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Meu humor atual - i*Eu!


Nome: Lívia
Idade: 21
ICQ: 275459195, mas nunca uso.
MSN:livialamblet@hotmail.com
Gosto: namorar, conversar com os amigos, ficar na net, cantar, ler, dormir,ir a barzinho, ir à praia, desenhar, ir ao teatro, assistir DVD (na casa de Ricardo, porque eu sou pobre...ainda tenho vídeo).
Não gosto: Gente lerda, telemarketing, pagode, funk, música sertaneja, fanáticos religiosos, gente falsa, mentira, leite, acordar cedo, televisão brasileira, burrice,filme americano, rádio FM, peixe assado, batata doce, batata baroa(mandioquinha), flanelinha, intelectualóides.
Sobre mim: Sou uma pessoa amiga, sincera, honesta, confusa, indecisa, atrapalhada, carente, inteligente, criativa, impaciente.
Amor: Ricardo, fazemos 6 anos de namoro agora dia 18 de maio!!
Religião: Espírita
Posição Política: Admiro muito o pensamento anarquista
Comida: Massas, salpicão, strogonoff, doces, saladas.
Desenho: Garfield, Sakura, Love Hina, Hei Arnold!, Snoopy, Taz, Donald, Ginger.
TV: Friends (acabou...), Gilmore Girls, Coupling...
Vício: Estalar o pescoço, os dedos, a coluna...cafeína, Orkut
Música: Índios, Tears in Heaven, João e Maria, Valsinha, Waiting for You, Imagine, Smile (Charles Chaplin) e eletrônica em geral.
Mora: Niterói/RJ
Noite ou dia: Depende, mas mais noite
Frio ou calor: Frio
Data de Nascimento: 26/03/1984
Piercing: Um, no nariz
Óculos: 0,5 graus de hipermetropia, mas meu pai perdeu meu óculos...
Time: Botafogo
Cor: Azul
Feriado: Natal
Estação do Ano: Outono
Esporte: GRD, Vôlei
Frase: "Fora da caridade não há salvação", "O Essencial é invisível para os olhos"
Filme: "Sim, Mas...", Os Deuses Devem Estar Loucos 2, Um Sonho de Liberdade, Senhor dos Anéis, Dogville, Fahrenheit 11/09.
Década: De 80
Acredita em Almas Gêmeas? Sim, eu encontrei a minha.
Bebida: Café, suco, vinho, água, batida
Flor: Orquídeas brancas
Viagem:Rio Grande do Sul
Livro: Há Dois Mil Anos..., A Moreninha, O Pequeno Príncipe, Fernão Capelo Gaivota, A Revolução dos Bichos, Meu Pé de Laranja Lima, A República
Peça de Teatro: Arlequim, Servidor de Dois Patrões, Boom!
Lembrança da infância: Ursinhos Carinhosos, Moranguinho, Punk,a Levada da Breca, pique, subir em árvores...



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[Domingo, Abril 9]

A Máquina

Inovador, surpreendente e teatral. Essas palavras resumem o filme A Máquina, que está em cartaz nos cinemas. Dirigido por João Falcão, é uma adaptação do livro de mesmo nome para a telona, tendo sido escrito por Adriana Falcão, esposa do diretor.
Em 90 minutos o filme encanta pela beleza artística e estética. Não é um desses filmes onde o principal é simplesmente retratar a pobreza e carência do povo brasileiro, mas sim uma grande história em que a principal meta é tentar trazer o mundo para a pacata cidade de Nordestina, mais precisamente pelo fato de Antônio, personagem principal, não querer perder Karina para esse mundo que ela tanto almeja. Uma história de amor com um quê de ficção científica dá o toque primordial ao filme, já que a presença do se aparece com força total: ¿E se eu tivesse respondido outra coisa?¿. É a questão central da história.
A mistura de linguagens, como vídeo-clipes, teatro, cinema e musicais tornam o filme agradável e maravilhoso, como há muito tempo não se via no cinema nacional. Também a atuação de grandes atores, como Paulo Autran e Mariana Ximenes, fazem com que A Máquina seja imperdível para pessoas de todas as idades.



Lívia Lamblet


por LÍVIA LAMBLET * 10:12 AM

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[Quinta-feira, Setembro 1]

Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?


Para se entender as pinturas de Frida Kahlo é necessário conhecer a sua vida.

Frida Nasceu em 1907 no México, mas gostava de declarar-se filha da revolução ao dizer que
havia nascido em 1910. Sua vida sempre foi marcada por grandes tragédias; aos seis anos
contraiu poliomelite, o que à deixou coxa. Já havia superado essa deficiência quando o ônibus em
que passeava chocou-se contra um bonde. Ela sofreu multiplas fraturas e uma barra de ferro
atravessou-a entrando pela bacia e saindo pela vagina. Por causa deste último fez várias cirurgias
e ficou muito tempo presa em uma cama.

Começou a pintar durante a convalescença, quando a mãe pendurou um espelho em cima de sua
cama. Frida sempre pintou a si mesma: "Eu pinto-me porque estou muitas vezes sozinha e porque
sou o assunto que conheço melhor". Suas angustias, suas vivências, seus medos e principalmente
seu amor pelo marido Diego Rivera.

A sua vida com o marido sempre foi bastante tumultuada. Diego tinha muitas amantes e Frida
não ficava atrás, compensava as traições do marido com amantes de ambos os sexos.
Seu amante mais ilustre foi o esilado político Trotski.

A maior dor de Frida foi a impossibilidade de ter filhos (embora tenha engravidado mais de uma vez, as
seqüelas do acidente a impossibilitaram de levar uma gestação até o final), o que ficou claro em
muitos dos seus quadros.

Os seus quadros refletiam o momento pelo qual passava e, embora fossem bastante "fortes", não
eram surrealistas: "Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei
minha própria realidade". Frida contraiu uma pneumonia e morreu em 1954 de embolia
pulmonar, mas no seu diário a última frase causa dúvidas: "Espero alegremente a saída - e espero
nunca mais voltar - Frida". Talvez Frida não suportasse mais.

Suas pinturas:




por LÍVIA LAMBLET * 5:17 PM

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[Quarta-feira, Junho 8]

Loucos e Santos
Oscar Wilde


Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.



por LÍVIA LAMBLET * 1:29 PM

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[Quarta-feira, Maio 11]

Queda! As Últimas Horas de Hitler, A - Untergang, Der, 2004
Fonte: www.cinemaemcena.com.br

Dirigido por Oliver Hirschbiegel. Com: Bruno Ganz, Alexandra Maria Lara, Ulrich Matthes, Corinna Harfouch, Juliane Köhler, Heino Ferch, Christian Berkel, Thomas Kretschmann, Matthias Habich, Michael Mendl, Ulrich Noethen, Birgit Minichmayr.


É fácil pensar em Adolf Hitler como a pura encarnação do 'Mal', do Anti-Cristo católico. Enxergando-o como um monstro unidimensional, podemos sufocar o medo de que algo impensável como o Holocausto possa acontecer novamente, já que a Solução Final não teria saído da mente de um homem (ou mesmo de um grupo deles), mas de uma 'criatura'. Além disso, fugimos da constatação óbvia de que o ser humano é, sim, capaz de patrocinar atrocidades indizíveis.

No entanto, a concepção de Hitler como Demônio é uma simplificação não apenas infantil, mas perigosa: é fundamental que eliminemos esta aura 'sobrenatural' do ditador nazista e que o encaremos não como um indivíduo singular, único, mas como um homem comum que, abençoado com um carisma imenso e com uma capacidade de liderança admirável, desperdiçou estes dons ao permitir que sua visão preconceituosa e distorcida do mundo guiasse suas iniciativas. Filmes como A Queda, Eu Fui a Secretária de Hitler e Max buscam, portanto, cumprir o importante papel de desvendar como alguém com uma ideologia tão mesquinha pode ter conseguido influenciar uma nação ¿ e, conseqüentemente, nos levam a compreender a possibilidade trágica de que a História venha a se repetir (e o fato é que, até certo grau, já vem se repetindo).

Empregando, como âncora da narrativa, a secretária particular de Hitler durante os últimos dois anos da vida do Führer alemão, A Queda começa justamente com um depoimento de Traudl Junge retirado do fascinante documentário citado no parágrafo acima. A partir daí, voltamos a 1943 para 'testemunhar' a contratação da garota por um Hitler afável e paciente ¿ cena que é seguida por um salto de dois anos e meio no tempo, quando, então, reencontramos os personagens durante o cerco russo a Berlim. Mergulhados no caos que antecipou a derrota nazista, os soldados alemães e oficiais da temida SS entregam-se ao ritual desesperado de queimar documentos que possam incriminar os chefões do Partido Nazista no cenário pós-Guerra. Doente e psicologicamente fragilizado, Adolf Hitler refugia-se ao lado de Eva Braun e de seus generais mais importantes em bunkers situados sob a capital alemã enquanto dispara ordens de contra-ataque para suas tropas espalhadas pelo país.

Ao mesmo tempo, o roteiro de Bernd Eichinger acompanha diversos outros personagens afetados pelo conflito, como o pai que tenta convencer o filho a abandonar a Juventude Hitlerista; o general que, depois de ser condenado à morte por traição, apresenta-se a Hitler para se defender e acaba ganhando a tarefa ingrata de defender Berlim (o que o leva a questionar se não teria sido melhor ser executado); e o médico que, horrorizado com o sofrimento dos civis, arrisca a própria vida para buscar medicamentos em uma parte da cidade que já foi tomada pelos soldados russos. Desta maneira, A Queda ilustra um paradoxo fascinante: mesmo entre os oficiais nazistas havia indivíduos capazes de gestos nobres e altruístas.

É verdade que o filme praticamente não cita o extermínio de judeus orquestrado por Hitler (ou mesmo seu anti-semitismo, que é invocado duas ou três vezes ao longo da narrativa), mas isto não era realmente necessário para a proposta do longa; já conhecemos a tragédia da Solução Final. Mais importante do que isto, para o cineasta Oliver Hirschbiegel, é retratar a decadência do Führer, evidenciando, por exemplo, sua retórica vazia ¿ que, se convencia os alemães quando enunciada em discursos fortes e repletos de autoridade, torna-se absolutamente transparente ao sair da boca de um velho alquebrado e confuso. Além disso, o diretor faz questão de ilustrar que não foram apenas os judeus que sofreram em função dos delírios de Hitler (embora tenham sido indiscutivelmente as maiores vítimas): o próprio povo germânico pagou caro por colocar os nazistas no poder (em certo momento, o repulsivo Goebbels diz: 'O povo nos deu um mandato. E agora está pagando por isto!'). Aliás, o próprio conceito de 'Juventude Hitlerista' pode ser considerado como um dos maiores crimes do ditador.

Outra preocupação admirável de A Queda é representar a quase inexplicável fascinação que Hitler exercia sobre seus comandados; mesmo sofrendo de uma demência clara e de uma paranóia inegável, o Führer conta com a fidelidade irrestrita de seus generais, que encaram como justas suas constantes explosões de raiva e suas recriminações infindáveis (e aqui devo abrir um parênteses para dizer que a performance do veterano Bruno Ganz neste longa é uma das melhores de sua já brilhante carreira). Sim, Hitler dispara ordens para tropas que já não existem e delira sobre a ressurreição impossível da Luftwaffe, mas, ainda assim, a possibilidade de vê-lo derrotado apavora aqueles experientes militares.

Revelando uma coragem admirável, o cineasta alemão Oliver Hirschbiegel demonstra não temer críticas vazias sobre o retrato tridimensional que faz de Adolf Hitler e dedica-se totalmente à análise do colapso moral, humano e psicológico do ditador ¿ e, simultaneamente, estabelece com talento e segurança a situação opressiva e desesperadora que todas aquelas pessoas viveram nos bunkers (muitas delas merecendo o destino cruel que tiveram; algumas ¿ como Traudl Junge ¿ simplesmente pagando pelo pecado da omissão). Aliás, não fiquei surpreso ao constatar que Hirschbiegel dirigiu também o interessante A Experiência, sobre um grupo de homens que se submete a um experimento psicológico que simula as condições de uma prisão e que logo revela os aspectos mais cruéis da natureza humana: temática e narrativamente, os dois filmes têm muito em comum. Para finalizar, é fundamental reconhecer o impressionante trabalho de direção de arte do filme, que recria a Berlim totalmente destruída do pós-Guerra ¿ e o maior elogio que posso fazer neste sentido é dizer que seus cenários não ficam nada a desejar com relação à cidade vista em Alemanha, Ano Zero, de Roberto Rossellini ¿ que foi realmente rodado nos escombros da capital alemã.

Como já expliquei, um dos maiores méritos de A Queda diz respeito à inteligência com que estabelece o fascínio e a fidelidade que Adolf Hitler despertava em seus seguidores ¿ um encantamento capaz de levar uma mãe a atos extremos para evitar que seus filhos vivam em um mundo sem a influência do ditador. E a prova maior da sensibilidade de Hirschbiegel reside em sua capacidade de levar o espectador a chorar pelos filhos de ninguém menos do que Goebbels ¿ algo que reafirma nossa própria humanidade.

Afinal, ao despertar nossa compaixão pela prole de um casal tão detestável, o cineasta nos 'força' a praticar uma das maiores virtudes do ser humano: a compaixão. E esta é uma das grandes lições de A Queda: a compreensão de que o ódio cego nos diminui tanto quanto ao inimigo.





por LÍVIA LAMBLET * 11:35 AM

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[Sexta-feira, Maio 6]

Descoberta ajuda a transportar nanomateriais
06 de Janeiro

Técnica desenvolvida por pesquisadores dos EUA permite examinar gotas microscópicas com a ajuda de um microchip

Químicos da Universidade da Califórnia em San Diego desenvolveram um método que utiliza partículas de chips de silício para envolver e direcionar precisamente moléculas, células, bactérias e outros objetos minúsculos contidos numa gota de líquido muito pequena.
O estudo sobre o desenvolvimento dessas minúsculas partículas formadas por silício foi publicado na revista Nature Materials, e representa uma importante conquista no campo dos "microfluidos", no qual novos métodos estão sendo explorados para transportar volumes cada vez menores.

O maior problema enfrentado hoje pelos cientistas na indústria de biotecnologia é manipular minúsculos volumes de líquido (que contêm preciosas amostras de DNA, bactérias, vírus e outras nanopartículas) sem perder muito material.

"Já que o volume das amostras se torna cada vez menor, o número de moléculas que adere ao interior da micropipeta ou de qualquer outro tipo de microcanal representa uma fração significativa", diz Michael Sailor, professor de química e bioquímica que liderou o estudo da UCSD. Esse problema gerou a idéia de desenvolver o "laboratório numa gota".

"Uma esfera tem a mais baixa proporção de área de superfície por volume. Então, se uma gotinha contém uma amostra de interesse, ela pode ser manipulada sem entrar em contato com as paredes de seu recipiente, e pode minimizar a quantidade de material perdido", diz Sailor.

O trabalho começou quando Jason Dorvee, um dos alunos de pós-graduação de Sailor, adicionou óxido de ferro magnético aos chips microscópicos de silício fabricados no laboratório de seu orientador. Assim, eles conseguiram movê-los rapidamente com um imã de mão. Esses chips, desenvolvidos há muitos anos por Sailor e Jamie Link, também são chamados de "poeira inteligente".

"As propriedades magnéticas adicionadas por Jason nos permitem direcionar seus movimentos", diz Sailor.

Sailor e seu grupo programaram os chips para detectar e envolver objetos específicos, como uma gota de substância química tóxica ou uma célula cancerígena. As últimas descobertas dão aos cientistas uma capacidade adicional de controlar e mover esse conjunto de partículas e transportá-las para exame e experimentação.



Fonte:http://www2.uol.com.br/sciam/



por LÍVIA LAMBLET * 11:51 AM

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[Quarta-feira, Maio 4]

Eis uma tirinha do site: www.malvados.com.br



por LÍVIA LAMBLET * 10:01 AM

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[Segunda-feira, Maio 2]

Crítica

Miss Simpatia 2: Armada e Poderosa - Miss Congeniality 2: Armed and Fabulous, 2005

Dirigido por John Pasquin. Com: Sandra Bullock, Regina King, Diedrich Bader, Ernie Hudson, William Shatner, Heather Burns, Treat Williams, Enrique Murciano, Abraham Benrubi, Nick Offerman, Stephen Tobolowsky, Eileen Brennan, Dolly Parton.


Quando escrevi sobre Miss Simpatia, em maio de 2001, iniciei o artigo afirmando que considerava Sandra Bullock 'uma gracinha'. Pois bem: quatro anos se passaram e continuo a defender o carisma da moça, que, assim como Doris Day e Meg Ryan, é o tipo de atriz que consegue se afastar do rótulo de 'estrela' e construir uma carreira assumindo o papel de garota 'comum' que poderia ser aquela vizinha bonita do espectador. No entanto, se isto era o bastante para ajudar a transformar Miss Simpatia em um passatempo acima da média, desta vez o resultado é bem menos satisfatório, como se descobríssemos que a tal vizinha é, infelizmente, fã de pagode.

Retomando a história três semanas depois dos acontecimentos narrados no filme original, Miss Simpatia 2 traz a agente Gracie Hart vivendo um problema inesperado: em função do sucesso alcançado em sua missão anterior, quando se disfarçou de candidata a Miss Estados Unidos para investigar uma ameaça de bomba, a agente do FBI tornou-se famosa demais para poder trabalhar sob disfarce ¿ e, assim, recebe a oferta de se tornar a 'nova cara' da agência, aparecendo em programas de entrevistas e divulgando um livro sobre suas experiências em campo. Guiada pelo consultor de moda Joel, ela se transforma na verdadeira antítese da moça desleixada do capítulo anterior, o que não deixa de representar uma forma interessante de lidar com a personagem. Porém, se a trama policial de Miss Simpatia já pecava pela obviedade, desta vez o crime a ser investigado pela protagonista é ainda mais idiota: o seqüestro da Miss EUA e do afetado Stan Fields por dois bandidos genéricos e nada interessantes.

Sem sequer se esforçar para dar um desfecho adequado ao romance entre Gracie e o agente Matthews, que merecera destaque no primeiro filme, o roteirista Marc Lawrence se livra do personagem de Benjamin Bratt através de uma rápida conversa pelo telefone, evitando até mesmo pagar o cachê do ator por uma participação curta na continuação (nem sua voz é ouvida do outro lado da linha). Para ocupar o espaço de Matthews como parceiro da heroína, Miss Simpatia 2 nos apresenta à durona agente Sam Fuller, cujo temperamento difícil afasta todos que tentam trabalhar ao seu lado (não me perguntem se o nome da personagem é uma 'homenagem' ao diretor de A Dama de Preto e Anjo do Mal, pois, honestamente, não sei responder). Assim, Lawrence aposta num dos mais velhos clichês do gênero: o dos(as) parceiros(as) que se detestam, mas são obrigados(as) a se aturar ¿ e que, com o tempo, se tornam amigos(as). O problema é que, ao contrário do que ocorria em produções bem-sucedidas como Máquina Mortífera e Homens de Preto, aqui a aproximação de Gracie e Sam é retratada de forma artificial, como mera convenção do roteiro, tornando a amizade implausível.

E, se William Shatner volta a protagonizar alguns momentos engraçados, o filme claramente ressente a ausência de Michael Caine, cuja relação com a personagem de Bullock resultara nas melhores cenas do original. O diretor John Pasquin até tenta substituir Caine pelo também engraçado Diedrich Bader (um comediante que sempre me faz rir), mas o roteiro burocrático não consegue explorar o talento do ator, investindo apenas em um estereótipo ofensivo do 'gay promíscuo', que chega até mesmo a gostar da possibilidade de ir para a prisão (aparentemente, ser violentado por centenas de presidiários é algo com que todo homossexual sonha ¿ ao menos, é o que Hollywood parece acreditar). Fechando o elenco, vem Treat Williams, cuja carreira, inicialmente promissora, é um dos grandes desapontamentos que sofri como cinéfilo.

Engessando Bullock em um formato mais do que batido, Miss Simpatia 2 tenta transformar a personagem em uma versão feminina de Fletch ou Axel Foley, mas o fato é que, ainda que funcione vez por outra, o recurso cômico do 'policial disfarçado' já não é mais tão eficiente quanto no passado. Além disso, é difícil aceitar que Gracie seja capaz de identificar pistas e obter informações que uma equipe formada por 75 agentes treinados simplesmente ignorou...

Apesar de funcionar como passatempo descompromissado, Miss Simpatia 2 não é particularmente engraçado ¿ e é realmente assustador que um dos pontos altos da narrativa diga respeito a uma perseguição envolvendo... Dolly Parton! Ora, se isto dificilmente soaria divertido na década de 80, imagine nos dias de hoje, quando Parton se tornou uma mera curiosidade do passado? (Posso até imaginar os espectadores mais jovens olhando uns para os outros e perguntando quem é aquela 'dona peituda'...) Aliás, para ser sincero, aquela 'piada' não funcionaria nem mesmo se envolvesse Jennifer Lopez ou Britney Spears.

Bullock é uma gracinha, mas não faz milagres.



por LÍVIA LAMBLET * 9:55 AM

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[Sexta-feira, Abril 29]

Felicidade Fatorial
Carlos Drummond de Andrade


Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino - o amor.
Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado...
Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados... Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...
Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela...
Se você preferir morrer, antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma dádiva.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor
passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente. É o livre-arbítrio.
Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.



por LÍVIA LAMBLET * 11:23 AM

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[Quarta-feira, Abril 27]

Cientistas encontram área do cérebro que controlaria a confiança


Uma equipe da Faculdade de Medicina de Baylor, nos Estados Unidos, apresentou essa semana os resultados de um experimento que buscava determinar a área do cérebro responsável pela confiança e pelas decisões tomadas com base no mesmo sentimento. Eles monitoraram a atividade cerebral de alguns voluntários enquanto tomavam parte em um jogo, em que deviam confiar em um parceiro.

O jogo que desenvolveram consistia em apostas ou investimentos. Um dos jogadores era o responsável pelo dinheiro, e podia apostá-lo sozinho ou deixar que um parceiro apostasse por ele, sendo que esse poderia ganhar mais dinheiro e dividir com o primeiro. Nas relações em que os jogadores e seus parceiros desenvolveram uma relação de confiança, uma área específica do cérebro foi constantemente ativada - o chamado núcleo cadauto.

De acordo com a pesquisa, essa área recebe e processa informações quando estamos julgando as decisões dos outros, que foram baseadas na confiança, e também quando pensamos em retribuir algo confiando em alguém. Os pesquisadores afirmam que novos estudos ainda são necessários para comprovar esses resultados.

Links: Faculdade de Medicina de Baylor - http://www.bcm.edu/medschool/

Revista Science - http://www.sciencemag.org/



por LÍVIA LAMBLET * 10:36 AM

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[Terça-feira, Abril 26]

Planeta Água
Guilherme Arantes


Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias e matam a sede da população
Águas que caem das pedras no véu das cascatas, ronco de trovão
E depois dormem tranqüilas no leito dos lagos, no leito dos lagos
Água dos igarapés, onde Iara, a mãe d'água é misteriosa canção
Água que o sol evapora, pro céu vai embora, virar nuvem de algodão

Gotas de água da chuva, alegre arco-íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva, tão tristes, são lágrimas na inundação

Águas que movem moinhos são as mesmas águas que encharcam o chão
E sempre voltam humildes pro fundo da terra, pro fundo da terra

Terra, planeta água
Terra, planeta água
Terra, planeta água

Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias e matam a sede da população

Águas que movem moinhos são as mesmas águas que encharcam o chão
E sempre voltam humildes pro fundo da terra, pro fundo da terra

Terra, planeta água
Terra, planeta água
Terra, planeta água

Terra, planeta água
Terra, planeta água
Terra, planeta água.



por LÍVIA LAMBLET * 9:49 AM

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[Segunda-feira, Abril 25]

Células-tronco: expectativas e realidade
Lygia V. Pereira


Há um longo caminho a percorrer antes que sejam feitos testes com CTs embrionárias em humanos

A luta pela aprovação do Projeto de Lei de Biossegurança, liberando o uso de embriões humanos para a extração de células-tronco (CTs) embrionárias, gerou enorme expectativa na população, que se pergunta: após a aprovação, quantos pacientes sairão das filas de transplantes? Na verdade, nenhum hoje, nenhum até mesmo nos próximos anos, mas provavelmente muitos a longo prazo, agora que podemos trabalhar com essas células no Brasil. Com a poeira do sensacionalismo baixada, quais são as reais possibilidades das CTs embrionárias?

As CTs embrionárias são o tipo mais versátil até hoje identificado em mamíferos, possuindo a formidável capacidade de dar origem a todos os tecidos do corpo. Desde a década de 1980 faz-se pesquisas com as CTs em-brionárias de camundongos. Descobrimos como transformá-las no laboratório em células da medula óssea, do músculo cardíaco, em neurônios, entre outras. E quando transplantadas em animais doentes, as células derivadas foram capazes de aliviar os sintomas de diversas doenças - leucemia, doença de Parkinson até paralisia causada por trauma da medula espinhal.

As primeiras linhagens de CTs embrionárias humanas surgiram em 1998, e junto com elas a enorme expectativa de seu uso terapêutico. Porém, antes de começarmos testes clínicos injetando CTs embrionárias em seres humanos, temos algumas questões fundamentais que devem ser resolvidas.

Questões de segurança - quando injetadas em camundongos, essas células podem formar tumores. Antes de testá-las em pacientes, temos que primeiro aprender a controlar sua diferenciação para que elas gerem somente o tecido que nos interessa, e não tumores.

Questões de compatibilidade entre as CTs embrionárias e o paciente, para que elas não sejam rejeitadas após o transplante. Uma solução para isso seria criar, com as técnicas de clonagem, CTs embrionárias geneticamente idênticas ao paciente, que poderiam então gerar tecidos 100% compatíveis com ele - a chamada clonagem terapêutica, realizada em humanos na Coréia do Sul em 2004.

Porém, a clonagem terapêutica não poderia ser utilizada em indivíduos com doenças genéticas. As CTs embrionárias geradas a partir das células desses pacientes também carregariam a doença, e por isso não seriam capazes de gerar tecidos sadios para transplante. Assim, para o tratamento de doenças genéticas com CTs - sejam embrionárias, da medula ou do sangue do cordão - a melhor alternativa é conseguir um doador aparentado, que tem maior chance de ser compatível com o paciente.

E no Brasil, como andam as pesquisas com as CTs em-brionárias? Em 1999, nosso grupo estabeleceu as primeiras linhagens de camundongo totalmente "made in Brasil", implantando a tecnologia no país e a disponibilizando para outros pesquisadores.

Quanto à clonagem terapêutica, a colaboração entre grupos que fazem clonagem animal e aqueles que trabalham com CTs em-brionárias poderia tornar esta prática uma realidade no país. Porém, o Projeto de Biossegurança proíbe a clonagem terapêutica. Não tem problema, a conquista do direito de utilizar embriões congelados para pesquisa foi um primeiro e importantíssimo passo, e em uma segunda rodada a clonagem terapêutica pode ser renegociada. E enquanto não podemos utilizá-las como agente terapêutico, temos muito a aprender com as CTs embrionárias, sobre sua capacidade de se transformar em qualquer tecido - esses conhecimentos básicos trarão a longo prazo grandes benefícios à saúde humana.

Apesar de o uso terapêutico das CTs embrionárias ainda estar longe de se tornar uma realidade, para que isso um dia aconteça precisamos pesquisar - e foi este direito que adquirimos com a aprovação do projeto, passando de meros observadores do desenvol-vimento de uma área promissora da medicina para jogadores muito competitivos. Afinal de contas, as pesquisas com CTs de medula e de cordão umbilical no Brasil são motivo de orgulho nacional. Agora poderemos fazer bonito com as CTs embrionárias.

Lygia V. Pereira é livre-docente e chefe do Laboratório de Genética Molecular do Departamento de Biologia, Instituto de Biociências, USP.

Fonte: Revista Scientific American

por LÍVIA LAMBLET * 10:07 AM

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[Segunda-feira, Março 14]

PERFEIÇÃO
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá


Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões

Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar o nosso governo
E nosso estado que não é nação

Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião

Vamos celebrar Eros e Thanatus
Perséphone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade


Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
E os mortos por falta de hospitais

Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
E o voto dos analfabetos

Comemorar a água podre
Todos os impostos, queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo e nosso pequeno universo

Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo o roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar

Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos

Tudo o que é gratuito e feio
Tudo o que é normal

Vamos cantar juntos o hino nacional
(A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão

Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada

Vamos celebrar a aberração
De toda nossa falta de bom senso

Nosso descaso por educação

Vamos celebrar o horror de tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já aqui também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou essa canção


Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão

Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha, que o que vem é perfeição



por LÍVIA LAMBLET * 9:54 AM

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[Domingo, Março 6]

SAUDADE
Pablo Neruda

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado
que ainda não passou,
é recusar um presente que
nos machuca, é não ver o futuro
que nos convida...
Saudade é sentir que existe
o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
"aquela que nunca amou."
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido...



por LÍVIA LAMBLET * 8:55 AM

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[Sexta-feira, Março 4]

ESPERANÇA
Vicente de Carvalho

Só a leve esperança em toda a vida
disfarça a pena de viver, mais nada;
nem é mais a existência resumida
que uma grande esperança malograda.

O eterno sonho da alma desterrada,
sonho que a traz ansiosa e embevecida,
é uma hora feliz, sempre adiada
e que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos
árvore milagrosa que sonhamos
toda arriada de dourados pomos

existe sim; mas nós não a encontramos,
porque está sempre apenas onde a pomos
e nunca a pomos onde nós estamos.





por LÍVIA LAMBLET * 7:22 AM

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[Terça-feira, Março 1]

2005 - Lista de `Vencedores`
Confira abaixo os `vencedores` do Framboesa de Ouro 2005, anunciados no último sábado, dia 26. Sem surpresas, Mulher-Gato foi o grande destaque do ano, mas acabou empatando em quatro troféus com Fahrenheit 11 de Setembro, `premiado` graças a George W. Bush.


Pior Filme

Mulher-Gato

Pior Ator

George W. Bush, por Fahrenheit 11 de Setembro

Pior Atriz

Halle Berry, por Mulher-Gato

Pior Dupla

George W. Bush & Condoleeza Rice OU His Pet Goat, em Fahrenheit 11 de Setembro

Pior Ator Coadjuvante

Donald Rumsfeld, por Fahrenheit 11 de Setembro

Pior Atriz Coadjuvante

Britney Spears, por Fahrenheit 11 de Setembro

Pior Diretor

¿Pitof¿, por Mulher-Gato

Pior Refilmagem ou Continuação

Scooby-Doo 2: Monstros à Solta (Warner Bros.)

Pior Roteiro

Mulher-Gato, escrito por Theresa Rebeck e John Brancato & Michael Ferris e John Rogers


Prêmios Especiais em Comemoração aos Primeiros 25 anos do Framboesa de Ouro

Pior Perdedor

Ah-Nuld Schwarzenegger (com 8 indicações, incluindo 1 por 2004)

Pior ¿Drama¿

A Reconquista (2000 - indicado a 9 Framboesas, `vencedor` de 7)

Pior ¿Comédia¿

Contato de Risco (2003 - indicado a 9 framboesas, `vencedor` de 6)

Pior ¿Musical¿

From Justin to Kelly (2003 - indicado a 8 framboesas, `vencedor` de 1)

Distribuição de troféus:

Mulher-Gato, Fahrenheit 11 de Setembro ¿ 4

Scooby-Doo 2 ¿ 1

Fonte:Cinema em Cena



por LÍVIA LAMBLET * 6:38 AM

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[Domingo, Fevereiro 27]

Pássaros ajudam a entender a fala de humanos
06 de Janeiro

Aves que ouviram apenas pedaços de música foram capazes de uni-los num canto completo, apenas com a associação das frases

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Utah mostrou sinais de como as memórias musicais são armazenadas no cérebro dos pássaros e como os ajudam a aprender a cantar. Os resultados abrem caminho para entender como ocorre o aprendizado da fala pelos seres humanos. A pesquisa foi publicada na revista Nature.

"Há fortes semelhanças entre a música dos pássaros e a fala dos humanos", diz Gary J. Rose, professor de biologia da Universidade de Utah. "Como a linguagem humana, a música dos pássaros tem dialetos regionais. Se nós conseguirmos entender como a música é armazenada nos seus cérebros, talvez possamos entender melhor como o aprendizado da fala ocorre nos humanos", afirma

Stephanie Plamondon, co-autora do estudo e doutoranda em neurociências, acrescentou: "Nós demos aos pássaros apenas pedaços da música, e eles foram capazes de uni-las numa música completa, apenas com a associação das frases", diz

Os pássaros aprendem a cantar por estágios. Primeiro, há uma fase de "subcanção" na qual eles emitem alguns sons simples, como os bebês humanos. Então, eles se submetem a uma fase "plástica", quando praticam o canto durante oito ou nove meses. Nesta fase, o pássaro está produzindo uma canção e comparando-a à memória que ele formou", diz Plamondon. Depois disso, os pássaros se submetem à "cristalização", o que significa que suas canções estão cristalizadas ou essencialmente prontas para serem armazenadas - pelo menos até a próxima estação de acasalamento, quando algumas mudanças podem ocorrer.

Os biólogos de Utah testaram uma teoria denominada "memória auditiva" baseada em jovens pardais de coroa branca, que ouviram primeiro o canto de outros pardais. Os cientistas tentaram descobrir como essa memória permanecia armazenada no cérebro e como era usada, já que os pássaros aprendiam a cantar algumas semanas mais tarde.

A canção completa do pardal de coroa branca tem cinco segmentos ou fragmentos, representados pelas letras ABCDE. A é um assobio de abertura característico; B é uma "nota complexa", ou muitas notas musicais numa seqüência específica; C é um zumbido; D é um som trinado e E é outra nota complexa.

Os pesquisadores primeiro gravaram músicas dos pardais de coroa branca no Wasatch Range de Utah. Eles digitalizaram as gravações e depois as dividiram em cinco segmentos ou frases. Rose e colegas obtiveram permissões para capturar pardais nos ninhos, alimentá-los e acompanhar seu crescimento no laboratório à prova de som, para que não pudessem ouvir um ao outro.

Quando os pardais já estavam com duas semanas, os pesquisadores começaram a tentar ensiná-los a cantar tocando segmentos de uma música completa em diferentes ordens. As sessões de 90 minutos foram conduzidas por cada pássaro duas vezes ao dia por 60 dias.

No primeiro experimento, os cientistas tocaram uma vez um segmento ou frase de uma música de um pardal separado por 2,5 segundos de silêncio. Eles tocaram os segmentos em ordem inversa para evitar que os pardais simplesmente guardassem o que eles ouviam no período curto de memória e os repetissem. Os noves pássaros no experimento não conseguiram colocar os segmentos juntos numa ordem correta para cantar a canção inteira ABCDE.

Em seguida, oito jovens pardais fragmentaram suas músicas em um período. Cada par de segmentos estava na ordem correta, mas os pares de segmentos foram tocados atrasados. Quando cada par de segmentos de música se sobrepôs ao outro, estes pássaros foram capazes de colocar os segmentos juntos na ordem correta e cantar a música completa ABCDE. Plamondon diz que quando os pássaros ouviam dois segmentos de música, eles implicitamente aprendiam as regras colocando todos os cinco segmentos juntos.

No final do experimento, cinco pardais ouviram pares de segmentos de música, cada par em ordem inversa: BA, então CB, DC e ED. Os pássaros aprenderam novamente a colocar os segmentos juntos, mas porque os segmentos estavam invertidos, eles cantaram os segmentos atrasados.

Rose diz que a inversão foi uma surpresa porque mostra que treino pode superar a tendência inata dos pardais a começar suas músicas com um assobio (representado por A. A habilidade dos pardais para construir uma música completa a partir de seus pedaços é comparável a completar um quebra-cabeça, diz Rose. "Você não tem que saber como o desenho do quebra-cabeça parece, apenas as regras de colocá-los juntos, como se fossem chaves nas fechaduras", diz.

Rose acredita que os pássaros aperfeiçoam suas músicas porque eles começam combinando vários elementos de música e retêm somente os pares (AB, BC, CD, DE) que estão sendo ensinados e rejeitam o resto que não é reforçado pelo tutor. "Isto pode envolver a interação entre o gânglio basal (estruturas cerebrais que controlam movimento) e circuitos nervosos que controlam os movimentos vocais", diz Rose.

"A relevância dessas descobertas é que isto pode ser representativo em saber como seqüências de movimentos são aprendidas em diferentes tipos de trabalho. Um músico de jazz, por exemplo, aprende as regras de fazer a transição de uma nota para a próxima, e pode compor músicas completas observando outras regras", acrescenta o professor.

Fonte: http://www2.uol.com.br/sciam/



por LÍVIA LAMBLET * 7:13 AM

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[Sábado, Fevereiro 26]

Minha Namorada
Carlos Lyra/Vinícius de Moraes

Se você quer ser minha namorada
Ah, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha, essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser...
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer...
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porque...
E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você...
Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos
Os seus braços o meu ninho no silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois.

por LÍVIA LAMBLET * 7:20 AM

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[Sexta-feira, Fevereiro 25]

Dica de livro: Assim Falou Zaratustra - Nietzsche

"O homem é corda distendida entre o animal e o super-homem: uma corda sobre um abismo; travessia perigosa, temerário caminhar, perigosos olhar para trás, perigoso tremer e parar." - Nietzsche "Assim falou Zaratustra", 1883

Meditando por dez anos numa caverna no alto de uma montanha, Zaratustra, apenas na companhia dos seus animais prediletos, a águia e a serpente, determinou-se baixar à planície. Decidira-se depois daqueles anos de rigor eremita vir comunicar aos homens a chegada de um novo messias, o Übermensch - o super-homem, o que dominará o futuro. Assim feito, Zaratustra enumera a quem sua mensagem se dirige:

Os eleitos por Zaratustra

- os que vivem intensamente, que são indiferentes aos perigos (welche nicht zu lebem wissen) porque são capazes de atravessar de um lado para outro;

- os grandes desdenhosos (der grossen Verachtenden), porque estão sempre tentando chegar a outra margem;

- aos que se sacrificam pela terra (die sich der Erde opfen);

- o curioso, o que quer conhecer (welcher erkennen will);

- quem trabalha e realiza invenções engenhosas (welcher arbeiter und erfinder);

- o que preza a sua própria virtude (sein Tugen liebt);

- aquele que distribui o seu espirito entre os demais (ganz der Geist seiner Tugend sein will);

- o que deseja viver e deixar viver (willen noch leben und nicht mehr leben);

- quem não seja exageradamente virtuosos, nem excessivamente moralista (welcher nicht zu viele Tugenden haben will);

- aquele que não fica a espera de agradecimentos ou recompensas (der nicht Dank haben will);

- o que não trapaceia (ein falscher Spieler);

- o que se orgulha dos seus feitos (welcher goldne Worte seine Taten vorauswirft);

- o combatente do presente (den Gegenwärtigen zugrunde gehen);

- o que desafia e fustiga o seu Deus (welcher seinen Gott züchtig);

- o de alma profunda (dessen Seele tief);

- o de alma trasbordante, que esquece de si mesmo (sich selber vergisst);

- quem tem o espirito e o coração livres (der freien Geistes und freie Herzen ist);

- os vaticinadores, os que prenunciam o relâmpago próximo (dass der Blitz kommt, und gehn als Verkündiger zugrunde), um relâmpago que se chama super-homem (Übermensch).

Porque Zaratustra?


Zaratustra, fundador do zoroastrismo

Zaratustra ou Zoroastro, fundador da religião persa, foi um profeta ariano que por volta de 600 a.C. pregou a existência do Bem e do Mal como entidades distintas e totalmente antagônicas (até então a crença geral era de que o mesmo deus era capaz de uma coisa, como a outra). É o autor dos Gäthäs, cinco hinos que formam a mais antiga e sagrada parte do Avesta, o livro santo do zoroastrismo. Nietzsche tomou conhecimento dele provavelmente por intermédio da obra de um erudito da época, inspirando-se então naquela fantástica personalidade.

O motivo de um ateu assumido como Nietzsche ter lançado mão de um carismático líder religioso do passado, fazendo-o veículo da sua mensagem, deve-se a que o pensador alemão racionalmente e intelectualmente deixara de ser cristão, mas psicologicamente e emocionalmente ainda seguiu tendo a mente de um crente. Afinal, Nietzsche era filho de um pastor luterano. O que igualmente explica o tom de sermão da sua prosa, carregada de parábolas, simbolismos e imagens litúrgicas e locais sagrados, presentes na maioria dos capítulos do "Assim falou Zaratustra". A escolha também tratou-se de uma provocação, pois o Zaratustra ficcional dele retornou a cena exatamente para desfazer o que o real profeta ariano fizera há mais de dois mil e quinhentos anos passados, isto é, instituir a idéia do Bem e do Mal.

O Anticristo

Zaratustra é, pois, um Anticristo. Ele não veio do deserto como Jesus Cristo, mas sim desceu do alto da montanha, do fundo da caverna, como viu Platão os filósofos emergirem em busca do sol, em busca da vida. Não se dirige aos pobres, ao humildes, aos doentes, aos perdidos e aos fracos, muito menos lhes promete o Reino dos Céus. Seu público é outro. É o dos vencedores, dos afirmadores da vida, os que querem viver o aqui e o agora, tendo a Terra como seu único reino. Arenga aos que desprezam! Desceu à planície para anular o cristianismo.

A sua meta é atingir uma parte especifica da humanidade, os homens superiores (höheren Menschen), a quem Cristo ignorou. Zaratustra é sim um Cristo da elite, pois Nietzsche escreveu o evangelho do super-homem - o que anuncia um novo tempo, uma era em que Deus morreu (dass Gott tot ist!), na qual o Homem se apressa para assumir o poder na totalidade, na qual terá que arcar com as conseqüências morais e éticas de um mundo sem Deus.

Para tanto, ele, o super-homem, operará a transvaloração. Tudo o que o cristianismo estigmatizara - o orgulho, o egoísmo, a riqueza, a vontade de poder, a sensualidade e a nobreza de espírito - deverá voltar a modelar e inspirar a humanidade. A resignação, a docilidade e o servilismo, por sua volta, serão sucedidos pela ação, pela inconformidade e pelo domínio - A lamúria do resignado, cederá lugar ao grito do forte!

Os próprios símbolos que cercam Zaratustra, a águia e a serpente (meinen Adler und meine Schlange), antigas metáforas zoológicas do orgulho, da arrogância e da astúcia, contrapõem-se às do cordeiro e do peixe - os favoritos de Cristo - ícones da mansidão, da quietude e da simplicidade. Se Cristo pregou o Sermão da Montanha para os pobres de espirito, Zaratustra lança sua isca para alçar os destemidos. O seu é um Evangelho dos Fortes. Sua mensagem não é para todos, é para poucos.

Viver perigosamente

"Ich seht nach oben, wenn ihr nach Erhebung verlangt. Und ich sehe hinab, weil ich erhoben bin. Wer von euch kann zugleich lachen und erhoben sein? Wer auf den höchsten Bergen steigt, der lacht über alle Trauer-Spiele und Trauer-Ernste."

"Olhais para o alto quando aspirais elevar-vos. Eu, como já encontro-me acima, olho para baixo/ Quem entre vocês pode estar acima e ao mesmo tempo gargalhar? Aquele que escalou o mais elevado dos montes, ri-se de todas as tristezas encenadas da vida." - Zaratustra - da leitura e da escrita

Enquanto Zaratustra pregava na ágora, a atenção da multidão desviou-se para o alto onde estava um equilibrista numa frágil corda. Um outro, um rival, afobando-se, terminou por precipitar-se no chão, estatelando-se agonizante bem perto do profeta. O desastrado homem, no seu estertor, acredita que agora o diabo o arrastará para o inferno. Confortando-o, Zaratustra diz-lhe: "Amigo - palavra de honra que tudo isso não existe, não há diabo nem inferno. Sua alma ainda há de morrer mais rápido do que seu corpo: nada tema". Quando o trapezista caído ainda se lamenta pela vida que levou "recebendo pancadas e passando fome", o profeta consolou-o respondendo: "Não, você fez do perigo sua profissão, coisa que não é para ser desprezada"( du hast aus der Gefahr deinen Beruf gemacht). Dito isso ele mesmo trata de sepultá-lo com suas próprias mãos.

A cena do profeta tendo em seus braços um morto, é a "pietá" de Nietzsche. Este é o modelo de homem do profeta, o que compete, o corajosos que arrisca, o que diariamente vive na corda bamba, e que morre por isso mesmo, por levar uma vida perigosa (ein gefährliches leben).

Os companheiros de Zaratustra

Zaratustra quer é o leão (tela de Delacroix)

Como o povo (Volke) não lhe deu ouvidos, Zaratustra, resmungando "que me interessam a praça pública, o populacho e as orelhas cumpridas do populacho?", concluiu então que precisava de companheiros (Gefährten): os "que desejam seguir a si mesmos, para onde quer que eu vá". Afinal ele viera "para separar muitos do rebanho". Que tipo de companhia quer o profeta? Justamente os que "os bons e justos" mais odeiam - o que lhes despedaça os valores, o infrator, o destruidor - porque é esse o criador.

Não são os negligentes nem os retardados que o seguirão, mas sim os inventivos, os que colhem e se divertem, os solitários e todos aqueles unidos pela solidão, interessados em escutar coisas inauditas - a marcha do profeta será a marcha deles. Assim é que sua oração dirige-se para os que estão atacados pela "Grande Náusea"(der grossen Ekel), o tédio de quem vive numa época em que o antigo deus morreu, mas que não existe ainda nenhum outro novo deus. Zaratustra veio para afastar deles a sombra dos deuses antigos que ainda escondem-se atrás das nuvens do presente. Veio para mostrar-lhes a verdadeira face da natureza, chegou par torná-la humana, para desmagizá-la.

O que irritava sobremodo o profeta era o último homem (letzter Mensch), um teimoso, "inabalável como um pulga", que, segundo Heidegger, não queria "se desfazer da sua depreciável maneira de ser". Ao insistir em viver de acordo com os valores desaparecidos, em prender-se a um ídolo que já se fora, esse cabeça-dura continuava a freqüentar o santuário do deus caído em ruínas. Ali, nada mais achando nele, o estulto agachava-se, arrastava-se no pó, em meio aos cacos, atrás das cobras e dos sapos para adorá-los.


A transformação do homem

"Was gross ist am Menschen, das ist, dass er eine Brücke und kein Zweck ist: was geliebt werden kann am Menschen , das ist, dass er ein Übergang und ein Untergang ist"

"A grandeza do homem é ser ele uma ponte, e não uma meta; o que se pode amar no homem é ser ele uma transição e um ocaso." - F.Nietzsche - Assim falou Zaratustra, I,4
Num primeiro momento da história espiritual do homem, pelo menos o de espírito sadio, ele não passa de um camelo, que, como o desgraçado animal, apenas ajoelha-se e agradece quando lhe dão uma boa carga. Carrega pelo deserto as culpas por ter nascido. Na sua humilde corcova avoluma-se as penas do mundo, sobrecarregado pelas regras morais e pelas imposições que lhe fazem, que lhe dizem - tu deves (Du-sollst!)! Porém, no deserto, isolado, dá-se uma transformação. O camelo vira um leão. É o espirito que, liberto, quer ser "o senhor do seu próprio deserto". Agora é ele quem, rugindo desafiante, responde - eu quero! (Ich will!). Se bem que o leão não consiga ainda criar os novos valores, ele pelo menos, assentado na sua força e vigor, sacode para fora a canga que afligia o pobre camelo. Dá-se então a derradeira transformação - o leão vira criança. Sim porque a criança é esquecimento, é um novo começo, é o embrião do super-homem que, ao crescer e desenvolver-se, "quer conseguir o seu mundo".

O camelo (Kamele)
O espirito do homem na sua época religiosa e cordata, conforme com seu destino de animal de carga, submetido ao grande dragão. - Encontra-se sob o imperativo do "Tu deves!"

O leão (Löwe)
A emergência do espirito de rebeldia. A insubordinação contra os valores tradicionais e contra as imposições morais e convencionais. - Afirma-se através do "Eu quero!"

A criança (Kind)
A nova era que nasce. O tudo por fazer que se descortina numa nova situação, num mundo novo que se livrou do passado opressivo. - "Ele alcançará!"

Os inimigos do profeta

Zaratustra é um celebrante da carnalidade, um pregador da vida vivida, da sensualidade, do prazer de dominar, ou do simples gozo em existir. É o grito do instinto sufocado! Por conseqüência, seus inimigos são os que detestam a vida, os "acusadores da vida" (Ankläger des Lebens), os que reprimem e condenam a volúpia, os que dizem que as pulsões humanas são artes do demônio, os que pregam o Outro Mundo, como os sacerdotes e os moralistas, que insistem em fazer com que o homem envergonhe-se do seu próprio corpo e das suas sensações, chamando-as inumanas, imundas e pecadoras.

O profeta quer o diferente, o que se distingue, o que se vangloria, o altivo com justa razão, o indivíduo soberano e viril, não as massas que "trazem mau olhado à Terra". Suas palavras não devem ser "apanhadas por patas de carneiros". Logo todos os democratas, os pregadores da igualdade e correlatos, são seus adversários, os odiados inimigos. Pois o mundo "gira ao redor dos inventores de valores novos" (die Erfinder von neuen Werten dreht sich die Welt), da Personalidade Magnífica e não do homem comum, que vive discursando - "somos todos iguais perante Deus ". Ora, como deus morreu o homem superior ressuscitou da sua sepultura. É para ele que a luz do futuro brilha.

É tudo um só mundo

Não há para o profeta dois mundos, o de cá e o de lá, nem corpo separado da alma, nem bem nem mal. Tudo é uma coisa só. Carne é espirito, a terra também é céu, o mal também é o bem. O homem imaginou haver um além porque ele sonha, e no seu sonho - "vapor colorido diante dos olhos" - lhe aparecem fantasmas dos mortos e das coisas passadas, por isso ele, iludido, concebeu um Outro Mundo. Ingrato, ao invés de exultar com a existência recebida, percorre os céus com os olhos supersticiosos atrás de uma estrela, acreditando ir parar ao seu lado no futuro.

Seguidor de Heráclito - que via o Cosmo um produto do agón, da luta -, Zaratustra assegurava que toda a batalha a ser travada é uma bem-vinda guerra terrestre na qual o super-homem (expurgando ou afastando de si os sentimentos caritativos e piedosos, afirmando-se sobre si mesmo com os valores que ele mesmo criou) se lançará na conquista do devir. Mas, adverte, antes do super-homem atingir esse futuro, haverá o crescimento do deserto - uma grande ameaça ao oásis onde se homiziava o homem superior.

O filho de Zaratustra

No final do canto de Zaratustra (Parte IV - o sinal), depois do profeta ter dispensado os grandes dignatários (rei, imperador e o papa), não identificando neles os sinais do super-homem, ele projeta aquele que advirá. A sua nobreza não é resultado de títulos, nem de sangue. O Übermensch é o que irá superar o homem e, para tanto, já expurgou de si toda a fraqueza e vilania tão comum aos humanos. Ele não tem pejo em querer vingar-se, nem se envergonha em ter ódio, sabe que se almeja a alegria também terá que suportar o sofrimento. Mas nem os homens superiores que o profeta encontrou pelo caminho o satisfazem.

"Pois bem!", disse ele, "estes homens superiores adormecem enquanto eu estou desperto. Não são os meus verdadeiros companheiros". O viajante (der Wanderer) após ter percorrido uma longa peregrinação, na qual esgrimiu-se em mil encontros e outros tantos percalços, recolheu-se de volta ao seu ermitério. Sentado na pedra em frente a gruta ele pede que cantem "Outra Vez", porque ele afirmava o Eterno Retorno das coisas. Tudo o que aconteceu nos remotos tempos voltaria a ocorrer - a história é um circulo não uma ascensão! Palavras como honra e nobreza certamente voltarão a reluzir.

A hora de Zaratustra

Com seus cabelos embranquecidos eriçados pelos vôos dos pássaros, o sábio sentiu que o leão estendido aos seus pés recostara a cabeçorra dourada no seu colo, lambendo as lágrimas que escorriam pelas suas mãos. O vidente estava exausto. Afinal ele era um montanhista (ein Bergsteiger) que detestava as planícies. Meditando, Zaratustra foi tomado de súbita emoção. Sentiu-se maduro porque que soara a sua hora, a sua alvorada - o Grande Meio-Dia chegara. O anúncio, o sinal de que o super-homem estava por vir fez com que ele, lépido, aspirando somente a sua obra, deixasse a sua gruta. Assim como o alvorecer sai por detrás das montanhas escuras, ele saiu para ir receber o seu filho.

Fonte:http://educaterra.terra.com.br/voltaire/artigos/nietzsche_ultimo2.htm



por LÍVIA LAMBLET * 7:41 AM

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[Quinta-feira, Fevereiro 24]

Crítica: Contos Proibidos do Marquês de Sade, Os - Quills, 2000

Dirigido por Philip Kaufman. Com: Geoffrey Rush, Kate Winslet, Joaquin Phoenix, Amelia Warner, Stephen Moyer, Stephen Marcus e Michael Caine.

A maior proeza do cineasta Philip Kaufman em Os Contos Proibidos do Marquês de Sade é, sem dúvida, conseguir fazer com que o espectador simpatize com seu protagonista: um homem que colocava seu prazer acima de tudo e de todos, e para quem o sofrimento alheio (físico ou psicológico) atuava como um potente fator rumo ao êxtase sexual (a ponto de seu nome ter se tornado um termo psiquiátrico que define distúrbios de comportamento semelhantes ao seu).

O roteiro, escrito por Doug Wright a partir de sua própria peça, aborda os últimos anos da vida do Marquês de Sade, passados em um hospício (na verdade, Sade passou boa parte de sua existência entrando e saindo de prisões em função de incidentes provocados por sua natureza violenta - aos 28 anos, por exemplo, ele ofereceu carona em sua carruagem para uma pobre viúva e, ameaçando-a com uma faca, chicoteou-a repetidas vezes). Contando com a compreensão do diretor do hospício, o bondoso padre Coulmier (que acredita que, desta forma, o paciente sublimará seus impulsos), ele mantém o hábito de escrever textos repletos de erotismo, violência e obscenidades. O que Coulmier ignora é que, graças à ajuda de uma camareira, o Marquês está enviando os textos para seu editor - e que os livros estão causando frisson em Paris. Enojado com o conteúdo da obra de Sade, Napoleão Bonaparte envia um médico, notório por seus métodos desumanos, para Charenton a fim de 'curar' o escritor.

A partir daí, o roteiro mergulha gradualmente na lógica perversa de Sade sem, contudo, deixar de apontar as hipocrisias que governam a sociedade e seus 'bastiões da moralidade', que condenam quase tudo em público e agem de maneira oposta quando se encontram entre quatro paredes (comportamento ilustrado à perfeição pelo personagem de Michael Caine). Esta crítica social, mais atual do que nunca, é repetida à exaustão pelo Marquês, que parece empenhado em libertar as fantasias mais recônditas de seus leitores. Aliás, é esta sua aparente liberdade que o torna tão atraente aos olhos do espectador - mesmo que suas preferências e atitudes sejam absolutamente chocantes em alguns momentos.

O fato é que nossa simpatia por Sade torna-se mais compreensível se considerarmos que Wright evita aprofundar-se em demasia nas facetas mais sombrias do personagem: é claro que conhecemos sua natureza sádica (estou sendo redundante, eu sei), já que o próprio Marquês não se cansa de divulgá-la, mas ouvi-lo discursar (sempre com humor irresistível) sobre o assunto é bem diferente do que vê-lo praticar atos cruéis. Se o víssemos torturar a viúva, por exemplo, é possível que não conseguíssemos mais encará-lo da mesma forma, o que obviamente destruiria os propósitos do filme. Da forma como é retratado aqui, o Marquês de Sade não se torna muito pior do que o Visconde de Valmont de Ligações Perigosas (que também colocava o prazer pessoal acima da noção de decência, mas sem precisar apelar para chicotes ou facas).

Do ponto-de-vista técnico, o roteiro de Doug Wright é irrepreensível: enxuto, relativamente fiel à História e ágil, ele desenvolve a narrativa de forma interessante e sedutora. A trama envolvendo a jovem Simone, por exemplo, é totalmente apresentada ao espectador em apenas duas ou três cenas - quando percebemos, ela já tem vida própria e influencia o desenrolar dos acontecimentos de maneira inequívoca. Além disso, os diálogos são extremamente elegantes (algo raro nas produções hollywoodianas), o que denuncia sua origem teatral (em certo momento, enquanto dita sua última obra para a camareira Madeleine com o auxílio de vários pacientes do hospício, o Marquês lamenta: 'Oh! Minha prosa gloriosa, filtrada através da mente de loucos!').

Para tornar a experiência ainda mais prazerosa (estou começando a soar como o próprio Sade), todo o elenco de Os Contos Proibidos do Marquês de Sade está afinadíssimo: do cínico Geoffrey Rush ao ardiloso Michael Caine, todos desenvolvem com brilhantismo seus personagens. Joaquin Phoenix, em especial, cria um Coulmier carismático, que, com sua aterrorizada benevolência, acaba representando o próprio espectador na história, já que, como nós, enxerga o Marquês com um misto de fascinação e horror. Kate Winslet, enquanto isso, dá um toque de leveza a uma trama que, em sua maior parte, é carregada demais. É uma pena que o Oscar, ao contrário de outras premiações, não possua uma categoria de 'Melhor Elenco' (algo que passei a lamentar desde que assisti a Boogie Nights e Magnólia).

Os Contos Proibidos... só tropeça um pouco nos minutos finais, quando parece encontrar dificuldades para encerrar a narrativa de maneira satisfatória. É quase como se o roteirista tentasse, ao mesmo tempo, justificar os atos de seu protagonista e condená-los (o que explica o destino de Coulmier). O que ele parece esquecer é que o próprio Marquês não precisava de justificativas para seu comportamento, como fez questão de esclarecer no livro Aline et Valcour: 'Não parei ao ter meras dúvidas; eu conquistei, retirei e destruí tudo em meu coração que poderia ter interferido em meus prazeres'.

Esta não deixa de ser uma boa filosofia de vida - desde que o prazer em questão não envolva o espancamento ou sofrimento de outras pessoas. Se envolvesse, confesso que, hipócrita ou não, eu seria obrigado a concordar com a internação do indivíduo. Sade é menos assustador na tela do cinema

Fonte:www.cinemaemcena.com.br


por LÍVIA LAMBLET * 7:01 AM

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[Quarta-feira, Fevereiro 23]

Transtorno Obsessivo Compulsivo (Toc)
Este talvez seja o transtorno mais difícil de explicar, tal qual o nome dele. Vamos começar descrevendo os seus principais sintomas, para depois tentar explicar o funcionamento mental do individuo com este transtorno. O Toc é a chamado transtorno das manias, são aqueles quadros onde as pessoas tem manias. Mania de limpeza é a mais característica, mas ela pode se expressar de muitas outras maneiras. Mania de ordem (a pessoa precisa arrumar as coisas e bota-las em ordem), manias de colecionador, superstição (pessoas que precisam bater 3xs na madeira, que só saem com seus amuletos, tem medo do azar e fogem de gato preto), mania de contar as coisas, fazer contas com as chapas de carro, mania de trancar e reverificar se trancou as portas e praticamente todas as outras manias, hábitos(não vícios) que você possa imaginar.

A mania fica caracterizada como doença, como transtorno, quando a pessoa tem a necessidade de repetir os seus atos de forma compulsiva (ou seja a pessoa não consegue se controlar, não depende de sua vontade, ela faz sem querer ou sem perceber ou ainda não consegue impedir o ato pela sua vontade, dai o nome compulsiva, obrigatória), repetidamente.Alias toda as formas de repetição compulsiva, podem ser caracterizadas como "manias".
As pessoas que tem estes sintomas costumam ter uma personalidade muito própria. São pessoas extremamente escrupulosas (tem uma preocupação na mente de não provocar problemas), costumam ser formais e distantes no relacionamento, frios afetivamente podem ou não ser pessoas arrogantes. Costumam ser autoritários quando ocupam postos de liderança e temerosos e tímidos quando não estão nesta posição. Intimamente são medrosos embora não admitam, fazendo um tipo de fortes. Não costumam ser sociáveis, tendo poucos amigos ( depende do grau da neurose). Tem um comportamento normalmente calmo ou retraído, mas as vezes tem explosões que podem ser surpreendentes e até assustadoras (pela agressividade e violência). São pessoas metódicas, as vezes exageradamente perfeccionistas, sendo que alguns são muito insistentes embora a maioria desista com facilidade. Costumam ser indecisos. Controladores, tem o sentimento profundo que se não cuidarem de forma adequada das pessoas e situações a sua volta, algo de ruim devera acontecer, e vivem a ilusão que estão controlando estas situações (pelo menos quando estão equilibradas, pois a sensação de descontrole os deixa profundamente ansiosos e até emocionalmente desequilibrados).

Tem um forte sentimento de culpa interior (embora possam não ter consciência disto e nem culpa nenhuma) e na hora das punições e mesmo das autopunições sejam exageradamente cruéis (inclusive consigo mesmos). Um caso curioso que tive no consultório ha muitos anos atrás foi de um homem, na faixa dos 40 anos que se queixava de Síndrome do Pânico. Na sua 4a. ou 5a. consulta ele se levanta de sua cadeira, tira uma chave de fenda do bolso e diz: "Desculpe Dr., mas não consigo ver este parafuso do interruptor inclinado, eu preciso endireita-lo e depois da consulta quero esconder toda esta bagunça de fios de seus aparelhos eletrônicos. O sr. deixa as coisas em bagunça e isto me incomoda, muito". Evidentemente que em determinados momentos todos nós passamos por quadro emocional semelhante ou temos alguns destes sintomas ou traços deste tipo de personalidade.
Por que acontece, da onde vem este quadro é um dos grandes mistérios da psiquiatria e existem múltiplas explicações. Uma das mais interessantes é a de Freud, que diz que estas pessoas tem sentimentos negativos, pensamentos negativos, uma espécie de tara (e normalmente relacionado a sexo e perversão), se sentem culpados e sujos por estes sentimentos e dai a necessidade de limpar e organizar tudo como forma de diminuírem o risco do castigo que se sentem merecedores e para tentar compensar o sentimento de sujeira interior.
Para mim esta é uma explicação que faz muito sentido, mas ai é que eu queria acrescentar a minha visão.. Como vimos nas neuroses a ansiedade é fator fundamental de sua formação. A ansiedade ocorre por um quadro de superestimulação da mente que esta reagindo aos estímulos (movimentos) externos. Por isto nestes momentos a mente precisa da sensação do parado, do protegido para se acalmar e se sentir segura e tranqüila. Quanto mais movimento a mente absorve, quanto mais ela se sente insegura e desprotegida, maior a sua excitação no sentido de encontrar uma proteção para esta sensação de instabilidade. Dai a necessidade da pessoa realizar a sua compulsão, arrumar as coisas, ou de usar amuletos, pois elas trazem a sensação de calma e segurança para a mente. Mas vejam que circulo vicioso infernal, de repente algo acontece que tira esta organização, esta sensação de controle e domínio que a pessoa tem.

Isto a deixa assustada e com medo pois se sente exposta. Passa a sentir um sentimento agressivo enorme dentro de si que é a expressão de seu desejo que "as coisas" não tivessem saído do lugar. Mais do que isto volta a sua agressividade interior para o agente que alterou "as coisas" da ordem que lha alimentava a segurança. Ao sentir esta agressividade interna, passa a se sentir culpado deste sentimento e de forma inconsciente volta a agressividade contra si mesmo de forma real ou imaginária. Ai aparecem os pensamentos negativos que são chamados de obsessões e a sensação de que algo de ruim vai acontecer. Precisam se proteger, desejam a ordem e brigam ainda mais por ela, aumentando a sua agressividade, sua culpa, os pensamentos negativos, o medo, a compulsão, a briga, a agressividade... e assim vai . Para resumir a conversa, quanto maior o sentimento de insegurança, maior a intolerância (irritação, impaciência) para com o movimento, quanto maior a intolerância, maior a agressidade, a culpa e conseqüentemente a ansiedade, que aumenta a insegurança, que vai gerar a compulsão, ou seja o ato físico que vai trazer uma sensação de alívio momentâneo, mas acaba aumentando a sensação de insegurança pela impossibilidade de realizar completamente a compulsão. A obssessão é o pensamento negativo que se repete, a compulsão é o ato físico que devolveria a segurança para a pessoa.

Tratar este tipo de transtorno é sempre trabalhoso. Até alguns anos atrás o tratamento trazia poucos resultados, e as pessoas continuavam com as suas manias e personalidade. Hoje o tratamento é duplo, precisando a pessoa fazer um tratamento químico (medicamentoso) e psicoterápico ( terapia cognitiva) .A medicação é necessária para diminuir o grau da ansiedade e para aumentar o grau de energia psíquica para que a pessoa possa romper o círculo vicioso do pensamento obsessivo. E fazer a psicoterapia para se reeducar a ser menos intolerante em seus sentimentos mais profundos e diminuir o seu sentimento de culpa e a autoagressividade, com uma conduta reta, honesta e transparente.. ("se malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem). Os resultados tem melhorado muito mas depende fundamentalmente da capacidade da pessoa mudar os sentimentos internos de forma verdadeira e sincera. Os remédios sozinhos acabam não resolvendo o problema.

Fonte: www.ansiedade.com.br

por LÍVIA LAMBLET * 6:51 AM

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[Terça-feira, Fevereiro 22]

A Duas Flores
Castro Alves

São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bom como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rodas da vida,
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!



por LÍVIA LAMBLET * 6:57 AM

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[Domingo, Fevereiro 20]

O último discurso - do filme: O Grande Ditador
Charles Chaplin



Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível - judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!







por LÍVIA LAMBLET * 7:02 AM

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[Sábado, Fevereiro 19]

Crítica: Hitch: Conselheiro Amoroso - Hitch, 2005

Dirigido por Andy Tennant. Com: Will Smith, Kevin James, Eva Mendes, Amber Valletta, Julie Ann Emery, Adam Arkin, Michael Rapaport, Jeffrey Donovan, Philip Bosco, Jeffrey Donovan, Rain Phoenix.


Havia uma maneira simples de transformar Hitch ¿ Conselheiro Amoroso em um filme infinitamente mais interessante e divertido: bastava alterar o título para Albert ¿ O Contador Bonachão e transferir o foco da narrativa para o simpático personagem interpretado por Kevin James, relegando o tal 'conselheiro amoroso' vivido por Will Smith à função de coadjuvante. Afinal, não há como negar o óbvio: toda vez que surge em cena, James traz mais vida ao longa ¿ mas, infelizmente, ninguém da produção parece ter percebido isto durante a realização do projeto (ou, se perceberam, não tiveram coragem de informar Smith, um dos produtores da comédia).

Quando Hitch tem início, somos apresentados ao personagem-título, que, assim como Alfie, tem o hábito nada original de se dirigir diretamente ao espectador para explicar os motivos de seu sucesso com o sexo oposto. Certo de que 'qualquer homem é capaz de conquistar qualquer mulher', o sujeito ganha a vida auxiliando indivíduos inseguros a seduzirem suas amadas. Pois seu mais recente cliente, Albert, representará o maior desafio de sua carreira, já que o objeto do desejo do humilde contador é uma milionária famosa e belíssima cujo rosto está sempre nas colunas sociais (pense em uma Paris Hilton com conteúdo e classe). Enquanto tenta ajudar Albert, Hitch se envolve com Sara (Mendes), uma colunista especializada em fofocas sobre a alta sociedade.

Escrito pelo estreante Kevin Bisch, Hitch ¿ Conselheiro Amoroso é um daqueles filmes dispostos a ignorar qualquer tipo de lógica interna a fim de tentar criar situações engraçadinhas ¿ e não me refiro ao estilo de vida luxuoso do protagonista, aparentemente incompatível com suas atividades (vejamos: ele atua quase no anonimato, tem poucos clientes ¿ já que depende exclusivamente de indicações -, e mesmo estes não parecem ser capazes, em sua maioria, de pagar altos honorários). Não, o grande problema do longa reside nas gags implausíveis e nada engraçadas que recheiam a trama (marca registrada do medíocre cineasta Andy Tennant, que recentemente realizou o fraco Doce Lar), como no momento em que Hitch fica dopado ao tomar medicamentos contra alergia. Além disso, o roteiro transforma o casal principal em um estereótipo do gênero: ele é um sujeito mulherengo que, 'no fundo', quer a estabilidade de uma relação séria; e ela é uma mulher independente que, atrás da fachada durona, oculta seu medo de ser magoada. Mais chavão, impossível.

Mas Hitch comete também outro equívoco comum entre as comédias de Hollywood: para conferir um toque de 'profundidade' à história, o filme adiciona elementos dramáticos absolutamente ridículos ao 'desenvolvimento' de seus personagens ¿ como a narração, dispensável e tola, feita por Sara sobre um acontecimento de sua infância relacionado à irmã. O que Bisch ignora é que, se comédias brilhantes como Antes Só do que Mal Acompanhado se enriquecem com o sofrimento de seus heróis, é porque o drama encaixa-se de forma orgânica à narrativa, jamais soando como uma imposição. Para piorar, os diálogos pavorosos concebidos pelo roteirista recendem a psicologia barata, evidenciando a artificialidade das conversas entre aquelas figuras de papelão.

Aliás, é incrível que o filme realmente acredite que a colunista interpretada por Eva Mendes possa despertar algum tipo de sentimento mais forte em quem quer que seja. Desejo sexual, sim (a atriz é linda), mas amor? Como se apaixonar por uma mulher egoísta e superficial que ganha a vida expondo a intimidade dos outros? O roteiro até tenta vender a idéia de que Sara só publica fofocas com o objetivo de 'ajudar' determinadas celebridades, mas isto chega a ser menos verossímil do que a receita aparente obtida pelo personagem-título com seu trabalho de 'consultoria'.

Enquanto isso, Will Smith, um comediante talentoso, se vê limitado pela falta de carisma de Hitch, sendo obrigado a se conter ao compor o protagonista ¿ e se as gags físicas envolvendo o sujeito fracassam (ver o incidente do jet-ski), é justamente porque não combinam com a segurança habitual do conquistador profissional. Desta forma, a única figura realmente adorável de Hitch ¿ Conselheiro Amoroso é Albert, interpretado pelo simpático Kevin James, que consegue a proeza de roubar todas as cenas que divide com Smith. Se esta comédia oferece algumas boas gargalhadas, todas se devem a James.

Pena que, como já apontei, ninguém tenha tido a idéia de promovê-lo à posição de astro do filme.

Fonte:: www.cinemaemcena.com.br



por LÍVIA LAMBLET * 7:48 AM

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[Sexta-feira, Fevereiro 18]

Computadores com desconfiômetro

Com suas interrupções grosseiras e impensadas, os dispositivos digitais exigem cada vez mais a nossa atenção. Pesquisadores estão testando PCs, telefones e carros que percebem quando seus donos estão ocupados e não os incomodam o tempo todo
Por W. Wayt Gibbs

"A sua bateria esta carregada", anunciou o laptop a seu dono, Donald A. Norman, com o que parecia ser uma pontinha de orgulho em sua voz sintética.

Norman, grande defensor da idéia de que os computadores deveriam ser programados com "emoções", normalmente sorriria diante da frase. Mas acabou corando de vergonha. Ele tinha acabado de falar em uma conferência de cientistas cognitivos e especialistas em computação, e seu Powerbook ainda estava ligado ao sistema de som. Muita gente riu da gafe automatizada, mas o coordenador da mesa-redonda lançou a Norman um olhar não muito simpático.

Todo mundo já viveu uma situação parecida. É o celular que toca no cinema, o laptop que dispara protetores de tela no meio de apresentações, o aviso "Você tem 5 novas mensagens" que atrapalha nossa linha de raciocínio.

É claro que as distrações e o desafio de lidar com várias tarefas ao mesmo tempo não têm nada de novo. "Uma vida complicada, constantemente interrompida por pedidos de atenção, é tão antiga quanto a procriação", ri Ted Selker, do Laboratório de Mídia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Hoje em dia, não são apenas os filhos que nos deixam doidos, mas também uma enxurrada implacável de e-mails, alertas, alarmes, telefonemas, mensagens instantâneas e notificações automatizadas, que não sabem se estamos ocupados - ou mesmo presentes. "É ridículo que meu próprio computador não consiga perceber se eu estou na frente dele e que um mictório consiga", reclama Roel Vertegaal, da Universidade Queen's, em Ontário.

A humanidade se comunica por meio de 3 bilhões de telefones, computadores, faróis de trânsito - e até refrigeradores e porta-retratos - porque essas coisas tornam a vida mais confortável. Embora fosse mais fácil desligar os telefones, fechar o programa de e-mail e trancar a porta do escritório durante uma reunião ou um trabalho que exige concentração, geralmente não fazemos isso.

"Cada interrupção tem grande impacto na produtividade", afirma Rosalind Picard, cientista cognitiva do MIT. As pessoas driblam as incontáveis exigências do trabalho e do dia-a-dia criando uma lista mental de tarefas. Segundo estudos de Gilles O. Einstein, da Universidade Furman, uma interrupção de apenas 15 segundos faz com que a maior parte das pessoas esqueça parte dessa lista.

Vários estudos mostraram que, quando as pessoas são interrompidas de repente, elas não só trabalham de forma menos eficiente como também cometem mais erros. "Parece que vai surgindo uma sensação de frustração, e fica difícil recobrar o foco", diz Picard. E não se trata simplesmente de uma questão de produtividade e ritmo de vida. Para pilotos, motoristas, soldados e médicos, os erros ocasionados pela falta de atenção podem ser até perigosos.

"Se os nossos computadores e telefones entendessem um pouco os limites da atenção e da memória humana, seriam muito mais inteligentes e educados", afirma Eric Horvitz, da Microsoft Research. Horvitz, Vertegaal, Selker e Picard fazem parte de um conjunto pequeno mas crescente de pesquisadores que tentam ensinar computadores, telefones, carros e outros aparelhos a serem menos egocêntricos e mais atenciosos.

Para isso, as máquinas precisam de três novos tipos de habilidade: sensibilidade, raciocínio e comunicação. Em primeiro lugar, um sistema deve sentir ou deduzir onde seu dono está e o que ele está fazendo. Depois, pesar o valor das mensagens que transmitirá e decidir se vale a pena interromper. E tem de saber escolher o melhor modo e momento de intervir.

Cada uma dessas novas habilidades amplia os limites da ciência da computação e levanta questões de privacidade, complexidade ou confiabilidade. Apesar disso, os sistemas computacionais "atenciosos" começaram a aparecer nos carros da marca Volvo , e a IBM lançou o software de comunicações Websphere, que tem noções básicas de ocupação. Desde 2003, a Microsoft tem testado internamente um sistema muito mais sofisticado. Dentro de alguns anos, as empresas poderão oferecer a todos os funcionários uma versão de software da recepcionista pessoal que hoje só os altos executivos têm.

Mas, se essa oferta aparecer em sua caixa de entrada, leia as letras miúdas antes de comprá-la. Um sistema atencioso, por definição, está sempre de olho no dono. Pode ser que ele descubra mais sobre os seus hábitos de trabalho do que você mesmo.
Cuide da sua Vida

A maioria das pessoas não é tão ocupada quanto imagina. É por isso que, em geral, conseguimos tolerar as interrupções de nossa parafernália eletrônica. James Fogarty e Scott E. Hudson, da Universidade Carnegie Mellon, ao lado de Jennifer Lai, da IBM Research, estudaram dez gerentes, pesquisadores e estagiários no trabalho. Eles filmavam as pessoas e pediam periodicamente que elas avaliassem sua "interruptibilidade". O tempo que os funcionários passavam no modo "deixe-me em paz" variou de pessoa para pessoa e de um dia para outro, ficando entre 10% e 51%. Em média, as pessoas queriam trabalhar sem ser interrompidas um terço do tempo. Em estudos com funcionários da Microsoft, Horvitz descobriu que, em geral, eles passam mais de 65% do dia em estado de baixa atenção.

Os telefones e computadores de hoje, que assumem que o usuário nunca está ocupado demais para atender uma chamada ou ler um e-mail, talvez estejam certos aproximadamente dois terços do tempo. Para serem úteis, portanto, os sistemas com desconfiômetro terão de perceber quando seus donos estão acima de seus limites cognitivos com precisão superior a 65%.

Felizmente, não é preciso amarrar ninguém a um monitor cardíaco ou a um tomógrafo para isso. Fogarty e seus colegas descobriram que o uso de um simples microfone para detectar se alguém está falando ao alcance do ouvido aumentaria a precisão para 76%. Esse método é tão bom quanto a avaliação humana, feita pelos colaboradores, que assistiram às filmagens e estimaram quando as pessoas não deviam ser interrompidas. Quando a equipe de Fogarty aperfeiçoou o software para detectar não apenas as conversas, mas também o movimento do mouse, a atividade do teclado e os aplicativos em execução, a precisão subiu para 87% para os dois gerentes. Curiosamente, o valor foi para apenas 77% com os cinco cientistas, talvez porque sejam mais tagarelas.

O Bestcom/Enhanced Telephony, protótipo da Microsoft criado com base no trabalho de Horvitz, analisa o computador de cada usuário um pouco mais a fundo, à procura de pistas do que eles pretendem. Em meados de 2003, a Microsoft iniciou um teste interno do sistema. Segundo Horvitz, em outubro do ano passado, 3.800 pessoas o usavam para gerenciar seus telefonemas.

O próprio Horvitz é uma dessas pessoas. Enquanto conversávamos em seu escritório de Redmond, Washington, o Bestcom controlava silenciosamente as ligações. Em primeiro lugar, ele verifica se o interlocutor está listado na agenda telefônica, no catálogo da empresa ou no registro de chamadas feitas recentemente. Triangulando essas fontes, tenta deduzir a sua proximidade. Parentes, supervisores e pessoas para os quais ele já ligou fazem o telefone tocar. Os outros vêem uma mensagem em seus computadores informando que o pesquisador não estará disponível até as 15 horas. O sistema esquadrinha a agenda de Horvitz e a do interlocutor e se oferece para reprogramar a ligação. Alguns escolhem essa opção, outros deixam uma mensagem. Os e-mails funcionam de modo parecido. Quando Horvitz está fora do escritório, o Bestcom automaticamente se oferece para direcionar os interlocutores selecionados para o seu celular - a menos que sua agenda diga que ele está em reunião.

A maior parte das grandes empresas já utiliza sistemas telefônicos computadorizados, calendário padrão e software de gerenciamento de contatos. Assim, tirar vantagem desses "sensores" deve ser fácil. Mas nem todos os funcionários vão gostar da idéia de usar um microfone o tempo todo, nem de expor a sua agenda a algum programa que não possam controlar. Além disso, alguns gerentes podem ficar tentados a igualar "estado de baixa atenção" com "matar o tempo", e punir os que parecem pouco ocupados.

Os pesquisadores parecem perceber esses riscos. Hudson argumenta que um sistema atencioso não deve gravar sons, barulho de digitação ou coisas do tipo, mas simplesmente analisar os fluxos de dados e descartá-los após registrar "conversa em andamento", "digitação detectada" e assim por diante. "Criamos uma ferramenta de privacidade na Bestcom desde o começo, para que os usuários possam controlar quem terá permissão de ver a informação obtida", ressalta Horvitz.

Observador Observado

Se as câmeras digitas ficarem mais baratas, essas informações poderão vir acompanhadas de imagens. Com uma simples webcam de US$ 20, o software de Horvitz informa quando uma pessoa está na linha de visão e se ela está sozinha ou em uma reunião. Câmeras mais sofisticadas podem utilizar os olhos como janela da mente e talvez ampliar o alcance dos computadores com desconfiômetro dentro de casa.

Vertegaal encheu o Laboratório de Mídia Humana da Universidade Queen's com aparelhos comuns que sabem quando alguém está olhando para eles. "Quando digo 'acenda', aquela lâmpada ali não faz nada", afirma Vertegaal. Ele se vira e encara o objeto.

"Acenda", diz ele. Os LEDs montados em uma placa de circuitos da lâmpada emitem luz infravermelha sobre suas pupilas. A luz refletida é captada. Um processador faz uma interpretação rápida de padrões e reconhecimento de fala, e a lâmpada acende.

A capacidade de perceber o olhar fixo pode dar a máquinas comuns um comportamento aparentemente mágico. Vertegaal atende a uma ligação simplesmente olhando para o telefone e dizendo "Alô". Quando pára de falar e se afasta do aparelho, a ligação é encerrada. A televisão do laboratório pára um DVD ou corta o som de um show na TV quando percebe que não há ninguém assistindo. Alguns alunos de Vertegaal perambulam com sensores de contato visual em seus chapéus ou óculos. Quando o usuário inicia uma conversa, o sensor transmite essa informação por meio de um link sem fio ao celular em seu bolso, que muda do modo sonoro para o modo de vibração.

Embora a tecnologia esteja em constante evolução, os detectores de olhar fixo ainda são muito caros, pesados, feios e pouco confiáveis para serem usados no dia-a-dia. "O contato visual não é uma medida de atenção perfeita, mas é a mais precisa", afirma Vertegaal.

Enquanto funcionarem independentemente, as aplicações atenciosas não passam de brinquedinhos. A utilidade real só virá de sistemas maiores e mais inteligentes, capazes de adivinhar o foco de nossa atenção e controlar nossas conversas com todas as máquinas. Fazer isso de modo seguro vai exigir um bocado de raciocínio.

Caixa-Preta

De modo geral, os computadores podem utilizar duas técnicas para decidir quando e como transmitir uma informação: regras ou modelos. As duas abordagens precisam enfrentar o fantasma da complexidade.

Se o sistema estiver limitado a seguir algumas regras, os usuários podem prever exatamente como ele tratará determinada mensagem. Muitos programas de e-mail, por exemplo, fazem o controle de spams com listas de spammers conhecidos e de contatos válidos. Quando uma mensagem chega, é eliminada ou aceita. Esses sistemas são simples e claros, mas também bastante imprecisos.

Os filtros anti-spam e os firewalls de rede melhoraram muito com a ajuda de modelos estatísticos, chamados redes bayesianas, que são estruturados por algoritmos de aprendizado. O usuário fornece ao algoritmo vários exemplos de mensagens desejáveis e também alguns contra-exemplos de tráfego indesejado. "O software identifica todas as variáveis que influenciam a propriedade que o interessa e, em seguida, investiga as relações possíveis entre elas para encontrar o modelo mais preditivo", explica Horvitz.

As redes bayesianas podem ser assustadoramente precisas. "Elas são inteligentes porque sabem que não podem saber de tudo", diz o pesquisador. "Isso permite que elas captem comportamentos sutis, que necessitariam de milhares de regras rigorosas." Horvitz planeja apresentar os resultados de um modelo que foi treinado em 559 compromissos, retirados da agenda de um gerente. Em 92% das vezes em que foi desafiado, o modelo previu corretamente se o gerente participaria da reunião. Em quatro de cada cinco casos, o modelo replicou a estimativa do custo da interrupção da reunião feita pelo próprio gerente.

Isso parece impressionante, mas alguns especialistas continuam céticos. Os usuários podem ter pouquíssima tolerância com um sistema que suprime erroneamente uma em cada dez ligações importantes. "Quanto mais 'atenciosas' as coisas se tornam, mais imprevisíveis elas são", adverte Ben Shneiderman, da Universidade de Maryland. "Muitos dispositivos 'inteligentes' não são usados porque as pessoas não conseguem entender como eles funcionam."

De fato, pondera Vertegaal, "a inteligência artificial não conseguiu criar a secretária pessoal, porque ela era muito complicada. Mas tenho certeza de que conseguimos criar uma recepcionista", acrescenta.

Isso seria ótimo, mas a computação atenciosa realmente reduziria as interrupções e aumentaria a produtividade? Pelo menos para algumas tarefas especializadas, a resposta é: sem dúvida.

Um exemplo é o sistema HAIL-SS, do grupo Lockheed Martin. Da mesma forma que o Bestcom se interpõe entre o sistema telefônico e um funcionário, o HAIL-SS vigia os marinheiros que operam o sistema de armamento naval Aegis e controla os vários alertas que esse sistema produz. Em simulações de combate, o HAIL-SS reduz o número de interrupções de 50% a 80%, permitindo que os marinheiros controlem os alertas críticos até duas vezes mais rápido. O software reduziu a dificuldade e o stress do trabalho em um quarto, segundo seus usuários.

Contudo, ainda não foi realizado nenhum estudo importante no ambiente comercial. Mesmo com o Bestcom, Horvitz foi interrompido 14 vezes durante as cinco horas de entrevista. Dois alarmes de incêndio, um entregador da FedEx e vários colegas bisbilhotando são alguns exemplos de perturbações que nunca desaparecerão, porque elas beneficiam a quem interrompe.

Mesmo assim, Vertegaal se mostra otimista. "Abrindo essas novas fontes de informação sobre a disponibilidade das pessoas, vamos nos adaptar naturalmente e usá-las para aplicar as regras já existentes de etiqueta", prevê ele. "Você só será menos interrompido se as pessoas souberem que você está ocupado."


Fonte: Revista Scientific American Brasil



por LÍVIA LAMBLET * 9:35 AM

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[Quinta-feira, Fevereiro 17]

Indios
Legião Urbana


Quem me dera, ao menos uma vez,
Ter de volta todo o ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer

Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês -
É só maldade então, deixar um Deus tão triste.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta prá mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura para o meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta prá mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura para o meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.



por LÍVIA LAMBLET * 10:21 AM

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[Quarta-feira, Fevereiro 16]

CHEGA DE SANGUE E IMPUNIDADE NA AMAZÔNIA

No último sábado, dia 12/2, a Irmã Dorothy, missionária americana naturalizada brasileira, foi cruelmente assassinada no Pará. O motivo? Defender a Amazônia e seus habitantes da ação destruidora de madeireiros.

Irmã Dorothy dedicou quase metade de seus 74 anos para dar voz às comunidades rurais, defendendo o direito à terra e lutando por um modelo de desenvolvimento sem destruição da floresta. Lutava para que o Estado se fizesse presente na Amazônia, denunciando inclusive o envolvimento de policiais com fazendeiros e grileiros da região. Foi ameaçada de morte inúmeras vezes.

Quantos mais terão que morrer para que medidas eficazes sejam tomadas para proteger a Amazônia e suas comunidades? Por quanto tempo ainda haverá violência causada por grilagem de terras públicas e exploração ilegal de madeira? Já faz mais de 16 anos que perdemos Chico Mendes, muitas vidas se foram em todos esses anos e a violência continua...

Fonte: www.greenpeace.org.br

por LÍVIA LAMBLET * 11:37 AM

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[Quinta-feira, Fevereiro 3]

Depois do jantar
Carlos Drummond de Andrade

Também, que idéia a sua: andar a pé, margeando a Lagoa Rodrigo de Freitas, depois do jantar.

O vulto caminhava em sua direção, chegou bem perto, estacou à sua frente. Decerto ia pedir-lhe um auxílio.

¿ Não tenho trocado. Mas tenho cigarros. Quer um?

¿ Não fumo, respondeu o outro.

Então ele queria é saber as horas. Levantou o antebraço esquerdo, consultou o relógio:

¿ 9 e 17... 9 e 20, talvez. Andaram mexendo nele lá em casa.

¿ Não estou querendo saber quantas horas são. Prefiro o relógio.

¿ Como?

¿ Já disse. Vai passando o relógio.

¿ Mas ...

¿ Quer que eu mesmo tire? Pode machucar.

¿ Não. Eu tiro sozinho. Quer dizer... Estou meio sem jeito. Essa fivelinha enguiça quando menos se espera. Por favor, me ajude.

O outro ajudou, a pulseira não era mesmo fácil de desatar. Afinal, o relógio mudou de dono.

¿ Agora posso continuar?

¿ Continuar o quê?

¿ O passeio. Eu estava passeando, não viu?

¿ Vi, sim. Espera um pouco.

¿ Esperar o quê?

¿ Passa a carteira.

¿ Mas...

¿ Quer que eu também ajude a tirar? Você não faz nada sozinho, nessa idade?

¿ Não é isso. Eu pensava que o relógio fosse bastante. Não é um relógio qualquer, veja bem. Coisa fina. Ainda não acabei de pagar...

¿ E eu com isso? Então vou deixar o serviço pela metade?

¿ Bom, eu tiro a carteira. Mas vamos fazer um trato.

¿ Diga.

¿ Tou com dois mil cruzeiros. Lhe dou mil e fico com mil.

¿ Engraçadinho, hem? Desde quando o assaltante reparte com o assaltado o produto do assalto?

¿ Mas você não se identificou como assaltante. Como é que eu podia saber?

¿ É que eu não gosto de assustar. Sou contra isso de encostar o metal na testa do cara. Sou civilizado, manja?

¿ Por isso mesmo que é civilizado, você podia rachar comigo o dinheiro. Ele me faz falta, palavra de honra.

¿ Pera aí. Se você acha que é preciso mostrar revólver, eu mostro.

¿ Não precisa, não precisa.

¿ Essa de rachar o legume... Pensa um pouco, amizade. Você está querendo me assaltar, e diz isso com a maior cara-de-pau.

¿ Eu, assaltar?! Se o dinheiro é meu, então estou assaltando a mim mesmo.

¿ Calma. Não baralha mais as coisas. Sou eu o assaltante, não sou?

¿ Claro.

¿ Você, o assaltado. Certo?

¿ Confere.

¿ Então deixa de poesia e passa pra cá os dois mil. Se é que são só dois mil.

¿ Acha que eu minto? Olha aqui as quatro notas de quinhentos. Veja se tem mais dinheiro na carteira. Se achar uma nota de 10, de cinco cruzeiros, de um, tudo é seu. Quando eu confundi você com um, mendigo (desculpe, não reparei bem) e disse que não tinha trocado, é porque não tinha trocado mesmo.

¿ Tá bom, não se discute.

¿ Vamos, procure nos... nos escaninhos.

¿ Sei lá o que é isso. Também não gosto de mexer nos guardados dos outros. Você me passa a carteira, ela fica sendo minha, aí eu mexo nela à vontade.

¿ Deixe ao menos tirar os documentos?

¿ Deixo. Pode até ficar com a carteira. Eu não coleciono. Mas rachar com você, isso de jeito nenhum. É contra as regras.

¿ Nem uma de quinhentos? Uma só.

¿ Nada. O mais que eu posso fazer é dar dinheiro pro ônibus. Mas nem isso você precisa. Pela pinta se vê que mora perto.

¿ Nem eu ia aceitar dinheiro de você.

¿ Orgulhoso, hem? Fique sabendo que tenho ajudado muita gente neste mundo. Bom, tudo legal. Até outra vez. Mas antes, uma lembrancinha.

Sacou da arma e deu-lhe um tiro no pé.


Texto extraído do livro "Os dias lindos", Livraria José Olympio Editora ¿ Rio de Janeiro, 1977, pág. 54.



por LÍVIA LAMBLET * 8:45 AM

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[Quarta-feira, Fevereiro 2]

25 megas no hotmail

Testado e aprovado ... essa é show ... : Aumente sua caixa postal do
hotmail para 25MB ... chega de 2MB :)
No webmail entre em Opções/Opções pessoais/Meu perfil

Depois troquem os dados para:
País/Região: Estados Unidos
Estado: California
CEP:90015
Agora use o link abaixo para encerrar a sua conta, no link clique em
"vá para a página Encerrar Conta":

http://help.msn.com/!data/pt_br/data/HotmailPIMv10.its51/$content$/PIM_PROC_CLOSEACCT.HTM?H_APP=MSN+Hotmail#
Depois disso para reativar a conta: Entre na página inicial do hotmail
e coloque seu login e senha normal, na próxima tela clique em ativar
conta.

OBS - Faça a reativação no mesmo dia, ou perderá sua conta. No mesmo
dia não há perda nenhuma ... de preferência faça assim que terminar de
desativar

Depois vc pode acessar o seu perfil e voltar para Brasil, Bahia ... é
até aconselhável que você faça isso. Evitar rastreamento depois, pá pá
pá .... caixinha de fósforo.

Ah! e não precisa fazer o backup das suas mensagens não, que não perde
nada, ele conserva as mensagens que estavam lá antes da troca.


por LÍVIA LAMBLET * 8:29 AM

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[Terça-feira, Fevereiro 1]

Planeta Urano está mais ativo do que nunca

Mudanças nas estações do objeto durante sua lenta translação em volta do Sol aumentam velocidade dos ventos e favorecem formação de nuvens

O planeta Urano, considerado monótono e sem graça, acaba de ganhar nova vida para os observadores da Terra, depois de informações obtidas por cientistas da Universidade da Califórnia com o telescópio Keck II, localizado no topo do vulcão Mauna Kea (Havaí).

Segundo os pesquisadores, com o fim do verão no hemisfério sul de Urano, houve a chegada de tempestades de nuvens sobre a atmosfera. Ventos no hemisfério norte sopravam a uma velocidade de 155 quilômetros por hora, e os anéis se tornavam cada vez mais claros. Além disso, foi observado o 11° anel de Urano, que havia sido visto uma única vez pela espaçonave Voyager há 18 anos. Chamado de 1986 U2R, o misterioso anel pôde ter agora seu tamanho e localização calculados: 3,5