fabrica-se a mesma quantidade de vidro novo, sem poluir o meio ambiente (dados da Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro - Abividro).
São ótimas notícias para o setor, mas ao mesmo tempo em que a reciclagem cresce, a quantidade de lixo aumenta. Em 1996, foram produzidas 3,6 milhões de toneladas só no município de São Paulo. Em 2000, esse número saltou para 7,35 milhões, de acordo com o doutor em ciências Sabetai Calderoni, autor de "Os Bilhões Perdidos no Lixo" (ed. Humanitas).
Fonte: Revista Galileu
por LÍVIA LAMBLET * 10:05 AM
[Segunda-feira, Janeiro 17]
Imagine
John Lennon
Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today
Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace
You may say, I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some day you'll join us
And the world will be as one
Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world
You may say, I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some day you'll join us
And the world will be as one
Tradução
Imagine
Imagine não existir céu
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
E acima apenas o espaço
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje
**
Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada para matar ou por morrer
E nenhuma religião
Imagine todas as pessoas
Vivendo em paz
**
Você pode falar que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só
**
Imagine não existir posses
Surpreenderia-me se você conseguisse
Inexistir necessidades e fome
Uma irmandade humana
Imagine todas as pessoas
Partilhando o mundo
**
Você pode falar que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia você se junte a nós
E o mundo, então , será como um só .
por LÍVIA LAMBLET * 10:53 AM
[Domingo, Janeiro 16]
Dica de livro: A Divina Comédia
Este livro fala sobre a mítica travessia de Dante através do inferno, purgatório e céu. É interessante notar a dicotomia existente no homem medieval em questões como espírito X carne, homem X Deus, pecado X salvação.
Também a utilização de elementos clássicos advindos de outras culturas não cristãs, como o uso do Grifo (ser com corpo de leão e asas e cabeça de águia), representando Jesus Cristo. Este ser possui uma natureza dupla: terrestre e celeste, referentes à divindade e ao homem.
Outro ponto a ser ressaltado é o fato de ele inserir personalidades políticas de sua terra natal e personagens históricos de outros credos (como o profeta Maomé), colocando-os em reinos distintos conforme sua orientação religiosa e política.
Por fim é um clássico consagrado da literatura mundial, sendo recomendado para leitores experientes, principalmente para aqueles que querem ler na forma original, ou seja, em cantos. Entretanto, já existem edições disponíveis em prosa, facilitando o entendimento. Este último é recomendado a leitores menos experientes.
por LÍVIA LAMBLET * 9:06 PM
[Sábado, Janeiro 15]
O Paranóico Salvador Dalí
Expoente máximo do surrealismo, Salvador Dalí se intitulava "crítico paranóico" e acreditava que sua produção era obtida de um estado de consciência alterado sem o uso de drogas. Inspirado pelas descobertas de Freud e Jung, buscava libertar-se da razão e da realidade para gerar a sua delirante criação.
Dalí nasceu em Figueiras, Catalunha, em 1904. Fez a sua primeira exposição individual em 1925, quando foi aclamado por Pablo Picasso. Em 1917 casou-se com a russa Helena Diakonova, a famosa Gala - ela foi sua musa marchand e grande ioncentivadora.
Ao longo de 2004, quando completaria 100 anos de vida, o artista vem sendo homenageado com exposições ao redor do mundo. As palavras do gênio do surrealismo são sua melhor definição: "A única diferença entre mim e um louco é que eu não sou louco". Dalí morreu em 1989. Sua paixão pela ciência, que extrapola a psicanálise, pode ser vista no site www.dali-dimension.com, referente a documentário homônimo lançado em setembro, na Espanha.
Fonte: Revista Viver Mente & Cérebro
por LÍVIA LAMBLET * 2:58 PM
[Sexta-feira, Janeiro 14]
Você Sabia?: Forrest Gump - o Contador de Histórias
Antes de Tom Hanks ser escalado, Bill Murray, de Os Caça-Fantasmas, havia sido considerado para o papel principal de Forrest Gump - O Contador de Histórias.
Robert Zemeckis venceu o Oscar de Melhor Diretor com este filme. Pois Terry Gilliam (de Os Doze Macacos) poderia ter tido essa chance, caso não tivesse recusado a oferta de comandar a produção.
No ônibus escolar, preste atenção em duas crianças que se recusam a dividir o banco com o o pequeno Forrest. O primeiro garoto é Alex Zemeckis, filho do diretor do filme, Robert Zemeckis. Já a menina ruiva é Elizabeth Hanks, filha do próprio Forrest Gump... Ou melhor, de Tom Hanks.
Pouca gente notou isso, mas Forrest Gump aparece de olhos fechados em todas as fotos tiradas ao longo do filme.
O colar que o Tenente Dan usa no pescoço traz uma medalhinha de São Cristóvão usada na Guerra do Vietnã pelo cunhado do ator Gary Sinise, que interpreta o personagem.
Um caso de "envelhecimento precoce": em Forrest Gump, a atriz Sally Field interpreta a mãe de Tom Hanks. Pois apenas seis anos antes, Sally havia interpretado o interesse amoroso do ator em Palco de Ilusões.
Você sabe quem inspirou Tom Hanks a criar o engraçado sotaque de Forrest Gump? Foi o garotinho Michael Conner Humphreys, que interpretou o personagem durante sua infância. O curioso é que o menino realmente conversava daquela maneira.
Quando o Tenente Dan está atravessando a rua na cadeira de rodas, ele bate no capô de um táxi, irritado, e grita: "Estou passando aqui". Esta cena é uma homenagem a Perdidos na Noite, onde há um momento em que Dustin Hoffman faz a mesma coisa. Aliás, ainda durante essa seqüência de Forrest Gump, pode-se ouvir a canção Everybody's Talkin ao fundo, que é a música-tema de Perdidos na Noite.
Uma coincidência: o Tenente Dan diz a Forrest que "o dia em que você trabalhar num barco de camarão, será o dia em que eu serei um astronauta". No ano seguinte ao lançamento de Forrest Gump, Gary Sinise e Tom Hanks contracenaram como astronautas em Apollo 13.
Você sabe o que Forrest diz à multidão que protesta contra a Guerra do Vietnã, em Washington, quando seu microfone é desligado? De acordo com Tom Hanks, o discurso é o seguinte: "Algumas vezes, quando as pessoas vão para o Vietnã, elas voltam para a casa de suas mães sem as pernas. Algumas vezes elas sequer voltam para casa. Isso é uma coisa ruim. Isso é tudo o que eu tenho a dizer sobre isso".
A frase "Meu nome é Forrest Gump, as pessoas me chamam de Forrest Gump" foi improvisada por Tom Hanks durante as filmagens. O diretor Robert Zemeckis gostou tanto da fala que decidiu mantê-la no filme.
Fonte: Cinema em Cena
por LÍVIA LAMBLET * 3:52 PM
[Quinta-feira, Janeiro 13]
Sonhos da Menina
Cecília Meireles
A flor com que a menina sonha
está no sonho?
ou na fronha?
Sonho
risonho:
O vento sozinho
no seu carrinho.
De que tamanho
seria o rebanho?
A vizinha
apanha
a sombrinha
de teia de aranha . . .
Na lua há um ninho
de passarinho.
A lua com que a menina sonha
é o linho do sonho
ou a lua da fronha?
por LÍVIA LAMBLET * 11:51 AM
O Menino Azul
Cecília Meireles
O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
mas que saiba conversar.
O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
¿ de tudo o que aparecer.
O menino quer um burrinho
que saiba inventar histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.
E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.
(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Ruas das Casas,
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)
por LÍVIA LAMBLET * 11:50 AM
A Banda
Chico Buarque
Estava a toa na vida, o meu amor me chamou
Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor
A minha gente sofrida, despediu-se da dor
Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor
O homem sério que contava dinheiro, parou
O faroleiro que contava vantagens, parou
A namorada que contava as estrelas,
Parou para ver, ouvir e dar passagem
A moça triste que vivia calada, sorriu
A rosa triste que vivia fechada, se abriu
A meninada toda se asanhou
Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor
O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Qu'inda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela
A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida, surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor
Mas para meu desencanto, o que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar, depois que a banda passou
E cada qual no seu canto, em cada canto uma dor
Depois da banda pssar, cantando coisas de amor
por LÍVIA LAMBLET * 11:48 AM
Doentes imaginários
Por Chiara Palmerini
A doença é fictícia, mas o sofrimento é real. Uma breve viagem pela hipocondria, o medo obsessivo de estar doente, com o qual ciência e medicina se confrontam (e divergem) há séculos
Há mais de dez anos, o qüinquagenário senhor Cantoni sofre de dores nas panturrilhas. O diagnóstico, a princípio, parecia fácil: o hemograma mostrou alteração em um valor de referência, indicando desgaste muscular. Preparando-se para o pior, o médico pensou tratar-se provavelmente de uma doença muscular crônica. Mas, passado algum tempo, o valor voltou ao normal. Então, radiografias do tórax revelaram anomalia em uma vértebra. O ortopedista concluiu ser esta a causa das dores. Entretanto, trações, manipulações e fisioterapia não trouxeram benefício algum. Pelo contrário, às dores acrescentou-se um incômodo formigamento. As veias das pernas, examinadas por um cirurgião vascular, estavam em ordem. Foi quando entrou em cena o neurologista, que falou de uma misteriosa "miopatia autônoma". O caso parecia encerrado. No entanto, sempre atormentado pelas dores e insatisfeito com o diagnóstico, o senhor Cantoni fez novos exames. A cada vez surgia um indício aparentemente decisivo para o diagnóstico, mas que nunca se confirmava. Então vieram as dores no peito. O senhor Cantoni foi várias vezes ao pronto-socorro, sem que fosse encontrado vestígio algum de ameaça de infarte. Ele começou a se queixar também de zumbido nos ouvidos e de cansaço. E recomeçou um outro período de exames e especialistas. Mas que, novamente, em nada resultou.
O senhor Cantoni, "o homem com sintomas sem respostas", é um dos pacientes de Dino Zeffiri, o pseudônimo que assina o Diário de um Clínico Geral. Sua história, contou-nos Zeffiri, continuou de modo trágico. No verão passado, a esposa de Cantoni foi tomada por repentinas dores abdominais. Quando os médicos deram o diagnóstico de tumor no pâncreas, Cantoni desmaiou: a mulher foi quem o consolou. Submetida à quimioterapia, com poucas esperanças, ela ainda cuida da saúde do marido, cada vez mais acometido por males inexistentes. Ele os inventa? É um doente imaginário? Um hipocondríaco?
Para o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, a hipocondria faz parte dos transtornos somatoformes, cuja característica é a presença de sintomas que levam a pensar em uma patologia física que de fato não existe. É definida como a "preocupação ligada ao medo, ou à convicção de ter uma doença grave". Nenhum esclarecimento é suficiente para debelar o medo. Consultas, análises e exames não servem para aliviá-lo. Um hipocondríaco passa grande parte do tempo pensando em seus sintomas, falando sobre eles e consultando especialistas. Como não considera nenhum exame convincente, ele os refaz continuamente para ter certeza de que os médicos não deixaram escapar nada. Se o temor de uma doença passa, imediatamente o de outra o assalta.
Apesar de ser conhecida desde a antigüidade e ainda representar um problema para médicos, o conhecimento sobre as causas e os tratamentos da hipocondria é bastante escasso. Estima-se que a incidência na população varie entre 1% e 6%. Não existe um modo unívoco para entender o transtorno, como salientam Maurizio De Vanna, Mauro Cauzer e Roberta Marchiori no livro O Misterioso Planeta da Hipocondria. Há quem a considere um sintoma, uma verdadeira doença, ou ainda um traço de personalidade.
À pergunta "você tem pacientes hipocondríacos?" formulada em um questionário para cem médicos de clínica geral de Trieste e Pádua, na Itália, 86% responderam sim. Certamente os doentes imaginários constituem um percentual significativo dos chamados frequent attender, os pacientes que são um presença constante nos consultórios. Na verdade, somos todos um pouco hipocondríacos. "Todos os médicos foram hipocondríacos" comenta o neurocientista italiano Fabrizio Benedetti, da Universidade de Turim, especialista em efeito placebo. "O estudo detalhado dos sintomas de uma doença leva quase sempre a imaginar que os temos. Quem nunca apalpou os linfonodos do pescoço quando estudava os linfomas? Quem não se sentiu esquizofrênico quando estudava o desdobramento da personalidade?" Nos verdadeiros hipocondríacos, porém, a preocupação em relação à doença se torna o elemento central da vida: ocupa pensamentos, conversas, e influencia ou impede atividades da vida cotidiana.
A sociedade contemporânea piorou as coisas ao estimular uma preocupação excessiva com o cuidado do corpo. Sempre vigilantes e atentos às suas funções normais, tendemos a notar e amplificar cada pequeno sinal e a considerá-lo indício do funcionamento anômalo de algum órgão. Os mais sensíveis tendem a sentir todos os efeitos colaterais descritos nas bulas dos medicamentos, ou a temer terem contraído a última patologia sobre a qual leram no jornal. A internet, neste sentido, foi um desastre. Para quem tem predisposição para a hipocondria, a massa de informações encontrada na rede, em vez de tranqüilizar, alimenta os pesadelos. Cada sintoma pode corresponder a dezenas de patologias, todas potencialmente mortais. Nos Estados Unidos já foi até mesmo cunhado um termo para a fobia das doenças alimentada pela internet: cybercondria.
Os doente imaginários são o tormento dos clínicos gerais, primeiro filtro das ansiedades. Instruídos para distinguir patologias concretas, freqüentemente encontram-se desorientados diante de quem manifesta males que parecem inventados. "O encontro com um doente hipocondríaco me suscita curiosidade, interesse, vontade de investigar" conta Silvano Biondani. "Os seus sintomas são plausíveis e a preocupação que os acompanha me envolve. Acredito, como ele, que sejam premonitórios de uma ou mais doenças importantes, e me é espontâneo ajudá-lo na investigação." Mas a aliança dura pouco. "Mesmo quando os exames negam a presença dos males temidos, ele insiste em continuar com investigações cada vez mais sofisticadas. Toda tentativa de tranqüilizá-lo fracassa e o paciente se torna invasivo e obstinado. Então tenho uma sensação embaraçosa de derrota que se transforma em revolta. Começo a duvidar dos seus sintomas. Sinto estar perdendo tempo e sendo explorado."
À pergunta "o que você sente diante de um hipocondríaco?" as respostas mais freqüentes dos médicos de Pádua e Trieste foram "compreensão", "pena e comiseração", "incômodo" e "impotência". Esses pacientes são bastante conhecidos no meio médico, visto que tendem a migrar de um clínico a outro. Nos formulários clínicos há notas destacando suas características. A frustração dos médicos é certa, mesmo porque esses pacientes normalmente recusam qualquer tentativa de estabelecer um diálogo sobre a doença. Desconfiam dos médicos que, depois de todos os exames, propõem uma psicoterapia, convencidos de que o seu problema é físico, grave e iminente.
O nome para o mal que não existe
Mas se os hipocondríacos não têm um verdadeiro problema orgânico, o que eles têm? Na literatura médica antiga o termo deriva de hypochondria, composto pelas palavras gregas hypo, "sob", e chondros, "cartilagem". Pensava-se que o distúrbio estivesse alojado no hipocôndrio, parte superior e lateral do abdome, onde se encontram o fígado e o baço. O primeiro a defini-la foi Galeno, no século II, atribuindo-a a uma desordem da "bile negra". Esse conceito permaneceu por toda a Idade Média e até a Idade Moderna. A partir do século XVIII, o termo passou a indicar um distúrbio melancólico, que se tratava com a aplicação de sanguessugas. Sobretudo na Inglaterra, a hipocondria era considerada a doença dos literatos, o equivalente masculino da histeria. O significado atual foi introduzido no século XIX, época em que diminuiu o interesse da medicina pelo assunto.
Nem mesmo Freud lhe dedicou grande atenção, afirmando que o transtorno, resultado de energias sexuais que, em vez de serem dirigidas a objetos externos, eram voltadas para o próprio corpo, não podia ser investigado apenas do ponto de vista psicológico. Mais tarde, os psicanalistas forneceram várias interpretações para a hipocondria. A hipótese mais clássica sustenta que sua origem estaria vinculada a um ambiente familiar dominado por uma mãe hiperprotetora, que mantém os filhos em estado de dependência: estar doente é o melhor modo de obter tratamentos e atenções.
Ainda hoje não está totalmente claro o que se entende exatamente por hipocondria, mesmo que se tenda a distingui-la do chamado transtorno de somatização, tendência a desenvolver sintomas físicos. "Os casos mais freqüentes são os de pacientes com uma patologia orgânica que têm, no entanto, sintomas físicos amplificados: uma pessoa com artrose que não se levanta da cama queixando-se de dores insuportáveis, ou um cardiopático que fica sem fôlego diante de um esforço mínimo" explica Riccardo Torta, psiquiatra da Universidade de Turim. Uma de suas pacientes, com síndrome bipolar, manifestava sintomas somáticos bastante graves na fase de depressão, em vez dos clássicos transtornos do humor. Como tinha uma certa cultura e se informava continuamente, acabava por interpretar seus sintomas baseando-se nas definições das enciclopédias médicas, relatando depois aos clínicos os sintomas que para eles eram sinais inequívocos de uma certa doença. Deste modo, ela conseguiu colecionar intervenções cirúrgicas de todo tipo, inclusive a retirada da vesícula biliar.
Curar o incurável
Brian Fallon, neuropsiquiatra da Columbia University, em Nova York, é um dos poucos pesquisadores que fez estudos específicos sobre a hipocondria. Começou a interessar-se pela doença há uns 15 anos, ao tratar de um corretor da bolsa de valores com 50 anos que estava convencido de ter um tumor cerebral. Mesmo depois que todos os exames deram resultados negativos, o homem passava os dias pensando em seu câncer. Fallon lhe prescreveu um antidepressivo. Para sua surpresa, o medicamento funcionou perfeitamente. Desde então ele está convencido de que a hipocondria é uma forma de transtorno obsessivo-compulsivo e que pode ser tratada com inibidores seletivos de recaptação da serotonina, as drogas da família do Prozac.
O psiquiatra Arthur Barsky, do Hospital Brigham, de Boston, usa uma terapia cognitivo-comportamental com hipocondríacos. Conforme estudo concluído recentemente com 187 participantes, a terapia parece dar resultados. O método ensina a reduzir a atenção dada às sensações corpóreas e a corrigir comportamentos específicos: por exemplo, pular as páginas do jornal que falam de saúde e evitar sites de medicina. "É um caminho longo, porque freqüentemente estes estilos de comportamento se cristalizaram durante anos" observa Torta. "Normalmente procura-se reestruturar a relação do paciente com seu corpo, utilizando-se inclusive medicamentos para reduzir a ansiedade de base que freqüentemente acompanha o transtorno." Giorgio Nardone, diretor do Centro de Terapia Estratégica de Arezzo, propõe aos hipocondríacos psicoterapias breves, de poucas semanas, inspiradas nos métodos do Mental Research Institute de Palo Alto, nos Estados Unidos. Em certa ocasião, relatada em seu livro Non c'è notte che non veda il giorno (Não há noite que não veja o dia), prescreveu a um paciente falar de seus medos apenas por meia hora depois do jantar e anotar três vezes ao dia, em pé diante do espelho, todas as sensações e sintomas provenientes do corpo.
Recentemente, surgiram clínicas para hipocondríacos em vários países. "No entanto, a maior parte dos transtornos de ansiedade ligados à saúde, como prefiro me referir à hipocondria, deveria ser administrado e tratado por médicos de família", afirma Paul Salkovskis, diretor Hospital Maudsley, em Londres.
Uma coisa no entanto é certa: estes doentes, etiquetados de imaginários, realmente sofrem. Além do risco de danos por terapias, exames e intervenções desnecessárias, há ainda o risco de que as doenças não sejam reconhecidas quando aparecerem realmente.
E seria esta a ironia do destino, o paradoxo dramático: adoecer, enfim, exatamente do que se teve medo por toda a vida.
A autora
Chiara Palmerini, formada em filosofia, especializou-se em jornalismo científico. Tradução de Alexandre Massella
Fonte: Revista Viver Mente & Cérebro
por LÍVIA LAMBLET * 11:47 AM
ACONTECE NA HISTÓRIA
Hitler se despede de Mussolini na estação ferroviária de Berlim, em 1937 Mussolini tentou impedir disseminação do anti-semitismo
30/05/2004
O ditador italiano Benito Mussolini tentou demover Adolf Hitler de comandar a perseguição nazista aos judeus. A afirmação é embasada por documentos encontrados nos Arquivos Secretos do Vaticano, datados de abril de 1933, recentemente divulgados, e que provam o envio de uma mensagem de Mussolini ao líder alemão, pedindo que "ele não se empolgasse com a idéia de uma campanha anti-semita".
A carta foi lida a Hitler e Josef Goebbels, ministro de Propaganda do Terceiro Reich, meia hora antes de um encontro que resultou na aprovação de uma medida que impedia os judeus de ocuparem cargos públicos.
De acordo com o padre Giovanni Sale, responsável pela descoberta dos documentos, o chefe do governo na Itália não foi motivado por razões éticas, mas "por ter percebido que a maioria dos italianos não apoiava o anti-semitismo e julgavam o ideal da raça ariana como um absurdo".
Ainda segundo o pároco, os registros indicam também que o papa Pio XII, durante a Segunda Guerra Mundial, incentivou Mussolini a dialogar com o chanceler alemão. Em uma nota de 1938, o religioso elogiava o Duce por sua "influência sobre Hitler e tentativas para intervir contra a perseguição religiosa na Alemanha". Entretanto, alguns historiadores alegam que o sumo pontífice foi conivente com o anti-semitismo.
As leis raciais italianas, que resultaram na perseguição aos judeus no país, foram promulgadas em 1938. Cerca de 7 mil judeus italianos foram enviados aos campos de concentração depois que os alemães invadiram a Itália, em 1943.
Fonte: Revista História Viva
por LÍVIA LAMBLET * 11:46 AM
Autofagia celular pode prevenir doenças
Novo tipo de morte programada ajudaria a manter as células em funcionamento, numa espécie de faxina bioquímica
A autofagia celular, na qual as células reciclam suas próprias organelas e proteínas, pode ser a chave para o desenvolvimento de novos tratamentos contra o câncer, as doenças degenerativas e infecções.
Esse mecanismo interno, exercido principalmente em situações de fome e de enfermidade, é considerado o segundo tipo de morte celular programada (PCD). A apoptose, primeira forma de morte celular programada identificada, passa a ser chamada de PCD Tipo I.
Na autofagia (PCD Tipo II), as células se assemelham a pequenas cápsulas com dupla membrana. Essas vesículas circundam e mastigam partes dos componentes físicos celulares. Vesículas autofágicas têm sido vistas em células sob morte celular programada, mas não está claro ainda se elas estão tentando proteger a célula da apoptose ou apressar sua morte.
Esse processo foi identificado em diferentes espécies, entre elas a levedura, o fungo usado como fermento do pão. Segundo pesquisadores da Universidade de Michigan, que tiveram suas pesquisas publicadas na capa da revista Science do dia 5 de novembro, ainda há muito estudo a ser feito para que a autofagia possa ser entendida como algo bom ou ruim. As pesquisas caminham em ambos os sentidos.
"A autofagia é apenas um jeito de se livrar das partes danificadas da célula sem jogar tudo fora. Nas células nervosas, por exemplo, poderia haver uma autofagia para corrigir problemas sem destruir a célula", diz o biólogo Daniel Klionsky.
Altos níveis de vesículas autofágicas também têm sido notados em algumas formas de doenças degenerativas musculares e nervosas, como Huntington, Parkinson, Alzheimer e ALS (doença de Lou Gehrig). Mas não está claro por que as vesículas estão se acumulando. Elas podem estar sendo formadas porque não estão sendo usadas, ou pode ser que as células estejam produzindo mais vesículas.
Atualmente, os pesquisadores são capazes de identificar genes autofágicos em humanos e em outros organismos, incluindo ratos.
Os cientistas que pesquisam o câncer têm tentado ligar a apoptose à autofagia de células cancerígenas. A autofagia provavelmente pode promover ou prevenir câncer. Ela atua como supressora de tumores quando limita o tamanho da célula e remove os componentes danificados que poderiam gerar radicais livres ou criar mutações. Mas a autofagia pode também proteger as células cancerígenas contra alguns tratamentos e poderia fazer as células viverem mais ao reciclar suas organelas dentro do tumor.
Fonte: Revista Scientific American Brasil
por LÍVIA LAMBLET * 11:45 AM
[Quarta-feira, Janeiro 12]
Você Sabia?
Curiosidades: Entrevista com o Vampiro
- River Phoenix estava escalado como o entrevistador, mas morreu antes que as filmagens começassem. Leonardo DiCaprio era uma possibilidade, mas o papel acabou com Christian Slater, que doou seu cachê para as instituições de caridade que Phoenix ajudava.
- Christina Ricci, Dominique Swain e Evan Rachel Wood fizeram testes para o papel de Claudia, que ficou com Kirsten Dunst.
- A autora Anne Rice tinha Rutger Hauer em mente quando elaborou o papel de Lestat. Quando Tom Cruise foi escalado, ela ficou desapontada e tornou público seu medo que o ator não fosse capaz de carregar o papel. Depois de uma exibição, ela escreveu uma carta de desculpas, elogiando a atuação de Cruise.
- Tom Cruise queria um set privativo, e túneis foram construídos como cercas conduzindo os atores para dentro e fora dos sets. Isso foi feito para manter em segredo a maquiagem dos vampiros.
- Em algumas cenas, Tom Cruise foi colocado em uma plataforma para diminuir a diferença de altura entre ele e outros vampiros.
- O cenário do porto de Nova Orleans é falso, montado em um posto da Guarda Nacional.
- As cenas que se passam em rios foram feitas retirando-se os elementos modernos, como uma ponte e antenas de rádio, e incluindo-se veleiros do século XVIII na pós-produção.
- Muitos prédios e ruas foram escurecidos para as filmagens através de um acordo com as empresas e com a cidade. Os sets foram imediatamente destruídos após o término da produção.
- Johnny Depp e Daniel Day-Lewis recusaram o papel de Lestat.
- David Cronenberg recusou a direção do longa.
- Stephen Rea faz participações regulares nos longas de Neil Jordan, como em Fim de Caso e Nó na Garganta.
- O sobrenome do entrevistador, Malloy, só aparece nos créditos e não é dito em momento algum durante o filme.
- Por algum tempo, os envolvidos na produção queriam Sting como Lestat. Ele iria, inclusive, cantar na trilha do filme, mas a idéia foi descartada.
- Segundo os empregados da casa que serve como a morada de Louis, chamada Oak Alley Plantation, a plantação quase foi destruída. Elementos não-autorizados quase causaram um incêndio, a casa foi pintada e descaracterizada e parte da plantação foi cortada ou coberta com lama e plantas.
Fonte: Cinema em Cena
por LÍVIA LAMBLET * 8:14 PM
[Terça-feira, Janeiro 11]
Smile
Charles Chaplin
Smile, though your heart is aching
Smile, even though it's breaking
When there are clouds in the sky
you'll get by
If you smile through your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You'll see the sun come shining through
for you
Light up your face with gladness
Hide every trace of sadness
Although a tear may be ever so near
That's the time you must keep on trying
Smile what's the use of crying
You'll find that life is still worthwhile
If you'll just
Smile
Tradução
Sorria
Sorria, apesar de seu coração estar doendo
Sorria, embora esteja se partindo
Quando houver nuvens no céu, você sobreviverá
Se você sorrir através do seu medo e sofrimento
Sorria e talvez amanhã
Você verá o sol brilhando para você
Ilumine sua face com alegria
Esconda todo traço de tristeza
Embora uma lágrima possa estar próxima
Esse é o tempo que você tem que continuar tentando
Sorria, de que adianta chorar?
Você descobrirá que a vida ainda vale a pena
Se você simplesmente
Sorrir
por LÍVIA LAMBLET * 10:51 AM
"A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade,
e sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade explendia seus fogos.
Era divida em metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia."
Vinícius de Morais
por LÍVIA LAMBLET * 10:50 AM
[Segunda-feira, Janeiro 10]
Ressaca
Luís Fernando Veríssimo
Hoje, existem pílulas milagrosas, mas eu ainda sou do tempo das grandes ressacas. As bebedeiras de antigamente eram mais dignas, porque você as tomava sabendo que no dia seguinte estaria no inferno. Além de saúde era preciso coragem. As novas gerações não conhecem ressaca, o que talvez explique a falência dos velhos valores. A ressaca era a prova de que a retribuição divina existe e que nenhum prazer ficará sem castigo.
Cada porre era um desafio ao céu e às suas feras. E elas vinham: Náusea, Azia, Dor de Cabeça, Dúvidas Existenciais - golfadas. Hoje, as bebedeiras não têm a mesma grandeza. São inconseqüentes, literalmente. Não é que eu fosse um bêbado, mas me lembro de todos os sábados de minha adolescência como uma luta desigual entre a cuba-libre e o meu instinto de autopreservação. A cuba-libre ganhava sempre. Já dos domingos me lembro de muito pouco, salvo a tontura e o desejo de morte.
Jurava que nunca mais ia beber, mas, antes dos trinta, "nunca mais" dura pouco. Ou então o próximo sábado custava tanto a chegar que parecia mesmo uma eternidade. Não sei o que a cuba-libre fez com meu organismo, mas até hoje quando vejo uma garrafa de rum os dedos do meu pé encolhem.
Tentava-se de tudo para evitar a ressaca. Eu preferia um Alka-Seltzer e duas aspirinas antes de dormir. Mas no estado em que chegava nem sempre conseguia completar a operação. Às vezes dissolvia as aspirinas num copo de água, engolia o Alka-Seltzer e ia borbulhando para a cama, quando encontrava a cama. Mas os métodos variavam.
Por exemplo:
Um cálice de azeite antes de começar a beber -- O estômago se revoltava, você ficava doente e desistia de beber.
Tomar um copo de água entre cada copo de bebida -- O difícil era manter a regularidade. A certa altura, você começava a misturar a água com a bebida, e em proporções cada vez menores. Depois, passava a pedir um copo de outra bebida entre cada copo de bebida.
Suco de tomate, limão, molho inglês, sal e pimenta -- Para ser tomado no dia seguinte, de jejum. Adicionando vodca ficava um bloody-mary, mas isto era para mais tarde um pouco.
Sumo de uma batata, sementes de girassol e folhas de gelatina verde dissolvidas em querosene -- Misturava-se tudo num prato pirex forrado com velhos cartões do sabonete Eucalol. Embebia-se um algodão na testa e deitava-se com os pés da ilha de Páscoa. Ficava-se imóvel durante três dias, no fim dos quais o tempo já teria curado a ressaca de qualquer maneira.
Uma cerveja bem gelada na hora de acordar -- Por alguma razão o método mais popular.
Canja -- Acreditava-se que uma boa canja de galinha de madrugada resolveria qualquer problema. Era preciso especificar que a canja era para tomar, no entanto. Muitos mergulhavam o rosto no prato e tinham de ser socorridos às pressas antes do afogamento.
Minha experiência maior era com a cuba-libre, mas conheço outros tipos de ressaca, pelo menos de ouvir falar. Você sabia que o uísque escocês que tomara na noite anterior era paraguaio quando acordava se sentindo como uma harpa guarani. Quando a bebedeira com uísque falsificado era muito grande, você acordava se sentindo como uma harpa guarani e no deposito de instrumentos da boate Catito's em Assunção.
A pior ressaca era de gim.
Na manhã seguinte, você não conseguia abrir os dois olhos ao mesmo tempo. Abria um e quando abria o outro, o primeiro se fechava. Ficava com o ouvido tão aguçado que ouvia até os sinos da catedral de São Pedro, em Roma.
Ressaca de martini doce: você ia se levantar da cama e escorria para o chão como óleo. Pior é que você chamava a sua mãe, ela entrava correndo no quarto, escorregava em você e deslocava a bacia.
Ressaca de vinho. Pior era a sede. Você se arrastava até a cozinha, tentava alcançar a garrafa de água e puxava todo o conteúdo da geladeira em cima de você. Era descoberto na manhã seguinte imobilizado por hortigranjeiros e laticínios e mastigando um chuchu para alcançar a umidade. Era deserdado na hora.
Ressaca de cachaça. Você acordava sem saber como, de pé num canto do quarto. Levava meia hora para chegar até a cama porque se esquecera como se caminhava: era pé ante pé ou mão ante mão? Quando conseguia se deitar, tinha a sensação que deixara as duas orelhas e uma clavícula no canto.
Olhava para cima e via que aquela mancha com uma forma vagamente humana no teto finalmente se definira. Era o Peter Pan e estava piscando para você.
Ressaca de licor de ovos. Um dos poucos casos em que a lei brasileira permite a eutanásia.
Ressaca de conhaque. Você acordava lúcido. Tinha, de repente, resposta para todos os enigmas do universo. A chave de tudo estava no seu cérebro. Devia ser por isso que aqueles homenzinhos estavam tentando arrombar a sua caixa craniana. Você sabia que era alucinação, mas por via das dúvidas, quando ouvia falar em dinamite, saltava da cama ligeiro.
Hoje não existe mais isto. As pessoas bebem, bebem e não acontece nada. No dia seguinte estão saudáveis, bem-dispostas e fazem até piadas a respeito.
De vez em quando alguns dos nossos se encontram e se saúdam em silêncio. Somos como veteranos de velhas guerras lembrando os companheiros caídos e o nosso heroísmo anônimo.
Estivemos no inferno e voltamos, inteiros.
Um brinde.
E um Engov.
por LÍVIA LAMBLET * 1:12 PM
[Domingo, Janeiro 9]
Biografia: Martin Luther King
Martin Luther King nasceu em 15 de janeiro de 1929 em Atlanta na Georgia, filho primogênito de uma família de negros norte-americanos de classe média. Seu pai era pastor batista e sua mãe era professora.
Com 19 anos de idade Luther King se tornou pastor batista e mais tarde se formou teólogo no Seminário de Crozer. Também fez pós-graduação na universidade de Boston, onde conheceu Coretta Scott, uma estudante de música com quem se casou.
Em seus estudos se dedicou aos temas de filosofia de protesto não violento, inspirando-se nas idéias do indu Mohandas K. Gandhi.
Em 1954 tornou-se pastor da igreja batista de Montgomery, Alabama. Em 1955, houve um boicote ao transporte da cidade como forma de protesto a um ato discriminatório a uma passageira negra, Luther King como presidente da Associação de Melhoramento de Montgomery, organizou o movimento, que durou um ano, King teve sua casa bombardeada. Foi assim que ele iniciou a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos.
Em 1957 Luther King ajuda a fundar a Conferência da Liderança Cristã no Sul (SCLC), uma organização de igrejas e sacerdotes negros. King tornou-se o líder da organização, que tinha como objetivo acabar com as leis de segregação por meio de manifestações e boicotes pacíficos. Vai a Índia em 1959 estudar mais sobre as formas de protesto pacífico de Gandhi.
No início da década de 1960, King liderou uma série de protestos em diversas idades norte-americanas. Ele organizou manifestações para protestar contra a segregação racial em hotéis, restaurantes e outros lugares públicos. Durante uma manifestação, King foi preso, tendo sido acusado de causar desordem pública.
Em 1963 liderou um movimento massivo, "A Marcha para Washington", pelos direitos civis no Alabama, organizando campanhas por eleitores negros, foi um protesto que contou com a participação de mais de 200.000 pessoas que se manifestaram em prol dos direitos civis de todos os cidadãos dos Estados Unidos. A não-violência tornou-se sua maneira de demonstrar resistência. Foi novamente preso diversas vezes. Neste mesmo ano liderou a histórica passeata em Washington onde proferiu seu famoso discurso "I have a dream" ("Eu tenho um sonho"). Em 1964 foi premiado com o Nobel da Paz.
Os movimentos continuaram, em 1965 ele liderou uma nova marcha. Uma das conseqüências dessa marcha foi a aprovação da Lei dos Direitos de Voto de 1965 que abolia o uso de exames que visavam impedir a população negra de votar.
Em 1967 King uniu-se ao Movimento pela Paz no Vietnam, o que causou um impacto negativo entre os negros. Outros líderes negros não concordaram com esta mudança de prioridades dos direitos civis para o movimento pela paz.
Em 4 de abril de 1968 King foi baleado e morto em Memphis, Tenessee, por um branco que foi preso e condenado a 99 anos de prisão.
Em 1983, a terceira segunda-feira do mês de janeiro foi decretada feriado nacional em homenagem ao aniversário de Martin Luther King Jr.'s.
por LÍVIA LAMBLET * 1:33 PM
Óptica e realismo na arte renascentista
Uma teoria muito divulgada afirma que pintores do século XV atingiram novo nível de realismo com a ajuda de lentes e espelhos. Mas descobertas recentes levantam dúvidas sobre essa hipótese
Por David G. Stork
Quando pensamos na grandiosa trajetória da pintura ocidental, observamos um fenômeno muito interessante no despertar do Renascimento.
Até cerca do ano de 1425, a maioria das imagens era bastante estilizada, até mesmo esquemática; mas, a partir de então, podem ser vistas pinturas que apresentam um realismo quase fotográfico. Por exemplo, O casamento de Arnolfini, pintado pelo mestre do início do Renascimento Jan van Eyck (1390?-1441), revela tridimensionalidade, presença, individualidade e profundidade psicológica não encontradas em obras anteriores.
Pela primeira vez, os retratos realmente se parecem com as pessoas reais. O que teria ocorrido?
Procurando explicar o surgimento dessa extraordinária nova forma de arte, ou ars nova, como era chamada, o celebrado artista contemporâneo David Hockney propôs uma teoria corajosa e controversa. Ele afirmou que as pinturas renascentistas causam a impressão de realidade - possuindo o que ele chama de "imagem óptica" - porque os artistas usavam lentes e espelhos para projetar imagens sobre telas ou superfícies similares, traçando contornos a partir dessas projeções. Essa teoria é apresentada de maneira mais completa no livro escrito por Hockney, Secret knowledge: Rediscovering the lost techniques of the old masters, de 2001.
É fato conhecido que nos séculos XVIII e XIX alguns pintores faziam uso de projeções ópticas sobre tela. Porém, a teoria de Hockney adianta o início dessa técnica em 250 anos. E tal é a importância desses instrumentos e técnicas ópticos para sua teoria que o artista afirma que a história da arte a partir daquela época está intimamente ligada à própria história da óptica.
A fim de examinar essa teoria, outros acadêmicos e eu utilizamos técnicas ópticas e de imagem computadorizada para estudar dois quadros de van Eyck que Hockney e seu colaborador, Charles Falco, físico da Universidade do Arizona, citam como evidência.
Projeção e Espelhos
Segundo Hockney, por volta de 1425 alguns artistas utilizavam uma câmara escura rudimentar.
A tradicional, que funcionava com lentes, é a precursora da máquina fotográfica moderna sem o filme. Ela consiste em uma lente convergente que projeta uma imagem real invertida sobre a tela. (A imagem projetada é chamada de "real" porque a luz realmente atinge a tela, de um modo muito parecido com que a imagem expõe o filme de uma câmera. O outro tipo, chamado imagem "virtual", ocorre quando a luz apenas parece partir da imagem, como por exemplo no caso do reflexo no espelho.)
Por várias razões históricas e técnicas, Hockney imagina que a base da câmara obscura não seja uma lente, mas um espelho côncavo que também pode projetar imagens sobre a tela. O artista iluminaria o objeto desejado à luz do Sol e apontaria o espelho para ele, projetando uma imagem real invertida sobre uma tela ou painel de madeira - chamado de anteparo. Então, traçaria os contornos da imagem e aplicaria tinta, ou até mesmo pintaria diretamente sobre a imagem projetada, embora, como Hockney reconhece, pintar sobre projeções ópticas seja extremamente difícil.
Essa câmara escura com espelho é simples para os padrões atuais, mas na época de van Eyck representaria o sistema óptico mais sofisticado do planeta, exigindo maior precisão na forma e no posicionamento do espelho e maior rigor na iluminação do que qualquer outro. Nenhum documento escrito por cientistas, artistas, mecenas, clérigos ou fabricantes de espelhos da época, segundo pesquisei, indica que alguém alguma vez tenha visto a imagem de um objeto projetada sobre a tela por espelho ou lente. Diante dos registros existentes de todas as formas de outros sistemas ópticos e aparelhos mecânicos de desenho, é difícil explicar a falta de evidências sobre o projetor de Hockney.
Estudei três propriedades técnicas chave desse projetor de espelho côncavo proposto. Primeiro, a distância focal. Um espelho côncavo reflete raios de luz paralelos a fim de que se encontrem em um ponto focal. (Se um espelho desse tipo for utilizado para produzir fogo a partir da luz do Sol, o pavio deve ser colocado no ponto focal.) A distância entre o espelho e o ponto focal é a distância focal. Uma fórmula matemática - a equação de Gauss - define as distâncias entre o objeto, o espelho e o anteparo necessárias para produzir uma imagem nítida. Essas distâncias, por sua vez, estabelecem o tamanho da imagem projetada.
Por exemplo, durante um jogo no estádio, o fotógrafo escolherá uma lente com distância de foco longa, ou telefoto, para aproximar o foco de um jogador, e uma lente com distância de foco curta para afastar o foco e mostrar a torcida. A segunda propriedade diz respeito ao brilho de uma imagem projetada, que depende da distância focal e da área, ou superfície, facial do espelho utilizado. A terceira é a perspectiva geométrica: uma imagem projetada por um espelho obedece às leis da perspectiva, do mesmo modo que a imagem projetada de uma fotografia.
O casamento de Arnolfini, de van Eyck (1434) - uma das primeiras obras-primas do Renascimento do norte da Europa -, é uma peça-chave da teoria de Hockney. Muito pode ser dito sobre o simbolismo e o significado desse quadro extraordinário, mas me concentrarei em alguns centímetros quadrados de sua parte central.
Enquanto os historiadores da arte discutirão exaustivamente o simbolismo de se capturar o mundo visual no espelho convexo destacado na parede dos fundos, eu examinarei suas propriedades ópticas, tais como a distância focal e o poder de concentração de luz. Enquanto os historiadores da arte discutirão como o esplêndido lustre representa a riqueza e estatura do negociante italiano Arnolfini, na época em visita aos Países Baixos, mostrarei como esse trabalho em metal revela muito sobre perspectiva geométrica e projeções. Os historiadores da arte fazem alertas para que o retrato de Arnolfini, ou qualquer outra pintura da época, não seja julgado muito literalmente. Mas, se o objetivo é refletir sobre a teoria da projeção, devemos nos juntar a Hockney, pelo menos temporariamente, e assumir que a pintura é, de alguma maneira, baseada na cópia fiel de uma imagem projetada.
Observemos em primeiro lugar o espelho convexo, talvez o mais famoso de toda a arte. Atualmente, tais espelhos são comuns em lojas de conveniência ou garagens, porque proporcionam um amplo ângulo de visão. Ao contrário dos espelhos côncavos, os convexos refletem imagens virtuais de cabeça para cima, menores do que os objetos originais, que não podem ser projetados sobre uma tela. Entretanto, Hockney infere que esse espelho convexo poderia ter sido virado ao contrário para ser utilizado como um espelho de projeção côncavo: "Se a parte prateada fosse invertida e o espelho virado ao contrário, ele seria todo o equipamento óptico necessário para produzir os detalhes minuciosos e o aspecto natural da pintura".
Para testar essa hipótese, calculei a distância focal do espelho supostamente utilizado para projeção e a do espelho côncavo que teria sido criado invertendo-se o convexo, e comparei então essas duas distâncias. Descobri que a projeção no espelho teria distância focal de 61 + 8 cm, sendo a imprecisão resultante de meu conhecimento inexato dos tamanhos e da disposição dos objetos na sala. A distância focal do espelho côncavo obtido pela reversão do espelho convexo é de 18 + 4 cm. A distância focal do espelho retratado (invertido) difere daquela do suposto espelho de projeção em aproximadamente 43 cm. O espelho retratado, virado ao contrário, não poderia ter sido usado como espelho de projeção para toda a pintura.
De fato, fabricar um espelho a partir de uma esfera de vidro soprado que poderia ter sido utilizada neste caso estaria além das habilidades da tecnologia renascentista. O diâmetro de uma esfera é de quatro vezes a distância focal do espelho côncavo cortado dela. Uma distância focal de projeção de 61 cm exige uma esfera de vidro com extraordinários 2,4 metros de diâmetro. Além disso, o espelho proveniente do corte de uma esfera perfeita produzirá uma imagem turva de cada ponto na sala de Arnolfini. Cada ponto, espalhado como "borrão" sobre o anteparo, seria várias vezes maior do que o detalhe minucioso da pintura. Qualquer desvio, inevitável na fabricação, pioraria ainda mais a qualidade da imagem.
Ademais, os artesãos do Renascimento teriam enfrentado grandes desafios técnicos quanto à prateação e selagem de um espelho côncavo, o que exigiria a aplicação de breu e piche quentes no lado externo do vidro. Até onde sei, não há exemplares de espelhos côncavos produzidos pela reversão de esferas de vidro na coleção de nenhum museu; também não existem documentos da época que indiquem que espelhos côncavos tenham sido produzidos a partir da reversão de esferas de vidro soprado.
Minha descoberta sobre a improvável distância focal do suposto espelho de projeção tem uma segunda implicação, que impõe restrições ainda maiores à teoria de Hockney. Se excluirmos os grandes espelhos esféricos de vidro soprado, sobram apenas pequenos espelhos de metal polido, conhecidos no século XV e até mesmo anteriormente. Contudo, o poder de concentração de luz desses espelhos é pequeno. Calculei e verifiquei por meio de experiências que espelhos com distância focal adequada exigem que o objeto seja iluminado pela luz direta do Sol a fim de produzir uma imagem no anteparo. É difícil conciliar essa exigência com a iluminação interna indireta no retrato de Arnolfini, bem como em muitas pinturas do Renascimento citadas por Hockney como comprovação de sua teoria.
Perspectiva Diferente
Outro índício coloca em dúvida sugestão de que van Eyck teria pintado o retrato de Arnolfini com projeção em um painel de madeira. Uma imagem projetada obedece necessariamente às leis da perspectiva. No entanto, as linhas de perspectiva do chão, do batente da janela e de outros objetos não se encontram em um ponto de fuga, como deveriam. A perspectiva é consistentemente inconsistente.
Além disso, uma técnica chamada reflectografia infravermelha revela que foram feitos vários desenhos preliminares com tinta e muitas revisões em toda a pintura, particularmente nas mãos, nos pés e na cabeça de Arnolfini - dificilmente uma indicação de que os traços teriam seguido uma imagem projetada.
O suntuoso lustre, ou lichtkroon (em holandês, "coroa de luz"), não tem traçado inferior. Talvez essa seção desafiadora tenha sido desenhada de acordo com uma projeção, ao ar livre, com o lustre iluminado pela luz direta do Sol. Segundo Hockney, o lustre "está em perspectiva perfeita", como deveria estar caso tivesse sido feito sob projeção. A imagem parece estar em perspectiva. Será isso mesmo?
Para comprovar essa questão, desenhei linhas ligando as estruturas correspondentes na estrutura do lustre pintado (ver quadro ao lado). As leis da perspectiva geométrica garantem que, na projeção de um lustre simétrico a partir de um espelho côncavo sobre o anteparo de van Eyck, todas as linhas paralelas se encontrariam no ponto de fuga, do mesmo modo que trilhos de trem se encontram no horizonte nas fotografias. Todavia, as linhas desenhadas a partir do lustre estão desorganizadas - como varetas jogadas a esmo sobre o chão - e não há sinal de um ponto de fuga coerente.
Esse resultado por si não exclui a possibilidade de que um candelabro assimétrico possa ter sido a fonte da imagem projetada. Mas quais as chances de que o de Van Eyck fosse radicalmente assimétrico?
Antonio Criminisi, da Microsoft Research em Cambridge, Inglaterra, e eu usamos algoritmos precisos de imagem computadorizada para "desfazer" a perspectiva em cada braço, sobrepondo em seguida as imagens corrigidas. Qualquer diferença entre esses braços com perspectiva corrigida demonstra o "descuido" que seria necessário na fabricação do lustre para que ele fosse compatível com a teoria da projeção. Descobrimos que, enquanto algumas partes se alinhavam perfeitamente, no geral a variação entre os braços era de fato bastante grande - cerca de 10 cm.
A maioria dos acadêmicos acredita que os trabalhos em metal, com liga de bronze e cobre, feitos pelos europeus na época de van Eyck, eram fundidos como peças inteiras em um único molde; os ornamentos não eram soldados ou rebitados. Assim, todos os braços deveriam ter mais ou menos a mesma forma. Criminisi e eu confirmamos a simetria desse trabalho em metal com a aplicação de nossa análise de perspectiva sobre projeção real (uma fotografia moderna) de uma imagem direta de um lichtkroon de quatro braços do século XV. Os braços em perspectiva corrigida se equiparam, com discrepância máxima de cerca de 1 mm. Nossos testes de perspectiva com vários candelabros e lustres ornamentados dos Museus de Arte e História de Bruxelas mostram que todos são significativamente mais simétricos do que apontaria a teoria de Hockney em relação ao de Arnolfini.
Sob a teoria da projeção esconde-se a crença de que van Eyck não poderia ter atingido tal precisão em perspectiva trabalhando a olho nu, ou seja, sem projeções ópticas. Contudo, qual nível de exatidão é possível atingir desse modo? Atendendo a um pedido meu, o artista britânico Nicholas Williams pintou vários lustres ornamentados sem o auxílio de fotografias, recursos ópticos ou perspectiva. Suas pinturas têm excelente perspectiva - melhor do que a do lustre de Arnolfini -, o que demonstra que um artista habilidoso não precisa de projeções para isso.
O Cardeal Albergati
Nosso próximo passo foi analisar o retrato do Cardeal Niccolò Albergati. Primeiro, van Eyck fez um desenho do Cardeal Albergati em três dias, em 1431, usando estilete de metal sobre papel com preparação especial. Bastante preciso, o desenho claramente constitui um estudo preparatório para um trabalho mais formal. No ano seguinte, o artista fez uma cópia maior do retrato em óleo sobre madeira, que envolvia a cópia e ampliação da imagem de uma superfície plana para outra superfície igualmente plana.
Falco, o colaborador de Hockney, sugeriu que van Eyck tenha usado um projetor óptico para fazer a pintura a óleo - um epidiascópio rudimentar, ou projetor opaco, que consistia em dois cavaletes, um com o desenho original sob iluminação intensa (provavelmente luz solar direta), e o outro com o painel de madeira à sombra, provavelmente num ambiente interior ou sob algum tipo de tenda. Uma imagem real invertida do desenho teria sido projetada por um espelho côncavo no painel, sobre a qual van Eyck teria traçado os contornos. Hockney e Falco baseiam essa alegação em duas características notórias dos retratos: a alta fidelidade das formas (em escala) e a discrepância residual na disposição de partes da imagem, particularmente da orelha (ver ilustração na página oposta).
A orelha foi deslocada 30 graus para a direita na pintura a óleo e também é 30% maior (além dos cerca de 40% da ampliação geral da pintura). Hockney e Falco explicam esse deslocamento da seguinte maneira: van Eyck havia traçado parte da imagem projetada pelo epidiascópio quando acidentalmente derrubou o desenho, a tinta ou o espelho, e depois traçou o resto da imagem com a alteração causada pelo acidente.
Mas essa explicação tem problemas. Se van Eyck derrubou o material no meio do trabalho, certamente teria notado a discrepância entre a imagem deslocada e as linhas que já haviam sido traçadas no anteparo. Copiei a reprodução do desenho utilizando um epidiascópio caseiro feito com um pequeno espelho côncavo circular e iluminação com luz solar direta e, quando deliberadamente "derrubei" meu equipamento, achei a discrepância bastante evidente. É improvável que van Eyck, trabalhando encomenda importante, não tivesse notado tal desvio.
O desenho poderia ter sido copiado com o uso de um instrumento muito mais simples, tal como um compasso ou um Reductionszirkel - par de varetas cruzadas, rebitadas em um ponto fora do centro. O artista coloca as duas pontas no original e vira o instrumento de cabeça para baixo para marcar a distância medida na cópia. Pedi a Richard Taylor, da Universidade de Oxford, para fabricar um Reductionszirkel e usá-lo para copiar e ampliar o desenho de Albergati. A precisão é excelente: menos de 1 mm na maior parte da imagem. Curiosamente, a parte da orelha ficou um pouco fora de lugar, talvez porque o artista tenha começado pela parte esquerda inferior e a amplitude limitada do instrumento tenha levado ao erro.
Qual Seria a Fonte?
Então, se, ao que parece, Jan van Eyck não usou recursos ópticos na execução de seus trabalhos, a questão inicial permanece sem resposta. O que teria levado ao avanço do realismo na pintura renascentista por volta de 1425, da qual van Eyck talvez seja o maior representante? Há uma série de proposições, algumas técnicas, outras culturais. Pode até haver uma razão óptica.
O início do Renascimento coincide precisamente com o início da pintura a óleo, e de fato van Eyck é freqüentemente denominado pai da pintura a óleo. Na pintura a têmpera medieval, é quase impossível atingir a matização que produz o efeito de tridimensionalidade. Já a tinta a óleo permite matização contínua, bem como técnicas singulares de envernizamento e aplicação de camadas, além de maior opção de cores, inclusive aquelas vívidas e saturadas. Mas a característica mais importante da pintura a óleo talvez seja a secagem muito mais lenta do que a da técnica anterior, o que permite ao artista retrabalhar e desenvolver a mesma imagem por meses ou anos.
Aproximadamente nessa mesma época, artistas italianos inventaram a perspectiva linear. Baseado na linha do horizonte, um ponto de fuga e linhas perpendiculares, ou "raios visuais", que conduzem o olhar do observador ao ponto de fuga, esse sistema matemático criava a ilusão de espaço e distância em uma superfície plana e permitia que o artista retratasse cenas de forma muito mais natural. Outra inovação técnica do período é o fato de que os artistas começaram a estudar cadáveres, o que lhes proporcionou maior entendimento das estruturas dos músculos e do esqueleto.
Muitos fatores culturais abriram caminho para a nova arte. O Renascimento trouxe a ascensão do secularismo e dos ideais clássicos, com foco no humano aqui e agora. O crescimento do mecenato também foi importante: os pintores renascentistas precisavam representar indivíduos e suas posses. Se o retrato de Arnolfini pintado por van Eyck não fosse fiel ou lisonjeiro, esse poderoso mecenas não teria apoiado o artista.
Christopher W. Tyler, do Smith-Kettlewell Eye Research Institute de São Francisco, sugeriu uma razão "óptica" para o surgimento do realismo, bastante divergente da teoria de Hockney: o uso crescente de óculos. É possível que artistas que necessitassem - e usassem - óculos simplesmente enxergassem com mais clareza, especialmente em seu minucioso trabalho de pintura. De fato, a Madona com o Cônego van der Paele, de van Eyck (1436), mostra o doador segurando óculos e suponho, a julgar pelo ponto brilhante refletido pelas lentes deles, que fossem convergentes, como as usadas para ajudar hipermétropes a ler de perto - ou artistas hipermétropes a pintar detalhes. Certa ocasião Hockney disse informalmente que era como se a pintura ocidental tivesse usado óculos pela primeira vez na alvorada do Renascimento. Talvez esteja mais próximo da verdade do que imagina.
Fonte: Revista Scientific American Brasil
por LÍVIA LAMBLET * 10:24 AM
O Último Poema
Manuel Bandeira
Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação
por LÍVIA LAMBLET * 10:20 AM
Elisa
Manuel Bandeira
tarde agoniza
Ao santo acalanto
Da noturna brisa.
E eu, que tambem morro,
Morro sem consolo,
Se não vens, Elisa!
Ai nem te humaniza
O pranto que tanto
Nas faces desliza
Do amante que pede
Suplicantemente
Teu amor, Elisa!
Ri, desdenha, pisa!
Meu canto, no entanto,
Mais te diviniza,
Mulher diferente,
Tão indiferente,
Desumana Elisa!
por LÍVIA LAMBLET * 10:19 AM
Arte de amar
Manuel Bandeira
As almas são incomunicáveis.
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
por LÍVIA LAMBLET * 10:18 AM
[Sábado, Janeiro 8]
Como ajudar aos atingidos pelo maremoto na Ásia
Veja abaixo como contatar algumas organizações que estão montando ações de ajuda aos atingidos pelo maremoto na Ásia, no último domingo. O fenômeno, que chegou a ter ondas de até dez metros de altura, deixou um rastro de destruição em pelo menos oito países da Ásia e um da África e milhares de mortos.
Cruz Vermelha
A Cruz Vermelha no Brasil criou uma conta para que os brasileiros façam suas doações. Qualquer cidadão pode se apresentar em qualquer momento para ser voluntário da organização, entretanto, os voluntários que estão atuando no momento na tragédia são oriundos da própria região.
Conta da Cruz Vermelha no Brasil para doação em reais:
Banco do Brasil
Agência: 2865-7
Conta: 400087-0
CNPJ: 33651803-0001-65
ONU
A Organização das Nações Unidas está coordenando o trabalho de ajuda nos nove países atingidos (oito na Ásia e um na África). A ONU não tem um programa de voluntários, mas você pode obter mais informações sobre o trabalho no site da instituição: http://www.onu-brasil.org.br/.
Médicos Sem Fronteiras
Profissionais de MSF iniciaram uma operação de ajuda às vítimas. A Ong já enviou 32 toneladas de alimentos e remédios e pretende levar para região mais 22 toneladas de material de saúde e saneamento para melhorar o acesso à água potável. Para obter mais informações e fazer doações acesse o site: http://www.msf.org.br.
Action Aid
A organização já enviou uma equipe de médicos e enfermeiras para Índia e pretende agora mandar profissionais para Tailândia, Sri Lanka e Ilhas Andaman. Para obter mais informações e fazer doações acesse o site: http://www.actionaid.org/takingaction/tsunami.html.
Embaixada do Sri Lanka
A embaixada do país asiático, um dos mais atingidos pelo tsunami, recebe doações em reais em sua conta-corrente, e recomenda que doações materiais (especialmente barracas, cobertores, alimentos não-perecíveis, tabletes purificadores de água, medicamentos como paracetamol, antibióticos, material de sutura e seringas descartáveis, e geradores portáteis) sejam encaminhadas aos batalhões da Polícia Militar e Bombeiros do Rio de Janeiro.
Conta da Embaixada do Sri Lanka para doação em reais:
Banco do Brasil
Agência: 1606-3
Conta: 46034-6
CNPJ: 047.66273/0001-00
Fonte: Notícias Terra
por LÍVIA LAMBLET * 12:20 PM
Já que coloquei uma letra tão bonita dessa cantora...vou colocar outra...e a seguir, vou colocar sua biografia...quando puder postar.
Volver A Los 17
Mercedes Sosa
Composição: Violeta Parra
Volver a los diecisiete después de vivir un siglo
es como descifrar signos sin ser sabio competente,
volver a ser de repente tan frágil como un segundo
volver a sentir profundo como un niño frente a Dios
eso es lo que siento yo en este instante fecundo.
Se va enredando, enredando
como en el muro la hiedra
y va brotando, brotando
como el musguito en la piedra
como el musguito en la piedra, ay si, si, si.
Mi paso retrocedido cuando el de usted es avance
el arca de las alianzas ha penetrado en mi nido
con todo su colorido se ha paseado por mis venas
y hasta la dura cadena con que nos ata el destino
es como un diamante fino que alumbra mi alma serena.
Se va enredando, enredando
como en el muro la hiedra
y va brotando, brotando
como el musguito en la piedra
como el musguito en la piedra, ay si, si, si.
Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber
ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento
todo lo cambia al momento cual mago condescendiente
nos aleja dulcemente de rencores y violencias
solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes.
Se va enredando, enredando
como en el muro la hiedra
y va brotando, brotando
como el musguito en la piedra
como el musguito en la piedra, ay si, si, si.
El amor es torbellino de pureza original
hasta el feroz animal susurra su dulce trino
detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros,
el amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño
y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero.
Se va enredando, enredando
como en el muro la hiedra
y va brotando, brotando
como el musguito en la piedra
como el musguito en la piedra, ay si, si, si.
De par en par la ventana se abrió como por encanto
entró el amor con su manto como una tibia mañana
al son de su bella diana hizo brotar el jazmín
colando cual serafín al cielo le puso aretes
mis años en diecisiete los convirtió el querubín.
por LÍVIA LAMBLET * 10:43 AM
[Quarta-feira, Janeiro 5]
Para aqueles que mesmo não entendendo de espanhol, percebem a profundidade dessa maravilhosa música...
Gracias A La Vida
Mercedes Sosa
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me dio dos luceros que cuando los abro
perfecto distingo lo negro del blanco
y en el alto cielo su fondo estrellado
y en las multitudes el hombre que yo amo.
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado el sonido y el abedecedario
con él las palabras que pienso y declaro
madre amigo hermano y luz alumbrando,
la ruta del alma del que estoy amando.
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado la marcha de mis pies cansados
con ellos anduve ciudades y charcos,
playas y desiertos montañas y llanos
y la casa tuya, tu calle y tu patio.
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me dio el corazón que agita su marco
cuando miro el fruto del cerebro humano,
cuando miro al bueno tan lejos del malo,
cuando miro al fondo de tus ojos claros.
Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado la risa y me ha dado el llanto,
así yo distingo dicha de quebranto
los dos materiales que forman mi canto
y el canto de ustedes que es el mismo canto
y el canto de todos que es mi propio canto.
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida.
por LÍVIA LAMBLET * 12:19 PM
Felicidade
Não devemos permitir que alguém saia de nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz. ( Madre Teresa de Calcutá).
Não procures a verdade fora de ti, ela está em ti, em teu ser. Não procures o conhecimento fora de ti, ele te aguarda em tua fé interior. Não procures a paz fora de ti, ela está instalada em teu coração. Não procures a felicidade fora de ti, ela habita em ti desde a eternidade. ( Mestre Khane)
A felicidade não está no fim da jornada, e sim em cada curva do caminho que percorremos para encontrá-la.
A felicidade não está em viver, mas em saber viver. Não vive mais o que vive, mas o que melhor vive, porque a vida não mede o tempo, mas o emprego que dele fazemos.
Para muitas pessoas, a felicidade é semelhante a uma bola: querem-na de todo jeito e, quando a possuem, dão-lhe um chute. (Mário Glaab)
Em vão procuramos a verdadeira felicidade fora de nós, se não possuímos a sua fonte dentro de nós. (Marquês de Maricá)
Felicidade é saber aproveitar todos os momentos como se fossem os últimos. (Lea Waider)
Os infelizes são ingratos; isso faz parte da infelicidade deles. (Victor Hugo)
A felicidade é um bem que se multiplica ao ser dividido (Marxwell Maltz)
Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. (Cora Coralina)
A infelicidade tem isto de bom: faz-nos conhecer os verdadeiros amigos. (Honoré de Balzac)
O êxito consiste em alcançar o que se deseja; a felicidade,
em desejar o que se alcança.
Felicidade é boa saúde e má memória. (Ingrid Bergman)
Felicidade é ter uma familia grande, carinhosa, amorosa, morando em outra cidade. (George Burns)
A ação nem sempre traz felicidade, mas não há felicidade sem ação.
(Benjamin Disraeli)
Em vão procuramos a verdadeira felicidade fora de nós, se não possuímos a sua fonte dentro de nós. (Marquês de Maricá)
A felicidade é difícil de se atingir, pois só a atingimos tornando felizes os outros. (Stuart Clock)
A vida está cheia de desafios que, se aproveitados de forma criativa, transformam-se em oportunidades. (Maxwell Maltz)
Não possuir algumas das coisas que desejamos é parte indispensável da felicidade. (Bertrand Russel)
Não há satisfação maior do que aquela que sentimos quando proporcionamos alegria aos outros. (M. Taniguchi)
A felicidade consiste em preparar o futuro, pensando no presente e esquecendo o passado se foi triste. (John Ruskin)
por LÍVIA LAMBLET * 10:32 AM
Valsinha
Composição: Chico Buarque / Vinícius de Morais
Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto convidou-a pra dançar
E então ela se fez bonita com há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois o dois deram-se os braços com há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar
E alí dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz.
por LÍVIA LAMBLET * 10:26 AM
Cérebro feminino reage ao sofrimento de pessoas amadas
02/09/2004
Se, ao cair, a criança bate o joelho, a mãe sente um tremor involuntário. Há uma explicação plausível para o talento materno no compartilhamento da dor. Tania Singer, do University College de Londres, "maltratou" 16 jovens casais com leves impulsos elétricos. Enquanto os casais recebiam alternadamente pequenos choques na mão, a pesquisadora media num tomógrafo a atividade no cérebro das mulheres. A simples observação do sofrimento da pessoa amada ativava no cérebro feminino as mesmas áreas de percepção acionadas quando elas próprias sentem dor. Apenas as regiões do cérebro que auxiliam na avaliação do local e da intensidade do estímulo permaneceram inativas durante a observação. A compaixão feminina também não vai tão longe assim! E a masculina? A esse respeito, a pesquisadora se cala.
Fonte: Revista Viver Mente & Cérebro
por LÍVIA LAMBLET * 10:23 AM
Mudança Climática Brusca
Temperaturas que despencam 10ºC no inverno e secas repentinas que fustigam plantações ao redor do globo não são só sensacionalismo cinematográfico. Transformações drásticas desse tipo já aconteceram no passado - às vezes em poucos anos
Por Richard B. Alley
No filme-catástrofe hollywoodiano O dia depois de amanhã, uma tragédia climática de proporções gigantescas pega o mundo de surpresa.
Alterações repentinas no clima terrestre são inevitáveis
Milhões de americanos fogem para o ensolarado México enquanto lobos perseguem as poucas pessoas que se amontoam numa Nova York totalmente congelada. Tornados assolam a Califórnia. Pedras gigantes de granizo despencam sobre Tóquio.
Mudanças climáticas avassaladoras e abruptas do gênero podem mesmo acontecer em um futuro próximo ou trata-se apenas de exagero dos estúdios Fox? A resposta a ambas as questões aparentemente é sim. A maioria dos especialistas em clima acredita que não precisamos temer uma era glacial completa nas próximas décadas. Mas mudanças climáticas repentinas já ocorreram antes e poderiam ocorrer de novo. Na verdade, elas provavelmente sejam inevitáveis.
E também inevitáveis são os desafios que trarão. Ondas de calor podem tornar certas regiões mais hospitaleiras, mas aumentariam o calor já sufocante de outros lugares. Secas graves poderiam tornar estéreis terras que já foram férteis. Essas conseqüências seriam particularmente duras de suportar porque mudanças climáticas que acontecem de repente geralmente persistem por séculos ou até mesmo milênios. De fato, considera-se hoje que o colapso de algumas sociedades antigas - antes atribuído a forças políticas, econômicas e sociais - tenha sido causado principalmente por flutuações rápidas no clima.
O espectro da mudança climática abrupta tem estimulado estudos científicos sérios há mais de uma década, mas só recentemente capturou o interesse dos cineastas, economistas e políticos. Com essa atenção maior vem uma confusão crescente sobre o que dispara esse tipo de mudança e quais seriam suas conseqüências.
Observadores fortuitos poderiam supor que viradas repentinas no clima diminuiriam qualquer efeito do aquecimento global induzido pelo homem, que vem ocorrendo gradualmente. Mas novas evidências indicam que o aquecimento global deveria, mais do que nunca, encabeçar a lista das preocupações: ele poderia facilitar que variações repentinas afetassem o clima da Terra.
É possível que os cientistas nunca tivessem verificado para valer a capacidade de variação do clima terrestre se não fosse por algumas amostras de gelo, extraídas no começo da década de 1990 das calotas glaciais da Groenlândia. Esses cilindros colossais - alguns com três quilômetros de comprimento - preservam um conjunto claro de registros climáticos, que engloba os últimos 110 mil anos. Podem-se distinguir camadas depositadas todos os anos nos cilindros e datá-las usando vários métodos; a composição do gelo, por si só, revela a temperatura em que ele se formou.
Esse trabalho revelou uma longa história de loucas flutuações no clima - longos períodos de frio alternados com breves intervalos de calor. A região central da Groelândia enfrentou quedas de temperatura da ordem de 6oC em poucos anos. Por outro lado, atingiu metade do aquecimento que ocorre desde o pico da última era glacial - mais de 10oC - em uma só década. Esse salto, há cerca de 11.500 anos, equivale a Minneapolis ou Moscou passarem a ter as condições relativamente agradáveis de Atlanta ou Madri.
As amostras de gelo não revelam apenas o que aconteceu na Groenlândia. Também dão pistas sobre a situação no resto do mundo. Alguns pesquisadores conjeturavam que o aquecimento de 10oC ali esteve ligado a um evento que esquentou boa parte do Hemisfério Norte, e que esse episódio aumentou a precipitação naquela área e em muitos outros lugares.
Na Groenlândia, a espessura das camadas de gelo mostrou, de fato, que a quantidade de neve havia dobrado em um ano. Análises de bolhas de ar aprisionadas no gelo corroboraram a previsão de aumento da umidade em outras áreas. Medições da quantidade de metano nas bolhas indicam que esse gás dos pântanos estava entrando na atmosfera 50 vezes mais rápido durante o aquecimento intenso. O metano provavelmente entrou na atmosfera devido ao alagamento dos charcos nos trópicos e seu degelo no norte.
Os cilindros de gelo também ajudaram os cientistas a preencher outras lacunas. Camadas de gelo que aprisionaram poeira da Ásia indicaram a fonte dos ventos mais constantes, por exemplo. Eles provavelmente eram mais calmos nas épocas de calor, porque menos sal marinho e cinzas de vulcões distantes carregados por eles se acumularam no gelo.
Episódios intensos e abruptos de aquecimento aparecem mais de 20 vezes no registro climático do gelo da Groenlândia. Várias centenas ou milhares de anos após o começo de um período de aquecimento típico, o clima revertia para um resfriamento lento, seguido por um resfriamento rápido, em intervalos tão curtos quanto um século. Então, o mesmo padrão se repetia, com outro período de aquecimento, com talvez apenas alguns anos. Durante as condições mais extremas de frio, icebergs chegavam à costa de Portugal. É provável que desafios menores do que esses tenham expulsado os vikings da Groenlândia durante o período frio mais recente, chamado de Pequena Idade do Gelo, que começou por volta de 1400 d.C. e durou 500 anos.
Esse esquenta-esfria violento observado no norte aconteceu de forma diferente em outras partes do mundo, ainda que todos os fenômenos possam ter tido uma raiz comum. Épocas frias e úmidas na Groenlândia estão ligadas a condições climáticas particularmente frias, secas e ventosas na Europa e na América do Norte; também coincidiram com clima quente incomum no Atlântico Sul e na Antártida.
Evidências também revelaram que mudanças abruptas nas chuvas causaram problemas que rivalizavam com as oscilações de temperatura. Épocas frias no norte traziam secas à África Saariana e à Índia. Há cerca de 5.000 anos, uma seca repentina transformou o Saara de uma paisagem verdejante pontilhada de lagos no deserto arenoso que é hoje. Dois séculos de seca há cerca de 1.100 anos aparentemente contribuíram para o fim da civilização maia no México e na América Central. Em tempos modernos, o fenômeno El Niño e outras anomalias no Pacífico Norte podem modificar os padrões meteorológicos a ponto de gerar secas como a que causou o Dust Bowl, período de seca grave que ocasionou a perda da camada superior do solo e provocou grandes tempestades de poeira nos EUA na década de 1930.
Sejam ondas de frio, calor ou secas prolongadas, as mudanças climáticas do passado aconteceram basicamente da mesma forma: uma alteração gradual de temperatura ou outro agente físico empurrou algum fator determinante para um limite crítico invisível. Depois de cruzada a barreira, esse fator - assim como o clima todo - escorregou para outro estado e, normalmente, nele permaneceu por muito tempo .
Cruzar um desses limites de equilíbrio climático é como balançar uma canoa. Se a pessoa senta dentro de uma canoa e pende aos poucos para um lado, a canoa vai junto. Ela está sendo levada a um limite - a posição após a qual o barco não consegue mais ficar reto. Se pender demais para o lado, a canoa vira.
As viradas climáticas mais extremas da história aconteceram quando esses limites foram ultrapassados, o que aponta para áreas particularmente preocupantes no futuro. Para explicar os intervalos anormalmente frios registrados nas amostras da Groenlândia, a maioria dos cientistas sugere alterações no comportamento de correntes no Atlântico Norte, fator dominante nos padrões meteorológicos dessa região a longo prazo.
O leste da América do Norte e a Europa gozam de clima temperado (como o de hoje) quando as águas do Atlântico, aquecidas pelo Sol, fluem para o norte através do Equador. Durante o inverno setentrional, a água salgada que vem do sul se torna fria e densa o bastante para afundar a leste e a oeste da Groenlândia, e depois migrar de volta ao sul pelo leito oceânico. Enquanto a água resfriada afunda, correntes quentes originadas no sul fluem para o norte e tomam o lugar delas. A água que afunda, por sua vez, movimenta a chamada circulação convectiva, que aquece o norte e refresca o sul.
Os cilindros de gelo contêm evidências de que períodos repentinos de frio ocorreram depois que o Atlântico Norte se tornou menos salgado, talvez porque lagos de água doce tenham transbordado através das paredes das geleiras e chegado ao mar. Os pesquisadores identificam esse fluxo de água doce como a primeira fase de uma ruptura de equilíbrio, porque sabem que o aporte de água doce no Atlântico Norte pode frear ou desligar a convecção.
Diluída pela água que desce do continente, a água salgada do mar acaba perdendo salinidade e fica menos densa. Pode até congelar antes de conseguir afundar. Sem isso, a chuva e a neve que caem no norte não chegam a ser mandadas embora pelo oceano. Elas se acumulam na superfície do mar e diluem ainda mais o Atlântico Norte. A circulação convectiva é desligada, deixando os continentes próximos com clima parecido com o da Sibéria .
Calor de Gelar
Oito mil anos se passaram desde a última grande onda de frio no Atlântico Norte. Será que os seres humanos estão jogando o seu peso do lado certo para evitar que a canoa do clima vire? Talvez, mas a maioria dos climatologistas suspeita que estejamos deixando o barco ainda mais instável. Especialmente preocupante é o aumento, induzido pelo homem, das concentrações de gases-estufa na atmosfera, que provocam o aquecimento global.
O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), órgão ligado à ONU, previu em seu último relatório que as temperaturas médias globais subirão de 1,5oC a 4,5oC nos próximos cem anos. Muitos modelos de computador consistentes com essa previsão também prevêem que a convecção do Atlântico Norte perderá força. (Pode parecer irônico, mas o aquecimento gradual levaria a um resfriamento repentino de muitos graus.) As incertezas são muitas e, embora uma nova era glacial seja improvável, as mudanças poderiam ser bem maiores do que durante a Pequena Idade do Gelo, quando o Tâmisa congelou em Londres e as geleiras rolaram pelos Alpes.
Talvez mais preocupantes que os períodos de frio no norte sejam os efeitos adversos que ocorreriam ao mesmo tempo em outras partes do mundo. Registros climáticos em vastas porções da África e da Ásia que se beneficiam de uma estação chuvosa intensa indicam que essas áreas tornaram-se particularmente secas sempre que o Atlântico Norte ficou mais frio. Até o resfriamento produzido por uma redução na intensidade da circulação convectiva bastaria para disparar a seca. Já que as lavouras de bilhões de pessoas dependem da estação chuvosa, mesmo uma seca modesta pode provocar fome.
As conseqüências de uma futura perda de salinidade do Atlântico Norte podem dificultar até a vida de pessoas que vivem fora dos extremos de seca e frio. Tais projeções fizeram com que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos encomendasse à instituição Global Business Network uma análise das ameaças à segurança nacional que seriam causadas pelo desligamento total do cinturão convectivo. Muitos cientistas, inclusive eu, acham que uma desaceleração gradual é muito mais provável que uma interrupção completa; de qualquer forma, a gravidade das conseqüências do pior cenário faz com que ele mereça consideração. Como afirma a Global Business Network: "As nações com recursos podem erguer barreiras em volta de seus territórios, preservando esses recursos para elas mesmas. Nações com menos sorte... teriam de lutar por comida, água limpa ou energia".
Enchentes e Secas
Mesmo que uma desaceleração da circulação convectiva nunca aconteça, o aquecimento global pode fazer com que os limites do equilíbrio climático sejam ultrapassados em outros lugares.
Os cinturões verdes existentes no interior de muitos países temperados enfrentam risco de secas prolongadas. A maioria dos modelos climáticos prevê mais secas no verão nessas áreas, aconteça o que acontecer com o Atlântico Norte.
As mesmas previsões sugerem que o aquecimento causado pelo efeito estufa aumentará a precipitação média, possivelmente sob a forma de tempestades mais severas e inundações.
Verões mais secos fariam com que estiagens relativamente brandas piorem e persistam por décadas. Essa transição ocorreria devido à vulnerabilidade dos cinturões verdes: eles dependem muito da chuva que as plantas da região reciclam, e não da umidade trazida de outros locais. As raízes das plantas costuman absorver água que, de outra forma, atravessaria o solo e fluiria para o mar.
Parte dessa água evapora das folhas e volta à atmosfera. Quando a região começa a enfrentar verões mais secos, no entanto, as plantas definham e morrem, devolvendo menos água ao ar. O limite é cruzado quando a população de plantas encolhe a ponto de a chuva reciclada se tornar insuficiente para sustentá-la. Mais plantas morrem e a chuva diminui mais ainda - num círculo vicioso semelhante ao que transformou o Saara em deserto. A região não tem dado sinais de recuperação desde aquela época.
Os cientistas temem não ter identificado totalmente os limites de equilíbrio que levariam a mudanças nos climas regionais. Isso é preocupante, porque é bem provável que estejamos causando perturbações das quais nos arrependeremos. Dançar numa canoa não costuma ser recomendável, mas é o que estamos fazendo. Substituímos florestas por plantações, o que afeta a quantidade de luz solar refletida pela terra; retiramos água do subsolo, o que muda a quantidade de líquido que os rios transportam para o oceano; e alteramos a quantidade de gases-traço e matéria particulada na atmosfera, o que modifica as características das nuvens e da chuva.
Encarando o Futuro
As consequëncias negativas de uma grande virada do clima podem ser mitigadas se ela acontecer aos poucos, ou se for esperada. Antecipando a seca, um agricultor consegue cavar um poço, aprender a plantar culturas menos dependentes de água ou simplesmente se mudar para outra região. Mas alterações inesperadas podem ser devastadoras. Um único ano de seca que surja de surpresa arruinaria só os agricultores mais pobres ou despreparados, mas o prejuízo cresce à medida que a estiagem se alonga. Infelizmente, os cientistas têm pouca capacidade de prever quando e como uma mudança climática abrupta acontecerá.
Apesar das conseqüências potencialmente gigantescas de uma alteração repentina no clima, a maioria esmagadora da pesquisa e das políticas públicas na área tem se dedicado a mudanças graduais - como a necessidade de reduzir as emissões de carbono para desacelerar o aquecimento global. Embora reduções como essa provavelmente ajudem a limitar a instabilidade climática, também deveríamos pensar em como evitar mudanças bruscas. No limite, poderíamos decidir ignorar de vez o risco e esperar que nada aconteça.
O despreparo afundou o Titanic, mas vários outros navios despreparados cruzaram o Atlântico Norte incólumes. Ou poderíamos, por outro lado, mudar nosso comportamento a fim de tornar menos provável uma alteração catastrófica. Novas investigações devem revelar outras ações úteis.
Uma terceira estratégia seria fazer com que as sociedades se organizassem para lidar com mudanças climáticas bruscas antes que a próxima surpresa nos apanhe, como sugeriu o Conselho Nacional de Pesquisas dos EUA, ao observar que algumas sociedades se adaptaram à mudança climática, enquanto outras tombaram. Os colonos vikings da Groenlândia abandonaram seus assentamentos quando o início da Pequena Idade do Gelo tornou a vida insustentável, enquanto seus vizinhos, os esquimós de Thule, sobreviveram sem maiores problemas. Entender o que separa a adaptação do fracasso seria útil.
Planos para amenizar os problemas caso uma crise se instale podem ser feitos a custo baixo ou nulo. Comunidades podem plantar árvores agora a fim de ajudar a manter o solo durante a próxima estação seca e ventosa, por exemplo, e fazer acordos neste momento sobre quem terá acesso a quais recursos hídricos quando esse bem se tornar mais escasso.
Por ora, parece que as pessoas estão sacudindo o barco, empurrando certos aspectos do clima para mais perto dos limites capazes de detonar mudanças repentinas.
Eventos do gênero não causariam uma nova era glacial, nem fariam algo que rivalizasse com a mente fértil dos roteiristas de cinema. Mas poderiam trazer desafios incríveis para a vida na Terra. Vale a pena considerar de que forma as sociedades aumentariam sua resistência às conseqüências disso - ou, antes de mais nada, como evitar que a canoa vire.
Fonte: Revista Scientific American Brasil
por LÍVIA LAMBLET * 10:23 AM
[Terça-feira, Janeiro 4]
Alegrias, as desmedidas.
Dores, as não curtidas.
Casos, os inconcebíveis.
Conselhos, os inexeqüíveis.
Meninas, as veras.
Mulheres, insinceras.
Orgasmos, os múltiplos.
Ódios, os mútuos.
Domicílios, os temporários.
Adeuses, os bem sumários.
Artes, as não rentáveis.
Professores, os enterráveis.
Prazeres, os transparentes.
Projetos, os contingentes.
Inimigos, os delicados.
Amigos, os estouvados.
Cores, o rubro.
Meses, outubro.
Elementos, os fogos.
Divindades, o logos.
Vidas, as espontâneas.
Mortes, as instantâneas.
Bertold Brecht
por LÍVIA LAMBLET * 11:01 AM
[Segunda-feira, Janeiro 3]
Pensando sobre a onda que arrasou a África e a Ásia...
tantas esperanças perdidas, tantas coisas destruídas...e o desastre na Argentina, que lástima!!
Seres humanos, desperdiçam seu tempo planejando destruir outros seres...por que não aprendemos que é preciso nos unirmos para que esse mundo se torne melhor??
Por que a infância em que nos encontramos??
Por que destruir, ao invés de colaborar??
Li uma frase ontem que gostei muito, mas não lembro de quem é: "Já que não lhe foi dado criar, não tens o direito de destruir"...com outras palavras semelhantes...
Mário Quintana diz para deixarmos o outro mundo em paz, porque o mistério está aqui. Sim, o mistério está aqui...o mistério do amor, o mistério da paz...
qual a finalidade de descobrirmos outras formas de vida, se ainda não aprendemos a tolerar os nossos próprios semelhantes?
por LÍVIA LAMBLET * 9:48 AM
[Domingo, Janeiro 2]
Pensamentos sobre Amizade
Amizade
Amigo: alguém que sabe de tudo a teu respeito e gosta de ti assim mesmo. Elbert Hubbard
Existirá algo mais agradável do que ter alguém com quem falar de tudo como se estivéssemos falando conosco mesmos? Cícero
As amizades reatadas requerem maiores cuidados que aquelas que nunca foram rompidas. Le Rochefoucauld
O amigo novo é como um vinho novo. Deixe que envelheça um pouco. Então beba-o com deleite.
A amizade começa quando, estando juntas, duas pessoas podem permanecer em silêncio sem se sentir constrangidas. Tyson Gentry
Quando teu amigo atravessa alguma aflição, não o aborreças perguntando-lhe o que podes fazer por ele. Pensa em algo apropriado e faze-o . Ed. Howe
Um amigo verdadeiro não te visitará na prosperidade a menos que o convides; mas quando estás na adversidade, visitar-te-á sem ser convidado.
O que os homens chamam de amizade nada mais é do que uma aliança, uma conciliação de interesses recíprocos, uma troca de favores. Na realidade, é um sistema comercial, no qual o amor de si mesmo espera recolher alguma vantagem. La Rochefoucauld
O homem benevolente deveria cultivar em si mesmo algumas imperfeições para manter seus amigos satisfeitos. Benjamin Franklin
É mais fácil perdoar a um inimigo do que a um amigo. Dorothea Deluzy
A amizade é um casamento entre almas, e esse casamento é sujeito ao divorcio. Voltaire
Não creias que, rompida uma amizade, não tenhas mais deveres a cumprir. São os deveres mais difíceis, nos quais só a honradez te sustenta. Deves respeito à antiga amizade. Deves abster-se de tornar as brigas públicas e de falar delas, a não ser para justificar-se.
Anne-Therese Lambert, Tratado da Amizade
Para encontrar um amigo, devemos fechar um olho. Para conserva-lo, devemos fechar os dois. Norman Douglas
A amizade mais profunda e dedicada pode ser ferida por uma pétala de rosa. Chamford
As feridas do coração, como as do corpo, mesmo quando saram, deixam cicatrizes Saadi
Amigo é quem te socorre, não quem tem pena de ti. Thomas Fuller
Raros são os homens dotados de bastante caráter para se regozijarem com os sucessos de um amigo sem uma sombra de inveja. Ésquilo
O distintivo do amigo é ser amigo do amigo do seu amigo e inimigo do inimigo do seu amigo. Ibn Al-Mukafa
É mais seguro reconciliar-te com um inimigo do que derrotá-lo. A derrota pode priva-lo de seu veneno; mas a reconciliação o privará de sua vontade de prejudicar. Owen Feltcham
Nada aproxima tanto dois amigos um do outro quanto o fato de terem um inimigo comum. Frankfort Moore
Em vez de amar teus inimigos, trata teus amigos um pouco melhor. Ed Howe
Se nos fosse dado o poder mágico de ler na mente uns dos outros, o primeiro efeito seria sem dúvida o fim de todas as amizades. Bertrand Russel
Celebrar a vida é somar amigos, experiências e conquistas,
dando-lhes sempre algum significado.
Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração. Fernando Brant
A amizade é como dinheiro: mais fácil de conseguir do que de manter.
Samuel Butler
O amigo não é aquele que nos faz algum bem, mas aquele que está sempre e em toda parte junto conosco.
Amizade, palavra que designa vários sentimentos, que não pode ser trocada por meras coisas materiais. Deve ser guardada e conservada no coração.
Amizade é como música: duas cordas afinadas no mesmo tom vibram juntas.
O melhor meio de conservar amigos é nada lhes dever e nunca lhes emprestar dinheiro. Paulo Koch
Se tens um só amigo verdadeiro, tens mais do que teu quinhão.
Thomas Fuller
Para cada virtude basta um homem; para a amizade, são precisos dois.
O melhor espelho é um velho amigo.George Herbet
Amigo não é aquele que nos faz algum bem, mas aquele que está
sempre e em toda parte junto conosco.
É mais fácil perdoar nossos inimigos que nossos amigos. William Blake
É difícil dizer quem nos faz mais mal: inimigos com as piores intenções ou amigos com as melhores. E.R. Bulwer-Lytton
Para achar um amigo é preciso fechar um olho; para conserva-lo é preciso fechar os dois. Norman Douglas
Talvez as melhores amizades sejam aquelas em que haja muita discussão, muita disputa e mesmo assim muito afeto. George Eliot
A amizade nasce no momento em que uma pessoa diz para outra: "O quê? Você também? Pensei que eu fosse o único!"
A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delicia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando você descobre que alguém acredita e confia em você. Ralph Waldo Emerson
Um amigo é a obra-prima da natureza. Ralph Waldo Emerson
A única maneira de ter um amigo é sendo um. Ralph Waldo Emerson
O verbo ¿amar¿ em persa tem o mesmo significado que "ser amigo". "Eu te amo" traduzido literalmente é "te considero um amigo
" e "eu não gosto de você" simplesmente quer dizer "não te considero um amigo". Susha Guppy
Só os solitários conhecem a alegria da amizade. Outros têm suas famílias, mas só para um solitário e um exilado os amigos são tudo. Warren G. Harding
Quando um amigo tem um problema, não o deixe inibido perguntando se tem algo que você possa fazer. Pense em algo apropriado e faça.
Edgard Watson Howe
Viver sem amigos é como tentar tirar leite de um urso para o café da manhã. Dá muito trabalho e não vale à pena. Zora Neale Hurston
Não pode haver amizade sem confiança, nem confiança sem integridade.
O amor é a única força capaz de transformar um inimigo num amigo. Dr. Martin Luther King, Jr
Perca tempo escolhendo um amigo, mas perca ainda mais quando tiver de trocá-lo. Benjamin Franklin
Não estarei destruindo meus inimigos quando os transformo em amigos? Abraham Lincoln
As pessoas realmente ligadas não precisam de ligação física. Quando se reencontram, mesmo depois de muitos anos afastados, sua amizade é tão forte quanto sempre. Deng Ming-Dao
Sou uma pessoa controversa. Meus amigos ou não gostam de mim ou me odeiam. Toni Morrison
A mulher mais solitária do mundo é aquela sem nenhuma amiga.
George Santayana
Amigos são geralmente do mesmo sexo, porque quando um homem e uma mulher concordam é apenas nas suas conclusões; as razões são sempre diferentes. George Santayana
Somos todos viajantes pelas agruras do mundo, e o melhor que podemos achar em nossas viagens é um amigo honesto. Robert Louis Stevenson
Sempre que um amigo faz sucesso uma parte de mim morre. Gore Vidal
Não pode ser seu amigo quem exige seu silêncio ou atrapalha seu crescimento. Alice Walker
Para cada virtude basta um homem; para a amizade, são precisos dois
A amizade é um amor que nunca morre.Mário Quintana
Um tesouro nem sempre é um amigo, mas um amigo sempre é um tesouro
Amizades são coisas frágeis, e requerem muito mais cuidado que todas as outras coisas frágeis que existem. Randolph S. Bourne
Amigo é alguém com quem posso ser sincero. Perto dele, posso pensar alto. Ralph Waldo Emerson
Só existe uma coisa melhor do que fazer novos amigos:
conservar os velhos. Elmer G. Letterman
O melhor espelho é um velho amigo. George Herbet
Que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu. Voltaire
O que é um amigo? Uma única alma habitando dois corpos. Aristóteles
Não há amizade, que por mais profunda que seja, que resista a uma série de canalhices. Jô Soares
por LÍVIA LAMBLET * 10:31 AM
Construção
Chico Buarque/1971
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
por LÍVIA LAMBLET * 10:30 AM
[Sábado, Janeiro 1]
Feliz ano novo a todos!!
Que esse ano seja repleto de realizações e felicidade!! Que paremos pra pensar que um mundo melhor depende somente de cada um de nós, pois ao melhorarmos a nós mesmos melhoramos o mundo!!
por LÍVIA LAMBLET * 10:33 AM
ACONTECE NA HISTÓRIA
Apreendidas na Espanha peças de arte pré-colombianas
08/07/2004
Autoridades espanholas apreenderam na semana passada mais de 228 objetos de arte pré-colombianos contrabandeados da Nicarágua. De acordo com as polícias rural e de fronteiras, algumas das peças têm mais de 2 mil anos.
Dentre o material apreendido há vasos, taças cerimoniais, objetos ritualísticos, colares, assim como outros objetos e utensílios de pedra com vários milênios de história das culturas maia e asteca.
A operação policial - que resultou na prisão no nicaraguense Donald J.M.T.- começou há um ano, quando a Guarda Civil detectou no aeroporto de Madri vários pacotes que continham peças arqueológicas e que tinham sido declaradas pelo remetente como objetos de artesanato popular da Nicarágua.
Segundo as autoridades da Nicarágua, as peças apreendidas poderiam chegar no mercado negro a um valor superior a US$ 1,7 milhão.
Fonte: Revista História Viva
por LÍVIA LAMBLET * 10:25 AM
Curiosidades:
Resgate do Soldado Ryan, O
O diretor Steven Spielberg considerou a possibilidade de escalar Matt Damon depois de ver a performance do ator em Coragem Sob Fogo (1996), mas o achou muito magro. No entanto, depois que Robin Williams apresentou Damon a Spielberg, durante as filmagens de Gênio Indomável, o diretor acabou mudando de idéia.
As locações foram transferidas da Inglaterra para a Irlanda depois que o Ministro da Defesa britânico se recusou a fornecer o número necessário de soldados para atuar como figurantes no filme.
Na cena em que o personagem de Tom Hanks conta para o resto da unidade o que fazia antes de ir para a guerra, o diálogo de Hanks, no roteiro original, era muito longo. Porém, o ator julgou que seu personagem não teria falado tanto sobre si mesmo e expressou sua opinião para o diretor Steven Spielberg, que acabou concordando em diminuir o texto.
O roteiro é baseado na história real dos irmãos Niland. Um deles foi morto no 'Dia D', outro foi morto na praia de Utah e o terceiro morreu na mesma semana em Burma. A Sra. Niland, mãe dos rapazes, recebeu os três telegramas de notificação no mesmo dia. O quarto filho da família foi, então, retirado da linha de frente.
Muitos veteranos do Dia D congratularam o diretor Steven Spielberg pela autenticidade do filme, incluindo o ator James Doohan (o 'Scotty' da série 'Jornada nas Estrelas'). Doohan perdeu um dedo da mão direita e foi ferido na perna durante a guerra. Ele elogiou Spielberg por não ter deixado de fora os detalhes sangrentos da batalha.
Todos os principais atores do filme foram obrigados a participar de várias semanas de treinamento militar altamente extenuante - exceto Matt Damon, que foi poupado para que os demais atores se ressentissem dele e, assim, transferissem este ressentimento para seus personagens.
Steven Spielberg retirou 60% da cor do filme durante a pós-produção.
A música de Edith Piaf cujo significado é questionado pelos soldados antes da batalha final é a mesma música que os soldados de Os Doze Condenados (1967) discutem em suas tendas.
A carta que o General Marshall cita está, na verdade, equivocada. Dos cinco filhos da Sra. Bixby, apenas dois morreram. Um foi capturado, outro desertou para se juntar aos Confederados e o último desertou para fugir para Cuba. Além do mais, a Sra. Bixby era uma ardente pacifista que tentou evitar o alistamento de seus filhos.
Pessoas realmente mutiladas foram utilizadas nas cenas em que soldados apareciam sem algum membro.
Fonte: Cinema em Cena
por LÍVIA LAMBLET * 10:24 AM
Descoberta abre caminho para a cura da surdez
Americanos identificaram gene e proteína que ajudam a transmitir sinais do ouvido para o cérebro
Um novo estudo deve abrir oportunidades para o desenvolvimento de terapias genéticas para pacientes com deficiência auditiva. Cientistas de diversas universidades americanas conseguiram desvendar o mistério de como o ouvido humano converte as vibrações sonoras em impulsos elétricos que são interpretados pelo cérebro.
A pesquisa foi detalhada na edição online da segunda quinzena de outubro da revista Nature.
Os cientistas identificaram a proteína TRPA 1 nas extremidades das pequenas células sensoriais no interior do ouvido. Eles descobriram que TRPA1 converte sons em impulsos nervosos, que são transmitidos ao cérebro. A identificação da proteína e do gene que a codifica poderá possibilitar no futuro um tratamento contra a surdez.
Segundo Jeffrey Holt, neurocientista da Universidade da Virgínia, a proteína TRPA1 forma um canal semelhante a uma rosquinha na membrana da célula localizada no interior do ouvido. "Na falta de som, o canal fica fechado. Mas, quando o som alcança a proteína, a passagem é aberta, permitindo que fluam íons de potássio e cálcio para dentro das células. Esses elementos carregam cargas positivas, o que permite gerar um sinal elétrico que é transmitido ao cérebro", diz o cientista.
O próximo passo será estudar o gene que codifica a TRPA1 em pacientes surdos, que deve ser uma forma alterada do gene TRPA1. "Essencialmente, se nós conseguirmos pegar uma cópia correta do gene e reintroduzi-lo nas células localizadas no interior do ouvido, poderíamos ser capazes de restaurar a audição nas pessoas com disfunções auditivas hereditárias", diz Holt.
Nos últimos 25 anos, foram acumuladas diversas evidências que indicavam que uma proteína em forma de rosca deveria ser a principal responsável pelo funcionamento da audição humana, mas os cientistas não conseguiram identificá-la, apesar de muitos esforços. Holt e Gwenaëlle Géléoc, também pesquisadora da Universidade da Virgínia, observaram que foram necessárias 18 horas para o desenvolvimento da célula no interior do ouvido em embriões de ratos. Essa pesquisa ajudou-os a identificar que o gene TRPA1 foi ativado durante as mesmas 18 horas, permitindo com isso que os cientistas caminhassem em direção à descoberta.
Participaram da pesquisa cientistas de diversas instituições: Universidade da Virgínia, Universidade Northwestern, Universidade Duke, Escola Médica de Harvard e os Institutos Nacionais de Saúde
"Ao identificarmos o TRPA1, foi aberto um vasto campo para pesquisas sobre audição e surdez em neurociência e otologia. Nós enfocamos essa questão por meio de diversos ângulos, diversas técnicas e diversas pesquisas laboratoriais. O fato de nós chegarmos a uma mesma resposta de forma independente nos permite elaborar muito mais argumentos científicos convincentes do que qualquer outro cientista ou laboratório sozinhos", diz Holt. (Fabiana Pio)
Fonte: Revista Scientific American
por LÍVIA LAMBLET * 10:24 AM
Soneto 2
Luiz Vaz de Camões
Tanto de meu estado me acho incerto
que em vivo ardor tremendo estou de frio;
sem causa, juntamente choro e rio;
o mundo todo abarco e nada aperto.
É tudo quanto sinto um desconcerto;
da alma um fogo me sai, da vista um rio;
agora espero, agora desconfio,
agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao céu voando;
numa hora acho mil anos, e é de jeito
que em mil anos não posso achar uma hora.
Se me pergunta alguém porque assim ando;
respondo que não sei; porém suspeito
que só porque vos vi, minha Senhora.
por LÍVIA LAMBLET * 10:23 AM
22-12-2004 - Brasília (DF)
Senado legaliza crime transgênico para safra de soja 2004/2005
Lei desrespeita uma decisão judicial, o consumidor, o meio ambiente e a agricultura do Brasil
O Greenpeace condena a aprovação do Projeto de Lei de conversão PLV 67/04 pelo Senado na noite de ontem, que transformou a Medida Provisória 223/04 em lei. Assim, liberou mais uma vez a produção e comercialização da soja transgênica no Brasil. O maior problema da lei é que até hoje nem sequer foram apresentados os estudos de impacto da soja transgênica sobre o meio ambiente.
A conversão em lei de uma terceira medida provisória liberando a soja transgênica no País fere uma decisão judicial do Tribunal Regional Federal (TRF) de Brasília (1). No dia 1o de setembro, o TRF determinou que o plantio de soja transgênica permaneceria ilegal no Brasil, enquanto a empresa responsável pela tecnologia não apresentasse os devidos estudos de impactos ambientais.
¿A lei vai contra a opinião de mais de 80% da população, que não quer que os transgênicos sejam liberados no Brasil (2). Permitir que um transgênico que não passou por uma avaliação ambiental adequada no País possa continuar sendo cultivado, é um desrespeito à sociedade brasileira¿, disse a bióloga Gabriela Couto, integrante da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace.
Mais uma vez uma decisão do governo Lula e do Congresso Nacional beneficia uma pequena parcela de agricultores do Rio Grande do Sul, que haviam plantado soja transgênica ilegalmente, utilizando sementes contrabandeadas da Argentina (3). O Brasil é atualmente o único grande produtor de soja convencional do mundo, e importadores como a União Européia, Japão e China estão dispostos a pagar mais por este produto.
Esta lei visa legitimar até janeiro de 2006 uma ilegalidade que é fruto da total omissão do governo federal. Assim, uma decisão que deveria ser apenas provisória e excepcional já perdura três anos. O governo, além disso, não está demonstrando vontade política de garantir a aprovação de um Projeto de Lei de Biossegurança que preserve as competências dos Ministérios do Meio Ambiente e da Saúde.
No ano passado, a MP 131 convertida na lei 10.814 abriu o precedente da cobrança de royalties sobre a colheita de soja transgênica ilegal da safra 2003/2004, beneficiando a empresa Monsanto. O PLV 67/04, no seu artigo 7o, exige a apresentação da nota fiscal de compra da semente para a cobrança de royalties. Uma vez que a venda de sementes transgênicas está proibida no País (4), na prática a Monsanto fica impedida de cobrar royaties na colheita da soja transgênica da safra 2004/2005.
¿A bancada pró-Monsanto no Congresso certamente trabalhará duro no início de 2005 para pedir o veto presidencial a este artigo, assim como garantir que na Lei de Biossegurança a cobrança de royalties fique preservada,¿ afirmou o agrônomo da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace, Ventura Barbeiro. ¿Fica claro para o agricultor que plantar soja convencional é a única saída para ele não ficar na mão das corporações de biotecnologia, condenado ao pagamento de royalties em cada safra¿.
Mesmo com a nova lei, cabe ao governo garantir ao consumidor o direito de dizer não aos transgênicos. Mais de 70% da população brasileira acredita que os produtos que contêm OGMs devem ser rotulados (5), em respeito ao decreto de rotulagem até agora ignorado no País (6).
(1) Publicada no último dia 1º de setembro. O governo federal, inclusive por meio da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), continua proibido de liberar a comercialização de espécies transgênicas, em função dos recursos jurídicos apresentados pelo Greenpeace e pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), em 6 de setembro, que suspenderam os efeitos da decisão do TRF na ação civil pública. Na mesma data, foi mantida a exigência de EIA/RIMA especificamente para soja nos autos da medida cautelar.
(2) Pesquisa ISER/julho de 2004
(3) Dos 83.558 mil Termos de Ajuste de Conduta (TACs) firmados por aqueles que plantaram soja transgênica em 2003, 81.602 deles estão no Rio Grande do Sul (97,70%).
(4) MP 131 convertida na lei 10.814 de 2003 www.planalto.gov.br
(5) Pesquisa IBOPE/dezembro de 2003
(6) Decreto 4680 de 23 de abril 2003 www.planalto.gov.br
Fonte: Greenpeace
por LÍVIA LAMBLET * 10:23 AM
Soneto 1
Luiz Vaz de Camões
O amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que doe e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade,
É servir quem vence o vencedor
É Ter com quem nos mata lealdade
Mas como causar pode o seu favor
Nos mortais corações conformidade
Sendo assim tão contrário o mesmo amor?
por LÍVIA LAMBLET * 10:22 AM
Apartaram-se os meus olhos
Luiz Vaz de Camões
Mote
Apartaram-se os meus olhos
De mim tão longe.
Falsos amores,
Tratam-me com cautela
Por me enganar mais asinha;
Dei-lhe posse da alma minha,
Foram-me fugir com ela.
Não há vê-los, nem há vê-la,
De mim tão longe.
Falsos amores,
Falsos, maus, enganadores!
Entreguei-lhe a liberdade
E, enfim, da vida o melhor.
Foram-se e do desamor
Fizeram necessidade.
Quem teve a sua vontade
De mim tão longe?
Falsos amores,
E tão cruéis matadores!
Não se pôs terra nem mar
Entre nós, que foram em vão,
Pôs-se vossa condição
Que tão doce é de passar.
Só ela vos quis levar
De mim tão longe!
Falsos amores
- E oxalá que enganadores!
por LÍVIA LAMBLET * 10:22 AM
[Sexta-feira, Dezembro 31]
Sobre Drogas
Você sabia?
... O humor vítreo, líquido que preenche o globo ocular, mostrou ser a melhor alternativa para a análise da presença de drogas em corpos deteriorados ou em decomposição.
... O câncer de pulmão é um dos mais traiçoeiros e agressivos. Quando os primeiros sintomas surgem (tosse persistente, dor no peito, rouquidão e falta de fôlego, entre outros), a doença tende a estar em estágio avançado
... De cada dez casos de câncer de pulmão, nove estão associados ao tabagismo. Quanto maior o tempo de vício, maiores os riscos de desenvolvimento da doença.
... Quem fuma há 45 anos tem 15 vezes mais probabilidade de ter câncer do que quem nunca fumou.
... Quem fuma há 30 anos tem 10 vezes mais probabilidade de ter câncer do que quem nunca fumou.
... Quem fuma há 15 anos tem 4 vezes mais probabilidade de ter câncer do que quem nunca fumou.
... Quem fuma há 10 anos tem 2 vezes mais probabilidade de ter câncer do que quem nunca fumou.
... As chances de um fumante ficar cego com a idade são quatro vezes maiores do que as de pessoas que não fumam
... Os fumantes precisam repor 40% a mais de vitamina C do que não fumantes
... O tabagismo mata 4 milhões de pessoas por ano; ou seja, uma a cada 8 segundos
... o consumo habitual de fumo aumenta o risco de sofrer câncer de mama e elimina o efeito protetor do leite materno
... São principalmente os consumidores eventuais que alimentam a milionária e violenta máquina do tráfico. Os dependentes são minoria. Por isso, os especialistas dizem: não há consumo de droga impune.
... Dos brasileiros, 11,6% com mais de 12 anos já usaram drogas
... O dependente do cigarro perde 45 minutos por dia fumando
... Uma mulher não fumante que convive com um fumante tem o dobro de chances de doença coronariana
... Apesar de os fumantes passivos inalarem apenas 1% da fumaça dos cigarros, seu risco de doença cardíaca aumenta em 23%
... Do total de vítimas de tumor no pulmão, 90% são fumantes e 5%, fumantes passivos
... Mais de 95% dos usuários de nicotina começam a fumar antes dos 25 anos
... De cada dez jovens que experimentam drogas, um vai se tornar dependente, dizem os estudiosos no assunto.
... Estudos mostram que os pais demoram em média dois anos para perceber que o filho é dependente.
... Os Bebês nascidos de mamães que fumam, apresentam menor peso ao nascer (em média, 200 gramas mais leves).
... Mal formação no feto, abortamentos e nascimentos prematuros ocorrem com maior freqüência em gestantes que fumam.
... O hábito de fumar de um adulto pode levar uma criança a imitá-lo. Foi observada uma maior incidência do hábito de fumar em adolescentes e jovens adultos provenientes de domicílios onde pais e outros familiares fumavam.
... Em domicílios em que pais e outros familiares fumam, as crianças passam a inalar continuamente substâncias tóxicas do tabaco; ao final do dia podem ter inalado o equivalente à fumaça de 1 ou mais cigarros.
... A nicotina também está presente no leite materno de mamães fumantes. Nesses casos, após cada mamada, o bebê poderá apresentar agitação, choro, vômito e até mesmo alterações de seu ritmo cardíaco.
... O fumo é responsável por 25% das mortes do mundo e mata por ano 3 milhões de pessoas
... O álcool é a droga lícita que abre as portas para as ilícitas
... Um, em cada dez usuários de álcool, se torna dependente da droga
... O abuso do álcool causa 350 doenças físicas - entre elas, cirrose e câncer de fígado - e psíquicas
... O alcoolismo é a terceira doença que mais mata no mundo
... Mais de 90% dos fumantes são dependentes da nicotina e tornam-se dependentes antes dos 18 anos
... A gestante fumante tem maior chance de abortar, de ter filho prematuro, de baixo peso e de morte do filho no período perinatal
... As crianças que convivem com pais fumantes têm maior risco de infecções respiratórias, bronquiolites, asma, otites e infecções da garganta (amigdalites)
... O fumante passivo tem maior risco de câncer no pulmão e infarto do miocárdio
... As pessoas que estão próximas dos fumantes, especialmente em ambientes fechados, inalam mais de 400 substâncias que podem prejudicar a saúde
... Filhos de viciados em Maconha, podem nascer com defeitos congênitos, pois alteram a forma de seus cromossomos.
... Na mulher, o uso de Maconha, perturba o ciclo menstrual e altera o metabolismo da ovulação resultando períodos imprevisíveis de infertilidade.
... Espermas de homens viciados em Maconha, revelam menor numero de espermatozóides e maior numero de defeitos genéticos.
... O uso de maconha afeta a produção de espermatozóides e óvulos.
... Fumar aumenta as complicações pós-operatórias, especialmete em idosos, obesos e pacientes em tratamento de doenças cardíacas ou respiratórias
... Fumar prejudica o tratamento de doenças como gastrite, úlcera péptica, esofagite de refluxo, angina, insuficiência cardíaca, bronquite, enfisema e asma
... A chance de viver até os 73 anos é de 42% em fumantes e 78% em não-fumantes
... Fumar aumenta o risco de infertilidade e de complicações na gravidez
... Fumar eleva o risco de rugas prematuras e de celulite e interfere na cicatrização de feridas cirúrgicas
... Cocaína na gravidez causa perda de neurônios em cérebro de bebê.
... Divulgado em janeiro de 2001, o relatório da ONU afirma que 4,2% de toda a população mundial acima de 15 anos consome drogas, cerca de 180 milhões de pessoas
... Aproximadamente 4.700 substâncias tóxicas já foram encontradas no cigarro (nicotina, alcatrão, amônia, monóxido de carbono, agrotóxicos, substâncias radioativas e muitas outras)
... O tabagismo diminui a fertilidade, a idade de menopausa natural e o peso corporal
... Cerca de 90% dos casos de morte por câncer no sistema respiratório são causados pelo tabagismo
... A nicotina é a droga do tabaco responsável pela dependência
por LÍVIA LAMBLET * 3:58 PM
[Quinta-feira, Dezembro 30]
Brasil enviará remédios para áreas afetadas por tsunami
Genebra - O Brasil negocia a doação de remédios para os países afetados pelo tsunami do último domingo. O governo iniciou um diálogo com a ONU para determinar o volume, tipo e destino exato dos remédios. A informação foi passada por representantes do Itamaraty durante a conferência promovida pelas Nações Unidas entre cerca de 120 entidades e governos em Genebra para coordenar as doações e planejar a estratégia de socorro.
O Ministério da Saúde foi o primeiro a se mostrar interessado em ajudar os países afetados, principalmente diante da preocupação da Organização Mundial da Saúde, de que o grande desafio será o de evitar mortes por epidemias como cólera e dengue. "Temos um certo conhecimento sobre essas doenças, o que pode ajudar os governos asiáticos", informou à reportagem uma fonte diplomática.
Mas a doação poderá levar ainda alguns dias para se tornar realidade. Isso porque a própria ONU e a OMS não sabem exatamente como coordenar o envio dos recursos. "Acredito que seja uma ótima iniciativa a do Brasil de enviar remédios. Estamos de fato necessitando de ajudas como essa. Mas sugerimos que o governo brasileiro coordene com a OMS e com os países afetados para que a doação seja adequada e que responda aos interesses da população", explicou o coordenador da OMS para situações de emergência, David Nabarro.
Jamil Chade
Fonte: Jornal Estadão
por LÍVIA LAMBLET * 10:54 AM
[Quarta-feira, Dezembro 29]
Dica de livro:
Aqueles que gostam de Filosofia, mas que ainda não conhecem muito o assunto deveriam ler o livro O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry. O autor faz uma viagem ao fantástico, onde participa da história como aviador. Pra quem não sabe, Exupéry foi aviador na guerra e seu avião caiu no deserto do Saara. Ele ficou um tempo lá e conseguiu sobreviver, tendo a inspiração para escrever o livro.
Frases como "o essencial é invisível para os olhos", "se precisas de um amigo, cativa-me" e "Nada é perfeito - suspirou a raposa" fazem parte de um contexto fantástico.
O Pequeno Príncipe é considerado literatura infantil, porém deve ser lido por pessoas de todas as idades.
Imperdível!
por LÍVIA LAMBLET * 12:06 PM
[Terça-feira, Dezembro 28]
Curiosidades Inúteis
-Você já viu o filme "De volta para o Futuro 2?" Se você viu, deve se lembrar que no Almanaque dos Recordes dizia que em 1997 o time da Flórida ganharia o campeonato "World Series" em 1997. Na época em que o filme foi feito (nos anos 80), a Flórida nem se quer tinha um time, mas no dia 26 de Outubro de 1997 ela foi a campeã do World Series, exatamente como dizia o Almanaque.
-Se todos os cachorros quentes consumidos pelos americanos em 1 ano fosse enfileirados, poderia ser feita uma "ponte" que daria duas vezes a distância da Terra até a Lua.
-O Sol libera mais energia em um segundo do que tudo que a humanidade já consumiu em toda a sua existência.
-Quando você for ao Mc Donalds, preste atenção na maneira com que os atendentes colocam a comida na sua bandeija: o "M" estará sempre virado para o seu lado.
-Ratos não vomitam.
-Napoleão Bonaparte calculou que as pedras usadas para a construção das pirâmides do Egito seriam suficientes para construir um enorme muro ao redor da França.
-"J" é a única letra que não aparece na tabela periódica.
-A ovelha Dolly tem esse nome porque ela foi criada a partir de uma célula da glândula mamária da mãe, e em homenagem aos grandes seios de Dolly Parton.
-A maneira mais fácil de diferenciar um animal carnívoro de um herbívoro é olhando nos seus olhos. Os carnívoros (cachorros, leões) possuem os olhos na parte da frente da cabeça, o que facilita a localização do alimento. Já os herbívoros (aves, coelhos) possuem os olhos do lado da cabeça para perceber a aproximação de um possível predador.
-Nesse exato momento há mais de 100.000.000 microorganismos se alimentando, se reproduzindo, nadando e depositando detritos na área em volta dos seus lábios.
-Para algumas pessoas, comer aspargos deixa a urina com cheiro diferente.
-Você pisca aproximadamente 25 mil vezes por dia.
-Os CDs foram concebidos para comportar 72 minutos de música porque essa é a duração da Nona Sinfonia
de Bethoven.
-Está provado que o cigarro é a maior fonte de pesquisas e estatísticas.
-Relâmpagos matam mais do que vulcões, furacões e terremotos.
-Se você apertar Ctrl+Shift+seta em cima de um texto, o cursor selecionará palavra por palavra.
-Os chipanzés são os únicos animais capazes de se reconhecer na frente de um espelho.
-O material mais resistente criado pela natureza é a teia de aranha.
-O nome HAL, do computador do filme "2001, uma odisséia no espaço" não foi escolhido à toa. Ele é formado pelas letras imediatamente anteriores às que formam a palavra IBM.
-O forno de microondas surgiu quando um pesquisador que estudava as microondas percebeu que elas haviam derretido o chocolate que estava em seu bolso.
-Na França é proibida a venda de bonecos que não tenham rostos humanos, como ETs.
-As moscas domésticas vivem apenas 2 semanas.
-Astronautas não podem comer feijão antes de suas viagens, pois os gases podem danificar as roupas espaciais.
-Meninos com nomes estranhos geralmente tem mais problemas mentais que as meninas.
-Os russos atendem ao telefone dizendo "Estou ouvindo"
-Até 1967 o uso do LSD era permitido na California.
-15% das mulheres americanas mandam flores para si mesmas no dia dos namorados.
-Antes da Segunda Guerra, a lista telefônica de Nova Yorque tinha 22 Hitlers. Depois dela, não tinha mais nenhum.
-O nome científico do gorila é "Gorilla, gorilla, gorilla".
-O livro mais vendido no mundo é a Bíblia.
-7% dos americanos acredita que Elvis está vivo. 25% dos americanos acha que Sherlock Holmes existiu. 25% também acreditam em fantasmas, e 10% dizem ter visto um.
-Graham Bell atendia o telefone dizendo "Ahoy"
-As mulheres compram mais roupas masculinas que os homens.
-As mulheres são as maiores compradoras de: cuecas e barbeadores elétricos.
-A Barbie já vendeu mais carros que a General Motors. Ela é também a boneca mais bem sucedida da história dos brinquedos. Alguns colecionadores possuem até 7000 bonecas.
-Se as doenças do coração, o câncer e a diabete fossem erradicados, a expectativa de vida do homem seria 99,2 anos.
-Shigechio Isumi, um pescador japonês viveu 121 anos.
-As palavras cruzadas surgiram em 10 de abril de 1924.
-Shaquile Oneil usa um par de tênis por partida.
-Uma mulher chamada Mum-Zi já era avó com 17 anos. Ela teve sua filha com 8 anos e 4 meses, e sua filha também se tornou mãe com 8 anos!
-A filha de Shakespeare era analfabeta.
-Antes de 1800, os sapatos para os pés direito e esquerdo eram iguais.
-Americanos consomem 16.000 toneladas de aspirina por ano.
-Uma pulga fêmea consome por dia 15 vezes o próprio peso em sangue!
-Há mais de 2400 espécias de pulgas conhecidas.
-Quando cobras nascem com duas cabeças, as cabeças brigam entre si por comida.
-Einstein nunca foi um bom aluno, e nem sequer falava direito aos 9 anos. Seus pais achavam que ele era retardado.
-O Oceano Atlântico é mais salgado que o Pacífico.
-O elefante é o único animal com quatro joelhos.
-Um bilhão de segundos equivale a 31,7 anos.
-O nome original de Luke Skywalker era Luke Starkiller.
-Willard Scott foi o primeiro Ronald Mc Donald.
-16% das mulheres nascem loiras. 33% das mulheres são loiras.
-A população mundial deve dobrar em 2050.
-10.000 produtos químicos são criados por dia.
-Uma gota de óleo torna 25 litros de água imprópria para o consumo.
-É possível ver 500.000 crateras na Lua olhando-se da Terra.
-A cada ano, 98% dos átomos do seu corpo são substituídos.
-98% dos japoneses são cremados.
-Uma asa de mosquito se move 1000 vezes por segundo.
-Ovelhas não bebem água corrente.
-Antes da Segunda Guerra os negros não eram aceitos no Exército Americano.
-Um coelho pode ver atrás de si mesmo sem mexer o pescoço, graças a seus olhos que ficam do lado da cabeça.
-As únicas pedras da Antártida são fragmentos de meteoritos.
-O crânio tem 29 ossos.
-A Microsoft gasta mais atendendo ligações de usuários com problemas que produzindo seus programas.
-Uma pessoa morre de câncer por hora.
-Os americanos gastam mais com comida de cachorro que com comida de bebê.
-Os koalas não bebem água, eles absorvem os líquidos das folhas de eucalipto.
-Seu cabelo cresce mais rápido à noite, e você perde em média 100 fios por dia.
-Os astronautas são mais altos no espaço que na Terra, devido à ausência de gravidade.
-Os olhos de um hamster podem cair se você pendurá-lo de cabeça pra baixo.
-Rir durante o dia faz com que você durma melhor à noite.
-O Incrível Hulk era originalmente cinza.
-A palavra "VIP" significa "Very Important Person"
-Você sabia que um copo de água quente congela primeiro que um de água fria!.
-Se o porta-aviões Enterprise não fosse movido a energia nuclear e sim a óleo diesel, gastaria 18 litros para se mover 1cm.
-Os Pombos possuem um cristal em seu cerebro.
-Uma abelha pode chegar a 60 km/h.
-Após a morte, os cabelos e unhas de uma pessoa continuam crescendo.
por LÍVIA LAMBLET * 12:48 PM
LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO
Conversa entre o pai e o filho, por volta do ano de 2031:
- Foi assim que tudo aconteceu, meu filho... Elas planejaram
o negócio discretamente, para que não notássemos.
Primeiro elas pediram igualdade entre os sexos. Os homens, bobos, nem deram muita bola para isso na ocasião.
Parecia brincadeira. Pouco a pouco, elas conquistaram
cargos estratégicos... Diretoras de Orçamento, empresárias, Chefes de Gabinete, Gerentes disso ou daquilo.
- E aí, Papai?
- Ah, os homens foram muito ingênuos. Enquanto elas
conversavam ao telefone durante horas a fio, eles pensavam que o assunto fosse telenovela...
Triste engano. De fato, era a rebelião se expandindo nos inocentes
intervalos comerciais. "Oi querida!", por exemplo, era a senha que
identificava as líderes. "Celulite" eram as células que formavam a
organização.
Quando queriam se referir aos maridos, diziam "o regime".
- E vocês? Não perceberam nada?
- Ficávamos jogando futebol no clube, despreocupados. E o que é pior: continuávamos a ajudá-las quando pediam.
Carregar malas no aeroporto, consertar torneiras, abrir potes de azeitona, ceder a vez nos naufrágios. Essas coisas de homem. Aí, veio o golpe mundial !? Sim o golpe. O estopim foi o episódio Hillary-Mônica. Uma farsa.
Tudo armado para desmoralizar o homem mais poderoso do mundo. Pegaram-no pelo ponto fraco, coitado.
Já lhe contei, né? A esposa e a amante, que na TV posavam de rivais eram, no fundo, cúmplices de uma trama diabólica. Pobre Presidente... Como era mesmo o nome dele? William, acho. Tinha um apelido, mas esqueci... Desculpe, filho, já faz tanto tempo...
- Tudo bem, Papai. Não tem importância. Continue...
- Naquela manhã a Casa Branca apareceu pintada de cor-de-rosa.
Era o sinal que as mulheres do mundo inteiro aguardavam. A rebelião tinha sido vitoriosa! Então elas assumiram o poder em todo o planeta.
Aquela torre do relógio em Londres chamava-se Big-Ben, e não Big-Betty, como agora...Só os homens disputavam a Copa do Mundo, sabia? Dia de desfile de moda não era feriado. Essa Secretária Geral da ONU era uma simples cantora.
Depois trocou o nome, de Madonna para Mandona...
- Pai, conta mais...
- Bem filho... O resto você já sabe. Instituíram o Robô-Troca-Pneu
como equipamento obrigatório de todos os carros... a Lei do Já-Prá-Casa, proibindo os homens de tomar cerveja depois do trabalho... E, é claro, a famigerada semana da TPM, uma vez por mês...
- TPM ???
- Sim, TPM... A Temporada Provável de Mísseis... É quando elas
ficam irritadíssimas e o mundo corre perigo de confronto nuclear....
- Sinto um frio na barriga só de pensar, pai...
- Shhh! Escutei barulho de carro chegando. Disfarça e continua
picando essas batatas...
por LÍVIA LAMBLET * 10:44 AM
[Segunda-feira, Dezembro 27]
Chato
Emiliano Chemello
O chato é uma espécie que, definitivamente, está longe da extinção.
Existem muitos. Uns 'melhores' (ou piores, depende da perspectiva) e outros
que, de tão 'bons', você desconfia que fizeram algum curso para isto. Uma
pós-graduação talvez. Já imaginaram quem seriam os professores deste 'curso
de pós-graduação em chatice? Bem, é melhor parar por aqui. Vai que alguém
goste da idéia e... chega! Melhor evitar. O mundo está cheio deles. O
'chato' que estou falando é aquele adjetivo dado às pessoas importunas,
impertinentes, as quais são também chamadas 'carinhosamente' de 'malas'.
Inclusive aqui na minha cidade (Caxias do Sul) existe um concurso chamado "o
mala do ano", com votação, premiação e tudo mais. Uns dos poucos concursos
que conheço em que o participante não se inscreve e muito menos está a fim
de ganhar.
Os chatos são implacáveis. Chega um ponto que ele (o chato) não precisa
fazer nada para você, apenas sua presença e o perigo em potencial de algo
chato ser proferido já é motivo para ficares resmungando e estraga seus
próximos 30 min, tempo este que, claro, depende diretamente do coeficiente
de chatice do indivíduo. A magnitude desse coeficiente promove pensamentos
do tipo "hum.... chatinho ele né?" até "ah! ... que vontade de
defenestrá-lo!!! ".
Ser 'Chato' é relativo. Quer que eu prove essa minha afirmação? Simples.
A maioria dos chatos que você conhece estão vivos e sem nenhuma lesão
corporal aparente, não é mesmo? Caso 'ser chato' não fosse relativo, não
dependendo de quem é 'chateado', todos os chatos, ou estariam no cemitério
(enterrados né, dããã! ) ou com alguma seqüela, proveniente de algum objeto
atirado contra ele. Sim, ser chato é relativo. Depende de quem é a vítima. É
possível que alguém goste de chatos. Eu, por exemplo, sou um. Gosto de
chatos... bem longe, é claro.
Vejam só uma prova que o nível de chatice passa do 'imperceptível ao
insuportável'. Acabei de ser chato no parágrafo anterior. Disse que minha
idéia de que 'ser chato é relativo' era 'simples'. Dizer que algo é
'simples' à uma pessoa é ser chato, pelo menos para mim. O 'simples' é, sem
dúvida, relativo. O que é 'simples' para alguém, talvez seja difícil para
outrem. "Mas que chato esse autor que acha 'chato' dizer que algo é
simples!", pensará possivelmente algum leitor. Tudo depende da perspectiva
que se analisa. Viu?
Falar sobre chatos é um tema muito abrangente. Existem inúmeros tipos.
Para todos os gostos e desgostos. Com o objetivo de não ser chato e escrever
um texto 'chato' sobre 'chatos', citarei alguns tipos, dentre tantos
existentes, porém apenas sobre os chatos mais curiosos.
Como não poderia deixar de ser, começarei com o mais ortodoxo. O chato
'clássico' é aquele que não sabe que é chato. Todos falam rápido, somente o
essencial, andando e se distanciando rapidamente quando passam por ele. O
chato se pergunta porque todos em seu local de trabalho estão sempre com
pressa e nunca param para conversar. Este é o legítimo chato. Não faz idéia
de seu 'potencial' e quando encontra alguém 'desavisado', aproveita para
tirar o atraso. No primeiro encontro até que a gente é educado:
( o chato) blá, blá, blá, blá ....
( você, educado ) - Ah! é mesmo?
( o chato) blá, blá, blá, blá ....
( você, educado ) - Nossa, que interessante!
Depois de algum tempo, você não agüenta mais.
( o chato) blá, blá, blá, blá ....
( você, não agüentando mais) - Desculpe, não posso falar com você, estou
atrasaaaaaa......!
Outro tipo de chato interessante é o literal. Sempre interpreta
literalmente as palavras. Para ilustrar esse tipo, narrarei uma passagem de
um livro que li sobre o físico Paul Dirac, um dos maiores
matemáticos/físicos de todos os tempos. Ah!, e um dos maiores chatos
literais que eu já ouvi falar.
Durante uma conferência, depois de maçantes cálculos matemáticos de
física quântica, explicações 'dantescas' e outros quetais, foi aberto um
espaço, no final da conferência, para perguntas. Neste momento, um dos
presentes se levanta e diz:
- Sr. Dirac, não compreendi muito bem estes dois últimos cálculos.
Paul ficou imóvel, não esboçando nenhuma reação. Alias, minto. Esboçou
uma reação sim, parecendo esperar por 'algo mais' de quem queria fazer a
pergunta. Passou-se dois minutos e Paul olhava para o rapaz, erguendo as
sobrancelhas como quem queria dizer: "E dai ?". O público começa a ficar
impaciente. O rapaz que fez a pergunta ficou com a face vermelha e sentou-se
morrendo de vergonha e arrependido até a alma de ter feito aquela pergunta.
Provavelmente, pensou que tivesse dito uma besteira ululantemente ridícula,
algo muito elementar para um físico como Paul Dirac.
O moderador da conferência, após passados os dois fatídicos minutos de
espera sem manifestação de Dirac, pergunta:
- Sr. Dirac, não responderas a pergunta do rapaz?
Dirac, com seu jeito tipicamente calmo e seguro, disse:
- Qual pergunta?
- Como assim qual pergunta? Questiona o moderador. E replica:
- Aquela que ele acabou de fazer, Sr. Dirac! Há algum problema?
Dirac, sem ser ríspido, respondeu:
- Sim, há um problema. Ele não fez uma pergunta. Ele apenas 'afirmou'
que não havia entendido meus últimos dois cálculos.
Bem, como ser chato é relativo, possivelmente algum leitor não julgará
que Paul Dirac foi um chato na passagem narrada. Porém, irá concordar que a
'situação' foi chata, não?
Há o "chato no mundo da Lua". Este acha que você está lá na Lua, com
ele, sabendo de tudo que passa pela sua cabeça:
- Alô?
- Oi, conseguiu?
- Consegui o que?
- Aquilo lá, tudo certo?
- Aquilo o que cara-pálida? Não estou te entendendo
- Aquilo pô! Bem, pelo visto não. Me liga quando conseguir. Até
Clic.
Outro tipo de chato é o 'educado'. Diz 'bom-dia' umas quinze vezes por
dia, ou tantas quanto forem as vezes que passar por você. Pior que este, só
aquele que, 'todos os dias', começa com aquela lista de saudações/questões:
(o chato) - Grande amigo! Tudo bem cara? A quanto tempo, hohohoho!
(você) - Oi, tudo bem.
(o chato) - Que bom, mas ... e como anda a família, os filhos, a esposa!
Ops... com todo o respeito, claro! ehehehe. Grande garoto. E por fim, para
arrematar a ultima fala, tasca-lhe um tapão nas costas, daqueles que ecoa
pelos corredores do recinto.
Para finalizar, cito o chato curioso. O engraçado é que este chato
sabe muito bem a diferença no emprego do 'porque', por que', 'porquê' e 'por
quê'. Afinal, é a ferramenta de chatice dele. Por que aquilo? Por que
daquilo outro? Provavelmente você já tenha se deparado com um desses.
É fato que pessoas chatas existem. E não são poucas, encontrasse em todo
lugar. Elas estão preparadas 24 horas por dia para agir. São profissionais
naquilo que fazem. Mas você concordará com uma coisa que vou lhe dizer. Por
mais paradoxal que pareça, a vida sem chatos seria chata, né?
por LÍVIA LAMBLET * 12:45 PM
Curiosidades:
Fantasia
- Fantasia surgiu quando a Disney começou a produzir O Aprendiz de Feiticeiro como um curta independente. O resultado ficou tão caro, que o estúdio decidiu seguir o conselho do maestro Leopold Stokowski e criar uma antologia de curtas, para recuperar os gastos originais.
- Na época de seu lançamento, em 1940, Fantasia não teve uma boa recepção e alguns críticos disseram que ele estava à frente de seu tempo, além de ser considerado muito surreal para a maioria das pessoas. Somente no final dos anos 60 é que o filme recebeu o respeito e admiração que merece.
- A Disney regravou toda a trilha sonora de Fantasia para o relançamento do filme em 1982. Isso foi feito porque a trilha original de 1940 estava velha e muito limitada em termos de fidelidade sonora. Já para o relançamento de comemoração dos 50 anos do filme, em 1990, a Disney decidiu recuperar a trilha original, limpando-a o máximo possível. A limitação de fidelidade não pôde ser corrigida, mas a trilha restaurada continuou sendo usada nas versões atuais do filme.
- No relançamento de 1982, a orquestração original de Mussorgsky para "Noite na Montanha" foi usada em vez da versão conduzida por Leopold Stokowski. Quem assistiu a essa versão do filme diz que a música é muito mais feroz que a versão usada em 1940.
- Durante a produção do filme, os animadores não receberam instruções para a colorização das cenas. Walt Disney os instruiu a usarem as cores que quisessem no início.
- Para o segmento da mitologia grega, a composição musical escolhida originalmente foi "Cydalise", de Pierne. Mais tarde, Walt Disney decidiu que ela não era expressiva o suficiente para a história, então escolheu a "Sinfonia Pastoral", de Beethoven, para substituí-la.
- Inicialmente, um segmento com a música "Clair de Lune", de Claude Debussy faria parte de Fantasia. Ele chegou a ser animado, mas foi cortado da versão final.
- O plano original de Walt Disney era relançar Fantasia a cada ano com um segmento musical diferente. Naturalmente, a idéia provou ser muito ambiciosa e não foi levada adiante. Mesmo assim, alguns segmentos chegaram a ser desenhados para essa série de relançamentos. Entre as músicas escolhidas estavam: "O Cisne de Tuonela", de Jean Sibelius; "A Cavalgada das Valquírias", de Richard Wagner; "O Vôo da Abelha", de Rimsky-Koraskov; e "Convite para Valsa", de Carl Maria Weber (este seria estrelado por Peter Pegasus, do segmento "Sinfonia Pastoral").
- Originalmente, um segmento com a música "Clair de Lune", de Claude Debussy faria parte de Fantasia. Ele chegou a ser animado, mas foi cortado da versão final.
- A música de "O Aprendiz de Feiticeiro" foi a única não gravada pela orquestra da Filadélfia. Ela foi gravada por uma orquestra formada para uma gravação no antigo Pathe Studios, em Culver City, Los Angeles, por volta de 1938, 1939. Todas as outras composições foram gravadas pela orquestra da Filadélfia, na Filadélfia.
- No segmento "Sinfonia Pastoral", havia uma cena em que centauros negros lustravam os cascos de centauros brancos. No relançamento de 1969, esta cena foi censurada e todas as versões lançadas até 1980 tinham um corte repentino nesse ponto. Somente no lançamento em vídeo a cena foi incluída novamente, mas com o enquadramento aparado para mostrar apenas o rosto de um centauro branco.
- Bela Lugosi serviu como modelo vivo para a criação de Chernabog, o demônio do segmento "Noite na Montanha". Lugosi passou vários dias nos estúdios da Disney, fazendo "poses malignas" para os animadores usarem como referência.
- O demônio Chernobog, de "Noite na Montanha", tem esse nome por causa do deus da maldade na mitologia eslava.
- O mago de "O Aprendiz de Feiticeiro" se chama Yen Sid, que é "Disney" escrito de trás para frente.
- Em Fantasia, Mickey Mouse apareceu com pupilas nos olhos pela primeira vez.
- O diretor de fotografia James Wong Howe foi o responsável pela filmagem dos segmentos live-action, mas não é creditado.
- Fantasia foi o primeiro filme norte-americano a ser lançado sem os créditos de tela, a não ser pelo título e as palavras "Color by Technicolor" e "Distributed by RKO Pictures". Somente no relançamento de comemoração dos 50 anos do filme, em 1990, os créditos foram adicionados.
Fonte: Cinema em Cena
por LÍVIA LAMBLET * 12:43 PM
Continuação
* Menstruação é um fenômeno. Vai ver eles as histórias só são contadas nos períodos bons das mulheres. Claro, já imaginou a Julia Roberts perguntando: "dá licença de pegar um OB?"
GUERRAS
* Você sobreviverá a qualquer guerra, a não ser que mostre a alguém a foto do amor de sua vida "para quando retornar"
* Se um protagonista morre, o amor de sua vida "para quando retornar" tem um pesadelo naquele exato momento.
* A arma do herói é sempre diferente da dos outros, meros coadjuvantes com armas iguais. Moral: quem não é protagonista não tem criatividade.
* O general nunca tem granadas. Ele faz isso pra que, quando lhe entreguem uma, ele possa tirar o pino com os dentes. Tente isso e você vai perder os dentes, antes de poder extrair o pino.
* O veterano de guerra vai sempre se jogar numa granada atirada ao soldado mais novo. Ao invés de simplesmente se livrar da granada jogando-a longe - o que a esclerose deve o impedir de pensar.
* Ninguém vai atirar no herói e a batalha vai até parar por alguns segundos durante seu grito de "porque eleeeeeeeee???", quando seu melhor amigo for atingido por uma bala perdida, ou explodir ao pisar numa mina/granada. A batalha vai continuar assim que o herói volte à seu posto e fique com raiva. O herói sairá vitoriso da guerra 45 segundos após o momento de raiva. Podiam ter matado o amiguinho dele antes.
* Em filmes da II Guerra Mundial, há uma cena padrão onde um soldado lê um guia de viagem sobre as belezas da Itália/Alemanha/França, enquanto a câmera faz uma panorâmica em meio à destruição.
* Se a cena do guia for omitida, então um soldado vai comentar como tudo parece ser tão bonito e que ele gostaria de voltar ao local assim que tudo terminar. Ele vai morrer atingido por uma bala perdida, na cena seguinte. Lembra do aviso? A pessoa com sonhos e esperanças...
HERÓIS
* O melhor amigo do herói vai ser assassinado três dias antes da aposentadoria.
* Heróis podem ficar sem comer e dormir, sem perda das capacidades físicas e mentais por pelo menos 72 horas.
* Durante ou após uma luta, o mocinho terá sempre uma manchinha de sangue do lado direito da boca. Nada de lábios cortados ao meio, afinal a boca dele é invulnerável. O sangue deve ser limpo com as costas da mão, olhando-se logo em seguida. Um ferimento opcional é um pequeno corte na bochecha direita. Para tanto, usará um band-aid por um dia inteiro, tempo mais que suficiente para ser curado.
* Cuidado! Ao entrar numa segunda luta, a parte do corpo mais machucada será chutada primeiro.
* Quer saber sua função dramática? Olhe suas roupas. Gênios de computador e coadjuvantes inteligentes usam óculos. Heróis nunca. Por isso Woddy Allen nunca fez nada que realmente precisasse de movimento.
* Se um coadjuvante menciona a família nos primeiros dois minutos do filme, vai morrer.
IDADE MÉDIA
* Trabalhadores medievais sempre têm caras sujas e roupas rasgadas - mas os dentes são brilhantes e brancos (Robin Hood/Coração Valente).
* A princesa sempre tem uma dama de companhia (gorda e simpática), que às suas ordens, avisa bem a tempo ao herói dos planos malignos do rei malvado. Corolário do Namoro ou Amizade: a dama de companhia nunca é bonita como a princesa mas sempre arruma um caso com o parceiro do herói.
* A bruxa maligna tem poções e magias para tudo, menos para impedir que o herói enfie uma espada no seu peito.
* A carruagem que perde uma roda ou fica presa na ponta do abismo é sempre a que contém o todo o tesouro do rei, e que ele sempre leva consigo, mesmo nas florestas mais sinistras e infestadas de bandidos.
INDEPENDENCE DAY - Um tópico à parte
Uma lista de coisas que eu não sabia até assistir Independence Day:
* É razoável saber que a qualidade do treinamento do Aeronática Americana é tão boa que qualquer piloto tenha a capacidade de embarcar numa espaçonave alienígena e imediatamente estar apto a voar no espaço sideral.
* Quando estiver preso num túnel, cara a cara com o apocalipse, agaiche-se no armário de manutenção e deixe o fim do mundo passar por você.
* Stripres de primeira classe com um coração de ouro podem operar qualquer equipamento pesado.
* A maioria dos laptops estão configurados com programas poderosos o bastante para entender os sistemas de comunicação das mais sofisticadas sociedades futuristas.
* Se você for uma mulher que: 1) SOBREVIVE a uma explosão de uma espaçonave alienígena atacando Los Angeles 2) SOBREVIVE a um acidente de helicóptero 3) SOBREVIVE a ser enterrado por entulho 4) SOBREVIVE ao ser transportada por um caminhão de óleo diesel pelo pior terreno já destruído... não se interne num hospital militar com os melhores médicos e equipamenteos porque VOCÊ VAI MORRER.
* Mesmo possuindo capacidade tecnológica suficiente pra esconder códigos secretos em nossos satélites, alienígenas podem ser enganados pelo Código Morse. O mesmo que está impresso em qualquer walkie talkie de criança.
LUTAS
* Qualquer um pode desmaiar instantaneamente com uma pancada na cabeça. Mas cuidado: assim que você deixa a cena, essa pessoa vai ganhar consciência instantaneamente e ficar ainda mais determinada a atacar.
* Regra do Buraco Acme: sempre que alguem cair de um penhasco/prédio/qualquercoisa, não importa o quão ferido esteja, vai gritar. Mesmo que tenha sido metralhado ou pareça insconsciente.
LUZ
* Uma lâmpada piscando ou queimada significa que alguém se esconde na sala, pronto para atacar te atacar enquanto você procura o interruptor.
* Quando alguém acende um fósforo numa casa completamente escura, a luz gerada será equivalente à de um holofote.
* Quando as luzes se apagam, ainda será possível ver tudo, graças a um misterioso brilho azul.
LÍNGUAS
* Quando estrangeiros (especialmente latinos) aparecem nos filmes americanos, eles falam o inglês perfeitamente, mas NUNCA aprendem a falar "sir" ou "thank you"... dizem "señor" e "gracias".
MEDICINA
* O modo mais eficiente de salvar uma vítima de parada cardíaca (mais do que a massagem e aquele aparelho de choques) é gritar coisas como: "você nunca desistiu de nada na sua vida, agora lute, LUTE!!!" ou "Não faça isso comigo! Eu te amo, droga!!!"
* Hospitais norte-americanos possuem seções de "salvamento de personagens" que garante um atendimento eficiente e sem filas para o elenco de qualquer filme.
MINORIAS
* Todos os índios possuem conhecimentos místicos sobre a natureza e olham o homem branco com sentimento de piedade.
* Todo os asiáticos nascem peritos em artes marciais, e mesmo assim os mocinhos os derrotam com apenas um soco.
* Homossexuais são bonzinhos e divertidos por natureza.
* Italianos e adeptos do islamismo não podem falar numa altura inferior a 90 decibéis e devem manter os olhos arregalados mesmo durante a Missa do Galo.
MONSTROS
* Depois de escapar de um monstro, você deve pedir ajuda em um telefone público a menos de dez metros de onde o monstro te atacou. Assim fica mais fácil de ser encontrado.
MORTE
* As últimas palavras de um moribundo sofrendo em dor serão sempre coerentes e farão sentido. Mesmo entremeadas por uma tosse ocasional e espasmos de nível 1.
* Uma pessoa boa morrerá sempre na presença de amigos.
* Se uma pessoa boa morre de olhos abertos, um bom amigo os fechará e eles permanecerão assim. Se no entanto o defunto for um vilão, ninguém se preocupa em fechar seus olhos e a câmera começa um close até que se possa ler sua íris.
MULHERES
* As mulheres terão pernas e braços depilados, mesmo num filme das cavernas (E mulheres das cavernas estranhamente se parecem com a Gretchen grávida).
* Mulheres vão estar preocupadas com suas unhas e vestidos enquanto os outros tentam matá-las - muito justo quando a mulher interpreta como a Cindy Crawford ou a Kelly Key.
* As mulheres sempre ficam de olhos esbugalhados, estupefatas e boquiabertas enquanto o mocinho luta com o vilão. Nunca pensam em bater na cabeça do malvado com uma panela ou coisa parecida - e quando o fazem, acertam o herói. Portanto, nunca peça ajuda a mulher nesse momento.
* Feministas vão sempre desrespeitar um herói machão, até a primeira vez em que ele a salve da morte eminente. Ela então se tornará totalmente dependente. Uma vez que isso aconteça, o herói se torna vulnerável e conta sobre uma perda que explica sua atitude agressiva. Super Freud, cara.
* Mulheres não precisam ir ao banheiro quando acordam. Mas sempre tomam banho.
* Se uma mulher está gravida, vai parir antes que o filme acabe. A palavra é feia mas é verdade.
MULHERES: GRAVIDEZ & PARTO, um tópico à parte
* Mulher vomitando é sinônimo de gravidez.
* Todos os bebês são inesperados. Ninguém pensa que a gravidez é possível quando se transa sem camisinha e a mulher está ovulando.
* O trabalho de parto nunca dura horas e horas... os bebês saem como Big Macs num McDonalds lotado.
* Nunca houve uma cesariana.
* Os bebês nascem limpos, com cabeças não-deformadas e cabelos secos.
* Bebês de cinema nascem enormes, com o tamanho de dois meses.
MÚSICA
* Instrumentos de sopro (como saxofones e flautas) podem ser tocados sem que os dedos se movimentem.
* Guitarras não precisam de cabos para se conectar aos amplificadores.
* A microfonia só surge quando a banda está em silêncio e constrangida pelo público.
PERSEGUIÇÃO
* Primeira Lei de Pápa-léguas: em qualquer perseguição, mesmo as de carro, nenhuma outra regra vale! Nada chega na hora, nada pega ou funciona e tudo aquilo que não estava no caminho enquanto você andava calmamente vai voar pelos ares ou servir de escada.
* Quando perseguidas pelo vilão, as mulheres tiram seus sapatos de salto alto. Mesmo assim, sempre tropeçam, mesmo num terreno plano e sem obstáculos. Corolário da Gentileza Urbana: correndo em dupla com um homem, o bom moço sempre tem tempo de dar uma ajudinha à dama.
PESADELOS
* Qualquer um que acorde de um pesadelo vai saltar da cama ("boing!). E ao invés de simplesmente se deitar calmamente, vai esbugalhar os olhos e gritar "aiêêêêÊÊÊ!!!". Como qualquer um de nós faz.
PROVAS
* Esteja certo de deixar suas fitas importantes, como aquela etiquetada "Provas incriminatórias contra o Senador Smith" ou seu disquete "Todos os códigos nucleares estão aqui" em lugar onde podem ser facilmente encontrados.
* Todo personagem possui guardadas recordações de momentos dramáticos em suas vidas. Um bom herói tem a particular paciência de recortar manchetes de jornal lembrando que sua família toda morreu por sua causa ao invés de ir chorar no velório.
POLÍCIA
* Capitães estão sempre nervosos com o melhor detetive e ficam ameaçando-o de suspendê-lo se ele não sair do caso. Corolário Tira da Pesada: somente APÓS a suspensão é que o policial tem condições de solucionar o caso.
* Todos os chefes de polícia estão em contato com o prefeito da cidade, que vai "arrancar as bolas dele" se não solucionarem "o" caso - e não os outros milhares que ocorrem na cidade.
* A polícia nunca questiona se as dezenas de corpos fuzilados pelo herói são realmente de bandidos e se esse derramamento de sangue foi necessário.
* Os tiras nunca aparecem durante tiroteios épicos em plena luz do dia. Só depois do massacre é que se ouve as sirenes se aproximando.
* Mais assassinatos ocorrem durante a investigação do primeiro. O último suspeito vivo é o assassino.
* A maioria dos detetives são alcoólatras, malucos, mal-educados, divorciados ou viúvos. É claro que existem detetives mais respeitáveis, mas eles são todos incompetentes e covardes.
PRISÃO
* A prisão deve ter um guarda cruel e um esquema diabólico para encher o saco dos presos.
* Sempre há um líder entre os detentos. Ele deve ser negro, cego e/ou aleijado, cercado de capangas musculosos, e é com ele que o herói branco deve conversar para conseguir o que precisa.
* Durante as visitas, o preso e a mocinha devem tentar tocar suas as mãos através daquele vidro que os separa, criando um momento romântico.
* O herói sempre vai para a ala dos piores e mais violentos maníacos, mas nunca é estuprado. Pior: bate no valentão, adquirindo o respeito de todos.
RADIO, TV & VIDEO
* Regra da CBN: O rádio é sempre ligado na hora de uma notícia importante, e somente aí. Ex.: "o esquartejador de universitárias fugiu hoje à tarde e deve estar indo para a universidade...(que esquartejador inteligente)" . Corolário de Bloomberg: O telefone toca. A pessoa do outro lado diz "olha o que tá passando no canal 10". O outro põe no 10 pega a notícia desde o início.
* Primeira Lei do VHS: As fitas de vídeo estão sempre no ponto certo, ou então é adiantada ou rebobinada exatamente para o momento que se quer ver. Segunda Lei do VHS: A pausa e a câmera lenta são infalíveis
* Quando alguém vê o vídeo da câmera de segurança tirada da cena anterior, a cena é MUITO semelhante à vida real, sem o ângulo da câmera no teto, e sim como se ela estivesse na frente do criminoso. O áudio é sempre cristalino, sem ruídos de fundo, como se microfones de lapela fossem distribuídos nas entradas de supermercados prestes a serem assaltados.
* Onde fica a câmera que filma os Power Rangers e o pessoal de Jornada nas Estrelas?
SEXO
* Os lençóis, em Hollywood, tem o exclusivo formato L. Isso significa que cobre os seios femininos mas deixa o peito másculo dos heróis à mostra.
* Ninguém usa ao menos um lenço depois do sexo.
* Se você é uma mulher num filme e acabou de ter uma sessão louca e estafante de sexo selvagem, faça questão de puxar o lençol até seu pescoço. Assim como na vida real.
* Não se assuste: em Hollywood, dá pra fazer sexo de cueca e calcinha. Mas se houver cena de nú, tais itens serão vestidos IMEDIATAMENTE após o ato.
* Dois estranhos completos, depois de cairem na cama, alcançarão um incrível, mútuo, intenso e simultâneo orgasmo. E na primeira tentativa, afinal, em Hollywood não se faz sexo duas vezes, mesmo com tal afinidade. Então, aproveite a oportunidade. Ninguém é perfeito...
SUSPENSE
* Num momento estranho de suspense, quando lhe entregarem uma arma, "no caso de alguma coisa acontecer..." NUNCA PERGUNTE: "Mas o que pode acontecer?" Esta dúvida lhe matará em 1 ou 2 minutos depois.
SECRETÁRIA ELETRÔNICA
* Não tenha pressa. Se há uma mensagem importante e inesperada, os outros recados são curtos, um de um homem, outro de uma mulher. "Here's Will! I see you tomorrow".... beep ... "This is Scheila! I'll call again later." ... (normalmente nem legendam essas duas).... e finalmente "AHHHH!!! Sou eu, rápido, não deixe que eles descubram que você está vivo! Pegue tudo na gaveta e fuja". Mas agora é tarde demais. Quando você abrir a porta, dará de cara com os bandidos.
TÁXI
* Ao entrar num táxi, não se preocupe em pagar. A mesma coisa acontece em restaurantes.
* Num filme, você sempre pega um táxi instantaneamente. A não ser que você esteja em perigo, quando não encontrará táxi de jeito nenhum.
TELEFONES
* Todos os números de telefone começam com 555. Segunda Regra da Facilidade Telefônica: Se a Xuxa morasse em Nova York seu telefone seria 555-XUXA.
* Quando você for falar ao telefone, não diga quem você é nem "tchau" no final da conversa. As pessoas em Hollywood são muito ocupadas pra esses detalhes.
* Em Hollywood ninguém tem agenda. Todos sabem os telefones de cor! Postulado do Guiatel: Todo mundo arranca páginas de catálogos, mas a página que você precisa está sempre lá. Arranque.
* Quando uma linha telefônica for destruída ou alguém desligar na sua cara, tente bater repetidas vezes no gancho e gritar "Alô!? Alô!?". Deve funcionar, já que eles sempre tentam isso.
* Quando o telefone lhe acordar, fique passando a mão no ar como se não soubesse onde ele está. Se você estiver esperando uma ligação, esteja certo de que o lençol cubra todo o seu rosto, assim, apalpar a esmo ficará mais fácil. Treine bastante, porque todas as casas têm telefone ao lado da cama.
* Se o herói tem que ligar pra alguém urgentemente, bastam três toques pra saber que a pessoa não está.
* Alguém ligando pra uma grande companhia pergunta: "Alô, Coca Cola?" Como se numa grande empresa as secretárias atendessem dizendo: "Alô, você sabe pra onde ligou?".
O Vórtex Temporal dos Telefones nos Filmes - Um Tópico à Parte
Quantas vezes isso já lhe aconteceu?
* O telefone toca. O herói/mocinha atende. "Alô. Sim. OK, certo. Obrigado, tchau." (Tempo total da conversa: 5 segundos)
Em seguida, o herói ou mocinha se vira para o coadjuvante: "Era o Mello. Ele disse que Christina foi para o escritório há mais ou menos uma hora, e que ela deve estar chegando lá agora. Ele ligou pra lá mas ela não está. Ele também ligou pro George e ele não a viu. Ele disse que ia ligar para Sabrina, já que Cristina disse que ela e Sabrina estavam indo fazer compras qualquer hora hoje. Se ele não estiver com ela, ele ia chamar a polícia. E melhor irmos pra lá, rápido"
* E as variações do mesmo estilo de papo, onde só se ouve um lado da conversa? O mocinho, ao telefone, para seu coadjuvante: Marilyn não apareceu no escritório ainda? (Pausa) E você já ligou pro Melo? (Pausa) O que ele disse? (Pausa) Ah, ele não a viu também (Pausa) Então, Jonh está ficando nervoso. (Pausa) Ele está indo chamar a polícia...
Então se não estou errado, o lado que estamos ouvindo simplesmente ficou repetindo o que o outro dizia. Que idiota.
VIAGENS
* Que bom que as companhias aéreas nunca fazem overbook!
* Numa emergência, qualquer um pode se agarrar a um helicóptero que decola.
VILÕES
* O vilão tem sempre um capanga muscoloso com alguma habilidade especial. Você deve derrotá-lo utilizando-se de seu próprio método, ou então ele não está morto. Para se certificar, NINGUÉM está morto a não ser que a morte tenha sido espetacular. Cuidado com sequências.
* Não importa quão morto você acredita ter matado um vilão: ele pode se levantar até 3 vezes. Certifique-se de sempre deixar uma arma do lado do vilão desmaiado e virar-se de costas para confortar a garota.
* Quando um vilão parece morto - NÃO ESTÁ. Mas não se preocupe! O herói sempre pode ver quando ele está vindo - mesmo estando de costas. E mesmo não o vendo, ao ser surpreendido pela morte eminente, a mocinha ou o coadjuvante cômico irão acabar com a raça do malvado.
* O vilão sempre mata seu capanga por "ter sido incompetente". Mesmo assim, os capangas nunca acabam.
* Você poderá matar o vilão se utilizando de qualquer objeto que a câmera tenha mostrado por um tempo demasiadamente desnecessário. Você estará envolvido numa briga fenomenal, e na hora apropriada, ou quando a inspiração baixar - o que acontece quando o vilão xinga sua mãe, lembra o seu triste passado ("e aquelas crianças orfãs paralíticas que morreram por sua causa, Jonh?") ou quando o mocinho recebe um olhar apaixonado de seu amor. Assim, com força suficiente, jogue o vilão no/encima/por/em frente ao objeto maquiavélico da dor. O Manual do Ator (vendido separadamente) requere que, em quinze segundos, à equerda ou à direita do vilão padecendo, o mocinho diga sua frase marcante. "Quem é o assassino de criancinhas orfás paralíticas agora?"
* Mesmo considerando a pressa do mundo maluco de hoje, o vilão irá pausar por 5 minutos quando capturar o herói e contá-lo como planeja dominar o mundo (incluindo datas e endereços) enquanto coloca-o em uma máquina da morte lenta e dolorosa que não funciona.
* O vilão - sempre ele - finalmente tendo o mocinho em suas garras, a ponto certo de matá-lo sem piedade, irá gastar alguns minutos de megalomania cantando sua glória e desmerecendo o herói. Esse tempo é o suficiente para que o mocinho possa saber de um jeito de acabar com raça gorda dele!
* Você sempre poderá dizer com qual nação os EUA não estavam muito contentes na época da realização um filme. São esses países que enviam seus vilões do mal para estrelar em Hollywood de tempos em tempos (alemães nos anos 40 e 50, Asiáticos nos anos 60, Russos nos anos 70, e gente do oriente médio nos anos 90)
Não se esqueça: as regras existem para ser quebradas pelos filmes trash.
Este Manual do Clichê é parte integrante de BrunoMotta.com.br. Visite, divirta-se e divulgue para os amigos!
por LÍVIA LAMBLET * 12:42 PM
Manual do Clichê
Já percebeu que todos os heróis, mocinhas, bandidos e as próprias circunstâncias do acaso agem sempre da mesma forma em Hollywood?
Para facilitar sua vida, listamos o que você DEVE e NÃO deve fazer quando estiver estrelando seu próprio filme. Atenção: O Manual do Figurante é vendido separadamente.
AS QUINZE REGRAS MAIS IMPORTANTES
Antes de mais nada... aprenda o básico do básico.
1. Explosões sempre acontecem em câmera lenta. Quando alguma coisa explodir, esteja certo de estar correndo do ponto de detonação, de modo que a explosão possa o mandar voando, em câmera lenta, em frente à câmera. (Ver BOMBAS)
2. O vilão é o estrangeiro. Corolário de Dona Armênia: O estrangeiro é aquele que fala inglês com sotaque Inglês. Londrino. (Ver VILÕES)
3. Pelo menos um de um par de gêmeos nasce diabólico. (Ver BIOLOGIA E GENÉTICA)
4. Pedestres em Hollywood tem os melhores reflexos do mundo, então não se preocupe se tiver que diriger eventualmente numa calçada. Embora o senhor Takeshi sempre tenha seu carrinho de frutas destruído, está acostumado a sair da frente no momento exato para sobreviver até o próximo acidente. (Ver CARROS E DIREÇÃO)
5. Reserve um tempinho extra ao ser perseguidos por bandidos, afinal, o carro nunca, NUNCA pega de primeira nessas ocasiões. (Ver CARROS E DIREÇÃO)
6. Proteja seus olhos! Ao abrir um arquivo gráfico, a imagem é tão brilhante que vai se projetar em seu rosto. (Ver COMPUTADORES E BUGIGANGAS)
7. Não faça muitos planos quando em perigo. Em situações como guerra ou grandes acidentes a pessoa com mais planos, sonhos e esperanças morre primeiro. (Ver MORTE)
8. Cicatrizes no rosto deixas as pessoas malucas e com sede de vingança. (Ver FERIMENTOS)
9. Se os produtores não acharam companhias para investir no filme, coisas estranhas acontem a seu mundo: postos de gasolina não tem marca, estrelas utilizam companhiras aéras sem nome, todos os fumantes usam caixinhas de metal para seus cigarros e bebem Star! Cola. (Não há um tópico específico sobre isso... mas veja HERÓIS que é muito bom)
10. Atenda o telefone tocando em 3 segundos, como você faz em casa. (Ver TELEFONES)
11. Você pode comer tanto quanto quiser num filme e nunca NUNCA vai precisar ir ao banheiro. (Ver FUNÇÕES CORPORAIS)
12. Em toda investigação policial será preciso ir pelo menos uma vez a uma boate de strip tease. (Também não escrevemos sobre isso... mas eu recomendo DUELOS que tá muito engraçado)
13. Se você quiser se passar por um oficial alemão, não precisa falar o idioma. Bastará um sotaque puxando o errrrrrre. (Ver LÍNGUA)
14. Numa casa mal assombrada, mulheres só devem investigar ruídos estando seminuas. (Ver MULHERES)
15. REGRA FINAL: Depois da perseguição a pé e de carros, das lutas com os capangas, dos salvamentos da mocinha à beira da morte, da demorada e desgastante batalha final com o vilão, logo após a explosão final do QG do mal, com as roupas rotas e rasgadas, você TEM que fazer uma piadinha. Diga para a mocinha: "Você não vai a festa com essa roupa, vai?" Uma risada e um longo beijo são infalíveis.
ALIENS
* Não se preocupe em aprender "marciano". Aliens geralmente falam o legitímo e intergalático "inglês".
* É fácil se disfarçar de alienígena! Afinal, todos os membros de uma espécie estraterrestre usam as mesmas roupas, estilo de cabelo (ou pele num lugar próximo a uma provável cabeça) e bijuterias. É como se assistissem a um "Mais Você" espacial e obedecessem a uma ditadura da moda. Isto o torna mais fáceis de serem identificados - aliens que não se vestem como aliens estão escondendo alguma coisa...
AMBIENTE
* Trovões e relâmpagos sempre ocorrem ao mesmo tempo!
* Tempestades começam como Nescafé: é instantâneo. Um relâpago, um trovão e a chuva cai copiosamente.
* Não, você não ficou daltônico. Em Hollywoord, tudo é azul de noite!
* A lua sempre aparece de noite. Corolário do Super Mouse: a lua cheia pode ocorrer várias noites seguidas.
ANIMAIS
* Reptéis mortais vão atacar sempre uma mulher primeiro - mesmo que ela esteja na presença de trinta homens. A cobra sabe onde picar...
* Ouça seu cão - eles sempre sabem quem é vilão, latindo para eles. Com exceção de Benji, todo cão devia ser o herói do filme.
ARMAS
* Uma caixa de cigarro ou um isqueiro sempre vai livrar alguém da morte.
* Quando de encontro a dezenas de oponentes armados, e parecer sem saída alguma, o herói será baleado aos montes e cair aparentemente morto ao chão. Mas reaparecerá miraculasomente vivo devido a um colete a prova de balas ou mesmo uma bandeja de aço protejendo seu dorso. Ninguém vai atirar em sua cabeça - onde nunca dá pra estar protegido. Depois disso, ao invés de aprender com sua sorte extrema e esperar que seus oponentes estejam tão estupefatos a ponto de estarem paralisados, vai atirar a proteção longe, confiante de que a mesma situação não se repetirá em seu filme.
* Os personagens usam silenciadores em suas armas. E funciona.
* Balas atiradas a um veículo vão levar o tanque de gasolina a explodir.
* Balas atiradas no pára-brisas nunca ricocheteam, sempre acertando o vilão na testa. Se for um dos mocinhos, bastará uma rapida agachadinha para se livrar do tiro.
* Tiros num faroeste que não acertam o personagem ricocheteam fazendo muito barulho.
* Num duelo surpresa numa rua qualquer, um dos personagens é sempre atingido pelo primeiro tiro disparado. E só por esse.
* Não se esqueça: fotos de pessoas amadas em medalhas, amuletos religiosas, bíblias e moedas podem parar balas melhor do que um colete fabricado especialmente para isso.
ASTERÓIDES
* Asteróides viajam pelo espaço fazendo barulho.
* Estão sempre presos numa órbita deveras agradável. Mas quando chega um cometa, eles quicam e se tornam PERIGOSAMENTE INSTÁVEIS!
* Qualquer asteróide que perca sua órbita (em todo o sistema solar) vai escolher justamente a a Terra para se chocar em questão de horas.
* Sempre dá pra evacuar Nova York em 48 horas - isto requer muitos aviões e helicópteros. Mas numa cena próxima da colisão aqueles que ainda ficaram vão gritar em pânico nas ruas da cidade ao acaso.
* Engraçado é que nunca sobra um cãozinho pra ser resgatado no último momento. Provavelmente cães só gostam de aprontar com tornados, vulcões e fugas de avião.
BANHEIROS
* Você pode entrar em qualquer banheiro sem pestanejar, pois nunca falta papel nem sabonete, mesmo nos banheiros de estrada, infestados de bactérias e fungos. A não ser que você esteja numa comédia.
* Banheiros são mais utilizados como meio de fuga do que como um lugar para urinar.
* Flashbacks reveladores e incursões no subconsciente do personagem costumam ocorrer enquanto ele lava o rosto e olha o espelho.
BARES E BEBIDAS
* Se você for o herói, ao entrar no bar peça uma bebida forte e engula como chá de camomila. Quando pedir algo mais fraco, apele para o leite. Hora dos comentários sarcásticos por parte de gente feia e aí, meu filho, é batata. Começa uma briga.
* Pedindo wiskie, receberá a dose num copo pequeno. Beba de uma vez. Um iniciante tem falta de ar e tosse. Um machão inspira brevemente e mostra os dentões num sorriso Colgate. Escolha.
* Um copo de café forte e/ou água gelada na cara é tudo o que é necessário para trazer um pé de cana de volta à sobriedade.
BINÓCULOS e ÓCULOS
* Sempre que alguém olha por um binóculo, a platéia vê dois círculos que se tocam, ao invés de um. Vai ver quem faz cinema nunca olhou um binóculo de verdade.
* Óculos nunca ficam embaçados quando alguem vem do frio lá fora.
* Preste atenção! Um vilão eventualmente cometerá um crime em frente a uma janela onde alguém olha de binóculo. Bem, ninguém é perfeito.
BIOLOGIA E GENÉTICA
* As pessoas são sempre cópias idênticas de seus antepassados remotos ou de seus pais, na mesma idade.
* Radiação nunca causa mutação a suas gerações futuras. Quem sofre é você, na hora, como num fast food mutante. Embora nunca fatal, primeiro você se torna uma bolha sem forma ou uma criatura com feições animalescas. Ou uma tartaruga mascarada com sabedoria ninja.
BOMBAS
* Bombas geralmente tem visores grandes, brilhantes e barulhentos. Gênios do mau que criam bombas para explodir coisas e/ou pessoas sempre são espertos o bastante para incluir um display que mostre quanto tempo falta para que detone, dando ao herói um retorno exato de quando tempo ainda há.
* Quando você corta um fio, o tempo pára. Mas não se engane... ele logo começa a andar mais rápido! Resta que você se desespere e algumas gotas de suor lhe caiam, close em seus olhos e bingo! Conclusão: você nunca estará apto a cortar o fio certo até o último segundo.
* O vilão nunca é genial nem econômico o bastante para comprar todos os fios de uma cor. Os fios são de cores diferentes, facilitando para o herói quando ele sabe qual deve ser cortado. Você nunca ouvirá num filme a pergunta "Hmmm... o verde ou o verde?" Quando auxiliado por um coadjuvante, aí sim: "mas qual fio vermelho"?
* Bombas dentro de microondas sempre explodem dois segundos depois que o visor marca zero, tempo suficiente para que soe a sineta e haja um corte rápído para o mesmo micrroondas, em plano mais aberto, explodindo.
CARROS & DIREÇÃO
* Não se preocupe: personagens de filme dirigindo na cidade vão achar uma vaga em qualquer lugar quando chegarem ao seu destino. Que sorte!
* Quem dirige conversa e olha para o passageiro a viagem inteira, sem se preocupar com olhar para a estrada, passar a marcha ou sinalizar o que faz.
* Se estiver numa perseguição, haja o que houver ela não vai acabar tão cedo. Afnial, acidentes durante uma perseguição nunca são suficientes para parar os carros durante o percurso.
* Cuidado: pessoas perseguidas pelos carros vão continuar correndo tresloucadas pelo meio da rua ao invés de se esconder em algum lugar seguro, digamos, em que o carro não possa ir. Que gente burra! Não os culpe: figurante é assim mesmo.
* Um carro sempre vai explodir quando atirarem nele. A não ser que o herói esteja dirigindo. Aí cabe a ele sair correndo ao sentir o cheiro de gasolina... e ser lançado pela explosão de frente à camera. Nós já não falamos sobre isso?
* Os carros sempre param na beira de um abismo com duas rodas soltas no ar. Os mocinhos são salvos no exato momento em que o carro cai, mas os vilões acompanham o carro em sua queda dramática, geralmente causada por um passarinho pousando na ponta do capô. Tal raça é conhecido como "Pintassilgo Sádico"
* Quando um carro em alta velocidade encontra um outro, estacionado, decola capotando em seguida. O carro estacionado nem se move.
* Não se preocupe quando se envolver em um acidente de carro. Personagens de filmes nunca se sentam para se recuperar, pois não ficam incoerentes com a pancada.
* Não existem placas de "Pare" na terra dos filmes. Onde quer que você vá dirigindo, não importa o quão longe, você nunca pára antes de chegar lá.
* Ninguém nunca fica sem gasolina, nem mesmo nas perseguições longas! Postulado de Petrobás: mesmo um carro roubado tem um tanque cheio.
* Você já viu alguém procurando as chaves antes de uma perseguição? Não precisa! Elas estão sempre na ignição. Por isso não existem filmes com perseguição no Brasil!
CASAS
* Ninguém atende a porta ao primeiro toque da campainha.
* O herói mora em Nova York e tem um emprego "OK", um salário razoável. Mesmo assim, mora num grande apartamento com um monte de coisas legais, geralmente com uma linda vista e uma romântica varanda. Ou um daqueles tetos de préido bonitos que só existem na Nova Iorque do cinema.
* As pessoas nunca saem de casa quando há um perigo óbvio como assassinos ou fantasmas.
* Ouvindo um barulho estranho fora de casa, a pessoa sai para averiguar. Sempre. Mesmo sabendo que há um assassino maníaco psicopata do inferno na vizinhança.
* Todo apartamento em Paris tem vista para a Torre Eiffel.
CRIANÇAS/ADOLESCENTES
* Uma criança sempre sabe mais que um adulto
* Uma criança pode sobreviver normalmente, mesmo se seus pais forem para a Europa, deixando-o sem comida, dinheiro e instruções de como fazer compras.
* Crianças não morrem... mesmo se forem eletrocutadas em cercas elétricas feitas para matar dinossauros.
* Garotos de 8 a 10 anos de idade são dos melhores hackers do mundo, se usarem óculos.
* As garotas que nunca conseguem pares para a formatura devido à sua feiúra (feiúra = óculos e/ou cabelo preso), na vida real, seriam assediadas incessantemente. Corolário de Betty: uma roupinha mais justa não faz mal a ninguém.
COMIDA E GULOSEIMAS
* Perceba que os doces estão sempre em caixas cor de rosa. Quando avistar uma, espere encontrar um bolo ou rosquinhas.
* Toda mãe de filme prepara um gostoso café da manha, com ovos, bacon, torradas e tudo mais. A família, porém, passa sempre correndo pela mesa - com tempo apenas para tomar um gole de café ou de suco. Deve sobrar muita comida em Hollywood!
COMPRAS
* Toda sacola de compras tem uma baguete de pão.
COMPUTADORES E BUGIGANGAS
* Deve ser muito difícil ler algo digitado num filme. Ninguém usa a barra de espaços!
* Em compensação, personagens de filmes nunca cometem erros de digitação. Afinal, já bastam as faltas de espaço.
* Computadores de alta tecnologia, como os da NASA, CIA ou de alguma instituição do governo, vão ter sempre uma interface gráfica simples e fácil de entender. Postulado de Agente 86: você tem acesso a qualquer informação simplesmente digitando "Acessar os Arquivos Secretos".
* Da mesma forma, é bem fácil colocar um vírus diabólico digitando "UPLOAD VIRUS".
* Regra de Explode Coração: os computadores estão sempre conectados. Segunda Lei de Dara: modens em filmes parecem transmitir a uma velocidade de dois gigabytes por segundo.
* Quando uma usina de força/base nuclear/coisa parecida superaquece, os controles e painéis explodem, assim como o prédio inteiro.
* Regra Sonho de Gates: Não existem sistemas diferentes na Filmolâdia. Qualquer disquete é lido em qualquer computador e exatamente o programa que você precisa é o que abre o que tem que ser aberto.
* Quanto mais evoluído o sistema, mais botões ele tem! No espaço, as coisas não tem etiqueta. Tente adivinhar o que cada botão faz!
CONVERSA
* Duas pessoas conseguem conversar normalmente de costas uma para outra. Porém, durante o "momento dramático", o dono da frase eleva sutilmente o rosto enquanto o ouvinte se vira para observá-la.
CORDAS
* Quando você for amarrado num filme, poderá se livrar utilizando-se de um objeto conveniente. Primeira Lei de Coperfield: SEMPRE tem um objeto conveniente à mão.
DINHEIRO
* Maletas de gângsters sempre contêm armas ou notas. Somente notas! Ninguém pega moedas num assalto.
* O dinheiro tem a propriedade de se auto-organizar em fileiras e maços dentro das pastas, mesmo se ele tiver sido jogado lá dentro por um caixa de banco aterrorizado.
* Motoristas de táxi não sabem o que é o troco (figurante não sabe somar). Pague com o dinheiro que há em seu bolso e acredite que será o suficiente.
DUELOS
* Num ponto qualquer do duelo, o herói e vilão cruzam suas espadas ao nível do rosto, possibilitando comentários sarcásticos por ambos antes que continuem a luta. Seria um bom momento de matar o outro, senão estivessem ocupados com piadinhas infames.
* Num duelo, o herói pula numa mesa/piano/tantofaz. É hora do vilão tentar acertar as pernas do mocinho, que pula no ar desviando do ataque. Raramente as posições são invertidas.
* Sempre há a cena das sombras lutando.
* Se o vilão acerta o braço com a espada do herói...
1 - Ele se torna ambidestro e passa a lutar com a outra mão
2 - A mocinha ou o coajduvante empalam o vilão por trás, acabando com a raça do malvado! Pela primeira de algumas vezes, é claro.
* Se o herói é desarmado pelo vilão...
1. - O malvado mostra um traço de honra permitindo que o mocinho tenha sua espada de volta.
2. - O herói escorrega por debaixo do vilão, alcançando a arma.
3. - Quando parece que não há jeito, a mocinha ou o coadjuvante jogam a espada para o galã, que consegue manuseá-la instantaneamente.
ELEVADORES
* Os elevadores estão sempre prontos no térreo ou chegam no exato momento em que a conversar termina. A não ser quando você está sendo perseguido! Aí vale a Regra do Personal Trainer: vá pelas escadas. Corolário de Paulo Cintura: sempre dá pra alcançar quem pegou o elevador primeiro indo pelas escadas.
* Numa perseguição, aquele que chega ao elevador - assim que ele se fecha com o perseguido sorrindo - nunca tem inteligência suficiente para esticar mão, para que a porta se abra automaticamente, ou apertar o botão para que o elevador não se vá.
ESPAÇONAVES
* Seu carro pode não fazer. Mas espaçonaves ultra modernas fazem o maior barulho!
* Espaçonaves sempre voam no mesmo ângulo. Ou seja: quando duas naves se encontram, estão sempre alinhadas no mesmo plano, de frente uma para outra, e não formando um ângulo maluco qualquer. Tente se lembrar de um filme onde duas espaçonaves se encontram formando um "V" ou um "L".
* Toda espaçonave, mesmo aquelas pequenininhas, tem gravidade artificial. Não importa o tamanho da pane... a gravidade está sempre funcionando.
* Prepare-se: a super-velocidade ou a direção automática vai falhar em momentos cruciais.
* Campos de força inerciais vão sempre impedir que os passageiros sejam atirados contras as paredes durante uma arrancada de super velocidade. Mesmo assim, as explosões mandam as pessoas direto pro outro lado da sala.
ESPORTES
* Em qualquer tipo de filme esportivo, um jogador no campo pode olhar na multidão de um milhão de pessoas e encontrar o amor da sua vida.
ESCOLA
* Se você é um estudante de faculdade, vai ter sempre um armário à seu nível de altura. Só o elenco de apoio se agacha em filmes. Postuldo da Cenografia Idêntica: Todos os armários terão posters da Britney Spears e do N'Sync.
* Em todas as escolas, o professor vai ser interrompido no meio de uma frase pelo sinal de final da aula.
FACAS
* Quando se joga uma faca, a lâmina sempre acerta o alvo (imagine um filme onde o cabo da faca acerta a testa da vítima).
FERIMENTOS
* Pessoas atingidas na cabeça não vomitam.
* Os sangramentos no nariz do herói sempre param imediatamente
* Uma leve pancada na cabeça é suficiente para causar amnésia.
* Pessoas que levam tiros nunca entram em estado de choque.
* O herói sempre leva um tiro no ombro ou na coxa, mas é capaz de usar seu braço normalmente e de correr como uma gazela.
* Se você perde a mão, seu pulso cresce 10 centímetros. Segunda lei da Carne Viva: Uma mão amputada costuma voltar andando ou algum cirurgião maluco a substituirá pela de um estrangulador executado. Corolário de Reanimator: mortos-vivos sem cabeça têm o tronco bastante comprido.
* Alguém à beira da morte tem tempo de sobra para dizer todo o tipo de coisas inúteis (como "quero que você cuide de Jennifer e das crianças"), mas nunca quando vai revelar informações importantes, como o nome do assassino ou a localização dos diamantes. "Tome cuidado com o senhor.... Agghhhhhhh!..."
* Uma pessoa atingida por um tiro morre sempre na hora. O corpo nunca fica sofrendo espasmos e babando, com os músculos se contraindo involuntariamente enquanto o cérebro sofre uma morte lenta pela falta de sangue e oxigênio (como os mortos normais fazem). Vê lá o Keanu Reeves, o Tom Cruise ou o Brad Pitt fazendo Anbahjjgmmffr...rjr.rhhhhhmmm... com a língua pra fora. Não rola.
FECHADURAS
* Toda fechadura pode ser aberta por um cartão de crédito ou por um clipe de papel.
* Os cofres dos maiores bancos do mundo são vulnerávais a qualquer gatuno com um estetoscópio.
FUMANTES
* Só se fuma com uma razão dramática ou romântica. Nenhuma outra hora um fumante tem necessidade de cigarros.
FUNÇÕES CORPORAIS
* Ninguem tosse, espirra ou se assoa. Todos estão sempre em perfeito estado de saúde e tem a educação de nunca enfiar o dedo no nariz.
* Uma exceção a regra é tossir quando se está morrendo. Não se engane com as aparências. Tossir quando se está deitado é sintoma de problema fatal e morte eminente.
(continua)
por LÍVIA LAMBLET * 12:42 PM
[Domingo, Dezembro 26]
Falhas:
Sonho de Liberdade, Um
- Quando Andy está no banco, pode ser visto, no fundo, um homem de chapéu e camisa branca que se dirige ao caixa. Quando Andy se levanta para ir embora, o homem está atrás de onde estava inicialmente.
- Depois da fuga, o cartaz que cobre o buraco está completamente esticado, o que seria impossível de se fazer após grudá-lo por trás.
- Quando o diretor do presídio oferece cigarros a Tommy, o pacote mostra a marca Malboro Miles, que não existia na década de 60.
- Quando Andy coloca ópera nos alto-falantes, a câmera mostra vários lugares dentro da prisão. Na enfermaria, podemos ver um homem negro levantando-se da cama e olhando pela janela. Ao mostrar o pátio da instituição, a câmera enquadra o mesmo homem novamente, agora do lado de fora.
- Quando a fuga é descoberta, o diretor do presídeio aponta para Morgan Freeman com a mão esquerda, indicando-o aos guardas. Assim que o ângulo da cena muda, a mão que aponta é a direita.
- Sempre que mostrados no pátio, os prisioneiros estão com as mãos nos bolsos, mas os uniformes da época não tinham bolsos. A própria história original faz referência a esse fato.
- Quando Brooks ameaça Heywood com a faca em seu pescoço, pode-se ver sangue na primeira tomada, não nas seguintes.
- Quando Norton carrega sua arma, as balas estão espalhadas em sua mesa. Ao se preparar para o tiro, elas estão reunidas em um só local. Após o tiro, a munição volta a ficar espalhada.
- Depois que Hadley invade a sala onde Andy colocou Mozart para tocar, a música termina, mas a agulha da vitrola ainda está na primeira faixa.
- Já no fim, quando as rádio-patrulhas vão atrás de Norton, pode-se ouvir sirenes eletrônicas. Este equipamento só passou a ser usado pela polícia no fim da década de 70.
- Depois que Andy quebra o cano de esgoto, a água que corria por lá jorra para fora. Pouco depois, ao iluminar o mesmo cano com sua lanterna, Andy vê tudo seco.
- Após a fuga, Andy usa a roupa e os sapatos do diretor, que lhe caem perfeitamente. Isso não aconteceria, já que ele é bem mais alto que Norton.
por LÍVIA LAMBLET * 10:30 AM
Poeminha do Contra
Mário Quintana
Todos esses que aí estão
atravancando meu caminho,
eles passarão...
eu passarinho
por LÍVIA LAMBLET * 10:24 AM
[Sábado, Dezembro 25]
MOTIVO
Cecília Meireles
Eu canto porque o instante existe
E a minha vida está completa
Não sou alegre nem sou triste
Sou poeta.
Irmão das coisas fugidias
Não sinto gozo nem tormento
Atravesso noites e dias
No vento.
Se desmorono ou se edifico
Se permaneço ou me desfaço
Não sei,não sei
Não sei se fico ou passo.
Sei que canto, e a canção é tudo
Tem sangue eterno a asa ritmada
E um dia sei que estarei mudo
Mais nada.
por LÍVIA LAMBLET * 10:15 PM
CÂNTICO VI
Cecília Meireles
Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
por LÍVIA LAMBLET * 10:14 PM
Memória
Carlos Drumond de Andrade
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.
por LÍVIA LAMBLET * 10:11 PM
As sem razões do amor
Carlos Drummond de Andrade
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
por LÍVIA LAMBLET * 10:10 PM